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Por Ricardo Callado

Brasília viveu nos últimos anos o caos administrativo. Época de denúncias de corrupção e ineficiência que mancharam a imagem de nossa cidade. A capital tem a partir de janeiro a oportunidade de virar essa página ruim da história.

Um grupo de mulheres e homens que tem amor por Brasília, liderado pelo governador eleito Rodrigo Rollemberg (PSB), assume a missão de colocar a administração pública nos eixos e devolver a autoestima do brasiliense, abalada com tanto descaso.

O passado não deve ser esquecido. Deve estar presente para que não se cometam os mesmo erros. O futuro, sim, é o foco do novo governo. Resolver no presente os problemas herdados do passado, e preparar nossa cidade para o futuro.

Não serão dias fáceis para Rodrigo Rollemberg. O novo governador terá o desafio de abrir a caixa preta das contas do GDF. Honrar os compromissos, analisar contratos e colocar as contas em dia é apenas o primeiro passo.

O servidor público deve ser tratado com respeito e valorizado. Assim como é importante ter responsabilidade ao gerir o orçamento. O que o governador Agnelo Queiroz (PT) fez foi um desequilíbrio das contas. Deu reajustes acima da média e depois não pôde pagar. Inchou a máquina com a criação de cargos e secretarias. Chegou se a ter 39 pastas. Algumas para atender aliados. Outras para acomodar militantes. É preciso ter responsabilidade com o que é público.

Rodrigo tem outro compromisso. Implantar uma relação séria e honesta com a Câmara Legislativa. Apenas assim consegue acabar com a cultura do balcão de negócios implantado nos últimos anos na Casa. Terá a contribuição dos novos deputados, que se mostram dispostos a acompanhar essa nova fase que ­inicia-se na política brasiliense.

A nova Câmara Legislativa é uma mescla de deputados experientes, mas abertos ao diálogo, com jovens políticos em primeiro ou segundo mandatos que buscam uma nova forma de fazer política. E serão essenciais para ajudar o governador eleito nessa nova fase.

Assim como é essencial o apoio da sociedade nesse primeiro momento. O brasiliense espera o início de um novo ciclo. E o sucesso do novo governo vai depender da compreensão da população. É preciso ajudar a futura administração. Assim saem ganhando todos: a cidade e o governo, numa mesma sintonia de mudanças.

Rodrigo Rollemberg não é o salvador da pátria. Mas é o melhor nome da nova geração para fazer a transição entre a velha e a nova política. É o principal representante da Geração Brasília, grupo de pessoas nascidas ou que estão aqui desde a infância e que se declaram apaixonados por Brasília, como o senador eleito José Antônio Reguffe (PDT).

Só paixão não basta. Vai ser preciso muito trabalho duro, foco e priorizar aquilo que realmente é importante para nossa cidade. Basta de gastar dinheiro com obras que não melhoram a qualidade de vida de pessoas, como o Estádio Nacional Mané Garrincha. A arena é o retrato de desperdício do dinheiro público. E tornou se um problema para o Buriti, tamanho e o custo de sua manutenção.

Um governo tem que se preocupar com pessoas. Com o dia a dia do cidadão. Tem que fazer a diferença na vida de cada um. E isso se faz com trabalho sério, sem firula ou vaidade. Rodrigo deve adotar a sinceridade e humildade como virtudes. E mostrar que pode fazer diferente, sem querer inventar demais.

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Por Ricardo Callado

Natal chegando, o momento de refletir. De análise dos acontecimentos e comportamentos. 2014 foi um ano muito difícil para o brasiliense. A cidade vive o caos administrativo. O apagão de gestão trouxe prejuízos a cidade. Governo ineficiente. Empresas quebradas, trabalhadores sem salários.

Se existisse uma lista de Natal para os nossos políticos, poderia arriscar alguns palpites. O governador Agnelo Queiroz (PT), por exemplo, poderia pedir um bom cargo no segundo governo da presidente Dilma Rousseff, companheira de partido. Toparia voltar a Anvisa. Mas não deve ser presenteado. Não foi um bom menino. Seu comportamento foi reprovado.

Agnelo gostaria que a cidade esquecesse o seu governo. Ou que o perdoasse pelos erros cometidos. Natal é época de perdoar, apagar mágoas, mas ai passar uma borracha é demais. O desgoverno atingiu muitas famílias. Causou tragédias pessoais. E quebrou Brasília.

Uma passagem só de ida para Buenos Aires está de bom tamanho para Agnelo. A capital argentina é o refúgio preferido do governador. Sempre que pode, foge para lá. No seu governo foi criada até uma rota aérea direta, sem escalas ou conexões. O caminho do exílio é voo 2269, da Aerolineas Argentinas, que sai às 2h55 do Aeroporto JK e chega na capital dos hermanos às 5h45.

O governador eleito Rodrigo Rollemberg (PSB) fez o dever de casa. Ganhou de presente o Palácio do Buriti. E retribuiu libertando a cidade do governo Agnelo. Como todo bônus tem seu ônus, Rodrigo vai ter que ralar muito para consertar os erros do atual governador.

A vida de Rodrigo não será fácil no início de 2015. Vai precisar apoio da sociedade e da opinião pública. O desafio de botar as contas em dia e a casa em ordem será enorme. Com foco e seriedade, se consegue vencer a crise. Não precisa inventar. Basta fazer o feijão com arroz.

A sociedade deve dar um prazo de seis meses para o novo governo resolver os problemas mais imediatos. Esse período é como um voto de confiança da população. Rodrigo não tem muita opção: é acertar ou acertar.

A transparência é fundamental para o planejamento ser alcançado. Divulgar cada decisão é trazer a sociedade para o lado do governo. A população vai se sentir integrante das mudanças. E co-responsável. As rodas de conversas foram uma das grandes sacadas da campanha. E que precisam continuar e se aperfeiçoar.

O Distrito Federal tem características diferentes de outras unidades da Federação. O governador é também um prefeito. Precisa ir às ruas. Ver e sentir o que acontece no dia a dia da cidade. Falar com o povo e assim definir prioridades. Um governo que não sai dos gabinetes dá um passo para o erro. Se escolher a sociedade como aliada, Rodrigo estará no caminho certo.

Sanear as finanças do Buriti é o desafio inicial. Enxugar a máquina, conter e priorizar gastos e reestruturar o governo fazem parte dessa missão. Ao mesmo tempo, planejar. Quando não se planeja, o risco de desperdício e de ineficiência costuma ser bem maior.

De mãos dadas com a população, o novo governador pode iniciar um novo ciclo na política brasiliense, virando a página de administrações marcadas por escândalos e ineficiência. Agnelo foi um administrador tão ruim que Rodrigo não precisa fazer muito. O que fizer, será aplaudido. E terá o povo ao seu lado.

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Por Ricardo Callado

Melancólico é a palavra que melhor define o atual momento do Distrito Federal. O brasiliense vive o caos nos últimos dias. O governo perdeu o controle, apagou. O apagar das luzes do governo de Agnelo Queiroz (PT) é o mais caótico do País. A semana que passou é para ser esquecida.

Agnelo atrasou pagamentos, em pleno mês de Natal, de garis, professores, motoristas de ônibus, médicos, enfermeiros, de creches e de empresas fornecedoras do Distrito Federal. O brasiliense vive dias infernais no trânsito com o Eixo Monumental sendo fechado todos os dias por protestos contra falta de salários.

O GDF afirma que vai fechar as contas e entregar o governo sem dívidas ao governador eleito Rodrigo Rollemberg (PSB). Após a eleição, Rollemberg havia dito que o déficit era de R$ 2,1 bilhões.

Na manhã deste sábado (13), o novo governo vai apresentar o diagnóstico e o mapa de riscos do Distrito Federal levantados pela equipe de transição. Se a situação está ruim, o apurado até agora é pior ainda. O próprio governador eleito vai apresentar os números a imprensa.

O caos foi provocado por má gestão, reajustes acima da média ao funcionalismo público e um calote que o GDF levou do governo federal. Este último caso Agnelo não pode tornar público. Não pode desagradar o PT nem a presidente Dilma Rousseff.

As contas do Planalto também não vão bem. E vários estados estão sem receber contrapartidas de contratos e repasse de recursos que eram esperados. E Agnelo espera um cargo no governo federal em 2015. Tenta retornar para a Agência de Vigilância Sanitária (Anvisa), onde teve uma passagem polêmica.

Agnelo vem se rebolando para apagar incêndios. Na saúde, remanejou R$ 84 milhões para programas de combate e prevenção a doenças como dengue e Aids, para pagar dívidas com fornecedores e reabastecer a rede pública com medicamentos e materiais hospitalares. Um levantamento feito por técnicos estima que o rombo da pasta seja de R$ 150 milhões.

