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Por Ricardo Callado - De ponto de encontro da população, nas primeiras décadas de Brasília, a uma avenida decadente. Desde os anos 80 que as autoridades fecharam os olhos para a W3 Sul. A especulação imobiliária falou mais alto. O surgimento de grandes centros de compras, como shoppings, afastou o brasiliense.

Nos últimos anos a avenida sofreu alterações de uso do solo em um de seus lados com o surgimento de diversas atividades não permitidas pelas normas urbanísticas, ocasionando conflitos entre os diversos segmentos envolvidos: comerciantes, moradores, usuários e governo.

Além disso temos o confronto entre a dinâmica de uma cidade ainda jovem e o fato desta ser Patrimônio Histórico da Humanidade, tombada a nível federal e local. As restrições, de todos os tipos, dificultam qualquer ação no sentido de resgatar a sociabilidade da avenida

O resultado pode ser visto e sentido por quem passa no local. Mais de 130 lojas fechadas, empresários falidos, empregados demitidos, violência e falta de conservação. Esta é a realidade da W3 Sul.

Poucas lojas resistiram a falta de investimentos e ao aumento da violência. A presença de usuários de drogas também é constante. Não existem atrativos e a falta de estacionamento afasta os clientes. O movimento nas calçadas da avenida praticamente não existe. A W3 Sul serve apenas de passagem.

Se nada for feito, o futuro será de mais portas fechadas. O aluguel das lojas acompanhou a inflação e custa, em média, R$ 4 mil, valor absurdo para os comerciantes que sofrem com a falta de clientes. De acordo com o Sindicato do Comércio Varejista, só neste ano, houve aumento de 50% no número de lojas desativadas. Mais de 40 estabelecimentos.

Comerciantes e moradores enxergam uma luz no Plano de Preservação do Conjunto Urbanístico (PPCUB). O projeto é criticado por segmentos sociais, principalmente quando trata de criar novas áreas habitacionais em locais adensados. Mas é aplaudido quando trata da revitalização da W3 Sul. É o PPCUB do Bem.

O plano de preservação é talvez a última esperança dos moradores e comerciantes da região. Após discussões e audiências públicas, recebeu emendas positivas. Parece estar pronto para ser votado na Câmara Legislativa.

O PPCUB está nas mãos do deputado distrital Cristiano Araújo (PTB). Ele é o presidente da Comissão de Assuntos Fundiários (CAF). Há oito anos na Câmara, Cristiano acompanha de perto os empresários e moradores da W3 Sul.

O novo PPCUB possibilita aumentar o potencial construtivo da região; ampliar o uso da avenida para setores de alojamento, como hotéis, residência multi-familiar, comércio e serviços em gerais; a criação do estacionamento subterrâneo; dispensa de RIT e cobrança de ONALT, como forma de incentivo para os empresários; e a conclusão das obras do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT).

RIT é o relatório de impacto no trânsito. Ele determina o limite de circulação de veículos na área e se algum projeto pode ou não ser concretizado no local.

Já Onalt é a Outorga Onerosa de Alteração de Uso. Ela assegura a compensação para a coletividade do que foi agregado ao imóvel em termos econômicos em razão de sua mudança de destinação. Se a área valorizar, o dono do imóvel tem que pagar essa taxa extra ao governo.

As mudanças propostas pelo PPCUB é uma forma legal de revitalizar a avenida, sem interferir no tombamento da capital. E sem prejudicar os moradores da região. Traz ainda benefícios para os empresários e comerciantes.

É preciso partir para negócios mais acessíveis, incentivos ao comércio, transporte público de qualidade e realização de eventos culturais. E combater a violência e as drogas no local.

Se o PPCUB tem dentro dele suas encrencas e negócios suspeitos, também tem uma parte que pode trazer qualidade de vida para setores da cidade. Basta diferencia-los. E aprovar aquilo que realmente interessa, deixando de lado o balcão de negócios que querem transformar o plano de preservação.

 

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Por Ricardo CalladoO Governo do Distrito Federal se meteu numa encrenca que não é dele. E nem teve como evitar. Trata-se da Fan Fest. A festa é organizada pela Fifa desde a Copa do Mundo de 2006, na Alemanha.

Serão palcos e telões em todas as 12 cidades sedes para que a população acompanhe aos jogos. Após as partidas o evento continua, com shows musicais. A entrada é gratuita. Mas quem paga a conta no final é a cidade-sede. Ou melhor, o contribuinte.

A realização dos eventos é um dos compromissos assumidos por cidades para sediar jogos da Copa do Mundo. A Fifa e seus patrocinadores usam os eventos, que são abertos ao público, para exibir suas marcas. O pagamento do custo das festas, entretanto, sai dos cofres públicos.

A Fifa não revela quanto custa uma Fan Fest. Manaus estima um gasto de R$ 10 milhões com a festa. Já Curitiba, de R$ 6,7 milhões. Não é barato. Não, mesmo. O Rio de Janeiro resolveu endurecer a negociação com a entidade. Por sua vez, a Fifa ameaçou entrar na justiça por quebra de contrato.

Em Brasília, a festa inicialmente seria realizada na Esplanada dos Ministérios. Mudou de local e vai ser no Taguaparque. A desculpa é que seja “o mais democrático possível, se traduzindo em uma verdadeira festa popular”, diz a Secopa-DF.

O Taguaparque é um espaço público, em uma área que concentra mais da metade da população do Distrito Federal. É região central para os moradores de Taguatinga, Ceilândia, Samambaia e regiões vizinhas.

Por trás disso está a intenção de afastar a população dos estádios. O medo são as manifestações. E que os eventos acabem sendo alvo de protestos levando os governos a repensar a montagem da estrutura exigida pela Fifa.

Em ano eleitoral, manifestações podem ser fatais para quem está no poder. Se os governos pudessem, essas festas nem seriam realizadas. Como a Fifa obriga a realização dos eventos, o melhor é deixa-los bem longe das arenas.

No caso de Brasília, cabe ao Palácio do Buriti ter prudência nos gastos com a festa. Do contrário, acaba virando arma dos adversários em ano eleitoral. O quesito festas já deu muita dor de cabeça ao governador Agnelo Queiroz. O governo não precisa de mais problemas.

Além de contratar artistas, vai sair do bolso do contribuinte brasiliense a conta pelas estruturas temporárias, telões, segurança, banheiros químicos e tudo o que precisa ser levado ao Taguaparque. A palavra de ordem deve ser economizar.

O Fifa Fan Fest vai durar os 30 dias da Copa do Mundo, com apresentações diárias. A Secopa ainda não divulgou quais são as atrações, nem quanto vai custar a festa. Nenhum governante é louco de gastar muito no período eleitoral. As consequências virão nas urnas.

Que a festa não seja cara. Assim, o GDF evita dar mais munição aos adversários, a indignação da população e o mal uso do dinheiro público.

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Por Ricardo Callado -  Brasília merece ser bem cuidada. Ser respeitada. Brasília é a nossa casa. Quando falamos em casa, logo imaginamos o lugar onde moramos com a nossa família. Mas a cidade em que vivemos também é nossa casa, e por isso temos a obrigação de cuidar dela.

Ao completar 54 anos, a capital dos brasileiros passa por problemas. E nossos representantes não conseguem resolve-los, seja por negligência ou incompetência. Ou por ambos. Buracos, insegurança, trânsito caótico e serviços públicos que deixam a desejar fazem parte do dia-a-dia do brasiliense.

A Brasília que queremos e merecemos não é essa. Ela já existiu. Mas precisa passar por constante transformação. Como qualquer outra cidade que cresce. O patrimônio cultural e o tombamento precisam ser respeitados. Mas sem engessamento.

Não pode paralisar a capital como se fosse uma múmia. Nós precisamos de metrô, mais ciclovias, passagens de pedestres, duplicação de vias. Mais escolas e hospitais. De áreas residenciais e comerciais legalizadas e sem especulação.

Precisamos ainda de políticos que sejam comprometidos com a cidade. Brasília não é mais a mesma de 50 anos. Isso é a coisa mais natural. A cidade cresceu. Esse não é o problema. O que pega é a falta de ação dos governantes que não conseguiram preparar Brasília ao seu crescimento.

A culpa também é nossa. É o povo que escolhe seus representantes. Não adianta xingar governador, vice, senadores e deputados enquanto continuamos colocando sempre os mesmos lá. Ou trocando uns pelo outros, que no final sempre acaba no mais do mesmo.

Também não temos culpa pelos políticos que os outros estados mandam para cá. Lá eles também não sabem votar. Não é um exclusividade do brasiliense. Aí quando acontece um mal feito no Congresso Nacional ou no Palácio do Planalto a culpa é de Brasília. É injusto, mas é real.

Brasília é talvez a melhor cidade brasileira para se morar. Tem um povo honesto e trabalhador que enfrenta congestionamentos todos os dias para ganhar o pão. Corrupto tem em todo canto.

O que precisa são as coisas simples. Cuidar das ruas, das praças, do povo. Planejar as cidades. Brasília quer um prefeito. Alguem que ame a cidade, que cuide. Não vejo dificuldades em tampar buracos, por exemplo. Entretanto, o que mais se vê são buracos. Um privilégio espalhado do Lago Sul ao Sol Nascente. Unindo as classes sociais nas críticas.

Devemos fazer a nossa parte com cidadãos. Não apenas nas escolhas dos políticos. Também cuidando de nossa cidade com exemplos de cidadania, como manter a cidade limpa. Certas atitudes deixam o dia a dia mais leve. Aplique o amor em doses diárias, compartilhe respeito, solidariedade, generosidade, gestos de gentileza, carinho, sorria. O céu de Brasília é nosso. O desgaste político também é nosso. Não adianta ter um céu lindo, enquanto aqui em baixo tudo vai mal. Precisamos aprender a votar. E fazer a nossa parte. Por amor a Brasília, por favor.

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Por Ricardo CalladoA disputa eleitoral de 2014 vai ser dura. O termômetro é a pré-campanha que começa com chutes na canela. Se continuar desse jeito, os ânimos chegaram exaltados quando a campanha iniciar, em julho.

As três principais candidaturas ao Palácio do Buriti se movimentaram essa semana. Agnelo Queiroz (PT), José Roberto Arruda (PR) e Rodrigo Rollemberg (PSB) tiveram prós e contras. A briga é de bastidores. O alvo é dificultar a formação de chapas dos adversários.

A indicação do senador Gim Argello (PTB) para o Tribunal de Contas da União (TCU), feita pela presidente Dilma Rousseff, foi uma mãozinha para ajudar o PT local. Gim tinha sido anunciado na chapa do ex-governador Arruda.

O Palácio do Planalto se mexeu e abriu uma vaga no TCU, nomeando o então ministro da Corte, Valmir Campelo para uma vice-presidência do Banco do Brasil. O caminho ficou aberto para Gim ir para tribunal e colocar o PTB-DF no colo da candidatura de Agnelo Queiroz.

Quem melou a operação foi o senador Rodrigo Rollemberg. Ele encampou a campanha contra a indicação de Gim ao TCU, forçando o senador petebista a desistir. E arrastou servidores do tribunal e parlamentares contra a manobra. O nome de Rodrigo ficou anotado no caderninho de Gim. E a briga entre os dois promete para os próximos meses.

Quem gostou foi Arruda. O problema é que com o anúncio da ida de Gim para o TCU, o ex-governador se antecipou e convidou o ex-deputado federal Alberto Fraga (DEM) para compor a chapa e ser candidato a vice. Gim não foi. E Arruda tem um problema nas mãos.

E o problema pode virar solução. Mesmo tentado a disputar novamente o Senado, Fraga não deve aceitar. Quer mesmo é ser deputado federal, onde teria uma eleição mais garantida. O seu grupo político defende isso. Assim, Arruda além de não perder o PTB pode atrair o DEM para coligação. E aumentar o tempo de TV.

No PSDB, venceu a disputa o deputado federal Luiz Pitiman. Ele será o candidato ao Palácio do Buriti. Os outros dois pré-candidatos, Izalci Lucas e Márcio Machado, gritaram. A legenda no DF deve chegar na campanha esfacelada.

Izalci e Márcio não tinha muito o que fazer. A indicação veio de cima. E passou por acordos maiores. Ela foi feita pela comissão interventora do partido no DF, a mando do presidenciável Aécio Neves. Aécio atendeu um pedido de um amigo que tem obras em Minas para que Pitiman fosse candidato.

A jogada é para ajudar a candidatura de Agnelo. O amigo de Aécio e de Agnelo tem interesse na reeleição do governador e é responsável pelas principais obras no GDF. A indicação de Pitiman serviria para não levar o PSDB para a chapa de Arruda. Assim, diminuiria o poder de fogo do ex-governador. E menos tempo de TV. Além de dividir os votos da direita.

A novela Reguffe teve mais um capitulo. Agnelo sonha em ter o deputado federal José Antônio Reguffe (PDT) em sua chapa disputando o Senado. O parlamentar se antecipou e declarou apoio a Rollemberg.

O senador Cristóvam Buarque (PDT) não gostou de saber da decisão de Reguffe pelos jornais. Birrento como sempre, condenou a atitude do companheiro de partido. Cristóvam queria conduzir o processo. Na quinta-feira (10), nos bastidores, a ameaça era do senador se lançar candidato ao Palácio do Buriti.

A manobra é desastrosa. Se vier a acontecer o prejuízo será contabilizado nas campanhas de Agnelo e Rollemberg. E será uma ajuda e tanto para Arruda. Seria algo como: “se você não é meu, não é de ninguém”. Quase um crime passional onde todos perdem.

O rancor, também, vai marcar as eleições de 2014.

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Por Ricardo CalladoA eleição para governador do Distrito Federal está novamente polarizada. Será mais uma vez o PT do governador Agnelo Queiroz versus os grupos dos ex-governadores Joaquim Roriz (PRTB) e José Roberto Arruda (PR). Com algumas dispersões dos dois lados.

A novidade é o racha irreversível na esquerda e um reversível na direita. Os dois grupos perderam aliados. E vão ter que enfrentar antigos companheiros. São eles que terão o desafio de furar a polarização.

Na lista de candidatos a protagonista na disputa ao Buriti estão o senador Rodrigo Rollemberg (PSB), a deputada distrital Eliana Pedrosa (PPS) e alguém do PSDB. Hoje são três os pré-candidatos tucanos: deputados federais Luiz Pitiman e Izalci Lucas, e o ex-presidente da legenda, Márcio Machado.

O PT tinha Rollemberg como aliado em 2010. O dissidente trouxe com ele o senador Cristóvam Buarque e o deputado José Antônio Reguffe, ambos do PDT. Busca ainda o apoio de PPS, Solidariedade e PSol.

Rollemberg foi o vitorioso da semana. O presidente nacional do PDT, Carlos Lupi, fechou acordo com o PT nacional e local para levar o partido ao colo do governador Agnelo. As conversas estavam adiantadas e o anúncio seria feito no fim de semana.

