Em seu primeiro mandato, o deputado ganhou notoriedade pelo corte de despesas em seu gabinete e pelo discurso de buscar uma nova forma de se fazer política. Após três anos na Câmara, o pedetista foi o escolhido pelo partido para concorrer ao GDF
Luis Ricardo Machado, do Jornal da Comunidade
“Uma pessoa que luta por aquilo que acredita”. É desta forma que o deputado distrital pelo Partido Democrático Trabalhista (PDT) José Antônio Reguffe se define. Em seu primeiro mandato político, após duas tentativas frustradas, a busca pela reforma no cenário político e o enxugamento da máquina pública, exemplo feito em seu próprio gabinete com a diminuição de assessores, parecem ter ganhado a atenção da cúpula do PDT. Resultado: o pedetista disputará as eleições ao Governo do Distrito Federal pela sigla. Em entrevista ao Jornal da Comunidade, Reguffe fala sobre suas pretensões políticas, propostas que abordará na campanha de 2010 e, dentre outros assuntos, melhorias nas áreas da saúde, educação, segurança pública e transporte.

PDT deve lançar Reguffe para o GDF e Cristovam para o Senado
Quais os principais fatores que o senhor enumeraria para que seu nome fosse escolhido pelo PDT para disputar o Governo do Distrito Federal?
Desde o início eu sempre defendi que o PDT tivesse um candidato próprio. Como cidadão, eu não me considero representado pelo Arruda (governador), pelo Roriz e pelo PT. Quero ver algo novo, diferente, algo que represente uma nova forma de se fazer política, uma nova forma de administração pública. Seria muito cômodo para mim disputar uma eleição para deputado federal, onde as pesquisas dizem que eu teria uma vitória provável, ou até mesmo para deputado distrital, onde pesquisas revelam que seria o candidato mais votado. Agora, penso que o PDT deve ter a ousadia e a coragem de lançar uma candidatura própria, oferecendo à população de Brasília uma nova alternativa diferente destas que estão aí.
Então, seria a insatisfação com o modelo político atual e a vontade de oferecer uma nova forma de governo algumas das razões para a escolha do seu nome pelo PDT para disputar o GDF?
O partido me lançou e eu topei este desafio. Claro que uma candidatura ao governo, uma candidatura majoritária, depende do partido, já que no Brasil não existem as candidaturas avulsas. Em relação à escolha do meu nome às eleições para o governo depende do partido levar isto até o fim. De minha parte estou disposto a ir até o fim e a fazer um debate qualificado do que eu penso que tem de ser o novo modelo de administração pública.
E qual seria este novo modelo?
Primeiro, um modelo que priorize a qualificação técnica em detrimento das indicações políticas. No meu governo não vai haver indicações políticas, não vai haver indicações de partidos; vou priorizar a qualificação técnica ao invés destas indicações. O que há hoje é uma estatização de cargos eleitorais na máquina do Estado, quase sempre nomeando pessoas que não têm qualificação técnica para exercer esses cargos. No meu governo pode ter até um político no governo, desde que ele tenha qualificação para aquele cargo que vai exercer. Vou fazer um governo buscando os melhores quadros técnicos, estejam eles em quaisquer partidos, sejam eles filiados a siglas ou não, até porque tem muita gente que nunca foi filiada a partido político e daria uma grande contribuição à população.
Além deste, quais outros modelos o senhor adotaria no governo?
Outro ponto é que o Estado gasta muito com as atividades meio e pouco com as atividades fim. A França tem 4.800 mil cargos comissionados, os Estados Unidos inteiro tem 5.600 e o Distrito Federal deste tamanho possui 15.553 cargos. Isto é quase uma estatização de cargos eleitorais. O Estado hoje parece que serve muito mais para perpetuação de máquinas políticas do que para devolver serviços públicos de qualidade ao contribuinte. E é justamente isto que precisa inverter. Quero um Estado que gaste muito mais nas atividades fim e menos nas atividades meio.
E como o senhor faria isto?
Vou fazer uma redução brutal no número de cargos comissionados do governo, reduzindo em mais de 80%, e concentrarei os recursos do governo em devolver serviços públicos de qualidade à população nas áreas de educação, saúde e segurança pública. Acredito que governar seja muito mais que fazer obras, mas devolver serviços públicos de qualidade à sociedade. Existem algumas obras que são necessárias sim e que têm de ser feitas, mas não somente isto.
Em relação às áreas mencionadas pelo senhor, exemplifique algumas medidas adotadas em seu governo para melhorar a qualidade da saúde no Distrito Federal.
Criarei um modelo de atendimento domiciliar. A política pública de saúde implementada pelo meu governo será uma política que vai fazer um atendimento domiciliar, fazendo com que as pessoas sejam atendidas nas próprias residências. Isto vai ajudar a desafogar os hospitais.
Teriam médicos suficientes para este programa?
No meu governo ao invés de investir em obras, contratarei um grande número de médicos, aumentando assim o efetivo. Além disto, têm outras novidades que pretendo trazer, como por exemplo o dinheiro na área de saúde tem de aumentar, tem de ter mais dinheiro nesta área e vou retirar uma parte disto das obras, principalmente para atender à população mais carente. Outro ponto muito importante é a questão dos recursos que já existem na área de saúde.
E como o senhor trataria a grande demanda que vem do Entorno e enche os hospitais públicos do Distrito Federal?
A minha preocupação vai ser em equipar a rede pública de saúde, reaparelhá-la e dotá-la de condições de oferecer um serviço público de saúde digno à população do DF.
Outra questão é a segurança pública. Quais medidas o senhor traria para coibir a criminalidade, principalmente no que se refere ao alto número de homicídios?