Nos hospitais, 850 médicos residentes cruzaram os braços contra a interrupção do fornecimento de refeições e o não pagamento das bolsas. A paralisação começou na quarta (10). Outros profissionais de residência, como estudantes de enfermagem, também estão na mesma situação.

Terceirizados que prestam serviços para o GDF fizeram dois dias seguidos de protestos no Eixo Monumental pelo atraso no pagamento dos salários. A categoria afirma que só recebeu 50% dos vales refeição e transporte e 13º salário.

Na terça-feira (09), foi a vez dos servidores da Saúde e Educação fecharam a o Eixo Monumental em frente ao Buriti por causa de atraso nos salários.

Na educação, creches conveniadas com o governo estão há duas semanas paradas por falta de dinheiro. As instituições não recebem os repasses do DF há três meses e até pouco tempo estavam arcando com os custos para manter as creches em funcionamento com recursos próprios.

O Palácio do Buriti não dá muitas explicações. Diz que o atraso ocorre por motivos pontuais e que está adequando o fluxo de caixa para arcar com os compromissos assumidos.

O transporte público é um caos. Em 2014, foram 18 greves no setor. Motoristas e cobradores de quatro das cinco empresas de ônibus cruzaram os braços entre sexta (05) e terça-feira (09) por não receberem o 13º salário e outros benefícios. O DFTrans repassou R$ 35 milhões para garantir a retomada dos serviços. Quatro cooperativas que rodam em seis cidades decidiram manter a greve.

Os serviços de manutenção de gramados, plantio e limpeza de canteiros entraram na lista de problemas. Além da poda de árvores, que foram suspensos por falta de verba por um mês. Quatro empresas – Coopercam, EBF, Tria e FCB – eram responsáveis pela atividade, com 500 trabalhadores. Elas também fornecem equipamentos e transporte dos funcionários.

Na Novacap, foi suspenso a segunda fase do Asfalto Novo, programa de recapeamento em vias urbanas do Distrito Federal. O motivo apontado também foi falta de dinheiro.

Esse cenário de descaso nos mais variados setores é novidade para os brasilienses. A cidade não está acostumada com tanto caos. É uma semana a ser esquecida. E fica a torcida para que o governador Agnelo consiga resolver ou amenizar os problemas até 31 de dezembro.

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Por Ricardo Callado - O sopro de renovação na política brasiliense deve passar pela Câmara Legislativa. A sociedade não aceita mais a Casa envolvida em irregularidades. Nas últimas legislaturas foram vários os casos de deputados cassados por envolvimento em malfeitos. Esse termo foi inventado pelos políticos para se referir a coisas piores, como corrupção.

O maior erro que o deputado pode cometer é transformar o seu mandato em um balcão de negócios. Ter cargos e indicar pessoas é republicano e legítimo. Usar essas indicações para favorecimento pessoal é crime.

A Caixa de Pandora é um exemplo de como não se deve usar o mandato. Também o uso de emendas parlamentares de forma errada, visando lucro, deixou muitos distritais em situações de risco. Alguns perderam o mandato e foram expulsos da vida pública.

O Legislativo é um poder essencial para a democracia, junto com o Executivo e Judiciário. A divisão funcional e orgânica dos poderes cria um sistema de freios e contrapesos, que evita a predominância de um poder sobre o outro, efetivando os direitos e garantias fundamentais.

Não devemos condenar a Câmara Legislativa. A instituição deve ser preservada e respeitada. São alguns deputados que abusam e se lambuzam com aquilo que é público, que é do povo. No dia primeiro de janeiro vai estrear mais uma legislatura. E será eleita a nova Mesa Diretora.

Para que a Câmara deixe de ter uma imagem negativa é preciso a correta atuação individual de cada um dos parlamentares. E também da direção da Casa. Um presidente comprometido com a missão do Legislativo é um passo grande para recuperar o sentimento positivo da opinião pública.

Alguns deputados costuram apoios nos bastidores para chegar a Presidência da Casa. Temos entre eles, um procurador de Justiça do Ministério Público (Chico Leite), uma administradora de empresas (Celina Leão), um engenheiro florestal (Joe Valle), um economista (Agaciel Maia) e um delegado de polícia (Dr. Michel).

A profissão de origem não importa. São todos representantes do povo. É preciso ter bom senso e zelo com a coisa pública. Honestidade não é requisito, é obrigação. Ninguém é eleito para vender apoio ou meter a mão do dinheiro do povo. São escolhidos para representar a sociedade.

Independente de quem ganhe, a mudança de postura deve se confirmar, principalmente na relação  ao novo governo. O governador eleito Rodrigo Rollemberg (PSB) deixou claro que não vai aceitar o balcão de negócios. É preciso virar essa página.

Como governador, Rodrigo terá papel fundamental na escolha do próximo presidente da Câmara. A base de poio está em formação e dela deve sair o nome que vai comandar as Casa pelos próximos dois anos.

Claro que alguns deputados não irão perder as práticas antigas de uma hora para outra. Será um processo lento, até que se entenda o novo momento da política. Os deputados podem se ver desnudos em práticas de malfeitos. A sociedade não aceita mais isso. Se o governador eleito colocar em prática a transparência prometida durante a campanha, terá a opinião pública a seu favor. A boa comunicação com a sociedade é imprescindível.

A Câmara Legislativa é fundamental para essa nova fase. E pode dar a maior contribuição para que prevaleça a ética na política de Brasília. Do contrário, serão mais quatro anos com o mais do mesmo.

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Por Ricardo Callado

Faltam menos de trinta dias para o fim do governo Agnelo Queiroz (PT). Não tem muito o que fazer até a posse do novo governador. Será uma contagem regressiva. Se não atrapalhar muito, já faz um grande favor. O estrago está feito. Conseguir diminuir o tamanho do rombo nos cofres públicos, que vai entregar ao seu sucessor, é o mínimo para encerrar esse ciclo.

A Era Agnelo Queiroz é para ser esquecida. Ou ser lembrada para que não se cometam os mesmos erros. Foram quatro anos de arrocho, com a economia sufocada com falta de investimentos e calotes a empresas que prestam serviço a administração pública.

O governo do petista perseguiu empresas e adversários. Sufocou financeiramente setores da economia, causando desemprego e quebradeira. Não cumpriu acordos políticos. Apostou errado nessa tática, achando que conseguiria a submissão da sociedade organizada. Se deu mal. Plantou ventos. Colheu tempestades.

Deu as costas para a cidade, enquanto tramava projetos megalômanos, como o Estádio Mané Garrincha, o projeto Cingapura, a nova cidade de 1 milhão de habitantes próximo ao Jardim Botânico e o Centro Financeiro Internacional. Enquanto esquecia as necessidades básicas como cortar o mato, tapar os buracos nas vias públicas e oferecer segurança ao cidadão.

Agnelo colecionou erros administrativos e políticos. Assim, conseguiu a marca histórica de maior rejeição a um governador do Distrito Federal. Resultado: ficou pelo caminho não conseguindo ir sequer ao segundo turno das eleições 2014. Para completar, está afundando o PT local.

Na montagem do governo, pode se fazer a comparação a um caminhão de melancias. Foram muitas as baixas. Funciona assim: como Agnelo teve dificuldade de organizar o seu governo e escolheu nomes errados, durante o trajeto uma ou outra melancia caiu da carroceria e ficou pelo caminho, até que em determinado trecho as frutas conseguissem se acomodar de uma forma que o caminhão chegue, a duras penas, até o fim. E o fim está próximo.

Agnelo tentou vários freios de arrumação, mas nada de mudanças profundas. O governo não teve continuidade. Foram atropelos em sequência, devido a ineficiência até se confirmar um apagão de gestão. As principais pastas foram marcadas pela alta rotatividade. Alguns postos do primeiro escalão chegaram a ser ocupados por quatro, cinco ou seis secretários. O que dá em média mais de um por ano. A troca constante de secretários tem tudo para não dar certo. E não deu!

Agnelo encerra o seu governo com apenas dois secretários empossados em 1ª de janeiro de 2011, quando iniciou seu governo. O primeiro é Hamilton Pereira. Não é uma melancia que sobreviveu, mas sim que passou do prazo. A sua área, de Cultura, foi uma das mais polêmicas. Muitos gastos em festas desnecessárias e denúncias de superfaturamento de cachês.

Para encerrar a tragédia, ainda foi desautorizado por Agnelo no fim de governo, quando afirmou que não aconteceriam as festas de fim de ano. O governador passou por cima de Hamilton e garantiu a realização dos festejos com dinheiro público. Mais gastos para o cofre do GDF já combalido.

O segundo sobrevivente foi José Valter Vasquez, secretário de Transportes. Ele é um dos muitos braços do vice-governador Tadeu Filippelli (PMDB) dentro do governo. Zé Valter pode não completar o governo e dar adeus antes de 31 de dezembro.