O PT sonhava com Reguffe para ser o candidato ao Senado na chapa de Agnelo. O deputado pedetista ficou sabendo do golpe e se adiantou. Na noite de quinta-feira reuniu o seu grupo político e decidiu apoiar a candidatura de Rollemberg.

O projeto de Reguffe era ser candidato ao GDF. As pesquisas apontavam com mais intenções de votos que o pré-candidato do PSB. O gesto de abrir mão da candidatura do Buriti foi classificada de nobre por parte da esquerda. Reguffe justificou: “Não dá para ter duas ou três candidaturas no mesmo campo. Seria uma irresponsabilidade com a cidade”.

Reguffe será agora candidato a senador ou a vice-governador na chapa de Rollemberg. O PDT-DF o tinha lançado no segundo semestre de 2013 à sucessão de Agnelo. Não contavam com a tentativa de Lupi vender a legenda para o PT. Se o presidente nacional insistir na manobra e intervir, Reguffe está disposto a abandonar a política.

A chapa de Arruda também levou um golpe de bastidor. O PT manobra para retirar o PTB da aliança. Presidente regional do partido, senador Gim Argello seria candidato à reeleição na chapa do ex-governador.

O maestro por trás dessa orquestra é o ministro chefe da Casa Civil do Palácio do Planalto, Aloízio Mercadante. A ordem é enfraquecer Arruda. Gim Argello será indicado como ministro do Tribunal de Contas da União (TCU), com a renúncia de Valmir Campello, que ganhará um cargo na diretoria do Banco do Brasil.

Arruda já esperava isso. Gim também. O anúncio na chapa do ex-governador surtiu efeito. Tinha o objetivo de antecipar a indicação, que estava prometida para o fim do ano. Se não fosse feita agora, Gim não iria esperar e seria candidato de qualquer jeito.

O substituto de Gim na chapa será o presidente do DEM no DF, Alberto Fraga. Ele foi candidato nas eleições 2010 ao mesmo cargo. Antes tinha sido deputado federal e secretário de Transportes do próprio Arruda. A campanha de oposição ganha o DEM, que se junta ao PR e PRTB, além de outros partidos que estão negociando. E talvez não perca o PTB. O tiro do PT pode dar culatra.

Se a esquerda está rachada e não existe chance de reconciliação com o PT, a direita vai aos poucos unindo o grupo que esteve no poder por duas décadas. Com exceção do PMDB, de Tadeu Filippelli, que continuará sendo vice de Agnelo Queiroz.

Mesmo com todas essas movimentações, Agnelo ainda tem o melhor cenário para coligação, maior número de partidos, mais tempo de tevê, a máquina pública nas mãos e o percentual de eleitores que sempre vota no PT. São fatores que permite tranquilamente uma ida ao segundo turno das eleições.

Na lista de secretários que deixam o GDF para ser candidatos chega-se a duas definições. Braço direito de Agnelo, o ex-secretário da Saúde Rafael Barbosa será candidato a deputado federal. Já o braço esquerdo do governador, Cláudio Monteiro, fica no governo e desiste de concorrer a uma vaga na Câmara Legislativa.

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Por Ricardo Callado -  Os próximos 90 dias serão cruciais para o ex-governador José Roberto Arruda (PR) manter aceso o desejo de retornar ao Palácio do Buriti. Se conseguir sobreviver até o dia 5 de julho, a sua candidatura é irreversível.

A resolução do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para as eleições de 2014 define a data como último dia para os partidos políticos e coligações apresentarem, até às 19 horas, o requerimento de registro de candidatos (Lei n° 9.504/97, art. 11, caput).

As convenções partidárias irão apontar os candidatos. Elas acontecem entre 10 e 30 de junho. Uma vez escolhidos pelos filiados, 5 de julho é o prazo final para inscrição. O TSE sempre espera todos os registros para abrir o prazo de cinco dias de análise se são passiveis de impugnação.

O registro de Arruda no Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal (TRE-DF) garante a candidatura. Os processos que o ex-governador possui não justiça ficam paralisados. Como candidato aceito pela Justiça Eleitoral, as ações não serão julgadas até o término das eleições. Arruda fica livre da inelegibilidade.

O desafio é evitar que algumas das ações que ele responde na justiça tenha uma decisão de segunda instância. Arruda tem condenações em primeira instância. E, por isso, não é enquadrado na Lei de Ficha Limpa.

Primeira instância é a decisão de um juiz. Quem for condenado, recorre a segunda instância, que é formado por um colegiado de juízes (desembargadores). A Lei da Ficha Limpa diz que se torna inelegível por oito anos um candidato que tiver o mandato cassado, renunciar para evitar a cassação ou for condenado por decisão de órgão colegiado (com mais de um juiz), mesmo que ainda exista a possibilidade de recursos.

Pela lei, hoje Arruda é ficha limpa. Tem as mesmas condições jurídicas de seus adversários. O que difere é a série de processos que responde na justiça. Basta uma decisão em segunda instância para que ele saia do páreo. O que não é muito difícil de acontecer.

Se conseguir sobreviver até julho, Arruda promete dar trabalho. As pesquisas mostram isso. Os adversários iniciam as pressões junto ao judiciário.

Outra data importante está no artigo 27, inciso 8º, da Resolução do TSE, que trata do formulário de Requerimento de Registro de Candidatura. O inciso 8º estipula 5 de junho como data para a Justiça Eleitoral divulgará aos partidos políticos, na respectiva circunscrição, a relação de todos os devedores de multa eleitoral, a qual embasará a expedição das certidões de quitação eleitoral.

O inciso 9º diz que as condições de elegibilidade e as causas de inelegibilidade devem ser aferidas no momento da formalização do pedido de registro da candidatura, ressalvadas as alterações, fáticas ou jurídicas, supervenientes ao registro que afastem a inelegibilidade (Lei nº 9.504/97, art. 11, § 10).

Durante os próximos noventa dias Arruda vai tentar convencer aliados que é candidato. Muitos dos aliados torcem para que ele seja abatido pela justiça. Porque também querem ser candidatos. E só terão densidade eleitoral com o ex-governador fora.

O PT também não interessa ter Arruda na disputa. É também quem tem mais bala na agulha para influenciar mais agilidades da Justiça.

A eleição de 2014 começa com a disputa nos tribunais. Numa segunda fase, a de fato, será a disputa pelo voto. Se Arruda for candidato, e porventura ser eleito, as ações judiciais voltam a andar. Teremos, então um terceiro turno, e a eleição retorna aos tribunais.

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Por Ricardo CalladoA entrada do ex-governador José Roberto Arruda (PR) na disputa ao Palácio do Buriti deu um norte a direita. Ao mesmo tempo que foi um baque em pré-candidaturas que disputam o mesmo eleitorado. E bagunçou a eleição. Arruda é um pré-candidato pré-sub judice.

A primeira vítima é a deputada distrital Eliana Pedrosa (PPS). A parlamentar há três anos se prepara para disputar o Buriti. A candidatura de Arruda esvazia o projeto de Eliana. Assim, ela vai disputar o Senado. E será candidata ao GDF em 2018. Ou torcer e esperar uma impugnação de Arruda pela Justiça Eleitoral.

Eliana vinha crescendo nas últimas pesquisas. Estava bem posicionada. As chances de ser eleita eram claras. Mas não tem densidade eleitoral para disputar com Arruda. O nome do ex-governador ainda é muito forte.

Arruda tem a seu favor o apoio do ex-governador Joaquim Roriz (PRTB). A deputada distrital Liliane Roriz (PRTB) será sua vice. Arruda e Roriz são duas paixões do eleitor brasiliense. Principalmente o de baixa renda e o da Classe C. O mote de campanha “Sou Roriz, voto Arruda” tem tudo para pegar.

A chapa tem o apoio ainda do PTB, do senador Gim Argello. O próximo passo é atrair PSDB, PPS, DEM e PP. Os tucanos têm três pré-candidatos. Os deputados federais Luiz Pitiman e Izalci Lucas, além do ex-presidente da legenda, Márcio Machado, estão disputam.

Aécio Neves, candidato a Presidência da República, terá a palavra final das candidaturas regionais. Arruda tenta atrair o PSDB, mas Aécio não aceitar dividir palanque com o ex-governador, preso durante a Operação Caixa de Pandora. Fica ruim para sua candidatura.

O PPS de Eliana tem afinidade com Arruda desde o tempo em que era presidido pelo deputado federal Augusto Carvalho, hoje no Solidariedade. A própria Eliana foi secretária de estado no governo Arruda. Mas o presidente nacional da sigla, Roberto Freire, não quer nem saber do ex-governador.

Será fácil Eliana fechar com o PSDB ou migrar para uma coligação com o senador Rodrigo Rollemberg (PSB), também candidato ao Palácio do Buriti. Caso Arruda fique pelo caminho e Liliane assuma a candidatura ao governo, a aliança com o PPS e até com o PSDB fica mais fácil de acontecer.

O DEM, do ex-deputado Alberto Fraga, está fechado com Eliana. Não descarta também apoiar Arruda. Tudo pode ser conversado e acertado. E o tempo conspira a favor. Tudo dependerá se Arruda poderá ser ou não candidato.

O PP tem como principal nome o ex-governador Paulo Octávio. O partido atualmente faz parte da base aliada de Agnelo. A legenda adiou a decisão sobre posicionamento nas Eleições 2014. Vai esperar a montagem das chapas ou lançar candidato próprio. Assim valoriza o passe e costura os melhores acordos.

A cúpula do PT acusou o golpe. O que antes era o melhor cenário de disputa para a reeleição Agnelo Queiroz, virou um pesadelo. O assunto na cidade é a candidatura de Arruda. E a estratégia petista mudou.

O PT vai usar da influência de estar no poder para tirar Arruda da disputa. O governador procurou o ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência, Gilberto Carvalho, para pedir uma forcinha. Além de pressão no judiciário, outra frente será acionada. Jornalistas e órgãos de imprensa pendurados ao Palácio do Planalto vão cair em cima do Arruda. A fábrica de dossiês está em pleno vapor.

Se a operação para tirar Arruda surtir efeito, Liliane será alçada a condição de candidata. Arruda será vitimizado e fará o seu teatro nos palanques em favor da herdeira da família Roriz. Ele é bom nisso. E o eleitor adora uma vítima. Acha que pode fazer justiça votando naquele que se diz perseguido.

O povo vota com a emoção e não com a razão. Ou com a ração. Mas esse não é o caso do Distrito Federal. Arruda e Roriz causam emoção ao eleitor. Tem empatia e falam a linguagem dele. Agnelo precisa aprender isso. Deixar a racionalidade de lado. A razão nem sempre é certa. Tem variáveis. Cada um tem a sua. E numa eleição, a emoção fala mais alto.

 

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Por Ricardo Callado -  A disputa pelo Palácio do Buriti passa necessariamente pela formação da chapa majoritária. Mais especificamente a vaga ao Senado. Com apenas uma cadeira em disputa, fica mais estreito abrigar aliados estratégicos.

Serão cinco postos a ser preenchidos para contemplar em aliança partidária: governador, vice-governador, senador, primeiro e segundo suplentes de senador. Nas eleições de 2010 essas vagas eram oito. Tinha espaço para todo mundo.

Na chapa governista o PT referendou o nome de Agnelo Queiroz (PT) à reeleição. O vice continuará sendo o presidente regional do PMDB, Tadeu Filippelli. Até ai tudo bem. O problema é quando se desenha a vaga ao Senado.

O PT não abre mão. O deputado federal licenciado e secretário de Habitação, Regularização e Desenvolvimento Urbano (Sedhab), Geraldo Magela, e o deputado distrital e presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara Legislativa, Chico Leite, são os nomes postos.

O PT referenda o governador ao mesmo tempo que o enquadra impondo o nome ao Senado. Ou tenta enquadrar. Outros partidos que compõe a base aliada gritam. Acham injusto e querem que a aliança seja ampla e contemplando a base.

As legendas alinhadas aos evangélicos mandaram recado ao comando de campanha de Agnelo. Querem a vaga. Ameaçam, nos bastidores, se rebelarem caso não sejam atendidos. Outros partidos seguem a mesma linha.

A cadeira em disputa é ao do ex-senador e ex-governador Joaquim Roriz (PRTB). Ele teve que renunciar ao cargo ainda no primeiro ano de mandato, em 2007, devido a denúncias da Operação Aquarela. O suplente Gim Argello (PTB) assumiu o cargo.

Gim se mostrou um craque na política. Foi aliado de primeira hora da presidente Dilma Rousseff (PT) e dos senadores José Sarney (PMDB-AP) e Renan Calheiros (PMDB-AL). Conquistou influência. Conseguiu o que quis no governo federal. Indicou cargos cobiçados e trouxe recursos importantes ao Distrito Federal. Mas esqueceu de fazer política junto ao eleitor. Agora corre atras do tempo perdido.

Gim Argello quer mais oito anos no Senado. O PT não quer. O plano B é cavar uma vaga no Tribunal de Contas da União (TCU), na cadeira do também brasiliense Valmir Campello, que vai se aposentar esse ano. Assim, Agnelo poderia manter o PTB na sua base.

Outra alternativa é Gim ir para oposição ao PT local. O caminho mais comentado é formar uma chapa tendo como possível candidato ao Buriti o ex-governador José Roberto Arruda (PR) e a deputada distrital Liliane Roriz (PRTB) de vice.

O PT sonha em fazer um senador por Brasília. Já Agnelo não abandona o sonho de ter o deputado federal José Antônio Reguffe (PDT) na sua chapa. Reguffe agregaria voto e uma bandeira mais ética ao PT.

Mas o PT não confia em Reguffe. E nem Reguffe quer formar uma chapa com PT. Já deixou isso claro por diversas vezes. Se mudar de opinião vai ficar com uma imagem muito ruim junto a sociedade brasiliense. E o PT sabe que uma vez eleito, iria fazer oposição em caso de reeleição da presidente Dilma.

O senador Rodrigo Rollemberg (PSB) é candidato contra Agnelo Queiroz. Até o momento é candidato de si mesmo. Não conseguiu anunciar nenhuma aliança que possa causar impacto. Reguffe também é seu sonho de consumo. Daria um up grade na campanha do socialista.

Reguffe reluta. Apresenta as pesquisas de opinião. Quando seu nome é colocado na disputa ao GDF fica na frente de Agnelo e Rodrigo. Ele questiona o porquê ser candidato ao Senado se está na frente na corrida ao Buriti. Só perde quando enfrenta Arruda.

O problema é que assim como Rodrigo, Reguffe também seria candidato de si próprio. Sem aliança forte e apoio político. Tem apenas o senador Cristovam Buarque (PDT) ao seu lado. Separados, Rodrigo e Reguffe poderiam não ter fôlego suficiente até o final da disputa.

