Renata Vasconcellos e Chico Pinheiro. Apresentadora chega ao lado direito da bancada

Renata Vasconcellos e Chico Pinheiro. Apresentadora chega ao lado direito da bancada

Estou me sentindo traído com essa mudança no Bom Dia Brasil. Esse negócio da Renata Vasconscellos ancorar o telejornal e o Chico Pinheiro ficar de coadjuvante não vai dar certo. Não estou jogando praga, mas acho que a audiência também vai chiar. Está tudo de cabeça para baixo. Até os intervalos perderam o sentido. As chamadas do Boston Medical Group – aquela empresa que garante que você ainda pode surpreender a sua parceira com uma bela ereção – agora nos dão a estranha sensação de estarmos sendo cobrados. Deixou de ser uma dica de amigo para se tornar uma cobrança da classe feminina. Quase vejo a Renata Vasconcellos como a mão na cintura me intimando: “Você já ligou para o Boston Medical Group?”

Desde 1983 esse programa acorda os brasileiros com um homem comandando sua bancada, afinal, ele sempre foi um telejornal feito por homens e para os homens. Não é exagero dizer que a verve masculina está no DNA do Bom Dia Brasil.

O barbudo Carlos Monforte foi o criador e primeiro âncora do programa, em 1983. Naquela época o BDB tinha uma pegada política mais forte, era meio azedo, cinza e carrancudo. A cara do homem brasileiro nos anos 80.

O modelo seguiu firme até o início do Plano Real, quando uma conversa entre o Monforte e Rubens Ricúpero, então ministro da Fazenda, foi capturada em um sinal perdido de antena parabólica e revelou os bastidores da relação poder e imprensa. O jornalista não tinha nada com aquilo, mas o chamado “Escândalo da Parabólica” acabou catapultando o apresentador para a Globo News.

No lugar de Monforte entrou Renato Machado. Era 1996 e a escolha caiu como uma luva. Renato tinha o temperamento perfeito para o Brasil de Fernando Henrique. Naqueles primeiros anos de Plano Real, inflação zero e abertura de mercado, o Bom Dia introduziu gastronomia, música clássica e um verniz de sofisticação que casava com a explosão de consumo de bens de luxo.
Ao lado do apresentador surgia uma figura feminina: Leilane Neubarth. A presença da ruiva, no entanto, não tirou a essência do programa: um telejornal para o homem assistir enquanto toma café e dá o nó da gravata.

Leilane, que nunca foi dondoca, mas jornalista experiente, entrou em choque com o âncora, que esperava dela apenas um papel decorativo. Ao constatar que Leilane era mais que um par de olhos azuis, o apresentador não pensou duas vezes e a afastou do programa. Em seu lugar escalou Renata Vasconcellos, a esposa que toda a audiência do Bom Dia sonhava: culta, doce, educada, fina e, acima de tudo, linda.

Na semana passada o impensável aconteceu. Renato Machado se transferiu para a Inglaterra e no lugar dele colocaram Renata Vasconcellos, a primeira mulher a ancorar o Bom Dia Brasil. Ela agora senta na cadeira do antecessor e, ao lado dela, está o experiente Chico Pinheiro. Pode ser um olhar preconceituoso, mas, para mim, o telejornal ficou esquisito, sem personalidade. Me dá pena ver o Chico Pinheiro de coadjuvante. É foda olhar para a Renata desfilar pelo estúdio, chamando as reportagens mais importantes, comandando as entrevistas. Tenho a sensação de que ele vai arrastar uma poltrona do lugar, mudar a decoração, pintar as paredes em tons de nude. Chico parece nos representar. Faz a figura do homem que casa com uma mulher mais nova e que faz tudo o que ela quer. Não segura o controle remoto e ainda é obrigado a assistir à novela da 8h. Tomara que Chico se acostume, porque eu não vou me acostumar não

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