Para coroar o seu trabalho, marcado pela licitação da empresas de ônibus que operam no sistema de transporte coletivo, foi indicado para o cargo de diretor da Agência Reguladora de Águas, Energia e Saneamento do Distrito Federal (Adasa). Não resolveu o caos no transporte público, mas foi recompensado.

O caminhão de melancias de Agnelo derrapa, mas não para. No apagar das luzes, o governador trocou, na sexta-feira (28), o secretário de Segurança Pública e o comando da Polícia Militar. Agnelo deve ter colecionado nesses quatro anos de governo cerca de uns 150 integrantes do primeiro escalão. Isso nunca havia acontecido. Não tinha como dar certo mesmo! Tivermos muitos governadores, mas Agnelo foi o pior, sem dúvida.

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Por Ricardo Callado

Muitos podem achar precipitado falar das eleições de 2018. Elas não estão nas ruas, é claro, e nem poderiam. Nem existem candidatos. Entretanto, estão nas manchetes dos jornais. E o maior responsável por isso é o governador Agnelo Queiroz (PT) e sua equipe econômica. E o maior prejudicado nas próximas eleições será o PT.

O atual governo produz diariamente notícias negativas. E que serão usadas nas próximas eleições. Os constantes atrasos nos pagamentos de empresas terceirizadas e fornecedores, se estende ainda as mais diferentes áreas, que vão da cultura, passando pela publicidade e estourando nos transportes. O caos mostra uma ineficiência no controle das contas do governo.

Quando uma greve no transporte público é deflagrada, deixando milhares de trabalhadores sem condições de ir ao trabalho, gera notícias negativas para o governo. Além da memória da população, as manchetes dos jornais e as reportagens nas TVs e em outros veículos como rádios, sites e blogs serão usadas na campanha eleitoral de 2018

Será fácil a abordagem. Basta um candidato petista ser oficializado na disputa do Palácio do Buriti que será lembrado como foi e como o PT entregou o GDF em 2014. O partido pode ter um desempenho pior do que teve em 2006. Nesse ano a candidata Arlete Sampaio ficou na terceira colocação, atrás do ex governador Arruda (à época no DEM) e da ex governadora Maria de Lourdes Abadia (PSDB). Ou pior que nas eleições deste ano, quando sequer foi ao segundo turno.

A diferença entre 2006 e 2014 é que neste último ano teve o comando do governo. E quem possui a máquina sempre sai à frente dos adversários, a não ser que o governo seja reconhecido pelo eleitor como um desastre. E foi o que aconteceu com Agnelo.

O governador precisa de uma operação de redução de danos ou enterra o PT de vez no Distrito Federal. Agnelo já bateu nas portas da presidente Dilma Rousseff (PT) pedindo ajuda. Busca para que o governo federal pague o que deve ao GDF, a contrapartida de obras, como as do PAC da Mobilidade.

Também procurou o Tesouro Nacional para pedir um repasse de R$ 625 milhões que ajudariam a quitar as dívidas até o final do ano. O montante se refere a verbas previdenciárias cujos repasses já estavam previstos no orçamento deste ano.

Por último, Agnelo enviou na terça feira (18) à Câmara Legislativa um projeto de lei para colocar à venda títulos da dívida ativa local. O texto permite ao governo receber cerca de R$ 2 bilhões até o fim do ano para o pagamento de fornecedores e servidores.

Se o governador enviou à Câmara um pedido de autorização para captar esse valor com a venda dos títulos, é porque as primeiras tentativas com o Palácio do Planalto e o Tesouro Nacional não tiveram sucesso.

O governador eleito Rodrigo Rollemberg (PSB) classificou como “flagrantemente ilegal” o projeto de lei enviado por Agnelo. Para ele, fere a Lei de Responsabilidade Fiscal, porque é uma operação de crédito. Portanto, não poderia ser feito nos últimos meses de governo. Isso demonstra o desequilíbrio financeiro do GDF.

Se a situação hoje não é nada boa para Agnelo, daqui a quatro anos o preço será pago pelo PT. Se o governo federal virar as costas para o governador, estará levando o partido no DF ao limbo político.

Falta dinheiro para tudo. Da alimentação de enfermeiros e acompanhantes de pacientes em hospitais públicos até os salários das merendeiras das escolas. Além da sequência de greves no transporte coletivo. São fatos que não deixarão de ser lembrados daqui a quatro anos. Literalmente, o governo perdeu o controle do caixa.

Resumindo, hoje o maior adversário do PT em 2018 é o PT de 2014.

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Por Ricardo Callado

O Governo do Distrito Federal vem atrasando compromissos com empresas prestadoras de serviços e fornecedores da administração pública. Isso afeta o dia a dia do brasiliense. Setores estão parando devido a falta de pagamento.

Hospitais sem alimentação para médicos, enfermeiros e acompanhantes. Escolas sem merenda escolar. Órgãos públicos sem limpeza e sem internet. Passageiros sem ônibus. Isso sem citar áreas que sofrem com o calote sem chamar a atenção da população, mas que causam tragédias em muitas famílias.

Muitas são as explicações para o cofre vazio do Buriti. Vão desde aos aumentos acima da média do funcionalismo público a outros erros de gestão financeira. Mas tem um caso que deixa a situação mais clara e de fácil entendimento.

Segundo fontes do Buriti, várias obras, como o Expresso DF, eram para ser executadas com dinheiro do DF com contrapartida do governo federal. A União não cumpriu a sua parte. Como a campanha eleitoral se aproximou, Agnelo precisou entregar as obras. O pagamento das empresas executoras foi completado com recurso do tesouro distrital.

Agnelo levou um calote da presidente Dilma. E não pode tornar isso público. Dilma tem mais quatro anos de mandato e muitos cargos. A partir de janeiro Agnelo é mais um petista desempregado em busca de colocação para ele e de pessoas do seu grupo político. Não é de bom grado  contrariar a chefa.

Fala-se que a dívida que o governo federal tem com o GDF passe de R$ 1 bilhão. O governador tem a esperança de receber e colocar as contas em dia para entregar ao seu sucessor, o governador eleito Rodrigo Rollemberg (PSB). Ou, pelo menos, diminuir as dívidas.

Mais os problemas não acabam por ai. O Tribunal de Contas do Distrito Federal emitiu um alerta ao GDF. No documento, afirmou que Agnelo está quase extrapolando o limite máximo estabelecido pela Lei de Responsabilidade Fiscal para despesas com pessoal.

O comunicado foi divulgado na quinta-feira (13) pelo tribunal e enviado ao governador Agnelo Queiroz e à Secretaria de Fazenda. O gasto com servidores do Executivo atingiu 46,04%, índice próximo do limite máximo estabelecido pela lei, que determina o teto de 49% da receita líquida com pessoal.

O período analisado são os meses de maio, junho, julho e agosto de 2014. Nos primeiros quatro meses do ano, a mesma situação ocorreu e um alerta também foi emitido. Se o governo desrespeitar o limite no último quadrimestre do ano (setembro, outubro, novembro e dezembro), a próxima gestão ficará impedida de conceder aumento aos servidores, reajustar salários, criar cargos e contratar hora extra, entre outras medidas.

O Tribunal de Contas aponta que a atual gestão pode terminar o ano com um déficit de R$ 3,1 bilhões. O número está no Relatório Resumido da Execução Orçamentária, relativo até agosto deste ano, e publicadas no site do Portal da Transparência. Nos próximos dias o governo vai lançar um novo relatório, quando será possível saber se o GDF conseguiu reduzir esse déficit.

Em outubro, Agnelo acabou com as secretarias de Micro e Pequena Empresa, da Defesa Civil e de Assuntos Estratégicos, para reduzir despesas. Não descartou, ainda, o corte de outras pastas e estimou que 1,2 mil cargos comissionados sejam cortados.

Em sua defesa, Agnelo explica que receita ficou abaixo das despesas por causa do gasto com funcionalismo. Mas, segundo ele, tudo vai ser normalizado até dezembro. E promete determinado: “Nós vamos entregar o governo muito melhor do que eu recebi”.

O certo é que o relatório definitivo sobre as contas do governo em 2014 será votado pelo Tribunal de Contas provavelmente no segundo semestre de 2015. Se ficar um rombo no caixa e as contas forem consideradas irregulares, Agnelo poderá ficar inelegível. E o PT ainda mais desgastado junto ao eleitor brasiliense.

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Por Ricardo Callado

Não existe governo derrotado que queira facilitar a vida de seu sucessor. Quem perde uma eleição se preocupa mais em esconder os esqueletos no armário do que liberar as informações para a nova equipe. Quanto mais se esconde, é porque mais rolos existem.