Eliana Pedrosa (PPS) está com o bloco na rua. Hábil, costura apoios e pode atrair o Solidariedade, o PSDB e o DEM. Os tucanos tem hoje três candidatos ao Buriti. Os deputados federais Izalci Lucas e Luiz Pitiman, além do ex-secretário de Obras do governo Arruda, Márcio Machado. Daí poderia sair o candidato ao Senado, se a aliança Eliana-PSDB for fechada. Ou ainda dar guarida ao grupo evangélico ampliando apoio.

Muitos partidos ainda estão soltos. Devem vender caro o passe e o tempo de Tv no apoio a uma das chapas. Quem tiver melhor cacife e perspectiva de poder leva uma coligação mais robusta.

Resumo: o PT impõe um senador do partido, mas isso o fará perder apoio; Agnelo precisa de alguém que fortaleça sua campanha; Rodrigo e Reguffe separados serão presas fácies; Gim não pretende deixar barato a cadeira no Senado; Eliana está solta para compor sua chapa; e todos apostam que Arruda ficará fora da disputa.

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Por Ricardo CalladoO oposição está fragmentada. Seja de direita, centro ou esquerda. A vaidade fala mais alto. E era esperado isso. Sorte do governador Agnelo Queiroz (PT). Quem apostava na união de candidatos em chapas, dançou.

Quando mais candidatos ao Palácio do Buriti, maiores as chances de Agnelo estar num segundo turno. A falta de acordo entre opositores vai dividir o eleitorado. Além de haver repetição de discursos entre os candidatos.

A direita vem de José Roberto Arruda (PR) ao governo, com Liliane Roriz (PRTB) de vice e Gim Argello (PTB ao Senado. É uma chapa anunciada, mas não consolidada. Arruda pode ter que desistir a qualquer momento. A justiça vem sofrendo pressões para acelerar os processos contra o ex-governador.

Arruda não terá vida fácil. Se conseguir, será sub judice. Se ganhar, teremos um terceiro turno nos tribunais. A política de Brasília vem sofrendo muita turbulência desde a deflagração da Caixa de Pandora. O que se precisa hoje é de calmaria para que as instituições possam voltam a normalidade.

Arruda é o plano A da direita. O plano B responde por vários nomes. Vai desde a própria Liliane Roriz, passando pelos deputados Luiz Pitiman e Izalci Lucas. Temos ainda o Plano Z, com Jofran Frejat (PR). Ironicamente é ao mesmo tempo a última e a melhor opção da direita.

Uma coisa é certa, dessa turma sai um nome que irá unir os grupos de Arruda e do ex-governador Joaquim Roriz.

Na esquerda e centro esquerda a chapa que uniria o senador Rodrigo Rollemberg (PSB), o deputado federal José Antônio Reguffe (PDT) e a deputada distrital Eliana Pedrosa (PPS) rachou. Eliana pulou fora.

Sem acordo, Eliana vem construindo uma nova opção. Deve atrair o Solidariedade do deputado federal Augusto Carvalho e o DEM, do ex-deputado federal Alberto Fraga. Também abriu conversas com o PSDB. Sonha em ser o palanque do presidenciável tucano Aécio Neves em Brasília.

Eliana vai dar uma guinada à direita. Vai atras dos votos de Arruda e Roriz. A disputa vai ser dentro de um mesmo eleitorado, o de baixa renda e de classe média. Melhor para Agnelo, que também tem seus votos nesse campo, principalmente com a distribuição de geladeiras e casas do Morar Bem.

Rodrigo Rollemberg desistiu de um acordo com Eliana. Vai buscar uma nova composição em sua chapa. Será uma guinada mais à esquerda. Não descarta fazer acordo com partidos de centro. O sonho de consumo é atrair o PSol.

Rollemberg tenta costurar uma chapa tendo como vice a ex-deputada Maria José Maninha (PSol), mulher do ex-candidato ao GDF pelo partido, o Toninho. A chapa teria como candidato ao senado o deputado federal José Antônio Reguffe. No palanque subiriam o presidenciável Eduardo Campos (PSB), a ex-senadora Marina Silva e o senador Cristóvam Buarque (PDT).

Mas se não der certo, Toninho do PSol sairia candidato ao Palácio do Buriti e dividiria os votos da esquerda, do Plano Piloto e bairros próximos. Novamente, melhor para o governador Agnelo Queiroz, que também belisca votos na mesma área.

Ou seja, Agnelo é um cara de sorte. Se em 2010 acabou vencendo as eleições pela quase ausência de candidatos, já que muitos foram abatidos pela Caixa de Pandora e outros problemas relacionados com a Lei da Ficha Limpa, agora se dá o contrário. A grande quantidade de candidatos favorece à reeleição de Agnelo.

A estrategia é leva-lo ao segundo turno e criar um clima de otimismo. Uma vez chegando lá, entra a fase de acordos com os candidatos derrotados ao Executivo e os eleitos ao Legislativo. E acordos envolvem muito mais que promessas. É precisa de instrumentos de sedução. E quem tem caixa e a caneta do governo sai na frente.

 

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Por Ricardo Callado -  Costuma-se dizer que homem que tem muita mulher, não tem nenhuma. E vice versa. Na política pode-se aplicar essa lógica. A disputa ao Palácio do Buriti tem muitos pré-candidatos. Nunca teve tantos. Na verdade não tem nenhum. Nenhum favorito. E quantidade não é qualidade.

São pelos menos dez nomes. O governador Agnelo Queiroz (PT) encabeça a lista. O PSDB tem três, os deputados federais Luiz Pitiman e Izalci Lucas, e o ex-secretário de Obras Márcio Machado. O PPS vem com a deputada distrital Eliana Pedrosa. Também deputada distrital, Liliane Roriz é a aposta do PRTB.

O ex-governador José Roberto Arruda tenta se viabilizar pelo PR. O senador Rodrigo Rollemberg é o nome do PSB. Campeão de votos em 2010, o deputado federal José Antônio Reguffe foi lançado pelo PDT. O PSOL vem de novo com Antônio Carlos de Andrade, o Toninho.

As pesquisas mais recentes apontam todos embolados. Levantamentos para consumo interno de partidos e do governo mostram uma reação do governador Agnelo. Os números ainda são mantidos em sigilo. Questão de estratégia.

Nesta semana será conhecida a primeira pesquisa de 2014 com intenções de voto do brasiliense. O Instituto Dados registrou a pesquisa no Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal (TRE-DF) e no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Os números vão servir de parâmetro para novas análises.

A lógica funciona da seguinte forma: sem favoritos, todos querem ser candidatos. Ou acham que tem cacife chegar lá. Quando uma campanha está polarizada ou com um postulante despontando na frente, a tendência é um menor número de candidaturas. A falta de um favorito assanha políticos médios.

Algumas pesquisas colocam Joaquim Roriz (PRTB) na frente. Mas o ex-governador não será candidato devido limitações físicas. O ex-governador Arruda também descola do grupo principal em alguns cenários. Mas sua candidatura pode ser a qualquer momento contestada pela justiça.

Sem Roriz e com Arruda ameaçado, fica tudo mais embolado. Sobraria Reguffe com bom potencial de voto. Sua candidatura sofre a falta de apoios. Todos o querem ao Senado. Ou a vice-governador. Reguffe é um bom candidato, mas ninguém é candidato de si próprio. Fica difícil ganhar. E se ganhar, governar é uma missão quase impossível.

Vários ensaios para fusão de candidaturas estão sendo feitos. A formação de chapas pode fazer o diferencial. Pode permitir que uma candidatura se descole das demais e mostre um poder de fogo maior. Ai é a chance de Reguffe. E de Rodrigo e Eliana também.

Enquanto isso não acontece, partidos e grupos políticos que estão ao largo do centro das discussões não decidem o que fazer. Esperam definições para definir um caminho que permitam participar de um futuro governo. A expectativa de poder é que move a política.

Por enquanto o único atraente para os políticos é Agnelo. Ele tem a caneta nas mãos e a máquina para acomodar aliados. O PHS foi o primeiro a fechar a aliança e a se juntar ao PT e ao PMDB do vice Tadeu Filippelli. Outros virão.

Governo e oposição torcem pela mesma coisa. No PT e no Buriti, o discurso é que Agnelo está pronto para enfrentar qualquer um num segundo turno. E todos os outros candidatos querem enfrentar Agnelo. São pensamentos divergentes, que convergem a um mesmo cenário. No final, restarão apenas três ou quatro candidaturas na disputa.

 

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Por Ricardo Callado – A eleição para governador do Distrito Federal está travada. Não por falta de vontade dos pré-candidatos. A questão é maior. E está acima dos candidatos. Nas executivas nacionais dos partidos. Ou nos tribunais. Garantido, mesmo, só Antônio Carlos de Andrade, o Toninho do Psol.

Na política, ninguém é candidato de si mesmo. Isso é fato. Mas o caso é diferente. Os partidos locais perderam o poder de decidir suas próprias chapas e coligações. Estão sendo sendo tutelados.

O governador Agnelo Queiroz era para afirmar sua candidatura de forma tranquila. Mas vem recebendo pressões do Palácio do Planalto e da Executiva Nacional do PT. Os recados foram dados. Agnelo terá que atingir uma meta. Algo como 18% de intenções de votos até o fim do mês.

O índice seria o aceitável para entrar competitivo na disputa. A campanha eleitoral vai ser disputada. Se as pesquisas estiverem certas, não existe um favorito. A diferença de um candidato para outro é de apenas alguns pontos percentuais. Ninguém conseguiu abrir uma dianteira confortável.

A situação de Eliana Pedrosa (PPS), Rodrigo Rollemberg (PSB), José Antônio Reguffe (PDT) e o trio do PSDB, Luiz Pitiman, Izalci Lucas e Márcio Machado, está nas mãos dos caciques nacionais.

A cúpula do PSDB se reúne nos próximos dias para não deixar espaços para surpresas nas coligações regionais. Ficará decidido que toda e qualquer aliança local terá que ser homologada pela direção nacional do partido.

No Distrito Federal, o PSDB pode até abrir mão de lançar candidato ao Palácio do Buriti. Mesmo com a simpatia de alguns tucanos brasilienses, uma aliança com o ex-governador José Roberto Arruda (PR) é inviável. O presidenciável da legenda, Aécio Neves, não acha conveniente dividir o mesmo palanque com Arruda.

Se não lançar candidato, o PSDB tem como opção Eliana, Rodrigo e Reguffe. Ou os três ao mesmo tempo. Não se descarta um chapão abrigando partidos de esquerda e centro-esquerda contra Agnelo e um candidato de direita.

A questão está em quem será o candidato. Os presidentes do PPS, Roberto Freire, e do PSB, Eduardo campos, irão decidir entre Eliana e Rodrigo. Para apoiar a candidatura de Campos, Freire apresentou a fatura. Quer o apoio do PSB em quatro estados. Um deles é o Distrito Federal.

Eduardo Campos também prometeu apoiar Rodrigo. E vai trabalhar para que isso aconteça. Em último caso, nos acréscimos no segundo tempo, é que deve ser decidido. Campos ainda tem que enfrentar um problema caseiro. Marina Silva quer Reguffe como cabeça de chapa.

A composição que mais se tem falado nos últimos dias é Rodrigo Rollemberg ao GDF, Reguffe de vice e Eliana ao Senado. Junta-se a essa chapa o Partido Solidariedade de Augusto Carvalho, o PSDB, e o apoio do ex-governador Cristóvam Buarque (PDT). Seria um palanque duplo para Campos e Aécio.

Sem acordo, Eliana sai candidata, leva o Solidariedade e vai tentar uma composição com o PSDB e o DEM. Pode agregar outros partidos de direita. Para isso, vai precisar do aval da Executiva Nacional. O racha também provocaria a candidatura de Rodrigo. Ele terá mais dificuldade em fazer composições num primeiro turno. Se chegar ao segundo turno, pode ganhar apoios importantes.

Juntos, representam uma grande força. Separados, podem se complicar. A decisão está nas mãos dos caciques nacionais.

O problema de Arruda não é a Executiva do PR. Ali tem apoio para disputar mais uma vez o Palácio do Buriti. A justiça pode ser o empecilho. Pelo menos duas ações podem tornar Arruda inelegível. Se isso acontecer, um novo nome poder surgir, como do ex-deputado Jofran Frejat (PR), que também tem a simpatia do ex-governador Joaquim Roriz (PRTB). A deputada Liliane Roriz (PRTB) é outra opção.

O movimento Fora, Lamoglia, para tirar o conselheiro afastado Domingos Lamoglia do Tribunal de Contas também pode contribuir para a derrocada de Arruda. Encabeçado pelo Sindicato dos servidores da Câmara Legislativa, com o apoio do presidente da CLDF, Wasny de Roure (PT), o movimento resolveria dois problemas.

O primeiro é que abriria uma vaga para o próprio Wasny no TCDF, um sonho antigo do deputado petista. E complicaria mais ainda a vida de Arruda, já que teria mais um adversário dentro do tribunal. Em tempo: a Câmara, recentemente, aprovou um bom aumento para os servidores da Casa. O movimento Fora, Lamoglia tem fundo eleitoral. É legítimo. Mas não é espontâneo. Lamoglia está nessa situação no tribunal desde 2009. Só descobriram agora.

A situação dos pré-candidatos vai ficar travada até abril, quando devem começar as primeiras convenções partidárias. Quem quiser ser candidato, vai precisar do apoio dos caciques nacionais. Ou uma mãozinha da justiça. Para ser competitivo, terão que deixar de lado as vaidades e fazer composições. Para ser eleito não tem outro jeito, será preciso convencer o eleitor.

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Por Ricardo Callado -  O cachorro sempre perseguiu o gato mas nunca conseguiu pega-lo. Sem sucesso, adotou nova estratégia. Fez amizade com o gato e pediu que ele ensinasse os pulos que conhecia. O gato ensinou vários tipos de pulo. Depois de muito praticar, o cachorro pegou o pulo mais violento e foi para cima do gato.

Ai o gato deu um pulo excepcional e não foi pego. O cachorro então falou: “Poxa você não me ensinou esse pulo”. O gato respondeu: “Mas esse é o pulo do gato”.

A união entre os ex-governadores José Roberto Arruda (PR) e Joaquim Roriz (PRTB) é o retrato da fábula do cachorro e do gato. O cenário eleitoral de 2014 fez ambos deixarem as rusgas de lado. A união é uma questão de sobrevivência política. O retorno ao Palácio do Buriti une os antigos rivais.

Arruda avisou que quer fazer dobradinha com o Roriz e que se ele for candidato irá apoia-lo. Arruda disse isso porque sabe que o Roriz não vai ser candidato a nada. A saúde não permite que o ex-governador encare uma campanha pesada ao GDF.