Você precisa contratar mais policiais, aumentar o efetivo da Polícia Militar nas ruas para fazer um policiamento preventivo e ostensivo. O conceito de segurança pública moderna exige mobilidade e é isto que vou propor. É preciso dar uma resposta imediata aos segmentos criminosos para que a população tenha mais segurança.
Quais as plataformas políticas para a educação?
Pretendo que ao final do meu governo todas as crianças do DF estejam na escola e todas as escolas públicas tenham educação em tempo integral. Quero construir escolas referência, escolas modelo em tempo integral e a meta é entregar pelo menos uma escola por cidade, e que seja referência e ofereça ensino de qualidade. Outra coisa que é importante mencionar é que precisamos ter bônus por produtividade no serviço público.
Como o senhor trabalharia a questão da criação de empregos?
Quem tem de gerar emprego não é o governo, mas a iniciativa privada. O governo tem de se preocupar em devolver serviços públicos de qualidade à população. Minha preocupação não é com o Estado mínimo ou máximo. Defendo o Estado eficiente.
Transporte público é outra questão constantemente abordada em seus pronunciamentos na Câmara. O que precisa mudar?
É preciso rever a concessão do serviço público, porque ela não é propriedade. Ora, se uma empresa não está prestando um serviço a contento à população, tem que cassar a concessão desta empresa. Para isto serve o modelo de concessão pública. Vou abrir uma licitação para aumentar a concorrência e com isto melhorar a qualidade do serviço e baixar o preço das passagens. Outra coisa é a fiscalização. As empresas de ônibus não passam na hora e isto precisa ser revisto.
Anteriormente o senhor pensava em concorrer ao GDF sem alianças. Como fica esta questão hoje?
Neste primeiro momento eu vou procurar o PSOL e o PV para uma conversa, mas a minha aliança principal não vai ser com partido nenhum, vai ser com a sociedade. Quero que a sociedade discuta que tipo de governo ela quer, que tipo de modelo de gestão ela quer.
Mas como seriam as alianças já no governo? Como o senhor governaria sem a maioria na Câmara Legislativa por exemplo?
Se não tiver maioria na Câmara não vou entrar na barganha. A Constituição Federal é clara: os poderes são independentes. Eu vou colocar propostas e se a Câmara não quiser aprová-las, que ela assuma sua responsabilidade perante a sociedade por não aprovar.
Já existe um nome para compor a chapa como vice-governador e que possa acrescentar nesta campanha e também no governo?
O processo ainda está muito no início, mas hoje vejo o Toninho do PSOL e que disputou as últimas eleições como um bom nome. Mas têm vários que poderiam colaborar com a sociedade. A minha maior preocupação não são com os nomes, mas com os projetos a serem implementados.
Deputado, possivelmente o senhor vai concorrer com o governador Arruda, que disputará a reeleição, e com o ex-governador Joaquim Roriz. Quais os diferenciais o senhor mostrará para ganhar a atenção e os votos do eleitor?
O eleitor é que vai ter de decidir que tipo de governo ele vai querer. O certo é que não vou fazer uma concessão de princípio para ganhar eleição. Idéias você debate ao extremo, isto faz parte do Estado democrático de direito, mas princípios você não pode transigir. Caso seja eleito governador, quero me dar a chance de fazer um governo que sempre sonhei em ver. Não me interessa se é romântico ou idealista.
Nesta campanha os adversários podem enfocar a questão da inexperiência política. Esta falta de experiência é um problema?
Os meus adversários vão me criticar muito pela minha falta de experiência administrativa me acusando de não ter experiência e eu vou responder a eles: que experiência administrativa? Esta que tem aí? Pois esta eu tenho orgulho de não ter, pois é justamente para me contrapor a este tipo de experiência administrativa que estou me propondo a dar quatro anos da minha vida para servir à sociedade e governar a minha cidade.
O senhor foi um dos deputados distritais mais bem votados nas últimas eleições. Uma derrota na disputa ao GDF não poderia representar o fim de sua carreira política?
Não estou preocupado com a minha imagem nem com a minha vida política. Estou preocupado é com a sociedade. Política para mim não é uma questão de salário ou ocupação de cargo, mas sim um ideal. Estou me propondo a servir à sociedade e cabe a ela decidir se quer ou não. Se não quiser não tem problema, porque pelo menos coloquei algumas idéias em debate.
Um dos alicerces para esta candidatura é justamente o trabalho que o senhor vem desenvolvendo na Câmara Legislativa?
Me orgulho muito do mandato que estou fazendo na Câmara. Eu honrei e cumpri absolutamente todos os compromissos que assumi com as pessoas que votaram em mim. Todos os projetos que constavam como propostas no meu panfleto de campanha foram apresentados por mim na CLDF. Todas as medidas que disse durante a campanha que iria tomar no meu gabinete e que muita gente disse que quando fosse eleito eu não faria, eu adotei. Abri mão dos salários extras que os deputados recebem, reduzi minha verba de gabinete. Tenho no meu gabinete hoje 14 assessores a menos que os demais deputados e economizo com isto, por mês aos cofres públicos, mais de R$ 53 mil. Alguns dizem que não vou conseguir mudar o mundo, mas pelo menos estou fazendo a minha parte.
Quais pontos positivos o senhor vê no atual governo?
O governo Arruda tem como ponto positivo e já elogiado diversas vezes por mim a luta em defesa da legalidade e a política de repressão de invasões a áreas públicas.
Para finalizar, defina o político Reguffe.
Uma pessoa indignada com uma série de coisas que vê e alguém que propõe a dar mais quatro anos de sua vida para servir a sociedade. Apesar de muitos me considerarem um idealista e um sonhador, prefiro dizer que sou uma pessoa que luta por aquilo que acredita.
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Cristovam, Eleições 2010, PDT, Reguffe