Sem transparência nas informações a transição fica prejudicada. E configura-se a continuidade do erro. Esconde-se hoje o que mais na frente será descoberto. É simples assim. E o desgaste pode ser até maior para quem cometeu malfeitos ou erros administrativos.

A equipe do governador eleito Rodrigo Rollemberg (PSB) conta com o bom senso do atual governo para que o trabalho de transição ocorra de acordo com o combinado. Não pode ser apenas de fachada para inglês vê. A cooperação deve ser mútua. De quem solicita as informações e de quem as repassa. O diálogo entre as duas partes deve se pautar pela liberdade democrática.

Nos bastidores, parece que não é isso que acontece. Existiria ordens vindas do governador Agnelo Queiroz (PT) para dificultar a transmissão de informações. A intenção seria dificultar o máximo o trabalho do novo governo.

Espera-se que isso não seja verdade. Que não passe de intrigas para prejudicar ainda mais Agnelo, que vem se mostrando um republicano na condução da transição. Agnelo se colocou a disposição de Rollemberg e decidiu ele mesmo ser o chefe da equipe.

Agnelo não deve fazer política com o fígado. Deve agir com a razão. Até porque uma ação desastrada pode prejudicar os planos do PT nas eleições de 2018. Na próxima campanha, alguém do PT será candidato ao Palácio do Buriti. A herança de Agnelo vai prejudicar o seu próprio partido. O governador tem menos de dois meses para reduzir os danos eleitorais em 2018.

Por enquanto, o cenário é muito ruim. Falta dinheiro para tudo. De alimentação para hospitais, aos terceirizados da limpeza de órgãos públicos, até o repasse a empresas de transporte coletivo. Resultado: greves de ônibus, paralisações de setores do serviço público, protestos e reclamações, muitas reclamações.

A grande pergunta que a população se faz é onde foi parar o dinheiro do governo. O GDF sempre teve as finanças saneadas, mesmos durante escândalos como a Caixa de Pandora. As pistas do rombo financeiro são o custo bilionário do Estádio Mané Garrincha, o inchaço da máquina pública e reajustes acima da média para algumas categorias do funcionalismo público.

Essa herança não preocupa apenas o governador eleito Rodrigo Rollemberg. Petistas graduados temem o futuro do partido. E se proceder a informação de que a ordem durante a transição é esconder informações, o que pode vir pela frente deve enterrar ainda mais as pretensões do PT de voltar ao Palácio do Buriti nas próximas eleições. O desespero bate a porta. O atual governo não deve deixar o fracasso subir a cabeça.

Para Rollemberg, será preciso dar transparência as contas do governo e mostrar claramente como recebeu o GDF. O novo governador pode transformar a crise em oportunidade. Ao pegar uma máquina pública com dificuldades, qualquer ato que fizer será aplaudido. Não precisa de muito, basta errar pouco e fazer o feijão com arroz. E não cair nas armadilhas que serão jogadas pelos adversários.

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Por Ricardo Callado

A vitória do governador eleito Rodrigo Rollemberg (PSB) representa um novo ciclo na política brasiliense. É a chegada ao poder de uma geração de políticos que viu Brasília ser dominada durante décadas por dois grupos políticos, que se alternavam no poder. É a chamada Geração Brasília, que tem em Rodrigo o seu maior expoente.

Alguns políticos e partidos tradicionais do DF, como os ex-governadores Joaquim Roriz (PRTB) e José Roberto Arruda (PR), o vice-governador Tadeu Filippelli (PMDB, o ex-senador Luiz Estevão (PRTB), o senador Gim Argello, o PMDB e o PT, dão lugar a novas lideranças.

Rodrigo terá a missão de conduzir esse processo e fazer a transição para uma nova forma de fazer política. Dos antigos, só sobrou o ex-governador e atual senador Cristóvam Buarque, aliado do governado eleito, e que aplaude o novo momento da política do DF.

O governador derrotado no 1º turno das eleições no Distrito Federal, Agnelo Queiroz (PT), resolveu radicalizar. Entre as medidas pós-derrota, proibiu novos gastos com pessoal, cortou horas-extras, férias, antecipações de gratificações de servidores, além de gastos com viagens, treinamento. Também extinguiu secretarias e muitos cargos. Medidas austeras, que vieram tarde.

Comenta-se que o petista pode dar calote nos fornecedores. Agnelo nega e diz que isso é intriga política dos adversários. Promete entregar o governo com os compromissos honrados. As contas pagas. Poucos acreditam nisso. O que se discute é qual será o tamanho do rombo que o próximo governo vai herdar.

Os números da dívida são conflitantes. Vão de R$ 1,3 bilhão até 2,3 bilhões. Agnelo terá dois meses para pagar essa conta. Ou, pelo menos, deixá-la menor. Isso pode dificultar ou não a vida do PT no futuro.

Esse quadro caótico acontece depois que Agnelo e sua turma arrombaram o cofre para construir o estádio mais caro da Copa do Mundo. O legado que Agnelo vai deixar é fazer com que o PT demore décadas para voltar a governar o Distrito Federal.

A sobrevivência política do PT depende que Agnelo não deixe o governo com o carimbo de apagão de gestão. Honrar os compromissos e deixar a casa em ordem, com as dívidas pagas é o mínimo que o governador pode fazer. E reduziria os danos futuros do PT.

Uma candidatura petista ao Palácio do Buriti em 2018 enfrentará no debate político a herança de Agnelo. Por isso, o PT busca o bom senso e pressiona o governador para entregar o governo o mínimo pior possível.

A herança, maldita ou não – vai cair no colo de Rodrigo. Com uma aliança pequena e bem resolvida, o novo governador pode ter tranquilidade para arrumar a casa. O apoio na Câmara Legislativa será importante, principalmente da forma que for construída a maioria.

Roriz e Arruda pecaram por montar um balcão de negócios no Legislativo. Agnelo por se utilizar do mesmo balcão, mas deixando acordos pelo caminho. Prometeu demais para os deputados e ainda deixou muitos insatisfeitos. Os dois casos sucumbiram ao fracasso. No primeiro, culminou com a Caixa de Pandora. O segundo sai com a maior rejeição que um governado do DF já conseguiu.

A palavra de ordem do novo governo é transparência. Colocar holofotes não só nos gastos públicos, mas também em acordos políticos. Isso fará que Rodrigo consiga ser um governador sem precisar do toma-lá-dá-cá.

Parte do próprio PT deve apoiá-lo. Uma espécie de aliança branca. Outra parte, fará um oposição mais ferrenha. O que está em xeque é a sobrevivência do partido no DF. O PT não pode deixar o fracasso subir na cabeça.

Os deputados que formarão a base aliada não deixarão de indicar cargos no Executivo. Isso é natural. Faz parte do processo político. O que não pode é que essas indicações sejam usadas para métodos nada republicanos.

Rodrigo tem tudo para fazer um bom governo. E trazer de volta a confiança que a sociedade perdeu no GDF nas últimas duas gestões eleitas. E nada melhor para governar o DF do que a geração que nasceu e cresceu, e traz um sentimento afetivo pela cidade. Que venha a Geração Brasília!

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Por Ricardo Callado - Mais uma vez a campanha política toma o rumo da baixaria. Numa eleição não existe o ditado que quando um não quer, dois não brigam. Isso serve para contenda de casal. Numa disputa eleitoral, quando um dos candidatos parte para cima do outro e baixa o nível, o outro tem a obrigação de responder. Não existe tempo para pensar. É preciso dar o troco imediatamente para que não se perca votos. Se bem que a resposta deve ser, preferencialmente, em alto nível.

Mentiras e ataques pessoais são alguns dos meios usados numa campanha de esgoto. E o eleitor é obrigado a tapar o nariz e assistir o vexame em que está se tornando o processo democrático. Se o ato de votar em uma eleição é uma lição de cidadania, não se pode dizer o mesmo dos comportamentos dos pretensos representantes. Depois fica difícil reclamar o número alto de eleitores que anulam o voto.

Os debates recentes mostram embates duros entre Jofran Frejat (PR) e Rodrigo Rollemberg (PSB). O tom das críticas acaba descambando para baixarias. Sobra para todo mundo. Frejat escolheu a tática de confundir o eleitorado e carimbar na testa de Rollemberg que ele é um novo Agnelo.

O governador do PT derrotado no primeiro turno não ficou de fora da reta final da campanha. Sempre que pode, Frejat cita o petista. Para deixar o eleitor mais confuso, ele próprio se confunde propositalmente e chama Rollemberg de Agnelo.

Para contra-atacar, Rollemberg lembra dos aliados de Frejat. Entre eles, cita o ex-governador José Roberto Arruda (PR), o ex-senador Luiz Estevão (PRTB), o ex-presidente do PR, Valdemar da Costa Neto e o senador Gim Argelllo (PTB).