Joaquim Roriz sabe também que não será candidato. Aceitou as pazes de Arruda, mas vai propor colocar a filha como vice, a deputada distrital Liliane Roriz (PRTB). Arruda gostou e aceitou. Sabe que assim atrai os votos dos rorizistas, que representa uma boa parcela do eleitorado.

Mas Roriz aposta que Arruda vai ser impedido no futuro pela justiça e não poderá ser candidato. E ai vem o pulo do gato: Liliane assume a candidatura do grupo político ao Buriti. Arruda é o cachorro (metido a esperto) e Roriz é o gato que sabe como da nó nos adversários e aliados.

É uma aposta arriscada. Se der certo, Roriz consegue unir as principais forças política da cidade, isolando o PT de um lado e o senador Rodrigo Rollemberg (PSB) de outro. Agnelo teria ainda o PMDB ao seu lado.

O grupo de Roriz e Arruda ainda aposta que o vice-governador Tadeu Filippelli (PMDB) pode reavaliar a sua posição antes de iniciar a campanha. Pode, inclusive, compor uma chapa adversária ao atual governo.

Se Liliane é o pulo do gato de Roriz em Arruda, Filippelli é o salto que atinge e isola o governador Agnelo Queiroz (PT). É uma hipótese que vem sendo comentada nos últimos dias. Se não der certo, o grupo ainda tem como carta coringa o ex-deputado Jofran Frejat.

Na outra ponta, Rollemberg vem costurando sua aliança. Tenta atrair partidos de esquerda e centro esquerda. Conversa com nomes como os deputados José Antônio Reguffe (PDT), Eliana Pedrosa (PPS) e Augusto Carvalho (Solidariedade). E até Toninho do PSol.

Agnelo tem que reagir. Para isso, precisa primeiro resolver o problemas dentro do governo. A Operação Tartaruga da Polícia Militar paralisou o Buriti. E só chegou a esse ponto porque foi negligenciada.

O GDF não se antecipou aos fatos. Como em outros ocasiões, correu atrás quando o problema tomou proporções e ficou incontrolável. A política não deve ser do embate permanente. O diálogo deve prevalecer.

É preciso que se arrume a casa e entre na disputa. O PT está perdendo tempo e deixando os adversários se articularem. Os erros do governo alimentam a oposição. A Caixa de Pandora e a Bezerra de Ouro haviam enterrados os ex-governadores. Mas com trapalhada atras de trapalhada, Agnelo é hoje o maior cabo eleitoral de Arruda e Roriz. E o PT é o pulo do gato da oposição.

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Por Ricardo Callado - Nem sempre gastar muito significa bom desempenho eleitoral. As vezes cuidar com zelo o dinheiro público tem o reconhecimento da sociedade. Alguns políticos aprenderam isso e são recompensados.

Não é a toa que os campeões de votos nas eleições de 2010 são os que mais economizam com verba de gabinete. Os deputados José Antonio Reguffe (PDT) e Chico Leite (PT), cada um no seu canto, dão exemplo de como um homem público deve tratar o dinheiro de nossos impostos.

Reguffe foi disparado o mais votado para deputado federal. Em seu primeiro mandato na Câmara dos Deputados ficou entre os parlamentares de maior destaque no Congresso.

Não fez nada de sensacional. Apenas repetiu o que fazia quando deputado distrital. Defendeu a moralidade e a ética na política. Deu exemplo com gastos mínimos em seu gabinete e com 100% de presença em plenário.

Chico Leite foi o campeão de votos para deputado distrital. Na Câmara Legislativa defende a legalidade das leis, a transparência do dinheiro público e a ética. Promotor de justiça de carreira, Chico só não foi presidente da Câmara porque o PT vetou o seu nome Preferia alguém mais alinhado com a linha de pensamento do partido.

Na política não se deve enaltecer homens e sim gestos. Corremos o risco de elogiar hoje e depois nos decepcionar. Mas bons exemplos merecem reconhecimento. E ser seguidos. Muitas vezes causam efeito contrário. E causam ciúmes entre outros parlamentares.

Os bons exemplos de Reguffe e Chico Leite lhe renderam e continuam rendendo votos. Os institutos de opinião pública mostram que em todos os levantamentos os dois estão bem posicionados.

Em várias pesquisas Reguffe lidera para o governo do Distrito Federal. Também é  preferido do eleitor brasiliense para o Senado. Se por acaso sair numa chapa como vice-governador consegue alavancar a eleição. Reguffe é jovem é tem um futuro promissor. Basta não fazer besteira.

Chico Leite tem reeleição garantida. E com votos para aumentar a bancada do PT. Está numa jornada para ser candidato ao Senado. Seu maior adversário é setores do próprio partido. O PT considera Chico independente demais. Mas a base tem simpatia por seu nome.

Essa birra do petismo quase fez Chico Leite sair do partido. Se a Rede Sustentabilidade, de Marina Silva, tivesse sido criado, o PT hoje seria um partido menor no Distrito Federal.

Chico Leite também é jovem. Se tiver paciência pode se tornar o maior expoente do petismo brasiliense. A política, assim como na vida, dá voltas. Quem comanda o partido hoje, amanhã pode estar sem mandato. E político sem mandato não é ninguém. Salvas raras exceções.

Construir um nome na política não é fácil. Manter é quase impossível. Até porque adversários e aliados farão de tudo para desconstruir essa imagem.

Reguffe e Chico Leite não fazem nada diferente do que a cartilha da ética na política manda. O primeiro passo é ter zelo com o dinheiro público. O resto é obrigação. O eleitor reconhece isso.

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Por Ricardo Callado -  Eleição chegando, é hora de ir as compras. Os candidatos ao Palácio do Buriti planejam, cada um com sua turma, um rolezinho eleitoral. É hora de somar. De buscar alianças. Se fortalecer ao mesmo tempo que enfraquece o adversário.

A onda do tal de rolezinho que acontece nas principais cidades do país tem semelhanças com a corrida eleitoral. A molecada não está dando a mínima para a luta contra a exclusão social. A onda é juntar gente. E “catar umas minas ou uns gatinhos”! Ou dá um rolé com os brother.

Na política, a preocupação é acordos e a campanha eleitoral. A população está excluída nesse momento. Não dão a mínima para o que o povo pensa. Querem juntar gente. Catar uns partidos e uns aliados brother bons de voto. E com tempo de tevê.

Se nossos políticos dessem um rolezinho pela cidade, iam perceber que muito precisa ser feito. Problemas de infra-estrutura, segurança, trânsito. Na saúde e na educação. A molecada da periferia que usa o direito de ir e vir para se reunir nos shoppings conhecem bem essa realidade.

Os rolezinhos não são uma forma de protesto, mas por se tornar polêmico escancara os graves problemas sociais do país. A repressão mostra o abismo entre a periferia e as classes média e alta. Não essa falsa classe média que o governo usa para iludir o povo.

É difícil acreditar que o país vai bem. Que o Bolsa Família tirou milhões da miséria, se a cada ano centenas de milhares de famílias são inseridas no programa para ganhar miséria. Se o programa fosse um sucesso, o número de participantes deveria diminuir e não aumentar a cada ano.

Hoje, um a cada quatro brasileiros recebe o Bolsa Família. O governo pretende aumentar isso para a metade da população. É uma vergonha. E paliativo. O que se nota é que a população está empobrecendo. Cada vez mais há um número maior dependente dos programas sociais do governo. Dependente e constrangida a votar em seus pseudo benfeitores. Trata-se de compra de voto com dinheiro público.

A molecada do rolezinho nada mais é do que vítima dos programas sociais. Da exclusão social que eles causam. Impedem as famílias de progredir, engessadas por pequenas quantias repassadas pelo governo.

A molecada da periferia começou a entender isso. E querem mais. Não estão satisfeitos. O que é direito de todo brasileiro. Trabalho digno para que possam se manter, ao invés de serem tutelados pelo Estado. Oportunidade e qualidade de vida.

Quem está no poder não tem interesse em que essa grande camada da sociedade suba degraus. Preferem que sejam gratos e continuem recebendo mixarias em troca de votos. Como gado no curral que recebe sua ração diária.

A classe C, que insistentemente o governo chama de classe média, não passa de famílias que ganham salário mínimo, ou um pouco mais, que estão endividadas porque o governo forçou através de propaganda a consumir e consumir. O modelo chegou ao esgotamento. O país não aguenta mais os números maquiados da economia e as mentiras.

Os rolezinhos não são protestos. Ainda. Podem acender novamente a chama da indignação popular e colocar os povo nas ruas. Por enquanto nos shoppings. O movimento tende a se expandir e ganhar o apoio de trabalhadores, donas de casas e movimentos organizados.

O governo monitora com preocupação. A própria presidente Dilma convocou uma reunião para tratar do assunto. Ela está escaldada. Sabe que o momento não é bom para o governo. Bom seria se autoridades dessem um rolezinho na periferia e solucionasse de verdade o problema da desigualdade no país. Mas de verdade mesmo, não com programas para se perpetuar no poder e enganar o povo. Somos todos rolezinho. É legítimo.

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Por Ricardo CalladoSe a pesquisa do Ibope divulgada nesta sexta-feira (13) não clareou as mentes no Palácio do Buriti, as luzes não se ascendem mais. O tempo é cada vez mais curto para o governador Agnelo Queiroz. Os índices de aprovação precisam melhorar. A cota de erros estourou.

É preciso dá um basta nas trapalhadas dentro do governo. O primeiro escalão mais atrapalha do que ajuda. São poucos os secretários que fazem a máquina funcionar. Os outros são incompetentes ou estão enrolados em algum escândalo. O pior: ainda atrapalham aqueles que estão trabalhando.

Quando não é declaração desastrada até sobre falta de agulhas, é um bate-cabeça no plano de saúde de militares. Além da ausência no cumprimento de compromisso. Ou de se atentar as prioridades que uma eleição requer. E vai se criando uma coleção de problemas. De insatisfeitos. De desafetos. Vai estourar, é claro, no colo de Agnelo. Afinal, é ele o candidato à reeleição.

A turma dos desastrados, aloprados ou malintencionados, cada um, vai cuidar da sua vida caso o chefe venha a naufragar em 2014. Não se importam. Tirando aqueles, é claro, que se auto-intitulam sócios políticos. Irão perder as benesses do poder. Será merecido. Não fazem nada para ajudar o governador a seguir o rumo certo. As vezes, fazem o contrário.

Na época da eleição pode se prometer o que não se pode cumprir. Mesmo que isso seja errado. Durante o governo, promessa é dívida. Tem que pagar. Tem que cumprir. No primeiro caso se engana o eleitor. No segundo, as vítimas são os aliados. O resultado é o não apoio de um e do outro. Menos um mais menos um é igual a menos dois. Se um lado perde apoio, outro ganha.

Não é preciso ser muito inteligente para saber que é uma equação fadada ao fracasso. Não existe político de sucesso que ludibriou os próprios aliados. São eles que ajudam a construir uma candidatura. Que ajudam a melhorar uma imagem de governo. Mesmo com os trapalhões do palácio.

O pior é que os índices negativos alcançados pelo governo não são frutos de ataques da oposição. O espaço que os adversários ocupam é muito pequeno. E quase não chegam aos ouvidos da maior parte dos eleitores.

São consequências da própria maneira de governar. Da escolha da equipe. E da forma de tratar aliados. Quem atrapalha está nos gabinetes próximos ao governador. Quando iniciar o processo eleitoral e a oposição tiver voz a situação pode piorar. Pode sim!

Nos últimos três meses a linguagem do governo mudou. Melhorou. Mas não houve tempo suficiente para reverter os últimos dois anos e meio de descaso. É um processo lento. E que requer paciência.

Aliado a isso, o tratamento do governo com quem está ao seu lado tem que ser revisto. Não se governa para um pequeno grupo. Uma sociedade de sem-votos que impõe o que quer e quem quer nos negócios. O GDF não é um grande negócio. Não é uma sociedade. É para a sociedade.

Os erros que vem sendo cometidos são claros. Como estão aos olhos-nu aqueles que travam o governo. Que isolam o governador da população. Que causam constrangimentos desnecessários. E levam Agnelo a figurar entre os de menor avaliação.

Ainda há tempo, basta fazer a coisa certa. O feijão com arroz. Assumir compromissos. E honrá-los. Assumir prioridades. E cumpri-las. E se lembrar de como se ganha uma eleição: ciscando para dentro.

 

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Por Ricardo Callado -  O sistema de partilha de poder no Distrito Federal remete as capitanias hereditárias. É arcaico. Pernicioso. E fere a representativa democrática. As capitanias hereditárias foi um sistema de administração territorial criado pelo rei de Portugal, D. João III, em 1534.

Este sistema consistia em dividir o território brasileiro em grandes faixas e entregar a administração para particulares. Principalmente nobres com relações com a Coroa Portuguesa. O objetivo era o de colonizar o Brasil, evitando assim invasões estrangeiras. Ganharam o nome de Capitanias Hereditárias, pois eram transmitidas de pai para filho.

Estas pessoas que recebiam a concessão de uma capitania eram conhecidas como donatários. Tinham como missão colonizar, proteger e administrar o território. Por outro lado, tinham o direito de explorar os recursos naturais (madeira, animais, minérios). No DF, são conhecidos como deputados distritais.

Em pleno século 21 algo parecido ainda existe no País. O Maranhão, dos Sarneys; o Pará dos Barbalhos; as Alagoas, dos Calheiros; o Ceará, dos Gomes, são alguns exemplos. No Distrito Federal as capitanias hereditárias tem outro nome: administrações regionais.

A eleição direta para administrador regional é um passo que precisa ser dado. Não se pretende dividir o DF. A Constituição de 1988 estabeleceu que o DF é indivisível. Não pode ter municípios.

Não se deve continuar com o sistema onde os governadores passaram a dar a deputados o “direito” de nomear administradores regionais. Os paus-mandados indicados trabalham mais em prol do parlamentar-padrinho do que propriamente na população.

Algumas propostas estão em discussão. Na quarta-feira (04), a Comissão de Constituição e Justiça do Senado aprovou a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que garante eleições diretas. De autoria do senador Rodrigo Rollemberg (PSB), a PEC 29/2011 segue para o Plenário do Senado.

Sendo aprovada, os administradores regionais deverão ter domicílio eleitoral na região há pelo menos um ano, como prevê a Lei Eleitoral. Grande parte dos administradores atuais sequer moram na cidade que administram.

Outras duas propostas são de autoria da deputada distrital Eliana Pedrosa (PPS) e do deputado federal Luiz Pitiman (PSDB). Nelas, se propõe a criação de conselhos comunitários por onde passariam os nomes do atuais administradores.

A discussão é antiga. Veio a tona com o avanço das propostas apresentadas. E com os recentes escândalos em administrações regionais. Desde o ano passado ocorreram casos envolvendo as administrações de Santa Maria, de Sobradinho e de Águas Claras (caso dos gibis). E com as prisões dos administradores de Taguatinga e Aguas Claras (de novo).

A indicação é um terreno para fértil para a corrupção. O deputado se sente donatário de determinada área. Ali exploram os recursos públicos e ganham dividendos eleitorais. Não muito diferente do que acontecia no século 16.

Quem está no poder pode até torcer o nariz para a proposta. Perde um instrumento de barganha política para formar a base aliada de governo. O toma-la-da-cá. Vai ter que se reinventar para firmar apoios.

Com o tempo o novo modelo deve consolidar-se. E o sistema democrático sempre é o mais adequado. Ganha a cidade, a administração pública e a sociedade.

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Por Ricardo Callado -  A eleição de 2014 é uma corrida contra o tempo. Cada candidato tem uma tática pré-eleitoral definida. E muitas incertezas. A Justiça e os acordos nacionais vão influir na disputa pelo Palácio do Buriti. Outras fatores também serão decisivos.

No Judiciário, a dúvida é se haverá tempo de tirar o ex-governador José Roberto Arruda (PR) da disputa. Esse é o desejo dos outros candidatos ao GDF, inclusive aliados de Arruda. Quem tem poder de influência no Tribunal de Justiça vai usá-la sem remorso.

As pesquisas apontam o ex-governador como favorito em 2014. Mas ele responde a muitas ações judiciais. É improvável que alguma decisão da operação Caixa de Pandora venha atrapalhar. São outras ações que irão complicar a vida de Arruda.

Uma delas é a nº 2010.01.1.179348-6 que tramitou na 4ª Vara Criminal do DF. Em 16 de abril deste ano foi condenado a cinco anos e quatro meses de detenção, em regime semiaberto, e ao pagamento de multa de R$ 400 mil.

A ação se refere a dispensa indevida de licitação na contratação da empresa Mendes Júnior Trading Engenharia para reformar o ginásio Nilson Nelson, em 2008. É apenas mais uma gestada dentro da Secretaria de Transparência do DF.

Arruda recorreu em seguida. A ação continua tramitando. Na segunda-feira (18), o desembargador relator Jesuíno Rissato produziu seu relatório. Fez menção às razões tanto dos réus quanto as do Ministério Público e o enviou a outro desembargador, revisor do relatório. Arruda será julgado pela 3ª Turma Criminal do TJDFT.

Se Arruda sair do páreo, melhor para o governador Agnelo Queiroz. Os outros candidatos favoritos, de acordo com pesquisas recentes, são o ex-governador Joaquim Roriz (PRTB) e o deputado federal José Antônio Reguffe (PDT).

Com a saúde debilitada, Roriz é descartado como candidato por seus adversários. O ex-governador insiste em mandar mensagens afirmando que vai estar na disputa. Talvez para não dispersar seu grupo politico. E também para não sair da cena política. Assim, na hora certa, pode apontar o seu verdadeiro candidato.

Reguffe é o sonho de consumo de Agnelo para o Senado em sua chapa. Para isso, a articulação está sendo feita pela Executiva Nacional do PDT. Reguffe não aceita. Prefere ser candidato ao Buriti.

Sem Arruda, Roriz e Reguffe, o governador Agnelo acredita que terá uma vida mais fácil. A direita, e a centro-esquerda tem muitos nomes para enfrentar o governador. Nenhum desponta como favorito.

O PPS vem com a deputada Eliana Pedrosa (PPS). O PSDB não se entende. Os deputados federais tucanos Luiz Pitiman e Izalci Lucas travam uma briga dentro da legenda. Sem Arruda, o PR pode apostar no ex-deputado Jofran Frejat. Sem Roriz, o PRTB lançaria a deputada Liliane Roriz.

A esquerda pode lançar dois candidatos, o senador Rodrigo Rollemberg (PSB) ou o deputado Refiffe, e o terceiro colocado nas eleições de 2010, Antônio Carlos de Andrade, o Toninho do PSol.

De todos esses nomes, o único que pode entrar na categoria de favorito é Agnelo. Pela máquina que tem nas mãos, as alianças construídas e a ausência de candidatos competitivos. E por tem apoio financeiro.

Ninguém é candidato de si mesmo. Se hoje os adversários de Agnelo estão em busca de consolidar candidaturas, amanhã podem surgir fortalecidos. Vai ser preciso desprendimento e união.

Duas chapas devem ser formadas. Rodrigo, Reguffe, Eliana, Toninho e o deputado federal Augusto Carvalho (Solidariedade) podem firmar uma frente mais a esquerda. Dariam palanques aos candidatos ao Palácio do Planalto Eduardo Campos (PSB) e Randolfe Rodrigues (PSol). Ainda contaria com a presença de Marina Silva (PSB).

Eliana, Pitiman, Izalci, Frejat, Liliane, o ex-deputado Alberto Fraga formariam a direita, com apoio de Arruda e Roriz. A aliança teria o palanque do presidenciável Aécio Neves (PSDB).

A estratégia tem algumas incertezas. Os dois grupos precisam definir quais nomes iriam enfrentar Agnelo. Eliana transitaria bem entre um e o outro grupo. Outro detalhe seria a candidatura própria de Toninho.

Na hipótese de Arruda conseguir ser candidato, a direita fatalmente lançaria mais um na disputa. O ponto é que Aécio, mesmo com a amizade que tem, não subiria no palanque de Arruda. Não pegaria bem para ele. Então o PSDB teria que arrumar um outro candidato.

Agnelo não aposta em ganhar a eleição por WO. Até porque isso não é possível. Trabalha para enfraquecer os adversários e fragmenta-los. E tirar os favoritos da disputa. Quanto mais divididos, mais fracos.

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Por Ricardo Callado -  Essa semana estourou mais um escândalo em Brasília. A Operação Átrio envolve as administrações regionais de Taguatinga e de Águas Claras com empresários do setor de construção civil. Agentes públicos são suspeitos de violar normas em construções. Em contrapartida, recebiam propinas. O nome disso: corrupção passiva.

Os empresários estariam pagando propinas para que as obras de imóveis construídos fossem legalizadas mais rapidamente, recebendo as autorizações e alvarás. Essa é a corrupção ativa.

Os investigados ainda são acusados de associação criminosa e falsidade ideológica.

O mais ingenuo integrante do Ministério Público ou da Polícia Civil sabe que essa prática acontece em muitas administrações regionais. E não apenas no atual governo. Sempre foi assim. Cria-se dificuldades para oferecer facilidades.

A operação não fica apenas na esfera da polícia ou do Ministério Público. Ela tem foco nas eleições de 2014. Curiosamente, coincidentemente ou estrategicamente, dois nomes de peso foram envolvidos – direta ou indiretamente.

O ex-senador Paulo Octávio (PP) e o senador Gim Argello (PTB) saíram desgastados. PO retornou recentemente a cena política. Se filiou ao PP, aderiu a base do governo Agnelo e ensaia uma candidatura para 2014. Ele tem uma construção – o JK Shopping – citada nas investigações.

Gim é candidato à reeleição e presidente de um importante partido. Pode integrar tanto a chapa do governador Agnelo como aderir ao bloco de oposição. Ele é padrinho do administrador de Taguatinga, que teve a prisão decretada.

Em setembro foi a operação Elementar. Ou Mequeias. Tirou de circulação uma quadrilha especializada em lavagem de dinheiro, com origem em crimes como desvio de dinheiro público, corrupção, peculato e tráfico de droga. E comercialização de veículos de luxo.

A operação também serviu para encurralar um outro candidato ao GDF. No final das contas, quem queria debandar, ficou. Não se sabe se o resultado político da Atrio vai dar certo. Se vai conseguir abortar as candidaturas de PO e Gim. E onde eles podem se posicionar. Se no governo ou na oposição.

O certo é que o desgaste político está feito. O vale tudo para ganhar a eleição está apenas começando. Policiais e promotores de justiça fazem o seu trabalho. As vezes por obrigação. Outras por ordem direta. O fato é que todos os setores estão contaminados com a disputa eleitoral.

A Operação Atrio é o obvio ululante. A burocracia é um convite à corrupção. No caso das construtoras, aguardar todas as autorizações necessárias para poder construir um imóvel faz com que o processo seja caro demais.

Tempo é dinheiro. A falta de um processo claro, rápido e objetivo de autorização faz com que o custo do bem parado seja tão alto que pode até inviabilizar o negócio. Portanto, se não houvesse corrupção, muitos negócios legítimos simplesmente não sairiam do papel.

E isso é um problema. Pessoas ligadas ao governo acabam recebendo recursos de maneira ilegítima apenas por deterem o poder de impedir pessoas de negociar livremente. E o empreendedor acaba tendo de fazer uma escolha de Sofia: ou perde dinheiro aguardando os intermináveis trâmites legais, ou perde dinheiro subornando o fiscal. No final, a segunda opção acaba sendo economicamente mais viável, às custas da moralidade pública.

Isso é ruim para o prestador do serviço e pior ainda para o consumidor, que acabará por comprar um imóvel por um preço maior porque nele estará embutido ou o preço da espera burocrática regular, ou o preço da propina paga. E os corruptos se esbaldam na burocracia.

No início do ano o Jornal da Comunidade publicou uma reportagem especial sobre o tema. Mostrou a ineficiência administrativa, incompetência burocrática e desconfiança entre os gestores públicos. Soma-se a isso a falta de incentivos públicos. Uma combinação que não tem como dar certo. E não deu. Esse é o retrato do setor produtivo do DF.

A construção civil é a área que mais sofre. O setor era, há quatro anos, o 2º mercado brasileiro. Hoje está em quinto.

O mercado funciona assim: a Terracap vende a projeção através de licitação pública. A construtora vencedora faz o projeto arquitetônico e, após receber a aprovação e o licenciamento do governo, começa a construir o empreendimento.

Antes, esse processo demorava de quatro a seis meses. Hoje, a média é de 20 meses. Não tem empresário que aguente ficar esse tempo todo parado pela burocracia. Se não constrói, não contrata empregados e nem negocia com fornecedores. A economia não gira.

Se a máquina funcionasse, o corrupto sairia de cena. Não haveria retração no mercado. Nem ganho político-eleitoral em operação policiais.

É fácil entender como funciona a Operação Átrio. O mercado de construção civil comenta há anos a existência da prática de cobrança de propina. Em todas as administrações regionais. O que está difícil de assimilar é por que Taguatinga e Águas Claras? Parecem escolhidas a dedo.

Para alguns, uma operação policial. Para outros, ação política desenhada. Que sirva de alerta para outros políticos que pretendem disputar as eleições de 2014.

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Por Ricardo Callado -  O deputado Raad Massouh (PPL) foi cassado na quarta-feira (30), por 18 votos favoráveis. Acusação: desviar recursos públicos através de emenda parlamentar. Mas como é que funciona este negócio de emenda parlamentar? Funciona para muitos deputados como um negócio.

No caso de Raad, o dinheiro da emenda seria para realização do 1º Festival Rural Ecológico de Sobradinho, em 2010. Parte dos R$ 100 mil teriam sido desviados. A investigação aponta que R$ 47 mil se perdeu no caminho.

Emendas são apresentadas pelos parlamentares à proposta de orçamento enviada pelo Governo. Os deputados tem a obrigação de decidir todo o orçamento. E ainda lhe cabem a prerrogativa de apresentar emendas individuais.

Cada distrital tem um valor para emendas, de R$ 13,5 milhões. É dinheiro que pode ser destinado a uma quadra de esporte, posto de saúde, nova escola ou infraestrutura.

Na Câmara Legislativa, emenda virou uma festa. Literalmente. Vamos aos dois últimos anos. Em 2011, os deputados apresentaram, ao todo, 778 emendas ao orçamento de 2012. A área de eventos, principalmente festas e comemorações nas cidades, recebeu 24,1% das emendas.

Os recursos destinados à área somaram R$ 71,94 milhões, enquanto o valor total é de R$ 298,4 milhões (excluindo-se as apresentadas pela Mesa Diretora).

Das 778 emendas dos parlamentares, as áreas de cultura (283) e desporto e lazer (110) receberam bem mais atenção do que setores como educação (51) e saúde (18).

Em 2012 não foi muito diferente. Os distritais aprovaram para o orçamento deste ano R$ 46,8 milhões para a Secretaria de Cultura. Em segundo ficou a Secretaria de Obras com R$ 44,2 milhões e Educação com R$ 20,7 milhões. Uma festa só.

Somando por setor, Urbanismo fica em primeiro com R$ 153,7 milhões, ou 47,44% do total das emendas. Cultura somou R$ 68,4 milhões (21,13%). Deporto e Lazer, onde também estão incluídas festas e eventos, foi o terceiro com R$ 27 milhões, ou 8,3%. Sabe quanto recebeu a saúde: R$ 4,3 milhões (1,3%). Piada, né!

Raad caiu por R$ 47 mil. Em seu discurso falou que o valor era muito pouco para se corromper. É muito sim. Qualquer real desviado do dinheiro público é muito. O problema é que o deputado cassado ganhou inimigos, principalmente em sua base eleitoral.

Uma investigação para valer mostraria que outros deputados usam a mesma prática que Raad. Em 2012 apenas um parlamentar dos 24 da Câmara Legislativa não apresentou emendas para festas e eventos. Foi o Cabo Patrício (PT). É claro que nem toda emenda será desviada. Só algumas. Outras são simplesmente desnecessárias.

É muito dinheiro do contribuinte indo pelo ralo. Isso gera distorções como o valor alto pago ao cantor Amado Batista no aniversário do Itapoã.

O artista foi contratado por R$ 400 mil, ou quase três vezes mais do que ele ganha em apresentações pelo país afora. O administrador da cidade, Donizete dos Santos, foi exonerado. É apenas um caso entre muitos.

Os parlamentares deveriam se concentrar em discutir a íntegra da peça orçamentária. As decisões alocativas são tomadas exatamente na discussão do orçamento. Mas a preocupação está sempre apenas com as emendas.

O critério utilizado pelo parlamentar para apresentar as emendas é confessadamente político. O parlamentar prestigia a base eleitoral, mandando para lá um posto de saúde, uma calçada ou uma quadra de esportes.

Com as emendas, o parlamentar se anuncia como um “realizador de obras”. Coloca faixas na cidade e solta releases aos jornais assumindo a autoria daquele posto de saúde, asfaltamento ou nova escola. Mesmo que isso nada tenha a ver com a atividade parlamentar.

O fato de o parlamentar apresentar a emenda não significa que o dinheiro será liberado. O orçamento é autorizativo (e não impositivo). O Governo só libera o dinheiro das emendas para quem se comportar bem no parlamento.

Ao lado dos cargos indicados pelos parlamentares, é o maior instrumento de pressão política do Governo. Votar sempre com o Executivo é a senha para ter mais recursos liberados. É uma espécie de mimo para os que têm bom comportamento parlamentar.

Alguns deputados nessa e em outras legislaturas são acusados de vender as emendas. Aqui no Distrito Federal e Brasil afora. Esta é a parte não republicana das emendas. Alguns deputados ficam com parte do dinheiro das emendas. Embolsam, simplesmente.