Quando Frejat diz que Rollemberg entrou sem concurso público no Senado, o candidato do PSB cita quatro ações de improbidade administrativa que o representante do PR responde quando foi secretário de Saúde. E chumbo trocado não dói.

E o eleitor? Bem, esse fica esperando as propostas! E quando elas aparecem, ainda são difíceis de acreditar. O Frejat tirou da cartola aquilo que sua equipe de campanha chama de a “bala de prata”. A ideia genial para vencer as eleições. Trata-se da Tarifa Frejat, fixando a passagem de ônibus a R$ 1,00. Para completar, serão colocados imediatamente no dia 1 de janeiro de 2015 mais 700 ônibus novos para circular.

O projeto é genial. Não existe um cidadão que possa ser contra. Estimula o uso do transporte coletivo, diminui a quantidade de veículos particulares nas ruas e traz mais conforto para os usuários, com mais ônibus e linhas.

Na prática, é uma proposta bem difícil de ser concretizada. Primeiro pelo alto custo, já que a diferença de tarifa será subsidiada pelo governo, algo em torno de mais R$ 3,00. Não igual aos restaurantes comunitários, que são poucos e tem um custo baixo em comparação o sistema de transporte. Outra coisa: 700 ônibus novos não existem para pronto entrega no mercado.

Além disso, Agnelo vai entregar ao sucessor um governo quebrado. Com muitas dívidas e desorganizado financeiramente. Fala-se em torno de R$ 2,2 bilhões o tamanho do buraco que Frejat ou Rollemberg vai herdar.

Entre as propostas de Rollemberg estão as eleições para administrador regional. A ideia é muito boa. A população vai ter o direito de escolher quem gostaria de comandar a sua região administrativa. Não prática, não ficou bem explicado como isso vai funcionar.

Tem ainda as complicações políticas. Pode haver casos de serem eleitos adversários do governador, o que inviabilizaria o trabalho. Por exemplo: se eleito governador, Rollemberg poderia ter Jofran Frejat como administrador do Lago Sul; Arruda administrando o Gama; Joaquim Roriz à frente da administração regional de Samambaia; E, Agnelo, no comando do Plano Piloto. São casos que podem acontecer. E tem tudo para não dar certo. E não dará!

Enquanto se troca acusações e espalham baixarias, o eleitor espera propostas concretas para a saúde, a educação e a segurança. Projetos para mobilidade urbano e desenvolvimento da cidade. Seria muito pedir para Frejat e Rollemberg mais propostas e menos baixarias. Entretanto, a disputa pelo poder tornou-se um vale tudo. Faltam poucos dias para o brasiliense ir novamente as urnas. Ainda dá tempo dos candidatos apresentarem projetos e propostas. Mas duvido. Quem está atrás nas intenções de voto vai partir para o ataque. E quem é atacado vai responder a altura.

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Por Ricardo Callado 

A eleição ao governo do Distrito Federal (GDF) está relegada a segundo plano. A virada do presidenciável Aécio Neves (PSDB) em cima da presidente Dilma Rousseff (PT) monopoliza as atenções dos eleitores. As discussões e as torcidas giram em torno de quem vai ocupar o Palácio do Planalto em 2015.

Até parece que a eleição ao Palácio do Buriti não existe ou está decidida. Muita gente respirou aliviada com a derrota do governador Agnelo Queiroz (PT) no primeiro turno. Como se o pior já tivesse ficado para atrás. Esse relaxamento não é bom para Brasília. O eleitor precisa despertar e acompanhar a eleição que vai decidir o governador de nossa cidade aos próximos quatro anos.

O segundo turno deixou algumas lições. A primeira é que o povo pede mudanças. A segunda é que ataques pesados e baixaria foram repelidos pelo eleitor. Quem usou a tática do medo e do esgoto no primeiro turno se deu mal.

O segundo turno deve ser pautado por propostas. O candidato que cair na tentação de baixar o nível será rejeitado nas urnas.

Na cabeça de alguns políticos, a forma mais fácil de ganhar é com a desconstrução dos adversários. Mesmo que para isso se abuse do expediente da mentira. É a política ultrapassada. O povo evoluiu, mas nossos políticos ainda não. E buscam se perpetuar no poder através de táticas do passado. O único dono do voto é o cidadão.

Na cabeça do eleitor, o candidato precisa dizer porque merece o voto. O que vai fazer para resolver problemas graves da cidade como o transporte público, o caos na saúde, a segurança pública. Não vai acrescentar ao eleitor ataques pessoais. Se isso desse voto, o PT tinha elegido o governador Agnelo e a presidente Dilma logo no primeiro turno.

O político ultrapassado pensa com a cabeça do militante. Usa a paixão ao invés da razão. E militante nunca vai aceitar que está errado. Como disse o ex-presidente Lula durante um comício no primeiro turno: “O PT é uma merda, mas é o meu partido”. É assim que pensa o militante. O eleitor já age diferente: se o partido ou determinado candidato é uma merda, vou votar em outro. Chega de bravatas e mentiras

O candidato que levar em consideração as necessidades da população e apresentar propostas concretas, vence a eleição. É esse o nível que deve se pautar essa campanha. Rollemberg e Frejat são dois homens respeitados. Não são nem um “novo Agnelo”, tampouco um “novo Arruda”. São homens públicos com uma carreira política de mais de 20 anos. E não precisam manchar uma história construída ao longo da vida pública abraçando o tudo ou nada eleitoral.

É hora de fazer a política de forma diferente. O eleitor não quer políticos brigando por cargos e sim por ideias. Querem que resolvam a vida das pessoas, do cidadão, da cidade onde moram.

Rollemberg e Frejat não são mais meninos. Parece difícil pedir a dois homens que se comportem perante o eleitor. Mas é assim que deve ser feito. O povo dar um puxão de orelha em que não se comportar. Brasília merece respeito. E se assim for tratada, vai retribuir com o voto.

Respeito ao eleitor é fazer uma campanha limpa, propositiva e pautada em ideias. Que as baixarias fiquem no passado ou num presente não tão distante. E passamos a discutir o futuro. Um futuro melhor, sem os vícios do passado, o balcão de negócios e a troca de favores, principalmente entre Legislativo e Executivo. Sem loteamento. Para o bem de nossa cidade.

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Por Ricardo Callado

Tem um ditado que diz se a pessoa cometeu um erro e está tranquila é porque já encontrou alguém para colocar a culpa. Coisa de covarde. De quem tem desvio de caráter. No início da noite de domingo saberemos quais serão os dois candidatos ao Governo do Distrito Federal que irão disputar o segundo turno.

Quem ficar fora da reta final, terá direito ao choro e a vela. Ao clima de velório. E de buscar culpados. Listar os erros cometidos durante a campanha e no período pré-eleitoral. Uma autorreflexão será bem vinda. Se a consciência doer, é claro!

Uma campanha se faz com aliados, um discurso inteligência, lealdade e franqueza para levar sua mensagem ao povo. Arrogância, prepotência, covardia e retaliação nunca foram sinônimos de uma campanha vitoriosa. Pelo contrário, leva ladeira abaixo.

Dos três principais candidatos, pode se afirmar que o senador Rodrigo Rollemberg (PSB) é o favorito a vencer no primeiro e no segundo turnos. As pesquisas mostram isso de forma clara. A campanha do socialista se destacou pela apresentação de propostas, evitando as baixarias.

O ex-deputado Jofran Frejat (PR) disputa com o governador e candidato à reeleição Agnelo Queiroz (PT) a vaga no segundo turno. Frejat está melhor posicionado e vem numa linha ascendente nas pesquisas. É o favorito para disputar com Rollemberg.

Frejat entrou na disputa há menos de um mês. Tem o trabalho reconhecido quando secretário de Saúde. E, principalmente, o apoio dos ex-governadores José Roberto Arruda (PR) e Joaquim Roriz (PRTB). Mesmo com pouco tempo de campanha, conseguiu em apenas uma semana ultrapassar Agnelo e se posicionar bem na corrida eleitoral.

Agnelo não sai do lugar há três meses. Oscila sempre na margem de erro. A rejeição a sua candidatura o impede de ganhar mais pontos na intenção de voto. E, para piorar, os programas de TV no horário eleitoral mostraram uma empáfia que teve efeito contrário. O povo não engoliu a seco uma Brasília maravilha que não existe. Ou existe apenas na TV.

Se as intenções de voto não crescem, de forma oposta aumenta o número de eleitores que declaram não votar no governador de jeito nenhum. Chegou-se a incrível marca de 51% do eleitores que rejeitam Agnelo. O marketing da autossuficiência não deu certo. Não souberem apresentar o governo de forma sincera. Criou-se uma fantasia. E só Agnelo não viu o erro de seus assessores.