Os deputados vendem as emendas. Negociam uma comissão com os empreiteiros que estão na ponta das obras ou com os produtores de festas e eventos. As licitações são fraudadas para que haja um compromisso de devolução de parte do valor para o parlamentar responsável pelas emendas.

Ganham todos: governo que tem sua base controlada; deputados que engordam as contas bancárias e levam obras para sua base eleitoral; e as empresas que ganham contratos.

Só quem perde é o povo. É a institucionalização da compra dos parlamentares, que corrompe e é corrompido no mesmo ato. Raad é um detalhe.

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Por Ricardo Callado -  O momento é de compor. Montar estratégias. Fazer ou fortalecer alianças. Teremos em 2014 três frentes disputando o Governo do Distrito Federal. O governo tentando a reeleição, a direita/centro-direita querendo retornar ao poder, e a esquerda/centro esquerda surgindo com terceira via.

As estratégias de cada um estão claras. O governador Agnelo Queiroz (PT) mantém a aliança com o vice, Tadeu Filippelli (PMDB). Vai repetir a dobradinha vitoriosa em 2014. Os dois partidos são os maiores do país. E possuem o maior tempo de TV.

O deputado federal José Antonio Reguffe (PDT) continua na mira para ser o candidato ao Senado na chapa de Agnelo. O PT não desistiu. Espera que o parlamentar aceite participar novamente da coligação.

Agnelo tem como estratégia “ciscar pra dentro”. Vai atrair o maior número de legendas que puder, como PCdoB, PSL, PRP, PRB, talvez o PTB, quem sabe o PP, o PROS. Esses são alguns. A base aliada tem 17 partidos. Até o primeiro semestre do próximo ano alguns abandonarão o barco.

A caneta tem amplo poder de sedução. Além da máquina administrativa, com cargos para os aliados, o governador tem a seu favor um grande número de obras a ser entregues. A ordem é tratorar. Mostrar que o governo fez e poderá fazer em mais quatro anos. É arregaçar a manga e ir às ruas.

É preciso, ainda, convencer o eleitor que a direita representa um passado de escândalos políticos. Que o atual governo possui propostas e ideias para uma Brasília melhor. Ou seja, não vai inventar nada. Vai ser a campanha feijão com arroz. É uma fórmula batida, mas com boas chances de dar certo.

Se Agnelo busca a união imediata, a direita não tem pressa. A estratégia é diferente. Fragmentar para somar depois. Bem depois. Lançou vários candidatos ao governo. E cada um deles tem a missão de viabilizar a sua candidatura. Aquele que melhor estiver posicionado e ter o nome mais próximo ao consenso, poderá ser o candidato.

A divisão da direita se dá em pelo menos sete partidos. O PR vem com o ex-governador José Roberto Arruda, o ex-senador Adelmir Santana, e os ex-deputados federais Laerte Bessa e Jofran Frejat.

O PPS traz como novidade a deputado distrital Eliana Pedrosa. O DEM tem como expoente o ex-deputado federal Alberto Fraga. O ex-vice-governador Paulo Octávio e os deputados distritais Dr. Michel e Paulo Roriz estão no PP.

O PSDB, do presidenciável Aécio Neves, se reforçou e tem em sua tropa os deputados federais Luiz Pitiman, Izalci Lucas, a ex-governador Maria de Lourdes Abadia, o ex-deputado distrital Raimundo Ribeiro e o ex-secretário de Obras, Márcio Machado.

O pastor Rodrigo Delmasso, representante do bispo Robson Rodovalho, é o nome do PTN. O partido ainda possui lideranças ligadas ao ex-governador Arruda.

O PRTB, do ex-senador Luiz Estevão, trouxe o ex-governador Joaquim Roriz e a deputada distrital Liliane Roriz. Outros partidos podem aderir ao projeto, como o Solidariedade, do deputado federal Augusto Carvalho, e o PTB, do senador Gim Argello.

As alternativas são várias. Eliana Pedrosa e Luiz Pitiman são os nomes postos para disputar o Buriti. Arruda não é descartado e pode ser o candidato do grupo. Roriz afirma que ele estará em condições de disputa, mas tem Liliane como plano B. Podem surgir como novidades e de consenso Adelmir Santana e Jofran Frejat.

O grupo tem suas divergências e desavenças. Em alguns casos, há desconfiança mútua. A união vai se dar mais pela dor do que pelo amor. É uma questão de sobrevivência. Os principais players da direita, Arruda e Roriz, mantém conversas adiantadas.

Quem anda batendo cabeça é a esquerda/centro esquerda. Pratica a estratégia do erro. Nunca foi tão viável a vitória de uma candidatura da terceira via. Se o senador Rodrigo Rollemberg (PSB) e o deputado Reguffe não se unirem, vão morrer abraçados. Não existe espaço para duas candidaturas de uma mesma tendência.

Reguffe foi lançado governador pelo PDT. Para se viabilizar, precisa de apoio político. Além do PDT e do senador Cristóvam Buarque, Reguffe está só. Não tem apoio de outros partidos. E na política ninguém é candidato de si mesmo. Vai ter que fazer alianças e ampliar o discurso.

Sem Reguffe, Rollemberg ainda tem uma chance de montar uma chapa. Pode atrair o Toninho do PSol e outros partidos que estão soltos. Mas a derrota é iminente. Tanto para Rollemberg, quanto para Reguffe.

O discurso de Reguffe é coerente quanto diz que não será candidato a qualquer custo. E numa eleição, tudo tem um preço. Da mesma forma que não existe almoço de graça. Se continuar a divisão, Rollemberg perde e fica mais quatro anos no Senado, adiando o sonho de chegar ao Buriti para 2018.

Já Reguffe estará fora da política, pelo menos por quatro anos. Se for para o Senado, pode passar por uma fase de amadurecimento político. E vai dar sua contribuição, levando o exemplo de ética e moralidade para o parlamento mais alto da República.

Agnelo e a direita estão fazendo o dever de casa direitinho. A cisão da esquerda resulta na polarização. Agradecem PT, Arruda e Roriz. Se o novo não se entende, a velha política se mantém no poder.

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Por Ricardo Callado -  O cenário eleitoral de 2014 começa a clarear. A semana passada foi marcada por movimentos estratégicos. Os próximos dias também prometem novas definições. Até o dia 5 de outubro as acomodações partidárias darão um dica de como fica o quadro político de Brasília.

Uma das mais significativas ações foi o anúncio da repetição da chapa Agnelo – Filippelli. Os dois selaram o acordo sob as bençãos do presidente nacional PT, Rui Falcão, e do vice nacional do PMDB, Valdir Raupp.

A postura de Filippelli foi motivo de especulação nas últimas semanas. Os encontros com o ex-governador José Roberto Arruda, em São Paulo, e com o ex-governador Joaquim Roriz, deram a entender que Filippelli pularia do barco do PT.

Notas em jornais e blogs políticos davam como certa a candidatura do vice contra o governador. As relações ficaram estremecidas. Nas inserções do PMDB na TV e no rádio, Filippelli não citava o governo Agnelo. Na Câmara Legislativa, distritais dos dois partidos se estranharam.

Roriz chegou a acreditar em Filippelli. Apostava no rompimento. Pela segunda vez, a velha raposa se deu mal. Agnelo teve maior poder de convencimento. Foi mais rápido. Foi elementar. Prendeu o vice na aliança. E seu deu bem.

Agnelo saiu vitorioso. A repetição da dobradinha vai lhe garantir um bom tempo de TV. Também mantém na base o principal partido da aliança que venceu a eleição de 2010. Para completar a chapa, o deputado federal Geraldo Magela (PT), deve ir para o Senado.

Outros candidatos ao Buriti também se mexeram. Eliana Pedrosa encontrou um partido onde pode ser ouvida. Trocou o PSD pelo PPS. Ganhou um viés de centro-esquerda. E o PPS achou uma candidata para chamar de sua. A afinidade foi imediata.

Quem não gostou foi o senador Rodrigo Rollemberg (PSB), também postulante ao GDF. Ele contava com o PPS em sua coligação. Isso fará que Rodrigo dê uma guinada mais a direita. Vai ter que procurar alternativas.

Depois da rasteira de Filippelli, Joaquim Roriz e a deputada Liliane (ex-PSD) foram recebidos no PRTB, sob o comando do ex-senador Luiz Estevão. Roriz entrou na legenda anunciando que será candidato ao Buriti. Não é. Faltam condições físicas para enfrentar uma campanha desgastante.

Liliane Roriz que vai para a disputa. No momento certo se definirá a que cargo: se ao governo ou a vice. Sem o PPS, Rodrigo Rollemberg vai em busca de Liliane para compor a chapa. A conversa entre Rodrigo e Roriz é fácil. Em 2010 quase fecharam um acordo. Veio a Caixa de Pandora e zerou o jogo.

O PSDB também se mexeu. Trouxe o deputado federal Luiz Pitiman, do PMDB. O discurso é de campanha ao GDF. Com ele vieram mais 32 pré-candidatos ao legislativo. A solenidade de filiação teve a presença do presidenciável Aécio Neves. Chegou com moral.

Pitiman e Eliana Pedrosa estão captando votos no mesmo terreno. Eleitores rorizistas e arrudistas são os principais alvos. Surgem como terceira via, assim como Rollemberg. Nenhum deles ainda polariza a disputa com o governador Agnelo. O único que ainda poderia fazer isso é o ex-governador Arruda.

Arruda é o pavão misterioso das eleições de 2014. Vai deixar para a última hora a definição da candidatura. E, para ele, só existe uma possibilidade: disputar o Palácio do Buriti. Enquanto não se define, a saramandaia política permanece, com simbolismo e metáforas.

Se o cenário for favorável, e a justiça permitir, Arruda será candidato. Pitiman e Eliana podem até reavaliar suas candidaturas e fazer uma composição. Mas o PSDB precisa de um palanque para Aécio Neves. E o de Arruda não é o mais recomendável. Já o PPS não quer perdeu a oportunidade de, pela primeira vez, entrar competitivo na disputa ao GDF.

Outra solução para Arruda será uma aliança com Joaquim Roriz. Liliane, a vice. Seria uma chapa forte. Uniria os dois maiores detentores de votos do Distrito Federal. Também atrairia um rol de partidos.

Se isso acontecesse, teríamos a polarização. Quem mais ganharia com isso seria Agnelo. A reedição do “nós contra eles”. A fragmentação de candidaturas só atrapalha quem busca a reeleição.

A semana promete mais emoções. Arruda e outros protagonistas das eleições de 2014 devem decidir o rumo. Entre eles, o deputados federal José Antônio Reguffe (PDT), o ex-vice-governador Paulo Octávio (em partido) e o deputado distrital Chico Leite (PT). O céu está clareando.

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Por Ricardo Callado – Ser campeão de votos representa prestígio junto ao eleitorado. As vezes, não no próprio partido. É o caso do deputado distrital Chico Leite (PT). A notícia de que está de saída para a Rede Sustentabilidade foi um dos fatos mais relevantes da semana passada na política brasiliense.

O PT não vai fazer nada para evitar a sua saída. O partido sempre rejeitou Chico Leite. O motivo principal é que ele não é da turma. As principais lideranças são oriundas do sindicalismo. A exceção é Chico, promotor de justiça de carreira e integrante dos quadros do Ministério Público.

O patinho feio do PT se transforma em um cisne em ano de eleição. O deputado já recebeu convites de outros partidos, mas reluta em sair do PT. Ou relutava até pouco tempo atras. Cansou de ser escanteado. Um exemplo: essa semana o governador Agnelo Queiroz convocou uma reunião de petistas para debater com o presidente nacional do partido, Rui Falcão, o cenário politico e os impactos no DF.

Foram chamados os deputados distritais Chico Vigilante, Wasny de Roure e Arlete Sampaio, o presidente do PT no DF, deputado federal Roberto Policarpo, e o secretário de Desenvolvimento Urbano e Habitação, deputado federal licenciado, Geraldo Magela. Deixaram Chico Leite de fora.

Essa não foi a primeira vez que foi preterido. Em 2010, lançou dentro do partido sua candidatura ao Senado. Mesmo com duas vagas a serem disputadas, o PT preferiu apoiar políticos de fora da legendas: Cristovam Buarque (PDT) e Rodrigo Rollemberg (PSB).

Resultado, o PT ficou sem senador e os dois eleitos foram para a oposição. Chico disputou à reeleição e foi o deputado mais votado.

Além de rejeitar, o PT ainda persegue. No final de 2011, parlamentares do partido articularam uma resolução para reduzir o salário de Chico Leite que recebe pelo Ministério Público. A tentativa resultou em demanda judicial que foi perdida pela Presidência da Câmara Legislativa.

Em outro momento, a aliança entre o deputado distrital Sidney Patrício (PT) e o então secretário de Governo, Paulo Tadeu (PT), trabalhou durante 2011 e 2012 para isolar Chico Leite. O PT-DF não se posicionou em defesa do seu deputado. A omissão da cúpula do partido foi uma vitória para Tadeu e Patrício. O PT foi empurrando, aos poucos, o deputado para fora da legenda.

A saída de Chico Leite para o partido de Marina pode sinalizar uma mexida no tabuleiro eleitoral de 2014. Principalmente num momento em que as ruas rejeitam as práticas políticas atuais. Na Rede, poderá ter espaço para disputar o Senado. Pode ser estimulado a se lançar ao Palácio do Buriti.

Parte das bandeiras defendidas por Chico Leite está nas cartolinas dos manifestantes. Vão desde a condenação da PEC 37 (já derrubada), passando pela ética na política até o fim do voto secreto. Se encampar tudo isso numa campanha ao Governo do Distrito Federal, não poderá ser taxado de oportunista. E poderá ser a novidade.

A entrada de mais um protagonista na eleição majoritária é sempre bem vinda. Enriquece o debate de ideias entre os candidatos. Dá mais opção ao eleitor. E abre caminho para uma terceira via. Chico Leite tira votos do próprio PT. Também atinge a candidatura de Rodrigo Rollemberg e do deputado federal Reguffe (PDT), outro nome cogitado ao governo.

O mais provável é que Chico dispute o Senado. O PT está se lixando. A preocupação maior é com a voz das ruas. Como está no poder aqui no Distrito Federal e no Planalto, os protestos podem respingar com maior intensidade do PT. Corre o risco de chegar em 2014 como pato manco. E sem o pato feio.

opiniao

Por Ricardo CalladoA cada eleição se fala em renovação de 50% na Câmara Legislativa. Na prática, isso acontece. Só que esse é o problema. A prática continua mesma. Mudam os nomes. Não muda o jeito de fazer política. O jogo viciado é o mesmo. Salvo raras exceções.

Para 2014, a renovação também será grande. Pode superar a média histórica de 40% a 50%. A razão são três: deputados fracos; ascensão política e aposentadoria.

Não vou citar nomes dos deputados abaixo da média. Será perda de tempo. Muitos são verdadeiros desconhecidos. São os deputados de uma legislatura só. Tiveram a sorte de chegar a Câmara Legislativa e não souberam como se manter.

Vamos aos que deverão tentar o lugar mais alto. São pelo menos seis deputados. Chico Leite (PT), campeão de votos na última eleição, é candidato ao Senado. Se o PT deixar, é claro. O desejo de mudar de Casa vem desde 2010, mas o PT não deixou.

Eliana Pedrosa (PSD) foi a segunda mais bem votada. Depois de três mandatos, decidiu partiu para voo mais alto. Mira o Palácio do Buriti. Mais especificamente a cadeira de Agnelo Queiroz. Está em campanha há pelo menos um ano e meio. Tem o apoio do presidente nacional da legenda, Gilberto Kassab.

Ex-presidente da Câmara Legislativa, Sidney Patrício (PT) vai tentar uma vaga à Câmara dos Deputados. Não vai ser fácil. O PT tem três federais. Outros nomes surgem fortes. Um deles é o secretário de Saúde, Rafael Barbosa.

Patrício vai se agarrar no eleitorado do sempre aliado e ex-deputado Paulo Tadeu, hoje conselheiro do Tribunal de Contas do DF. Também tenta limpar a imagem junto a corporação da Policia Militar, que já foi seu eleitorado fiel.

Outra que pretende disputar uma eleição majoritária é Liliane Roriz (PSD). Trabalha para encabeçar uma chapa ao Palácio do Buriti. Se não der, é cobiçada para ser vice.

Licenciado desde o começo da legislatura, Alírio Neto faz da Secretaria de Justiça o trampolim para a Câmara Federal. Bem articulado e presidente do PEN, surge com força para 2014. Vem fazendo um bom trabalho no GDF. Vai precisar de uma boa coligação para chegar lá.

Roney Nemer é o nome do PMDB para ser candidato a federal. O partido tem apenas o deputado Pitiman, que está de saída depois de bater de frente com a cúpula da sigla no DF. A candidatura de Roney seria também para atrapalhar os planos de Pitiman.

Um sétimo nome que pretende ascensão política é o de Olair Francisco (PTdoB). Ele já anunciou que pode ser candidato ao governo e ao Senado. Também aceitaria ser vice. A questão é que a turma não o leva muito a sério.

Os políticos que não serão candidatos a nada, por decisão própria ou força maior, são uns cinco. Arlete Sampaio (PT) pode deixar a vida pública. O seu sucessor seria o atual secretário de Desenvolvimento Social do DF, Daniel Seidel.

Atual presidente da Câmara, Wasny de Roure (PT) também pensa em parar. O administrador de Samambaia, Risomar Carvalho, deve ser o substituto natural. Os dois fazem parte do mesmo grupo político. O destino de Wasny pode ser o Tribunal de Contas. Seria um reconhecimento pela vida pública que desempenhou.

Outro que não deve ser candidato é Evandro Garla (PRB). Ligado a Igreja Universal, o deputado deve desempenhar uma outra função. A decisão é da cúpula da igreja, que vai designar um outro nome para ocupar a vaga. Provavelmente do suplente de federal Ricardo Quirino, atualmente na Secretaria do Idoso.

Raad Massouh (PPL) tem situação indefinida. Ele enfrenta um processo de cassação de mandato no Conselho de Ética na Câmara. Se perder o mandato, fica inelegível. Mesmo assim, vai sair baleado do processo. Terá dificuldade em 2014.

Situação semelhante a de Raad enfrenta Benedito Domingos (PP). A justiça não lhe deixa em paz. Os processos não param de andar e se multiplicar. Tem ainda o surgimento de outros candidatos em sua base eleitoral: Taguatinga e a igreja Assembléia de Deus. Se conseguir se safar da justiça, vai penar nas urnas.

Sobraram na disputa doze deputados e uma suplente no exercício do cargo, Luzia de Paula (PEN). Desses, a metade não conseguirá se eleger. Entre os favoritos a se manter na Câmara estão Chico Vigilante (PT), Cristiano Araújo (PTB), Agaciel Maia (PTC), Joe Valle (PSB), professor Israel (PEN), Robério Negreiros (PMDB) e Celina Leão (PSD).

Terão dificuldades Washington Mesquita (PSD), Aylton Gomes (PMN), Dr. Michel (PEN), Cláudio Abrantes (neo PT) e Wellington Luiz (PPL).

Novos nomes e outros não tão novos surgem para ocupar as vagas que serão abertas. Uns bons e outros já reprovados nas urnas. A renovação para melhor depende da consciência política do eleitor. É melhor pensar antes em quem votar, do que reclamar depois.

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Por Ricardo CalladoNão só a reeleição de Agnelo Queiroz motiva o PT. A vaga ao Senado virou questão de honra. E de sobrevivência para 2018. A experiência frustante de 2010 serviu de lição. O partido venceu a eleição e cabo a rabo. Mas não levou.

Elegeu os dois senadores coligados: Cristovam Buarque (PDT) e Rodrigo Rollemberg (PSB). Antes da metade do governo os dois foram para a oposição. Serão antagonistas de Agnelo em 2014. Rodrigo é candidato ao Buriti, com Cristovam em seu palanque.

O PT precisa que o candidato da vaga ao Senado seja do PT. Se Agnelo for reeleito sem um senador petista, a vida vai complicar. Se Reguffe (PDT) ou Gim Argello (PTB) ocuparem a vaga, eles surgem como alternativas em 2018.

Rodrigo Rollemberg será novamente a bola da vez. Até lá, o governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), estará mais maduro e mais forte para disputar o Palácio do Planalto. Um dobradinha forte.

Ainda dentro do cenário de reeleição de Agnelo em 2014, ele tende a deixar o governo no início de 2018 para disputar uma das duas vagas ao Senado. O vice, Tadeu Filippelli, assumiria a reta final do governo. E seria candidato natural a reeleição. Não vai pensar duas vezes em usar a máquina do GDF em sua mão.

A disputa, em tese, ficaria entre Reguffe ou Gim, Rodrigo, e Filippelli. E mais algum nome que vai surgir até lá. Ou seja, o PT estaria fora do protagonismo da disputa. Restaria sair da primeira divisão e passar a coadjuvante nesse cenário politico, sendo reduzido.

O senador eleito em 2014 seria a terceira força da eleição de 2018. Teria oito anos de mandato e disputaria com tranquilidade o Buriti.

Por isso, para o PT, além da reeleição de Agnelo, é importante ter o senador. As bases do partido sabem disso e se movimentam para pressionar a cúpula. Dois nomes surgem como favoritos: o deputado federal Geraldo Magela e o deputado distrital Chico Leite.

Coincidência à parte, Magela e Chico eram os nomes do PT em 2010. Foram escanteados para dar lugar a Cristovam e a Rodrigo. Desta vez, a militância fecha questão. Sem um petista na chapa, o partido tende a minguar futuramente. É preciso construir novas lideranças.

Magela fez um bom trabalho à frente da Secretaria de Desenvolvimento Urbano, Habitação e Regularização (Sedhab). O programa Morar Bem é um sucesso. Deve ser uma das vitrines da campanha eleitoral de Agnelo na televisão, no próximo ano.

Magela conseguiu o que muitos achavam difícil para um petista: entrar no eleitorado fiel do ex-governador Joaquim Roriz (sem partido). Tem experiência em eleição majoritária. Disputou o GDF contra o próprio Roriz, em 2002, e perdeu pela menor diferença de votos na história política do Distrito Federal.

Chico Leite é o campeão de votos do PT para a Câmara Legislativa. Tem a seu favor o discurso ético. Sua origem é no Ministério Público. É bem aceito nas diversas classes sociais. Consegue chegar em alguns eleitorados reticentes ao PT tradicional.

Deputado distrital em terceiro mandato, tem como bandeiras a ética na política, fiscalização dos gastos públicos e a defesa do trabalhador e do pequeno e micro empresario. É um nome leve e poderia dar uma nova cara ao PT do DF.

O partido tem outros nomes, mas esses dois saem na frente por questão de mérito. Estão na fila a mais tempo. A discussão é interna. E tem influência direta nas eleições de 2014 e de 2018.

Para Agnelo, vai depender da viabilidade da coligação que fará visando à reeleição. Para o PT, é questão de sobrevivência. Com a vitória ou não de Agnelo.

 

Por Ricardo Callado – O governador Agnelo Queiroz inicia 2013 com a cabeça em 2014. A contar de janeiro, irá faltar apenas cerca de um ano e meio para a campanha eleitoral de fato. Mas as articulações iniciam já no segundo semestre deste ano.

Agnelo tem uma base ampla. Perdeu alguns partidos, mas continua com fôlego. A missão é segurar quem ficou e agregar mais alguns. A da oposição é se organizar e consolidar candidaturas. Não será Agnelo contra aquele. A oposição tem vários lados, tendências e ideologias. E não se mistura.

A saída de legendas da base aliada como o PDT e PSB é irreversível. E era previsível. Os senadores Rodrigo Rollemberg (PSB) e Cristovam Buarque (PDT) representam um dos blocos de oposição. Junta-se a ele o deputado federal José Antônio Reguffe (PDT).

Cada um deles abandonou Agnelo por um motivo particular. Rodrigo sonha em ser governador. Já foi candidato um vez e pretende disputar em 2014. Cristovam tem insatisfações com o Buriti, principalmente na condução da área de educação. Reguffe optou por se manter independente.

O trio articula uma aliança com o Toninho do Psol, terceiro colocado nas eleições de 2010. A questão é que o Psol pretende lançar candidatos em todos os estados. A tática deu certo nos anos éticos do PT. O partido se posicionou e cresceu.

O PDT também bate o pé para apoiar Rodrigo. Acha que tanto Cristovam, quanto Reguffe são bons nomes para bater de frente com Agnelo. O senador socialista vai ter que buscar alianças, também, em outros lados da oposição.

No PSDB, o deputado federal Izalci Lucas e o suplente de deputado distrital Raimundo Ribeiro são nomes lembrados. No DEM, o ex-deputado Alberto Fraga está sozinho. Não descarta se lançar ao Buriti, mas precisa de alianças.

O PSD, como declarou seu criador, o ex-prefeito paulistano Gilberto Kassab, não é direita, nem esquerda, nem de centro. Nem seus integrantes sabem bem o que é. No DF, é governo e oposição ao mesmo tempo.

Mesmo assim, o PSD tem candidato ao Buriti. Pelo menos dois, ou melhor duas. As deputadas Eliana Pedrosa e Liliane Roriz. Se optar por apoiar Agnelo em 2014, pode ficar sem as parlamentares. A debandada pode levar ainda a deputada Celina Leão a outra legenda.

Eliana sonha em organizar o velho grupo que governou o DF nas últimas duas décadas. Quer unir os ex-governadores Joaquim Roriz, José Roberto Arruda e Paulo Octávio. Missão complicada. Eliana mira ainda os insatisfeitos com o governo Agnelo. A ideia é formar um grande grupo de oposição, mas esbarra nas diferenças.

Ainda na base aliada, fala-se nos nomes do vice-governador Tadeu Filippelli (PMDB) e do senador Gim Argello (PTB). O primeiro não pretende dissolver a aliança vitoriosa em 2010. Mas teme que um insucesso de Agnelo em 2014, o arraste ao ostracismo político. Se isso acontecer, pode pular fora do barco.

Gim Argello quer mesmo é continuar no Senado. Fará uma campanha pesada para garantir mais oito anos de mandato. Precisa de uma chapa majoritária forte. Agnelo garantiu espaço na dele. Mesmo assim, Argello deve conversar com outros grupos. Vai buscar a melhor oportunidade.

Dos três ex-governadores, apenas Paulo Octávio deve retornar. Mantém bons laços com políticos e o setor empresarial. Também não saiu chamuscado da operação Caixa de Pandora. Não deve ser candidato ao GDF, mas seu apoio vale muito.

Roriz e Arruda precisam resolver problemas na justiça. A situação de Roriz é mais fácil. Ele já fez a consulta para sair do enquadramento da Lei Ficha Limpa. Outra opção é apoiar a filha, Liliane, que por sua vez é o sonho de Rodrigo ter como vice.

Arruda não tem condenação na Caixa de Pandora, mas uma candidatura poderia fazer o processo andar. Tem muito voto. E, por causa disso, muitos inimigos políticos que poderiam dar um empurrão na justiça.

Outros personagens podem influir em 2014. Um deles é o ex-senador Luiz Estevão. Ele não será candidato a nada. Busca um candidato para apoia-lo. Dispõe de recursos para alavancar uma chapa. Qualquer uma, menos do PT. Se sente perseguido pelo partido.

A novidade é a ex-senadora Marina Silva. Ele trabalha para lançar um novo partido. Em 2010 foi candidata a presidente da República e venceu, no DF, Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB). A especulação da vez é que ela vai disputar o Buriti. Pode atrair gente do PT e do PDT ao projeto.

A oposição não consegue e não vai se entender. Esse é o cenário que Agnelo deve trabalhar em 2013. É um jogo de xadrez onde qualquer peão faz a diferença. E vence quem tiver mais habilidade.

 

Por Ricardo Callado – O programa semanal de rádio Momento da Copa de quinta-feira (27) destacou a conclusão da primeira etapa de cobertura do Estádio Nacional Mané Garrincha, em tempo recorde.

Na semana passada, o governador Agnelo Queiroz subiu 64 metros para encaixar o último pino que une o conector do cabo à placa-base, afixada ao anel de compressão. O processo finalizou o içamento dos cabos que sustentam a cobertura da nova arena de Brasília.

O estádio é a grande obra do governo Agnelo. Vai ficar pronto no início de 2013 e será palco de jogos da Copa das Confederações. É o torneio que dá o pontapé para a Copa do Mundo de 2014.

O Estádio Nacional é orgulho e ao mesmo tempo dor de cabeça do governador. Por mais que se faça em outras áreas, a população só terá olhos para as obras do Mané Garrincha.

Só depois de inaugurado é que o brasiliense vai conseguir olhar o GDF está fazendo. Por enquanto, a percepção é que se trata apenas de um governo de uma obra só. E que todo o dinheiro está sendo jogado lá. O prato cheio para a oposição.

Agnelo deve se sentir realizado com a entrega da arena, uma das mais modernas do mundo. Ao mesmo tempo, vai ficar aliviado. Terá a oportunidade de mostrar o outro lado de ser governo.

Para fazer um breve resumo, entre os grandes projetos podemos citar o Centro Administrativo, no entroncamento Taguatinga-Samambaia-Ceilândia, e a licitação do sistema de transporte coletivo.

São dois projetos que irão mudar a vida do cidadão. Antes é preciso esquecer o estádio. Se as ruas ficam esburacadas, a população diz que o governo só gasta no Mané Garrincha.