A militância pode fazer a diferença e levar Agnelo ao segundo turno. Se isso vier a acontecer, o governador deve mudar radicalmente a apresentação de sua campanha. Corrigir os erros, para semear algo que seja produtivo e construtivo. E pedir humildade a sua campanha.

O segundo turno é outra disputa. Leva vantagem quem melhor se posicionar no primeiro turno. Também quem fizer o melhor marketing político-eleitoral. Há casos de viradas históricas. Basta ter competência.

Os velhos e surrados marqueteiros não entendem que o povo cansou de pancadaria gratuita e da baixaria na propaganda eleitoral. Se ficar só nisso, teremos um apagão de marketing. O povo quer propostas, plano de governo, sinceridade nas palavras do candidato.

Nesta reta final, Rollemberg deve consolidar as propostas e se esquivar dos ataques. Jofran vai a luta, principalmente nos assentamentos para aumentar a distância de Agnelo e se aproximar de Rollemberg. E Agnelo vai provocar a militância para dar o sangue e o colocar no segundo turno. E, se chegar lá, deve rever a sua campanha. Se perder, alguém vai levar a culpa.

 opiniao

Por Ricardo CalladoChegou a hora de decidir o voto. De escolher aquele que melhor pode governar o Distrito Federal. Que apresentou as melhores propostas. Ou, pelo menos, conseguiu convencer o eleitor de que merece um voto de confiança.

A eleição no Distrito Federal se encaminha para um segundo turno. O senador Rodrigo Rollemberg (PSB) parece ter garantido a vaga para a próxima fase da disputa. E espera o adversário que vai confrontar ideias.

Jofran Frejat (PR) é o provável adversário de Rollemberg. Vem numa linha ascendente. E herdando os votos do ex-governador José Roberto Arruda (PR), que liderou as pesquisa com folga antes de ser abatido por manobras na justiça.

Até por isso vem sendo o alvo principal de ataques por parte da campanha do candidato à reeleição, Agnelo Queiroz (PT). A semana que se inicia será sangrenta. O jogo sujo vai partir de onde o desespero bater mais forte.

O eleitor mostrou que a campanha do medo ou da baixaria não pega. Os ataques abaixo da linha de cintura aos adversários saem como tiros no pé. O candidato que apela acaba sendo repelido pelo eleitor.

Agnelo Queiroz depende da militância para ir ao segundo turno. Muitos candidatos a deputado abandonaram a campanha do governador. Cada um tem o seu motivo, que vão desde ao não cumprimento de acordos à falta de perspectiva de poder. E começam a se articular para ficar bem com o próximo governo.

O comício na noite de quinta-feira (25), em Ceilândia, com a presença do ex-presidente Lula, e a onda vermelha que sempre acontece na semana que antecede o dia da eleição, são as cartadas finais do governador para continuar na disputa.

Lula ainda tem alguma força política no Distrito Federal. Dilma nem veio ao comício. Também não faria muita diferença. Em Brasília, a rejeição da atual presidente é maior que a do próprio governador Agnelo.

A campanha de Agnelo não trabalhou para diminuir a rejeição do candidato à reeleição. Gastaram muito tempo em tribunais para tirar Arruda, ao mesmo tempo que vendia uma Brasília maravilha na propaganda da TV. A população não engoliu a fantasia. Faltou sinceridade.

Agnelo tem uma rejeição que se aproxima de 50%. Ou seja, quase metade do eleitor brasiliense diz que não vai vota nele de jeito nenhum. É a maior do país entre os candidatos à reeleição. A rejeição de Rollemberg, por exemplo, é de 5%. Quase não existe. Isso torna a situação do governador muito difícil.

A equipe que trabalha na campanha de Agnelo é experimentada. Atua na política brasiliense há pelo menos 20 anos. É a mesma que trabalhou com os ex-governadores Joaquim Roriz e José Roberto Arruda. Alguns métodos usados na propaganda deram certos em campanhas passadas. O que mudou é que Agnelo não tem o mesmo carisma que Roriz e Arruda. Nem o apelo eleitoral. Ai cria-se a dificuldade para os marqueteiros. É quando se separa os homens dos meninos e se sobressai quem é bom. E o bom é aquele sempre disposto a ouvir. Sem arrogância ou covardia.

Antigamente numa campanha eleitoral o candidato para vencer uma eleição tinha que ter voto. Este tipo de político populista está em extinção. Hoje é necessário, entre outras coisas, não ser rejeitado. Precisa que a publicidade de suas ações pessoais e de seu trabalho surta efeito. E esse erro já foi assumido pelo próprio Agnelo em entrevista ao Jornal da Comunidade.

Em política tudo é possível. A onda vermelha pode dar certo. Se Agnelo for ao segundo turno contra  Rollemberg, tem que agradecer em muito a militância do PT que sempre foi aguerrida e vibrante. Mas que hoje está escondida em gabinetes na administração pública.

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Por Ricardo Callado - Em 2009, o delegado aposentado Durval Barbosa, que comandava o esquema de corrupção no Governo do Distrito Federal junto a empresas de tecnologia, perdia espaço no governo Arruda. Na administração anterior, do ex-governador Joaquim Roriz, Barbosa nadava de braçada à frente da Codeplan e atendia a todos e a si próprio com o esquema que desviou centenas de milhões de reais dos cofres do GDF.

Barbosa se viu pressionado pela justiça e cada vez mais perto de encarar a prisão. Arruda não lhe deu o apoio necessário. Jogou o ex-aliado as feras. Sem o esquema de corrupção, com a justiça lhe apertando e um eminente mandado de prisão, Durval Barbosa montou o que seria o plano perfeito.

A jogada foi aderir a um acordo de delação premiada com o Ministério Público e a Justiça e entregar provas contra o então governador José Roberto Arruda, o seu vice, Paulo Octávio, além de deputados distritais e secretários de GDF. A escolha dos nomes a ser atingidos foi criteriosa. Alguns fitas ficaram guardadas convenientemente.

Como pano de fundo, a operação tinha o objetivo de colocar Joaquim Roriz de volta no Palácio do Buriti. Sem Arruda no páreo, pensava-se que seria fácil o ex-governador ganhar o quinto mandato. Não foi isso que aconteceu. A operação denominada Caixa de Pandora ficou fora de controle e atingiu gente demais. A economia da cidade parou. As instituições foram desmoralizadas. E, por ser próximo ao delator, o efeito negativo respingou em Roriz.

O governo acabou caindo no colo do petista Agnelo Queiroz, que quase nada tinha a ver com o caso. Agnelo não participou da montagem do esquema para derrubar Arruda, mas Durval Barbosa mostrou as gravações para ele antes do escândalo vir à tona. E acabou sendo o maior beneficiado.

Em 2014 a história se repete. E os personagens também. Arruda é novamente candidato ao GDF. Parte da turma da delação da Caixa de Pandora se uniu a campanha de reeleição de Agnelo. E a justiça é novamente o palco das decisões do destino eleitoral do Palácio do Buriti. Processos andaram mais rápidos do que deviam. Gravações clandestinas surgiram para complicar ainda mais o caso. O submundo da política do DF atuou novamente. E Durval e sua turma estão mais vivos do que nunca.

As pressões por parte da equipe jurídica de Agnelo para que Arruda tivesse o registro de sua candidatura indeferida foram intensas. E deu resultado. Arruda está por um fio de esperança. Só resta ao Supremo Tribunal Federal (STF) jogar a pá de cal para enterrar de vez as pretensões do ex-governador retornar ao GDF.

Para completar a coincidência, falta Arruda abrir mão da candidatura e colocar sua mulher, Flávia Peres, como sua substituta, assim como fez Roriz em 2010, sendo substituído por dona Weslian. O que acabou sendo um desastre, para a sorte de Agnelo. Flávia seria a Weslian 2.0.

O enredo é tão parecido que o maior beneficiado pode ser alguém que novamente nada tem a ver com a história. Em 2010, o projeto era tirar Arruda para beneficiar Roriz, mas quem levou foi Agnelo. Em 2014, o plano é de novo tirar Arruda, desta vez para beneficiar Agnelo, mas a campanha eleitoral segue um caminho para dar a vitória ao candidato Rodrigo Rollemberg (PSB). Ou seja, se alguém ainda tem dúvidas, o crime não compensa mesmo. Para nenhum dos lados.

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Por Ricardo Callado - Os candidatos ao Palácio do Buriti tem uma certeza: o ex-governador José Roberto Arruda (PR) estará no meio do caminho. Ele irá até o fim. Com a candidatura pendurada em recursos na Justiça ou com o seu deferimento.

Na terça-feira (9), a 1ª Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) analisa recurso especial da defesa de Arruda pedindo anulação da condenação por improbidade administrativa. Ele argumenta de que o juiz responsável pelo processo na primeira instância, Álvaro Ciarlini, seria suspeito para julgar ações relativas à Caixa de Pandora.

Se o resultado do recurso for favorável, o ex-governador tem a candidatura liberada e derruba a impugnação decidida pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em agosto. Assim, caem as decisões em primeira e segunda instâncias do Tribunal de Justiça do DF, a impugnação no Tribunal Regional Eleitoral (TRE) e a do TSE. E Arruda terá sua ficha limpíssima.

Caso a decisão seja contrária ao ex-governador, ainda poderá recorrer ao próprio STJ, ao TSE, onde já aguarda recurso, e ao Supremo Tribunal Federal (STF). Essa tramitação não deve acontecer até o primeiro turno das eleições, marcado para 5 de outubro.

Ou seja, caso Arruda confirme as pesquisas de intenção de voto e ganhe no primeiro ou segundo turno, teremos um terceiro turno que será decidido nos tribunais. E vai criar uma instabilidade jurídica na política do Distrito Federal. De novo.

Mesmo pressionado por alguns aliados a abandonar a disputa, o ex-governador dá mostras de que pretende ir até o fim. Arruda é um sobrevivente político. Isso é inegável. E é daí que vem a sua força eleitoral e apelo junto a população. O eleitor gosta de quem tem atitude.

As campanhas dos dois principais concorrentes de Arruda, o governador e candidato à reeleição Agnelo Queiroz (PT) e o senador Rodrigo Rollemberg (PSB) devem trabalhar com a perspectiva de enfrentar o ex-governador.

Para Agnelo e Rollemberg seria melhor ter Arruda fora do caminho. Como isso parece não ser possível, um mira a artilharia no outro para ir ao segundo turno. A disputa real hoje é entre os candidatos do PT e do PSB.

Agnelo ainda tem outro adversário real e arrasador: a sua rejeição. Acima dos 40% o percentual dos que dizem não votar nele de jeito nenhum, não adiantaria ir ao segundo turno porque seria cheiro de derrota na certa. É preciso não só conseguir eleitor para si mesmo, como convencer o eleitor dos adversários no primeiro turno de que merece a confiança na fase seguinte da campanha.

Nesse quesito Rollemberg está tranquilo. Tem a menor rejeição entre os candidato ao Governo do Distrito Federal. E isso pode fazer a diferença num segundo turno. Mesmo contra o ex-governador Arruda, que tem uma rejeição também alta, beirando os 30%.

Para ser governador novamente, Arruda precisa vencer a disputa nos tribunais. Se for para um segundo turno contra Rollemberg, a disputa ficaria equilibrada. O candidato do PSB herdaria boa parte dos votos do PT.

Se o segundo turno for entre Arruda e Agnelo, os votos de Rollemberg seriam divididos. E seria uma disputa entre candidatos com alta rejeição. Cresceria o número de brancos, nulos e abstenções. Venceria aquele que se colocar como menos problemático. Que traria menos problemas para a vida do cidadão. O menos pior.

Um embate entre Agnelo e Rollemberg seria o do oposto da rejeição. Rollemberg teria grandes chances por herdar os votos de Arruda e ser menos rejeitado.

As chances de Agnelo é ir ao segundo turno contra Arruda e conseguir tirá-lo na justiça. Uma decisão dando posse ao segundo colocado, colocaria o petista mais quatro anos do Palácio do Buriti. Por isso que Arruda gostaria de liquidar a fatura no primeiro turno.

Ou seja, se as eleições fossem hoje o cenário seria o seguinte: Arruda é imbatível no primeiro turno; Quem for para o segundo turno com Agnelo ganha; e, quem for para o segundo turno contra Rollemberg perde.

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Por Ricardo Callado – Que a política interfere na vida das pessoas, é fato. No preço da carne, da gasolina, da cesta básica. Por mais que os nossos políticos nos deem exemplos não dignificantes, não podemos nos afastar da política. Isso não significa se filiar a um partido político. O eleitor não deve ser apolítico, nem político, e sim um cidadão que vota. Consciente que a sua decisão pode interferir na vida da sua cidade, do seu país.

Estamos a pouco mais de trinta dias para as eleições de 5 de outubro. Quanto mais se aproxima do dia de votação, mais se vê pessoas conversando sobre política. E isso é bom. Se respira democracia e cidadania.

Se conversa política no local de trabalho, nos bares, salões, nos ônibus, em casa com a família. E é importante que seja assim. Desta maneira, se constrói um país melhor. Com a conscientização política.

Sobre a disputa pelo governo do Distrito Federal, muitos assuntos podem ser discutidos. O caso do ex-governador José Roberto Arruda (PR), por exemplo. A conversa poderia começar sobre ele ser teimoso ou se tem razão em continuar recorrendo a justiça para ser candidato.

Arruda diz que não abre mão da disputa. Não concorda com a decisão que indeferiu a sua candidatura. E que a eleição serviria para limpar a sua honra. Sem entrar no mérito, Arruda é um misto de teimoso com franco atirador. Não tem nada a perder.

E o eleitor ainda o acha o melhor dos candidatos ao GDF. Pelo menos é o que dizem as pesquisas de intenção de voto. Cada paulada que Arruda leva na justiça, mas ele cresce e se distancia dos adversários.

A campanha do ex-governador está por um fio. O Supremo Tribunal Federal é o último suspiro. E Arruda inicia o julgamento perdendo de dois a um, se levar em conta uma possível repetição dos votos de Gilmar Mendes, Luiz Fux e Dias Tofolli. Os três participaram do julgamento no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A jurisprudência está a favor de Arruda. A opinião pública é contrária. Arruda não está conseguindo se descolar do “rouba mais faz”.

Na roda de conversa, se fala também do desempenho do governador Agnelo Queiroz (PT) em debates e entrevistas. A desenvoltura do petista melhorou muito. Fala melhor e consegue articular frases com sentido. Ainda é ruim. Mas era muito pior em 2010. O gestual desengonçado também melhorou. Está mais comedido. Não é mais aquele boneco de posto da eleição passada. Está hoje mais para um boneco de Olinda.

Rodrigo Rollemberg (PSB) precisa despertar. Em alguns debates ou até mesmo em conversa de roda no programa eleitoral, o candidato parece que está com preguiça. De falar, olhar e se expressar. Rollemberg precisa olhar mais fixamente, falar com firmeza e apontar (teoricamente) o dedo da cara do assunto que está sendo discutido. Cara de bom moço com preguiça não fazer dele governador. Um pouco de atitude faz toda a diferença.

Nas conversas sobre as eleições deste ano, uma pergunta sempre é repetida: Quem é Pitiman? Para a maioria da população, um mero desconhecido. É deputado de primeira viagem. Foi eleito em 2010 com muito dinheiro e os votos de Tadeu Filippelli. Trabalhou com Arruda e Agnelo, mas disputa a eleição contra os dois. Um pouco mais contra o governador, do que contar o ex.

Pitiman que ser a novidade. Mas para ser o novo, precisa ser conhecido. O programa dele no horário político é um dos melhores apresentados. Não vai virar governador nessas eleições porque tem gente na fila. E na política isso conta muito.

De Toninho do Psol se fala pouco. É aquele candidato que foi do PT e se desfiliou quando o partido teve o apagão ético no escândalo do mensalão. Juntou-se a outros petistas arrependidos e fundou o PSol.

Foi a grande surpresa de 2010, quando a Caixa de Pandora passou como um furacão pela política de Brasília. Toninho conseguiu o voto de protesto e teve 15% do eleitorado. Em 2014, vai tomar um choque de realidade. Não passa dos 5%.

Nos próximos trinta dias as conversas sobre política serão essenciais para definição do voto. E construir uma tendência que deve ser cristalizada em meados de setembro. Os candidatos irão atras da bala de prata para alvejar os adversários. E dá inicio a carnificina eleitoral.

Já o eleitor buscará uma administração que faça de nossa cidade um lugar melhor para se viver. Sem jogo baixo e sujo. Os políticos não entenderam que a população não aceita mais jogo sujo, mesmo que para isso tenha que transformar o culpado em vítima. E, se isso acontecer, a culpa não será do eleitor, e sim da qualidade dos discursos dos políticos.

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Por Ricardo Callado -   A propaganda no horário eleitoral gratuito do governador e candidato à reeleição, Agnelo Queiroz (PT), é de boa qualidade. Se torna cansativa pelo longo tempo. São quase oito minutos de TV. O conteúdo mostra que Agnelo tem uma equipe de primeira por trás das câmeras. Experimentada em outras campanhas ao GDF. E que sabe mostrar ao eleitor aquilo que ele não sabia.