Nas greves, os sindicatos reclamavam que não tinha dinheiro para dar aumento a categoria tal, mas tinha recursos para a arena. Se faltam remédios nos hospitais, adivinha em quem o paciente coloca a culpa?

Depois de inaugurado, o estádio vai virar um cartão postal. O brasiliense vai ter orgulho, principalmente se nossos times de futebol conseguir ascender nas competições nacionais.

Por enquanto, o Mané é um obstáculo que Agnelo tem que superar. Só assim o seu governo será dito, visto e ouvido. É como se existisse uma cortina.

O pós-arena vai ter que render. Agnelo terá que fazer muito. E obras e projetos que afetem diretamente a melhoria da qualidade de vida do cidadão. Será uma competição tão difícil quanto a copa. Do contrário ficará na história como apenas o governo do Estádio Nacional Mané Garrincha.

 

Por Ricardo Callado - Foi por unanimidade. O deputado distrital Wasny de Roure (PT) é o novo presidente da Câmara Legislativa a partir de janeiro. A semana foi marcada por reuniões intermináveis, rebeldia dentro da base aliada e a procura de um nome que pudesse fazer frente ao candidato do governador Agnelo Queiroz. No final deu a lógica. A implacável lógica da política.

Os rebeldes contabilizaram 12 votos, segundo seus cálculos. Faltava um. O problema é que mesmo que conseguissem, não havia consenso em torno de um nome. Apareceu mais candidatos do que eleitores. Sem acordo, prevaleceu o nome oficial.

O medo de retaliações também fez a diferença. Medo que ainda existe. Nos próximos dias as páginas do Diário Oficial do Distrito Federal podem trazer surpresas. A não ser que o governador perdoe os insurgentes.

A escolha de Wasny pacifica o PT. O partido, através das zonais e do diretório regional bateu o pé para que o sucessor do presidente Patrício (PT) fosse da legenda. Alguns, como a tendência Construindo um Novo Brasil-DF queria o próprio Patrício. As zonais apostaram no nome do deputado Chico Leite (PT).

Wasny veio para apaziguar. Tanto dentro, como fora do PT. Economista e brasiliense desde 1959, nasceu em Goiás e foi eleito deputado distrital pela primeira vez em 1990. Está no quarto mandato. Também foi secretário de Fazenda e deputado federal. Era líder do governo até setembro deste ano.

Agnelo é candidato à reeleição. E não poderia deixar de ser. Está na metade do mandato. Os índices baixos de aprovação precisam ser revertidos. E precisa do apoio do PT. Atender ao partido é uma forma de negar argumentos em 2014 para contestação do seu nome.

Isso não implica ser refém da legenda. Mas é preciso a harmonia. Tem muita gente no PT remando contra o governo. Querendo o seu lugar em 2014. Então é precisa que o governo tenha o partido perto dele, isolando os adversários.

Agnelo também não pode aceitar que subordinados contestem suas ordens. No caso da troca da Presidência do Banco de Brasília (BRB) teve até secretário-adjunto desobedecendo o Buriti. Em outro momento, enfrentou uma greve de subsecretários. Cargos comissionados e que deviam ser de confiança.

Ou aceita as ordens ou pede para sair. Do contrário, a bagunça vai se generalizar. Porque em algumas áreas bagunçado já está. Os índices baixos nas pesquisas é a maior prova disso. Muita coisa precisa ser consertada. Precisa de decisão. De mudança.

Em 2013 o governador deve ter mais tranquilidade no trato com a Câmara Legislativa. Não que a Casa vai ser subserviente. Nada disso. Apoio é uma via de mão dupla. Mas Agnelo terá um presidente com perfil mais moderado. E fiel ao governo.

Quanto ao governo, ou Agnelo conserta e usa a caneta para fazer as mudanças necessárias, ou sua avaliação vai fazer o PT penar nas eleições de 2014, 2018, 2022…

 

Por Ricardo Callado - A candidatura do deputado distrital Wasny de Roure (PT) é para valer. O governador Agnelo Queiroz (PT) bateu o martelo e escolheu o parlamentar como sucessor de Patrício (PT) na Presidência da Câmara Legislativa.

Num primeiro momento alguns deputados da base aliada chiaram com a escolha. Ameaçam um movimento de rebeldia. E aguardam, em troca de uma posterior mansidão, serem recompensados. A questão é saber quem serão os premiados.

A conta é simples. Para eleger Wasny, Agnelo precisa de 13 votos. Atualmente tem oito votos nas mãos. Por fidelidade partidária, contemplação ou a espera de proteção. O governador precisa apenas de mais cinco votos. É uma tarefa fácil. Não custa muito convencer alguns deputados a votar com o Executivo. Vale a lei da oferta e da procura. E alguns se contentam com pouco, muito pouco.

O PSB deixa a base aliada do governo nesta sábado. São poucos cargos que os socialistas tinham no GDF. Cerca de 60, além do comando de uma secretaria, uma empresa e uma administração. Alguns remanejamentos serão feitos em outras áreas. Essas são algumas cartas de crédito que Agnelo tem para conduzir a eleição da Câmara. Os distritais já montaram o balcão a espera do governador.

Quando Agnelo fechar a conta dos 13, outros irão aparecer fazendo juras de fidelidade. Wasny será eleito. Um motivo muito forte terá que surgir para Agnelo ser derrotado. Por enquanto, os distritais possuem outras preocupações.

Esta semana, por exemplo, uma operação do Ministério Público, com apoio da Polícia Civil, esteve cumprindo mandados de busca e apreensão na casa e no gabinete de um deputado. Também estiveram na Administração Regional onde o parlamentar tem influência.

O motivo é recorrente: irregularidades no uso de emenda parlamentar ao Orçamento do GDF para festas. É o segundo distrital que se enrola em uma semana no mesmo problema. Algum tempo atras essa mesma destinação de recursos foi usada para pagar gibi superfaturado e desnecessário.

MP e Polícia Civil fizeram um acordo corporativista para não divulgar o nome do deputado-alvo desta semana. Se a disposição do Ministério Público continuar, dois terços dos parlamentares podem receber visitas incômodas. Emendas para festa e eventos dão muito dinheiro. E dor de cabeça ao Executivo e Legislativo.

Nos bastidores pelo menos duas candidaturas rebeldes estão em plena difusão. Na pauta de discussão alegam a necessidade de alternância de poder. Ou seja, que um outro partido comande a Casa nos próximos dois anos.

A oposição, é claro, apoia a ideia. Qualquer que seja o nome escolhido. Ai está um problema. Os nomes não se entendem. Sem entendimento, falha a articulação. No final a caneta do Buriti vai falar mais alto e o movimento será debelado por osmose.

O favorito até alguns dias era o deputado Agaciel Maia (PTC). Agnelo quer ele como vice-presidente. Wasny poderia assumir em 2013 o cargo de conselheiro no Tribunal de Contas. Agaciel assumiria a Casa como interino e promoveria novas eleições onde ele mesmo seria candidato. Para a vaga de Agaciel, cogita-se o nome de Chico Vigilante, mantendo um petista na Mesa Diretora.

A candidatura do deputado Chico Leite (PT) foi descartada por Agnelo. O deputado não saiu derrotado, já que seu nome foi preterido mais pelas virtudes, do que pelos defeitos. A opinião pública acompanhou o processo.

Patrício (PT) também não sai derrotado. Deve ir para a Secretaria de Desenvolvimento Social, a que mais dá voto. É ali que se distribui os programas sociais do governo. Pode pavimentar sua candidatura em 2014 para deputado federal com tranquilidade. Basta trabalhar direito.

Wasny é um bom deputado. Tem a simpatia de muitos parlamentares. É experiente e conciliador. Deve fazer uma boa gestão. A rejeição não foi ao seu nome. Nem existe rejeição. O que existe mesmo é a mais antigo forma de fazer política do toma-lá-da-cá.

 

Por Ricardo Callado - Mesmo sob as piores circunstâncias, as pessoas podem criar e encontrar um significado para a existência. Isso é proatividade. Pode se definir como um conjunto de comportamentos extrapapel em que se busca espontaneamente por mudanças, solucionando e antecipando-se aos problemas, visando metas de longo prazo que beneficiam a organização.

A palavra está em uso no Palácio do Buriti. Chegou-se a conclusão que é preciso resolver os problemas. E antecipa-los. Respeitar acordos. Afinal, 2014 se aproxima e não existe nenhum governante que abdique do poder.

O governo acordou. Busca recuperar o tempo perdido pressionado pelo calendário. O que se viu nos últimos dias foram lances que fortalece a posição do governador Agnelo Queiroz (PT). Isso passa pela ampliação de sua cota pessoal.

A ida de Abdon Henrique para a Presidência do Banco de Brasília (BRB) é um exemplo disso. Ele é do círculo particular de Agnelo e de sua extrema confiança. Já ocupou a Secretaria de Desenvolvimento Econômico e Administração do Lago Sul.

Abdon vai substituir Jacques Pena. A mudança pode demorar de 30 a 60 dias. Depende de sabatina na Câmara Legislativa e do crivo do Banco Central. Mera burocracia. Pena é petista histórico. Faz parte da Articulação, principal tendência do partido.

O PT, internamente, chiou com a mudança. Considera que perdeu espaço. A manobra do governador, dando certo, o PT tem a ganhar. O sucesso do governo está atrelado a do partido. Se Agnelo for bem, o petismo sobrevive em Brasília e mantém fôlego para 2014. Se for mal, pode se preparar o retorno a oposição por um bom tempo.

Agnelo puxa pra si a responsabilidade. Vai governar com os seus, sem interferências e pressões. Coloca em posições chaves aliados de sua estrita confiança. Em outras, abriga aliados importantes. Assim foi a nomeação de Ricardo Vale como adjunto da Secretaria de Governo.

O governador dá sinais de que pretende fortalecer sua posição na Câmara Legislativa. O tempo vai passando e a eleição do novo presidente da Casa continua em aberto. Apenas três nomes estão no páreo: o do atual presidente, Patrício (PT); o deputado Wasny de Roure (PT); e o deputado Agaciel Maia (PTC).

O Palácio do Buriti vai de Wasny, mas não fica triste se um dos outros dois candidatos for escolhido. Por não ser petista, Agaciel tem boas chances. Já Patrício corre contra o tempo. Para se viabilizar precisa antes aprovar a emenda da reeleição.

Agnelo tem pressa. Precisa mudar o cenário para chegar competitivo em 2014. Tomar as rédeas do governo é um passo. Vai precisar de outras ações. Abrir o diálogo com a sociedade e lideranças da cidade.

Na política, uma eleição ao Executivo é um projeto de pelos menos oito anos. Agnelo está prestes a completar dois anos de mandato. Foi um período turbulento. É preciso se reinventar. Ser proativo. Fazer política. Aprender a se comunicar. A gestão administrativa precisa, ainda, de ajustes. A gestão política é um desastre. Se é que existe. Esta é a hora de achar um significado para a existência.

 

Por Ricardo Callado - A lista dos candidatos que buscam desalojar o governador Agnelo Queiroz (PT) do Palácio do Buriti é grande. Nunca tantos políticos, com tanta antecedência, se mobilizaram para ocupar o GDF. A movimentação nos bastidores é intensa.

Agnelo vai em busca da reeleição. Isso se o PT deixar. Comenta-se no petismo que o efeito João da Costa pode se repetir em Brasília. João é o atual prefeito de Recife (PE). Mesmo mal avaliado, queria mais quatro anos, mas o PT nacional descartou sua candidatura.

O projeto do governador passa pela unidade de seu partido. Muitos petistas acreditam que o deputado federal Geraldo Magela, atual secretário de Desenvolvimento Urbano e Habitação, seria um nome mais competitivo.

Se Agnelo não começar a se mexer e puxar todo mundo para o seu lado, a situação política fica muito difícil. O que se vê hoje é a debandada de aliados, tanto políticos quanto empresariais, insatisfeitos com a condução do governo. Além do não cumprimento de acordos. O reflexo disso na sociedade é evidente. Basta olhar os índices de aprovação.

Esse cenário é propício para o surgimento de candidaturas. Todos querem tirar uma lasquinha e agrupar os insatisfeitos com o atual comando do Buriti. Se continuar o descaso com os aliados, Agnelo tende a ficar isolado. Só restarão os seus sócios políticos: o secretário de Saúde Rafael Barbosa, o secretário extraordinário da Copa de 2014, Cláudio Monteiro, e o advogado Luis Carlos Alcoforado.

O quarto sócio, Paulo Tadeu, deve sair de cena e pensar na sobrevivência de seu grupo político. Ai, soma-se o presidente da Câmara Legislativa, deputado Patrício (PT). Aliás, Patrício é o Agnelo do Legislativo. É outro que põe em risco seu projeto político e joga fora a carreira por tomar decisões erradas. Na política, deve se fazer mais aliados que adversários. Não o contrário.

O resto, para o Palácio do Buriti, é o resto. Dão tapinhas nas costas e vão enrolando. Ou seja, está em curso a prática do suicídio político. E o maior derrotado não será Agnelo, e sim o PT. Depois de perder três campanhas e ficar 12 anos longe do poder, a legenda corre o risco de ficar outro tanto afastado do Buriti. Por pura falta de articulação política e o descaso ao tratar aliados como lixo ou de forma dissimulada. Os adversários agradecem.

Os dois principais candidatos hoje são o senador Rodrigo Rollemberg (PSB), da base do governo, e a deputada distrital Eliana Pedrosa (PSD), da oposição. Ambos estão em campanha. A cada insatisfação provocada pela turma do Buriti, mais gás ganham as candidaturas.

O partido de Eliana ainda tem a deputada distrital Liliane Roriz com pretensões de entrar na briga. A parlamentar tem a força do rorizismo como fator aglutinador e peso eleitoral.

No PDT, o senador Cristóvam Buarque é um bom nome para suceder Agnelo. Tem palavra, sabe respeitar e ser respeitado. O deputado José Antônio Reguffe surge como uma nova liderança na cidade. Tem voto e carisma.

O deputado federal Luiz Pitiman (PMDB) quer ser a novidade política da cidade. Sabe articular. É aliado do vice-governador Tadeu Filippelli (PMDB), mas este não quer confusão com o governo. Está bem atendido. Só na hora certa deve escolher o caminho a seguir.

Na oposição, o deputado federal Izalci Lucas (PSDB) e o ex-deputado federal Alberto Fraga (DEM) são lembrados. Por último, o senador Gim Argello (PTB) aparece como a novidade da campanha. Vem fazendo um bom trabalho junto ao governo federal e possui apoio financeiro para uma campanha ao governo.

Quando se aproximar de 2014, começarão a surgir as primeiras composições. Esses nomes irão se aglutinar em grupos políticos fortes. A disputa vai ser boa. E Agnelo vai ter que se organizar para não ficar de fora.