Se o (e)leitor não tem muito o que fazer e prestar atenção nos programas eleitorais, vai se sentir mais feliz. Serve como uma terapia. O programa eleitoral, principalmente de Agnelo, nos convence que moramos numa cidade em que quase inexistem problemas. Que tudo funciona bem.

Assistir o horário eleitoral vai fazer aumentar a autoestima do brasiliense. Aqui a saúde funciona bem. A educação é referência. E a segurança melhorou muito. Que o governo vem trabalhando muito para melhorar a vida do cidadão.

São obras e mais obras espalhadas por todo o Distrito Federal. Parece que mais de cinco mil obras. Se alguém duvidar, é pura má vontade. Será lançado um site nos próximos dias para listar todas elas. É coisa para São Tomé não duvidar.

Na televisão nós não sabíamos, mas no passado andávamos cabisbaixos, envergonhados e sem perspectiva de futuro. De quatro anos para cá tudo mudou. O povo de Brasília está mais feliz. A economia está pujante.

A propaganda nos sugere que precisamos ter orgulho e agradecer ao governo que nós temos. É quase uma obrigação, para não parecer mal-agradecidos. Estamos salvos do passado. É hora de pedir desculpas.

Nosso sistema de transporte passou por uma revolução e hoje não tem mais as latas velhas do passado. Tampouco os barões do sistema de transporte coletivo estão no comando. Tem ônibus de sobra e para todos. Novos e de qualidade. Nós não sabíamos. Mas essa é a realidade que é nos jogada na cara na propaganda eleitoral. Está certo que muitas linhas foram encerradas. Mas nem tudo é perfeito. Não se pode reclamar disso.

As vias da cidade não são mais as mesmas. Antes eram todas esburacadas, sem manutenção. Tudo mudou. Temos asfalto. E o governo trabalhando. Brasília hoje não tem mais buracos em suas ruas. Está tudo perfeito.

A corrupção, graças a Deus, acabou. Agnelo disse isso na TV. Que o povo não se preocupe, porque ele não vai deixar mais acontecer casos de desvio de dinheiro publico, obras superfaturadas ou corrupção. Isso é coisa do passado.

O Distrito Federal está livre de qualquer tipo de escândalo. Temos, finalmente, um governo honesto. Que sabe quais são as prioridades. Estádio de R$ 1,4 bilhão ou administradores presos é coisa da oposição. Dos que querem impedir as mudanças que fizeram nosso povo voltar a sorrir. Agnelo é o cara. E tem o apoio da presidenta Dilma e do ex-presidente Lula. Todos do PT.

A economia está fantástica. As empresas não quebram mais. O governo paga em dia. Não existem rombos nos cofres públicos. A construção civil é um exemplo. Os canteiros de obras bombam aos quatro cantos do DF. Gerando empregos e movimentando a economia.

O programa eleitoral de Agnelo, como um soco na nossa cara, mostra que tudo isso vai continuar para melhor. E nos deixa confuso quando são divulgadas as pesquisas de intenção de voto e avaliação de governo. A rejeição alta que o governador Agnelo tem, segundo as pesquisas, só pode ser coisa de masoquista. De um povo que gosta de sofrer.

A TV nos mostra que vivemos quase no paraíso. O povo parece que não entende. Ou não quer entender. Parece que tem dificuldade de enxergar a realidade que nos é mostrada todos os dias na propaganda eleitoral. O povo é burro e ainda não percebeu as mudanças que aconteceram no Distrito Federal. Somos felizes, mas não sabíamos. Obrigado Agnelo!

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Por Ricardo Callado - O noticiário político, principalmente durante uma campanha eleitoral, nem sempre mostra os fatos como eles realmente são. Cada candidato tem uma estratégia não revelada aos eleitores. E não gostariam que fosse do conhecimento público.

As pesquisas de intenção de voto mostram o retrato do momento. Os números tendem a mudar quando iniciar o horário eleitoral no rádio e na TV, que começa na terça-feira (19). É nesse momento que a campanha esquenta.

Os três principais candidatos tem perfis diferentes: o que tem voto; o com alta rejeição; e o de baixa rejeição, mas que não cresce.

O ex-governador José Roberto Arruda (PR) lidera todas as pesquisas de intenção de voto, com larga vantagem. É o favorito. A decisão do Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal (TRE-DF) de rejeitar sua candidatura foi um baque.

Arruda pode até negar, mas interfere na motivação da militância e na arrecadação de recursos para a campanha. O eleitor deu mostras de que não está ligando muito se o candidato foi enquadrado na Lei da Ficha Limpa. Busca um governo que mostre resultados. E Arruda vende essa imagem de bom gestor para a população.

Mas a verdade é que Arruda terá dificuldades no recurso apresentado ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A corte está aparelhada pelo PT, principal adversário do ex-governador.

O TSE é hoje um tribunal mais político, que jurídico. Pelos menos dois dos ministro da Corte foram advogados das campanhas de Lula e Dilma Rousseff, ou do PT. E deve atuar para defender os interesses de quem os colocou ali. Foram indicados para isso.

Quando Arruda diz que tem confiança de que terá um julgamento mais justo no TSE, ele apresenta uma meia-verdade ao eleitor brasiliense. Por ser seu adversário o PT, as chances de um decisão contra Arruda são muito grandes.

Não adianta ter um caminhão de votos e ser favorito. As manobras jurídicas vão atingir Arruda e favorecer Agnelo Queiroz. olhando a primeira vista.

Sem Arruda, o cenário poderia mostrar que Agnelo teria uma vida mais fácil. Mas não é verdade também. A rejeição de Agnelo o impede de ser reeleito. Beira a casa dos 50% o percentual de eleitores que afirmam não votar em Agnelo de jeito nenhum. Nenhum candidato consegue vencer com uma rejeição acima de 40%.

A estratégia secreta de Agnelo é fazer Arruda sangrar até as eleições. E ir ao segundo turno com ele. Não precisa nem vencer nas urnas. Agnelo considera que ganhará mais um mandato bastando passar para a próxima etapa da campanha. A lógica funciona da seguinte forma: Arruda vence a eleição. O PT pressiona o Judiciário para impugnar a candidatura, cassar o mandato ou cancelar sua diplomação. O TSE dá a ordem para que seja empossado o segundo colocado, que no caso seria o governador Agnelo Queiroz.

Essa tática de Agnelo é arriscada. E precisa que seja cumprida algumas metas. A principal delas é chegar ao segundo turno. Deixar de fazer campanha nos tribunais, e intensificar o corpo-a-corpo nas ruas. E também que Arruda não desista da candidatura. A permanência do ex-governador é importante para evitar o crescimento do candidato Rodrigo Rollemberg (PSB).

Quem vota em Arruda não vota em Agnelo. É fato. Caso ele saia da campanha antes do dia da eleição, parte dos votos poderiam migrar para Rollemberg. E outra parte ficaria com um substituto do próprio Arruda. O nome natural seria o do vice, Jofran Frejat. A divisão de votos de Arruda poderiam colocar Frejat e Rollemberg num segundo turno. E o tiro de Agnelo sair pela culatra.

A situação pode piorar para Agnelo, caso Rollemberg cresça nas pesquisas. A comoção diante da morte de Eduardo Campos, seu amigo e companheiro de partido, pode contribuir para isso. A entrada de Marina Silva também é ponto fundamental para alavancar Rollemberg.

Marina ainda é muito ligada ao candidato ao Senado, José Antônio Reguffe (PDT) e ao senador Cristóvam Buarque (PDT). Ambos estão apoiando Rollemberg.

A campanha ainda está começando. E vai ser pautada entre tribunais, índices de rejeições e transferências de votos. Numa eleição o eleitor deveria ter o maior peso de decisão, ao contrário de juízes e advogados. Daqui a pouco tem ministro do TSE ou advogado do Fluminense se tornando marqueteiro de campanha.

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Por Ricardo Callado – O eleitor brasiliense terá que escolher entre três tipos de candidatos: o que pretende convencer que a continuidade é a melhor opção; o experimentado, que quer voltar; e o que se apresenta como o novo.

O governador Agnelo Queiroz, candidato à reeleição, é o representante da primeira opção. Vai vender a ideia de que o eleitor não precisa mudar. Que o governo dele foi muito bom. E que a continuidade é a melhor opção.

Agnelo precisa mostrar seus feitos. Convencer que Brasília melhorou muito com ele e que sua forma de governar é o ideal para o Distrito Federal. O governador confessou que errou no início do governo na comunicação com a sociedade. E que se preocupou mais em trabalhar do que divulgar. Se isso for verdade, errou feio. Deixar tudo para a última não é uma boa escolha para quem quer ser reeleito. Uma campanha de reeleição inicia no primeiro dia do primeiro mandato.

Deixar para fazer isso no horário eleitoral gratuito de rádio e TV, há menos de dois meses do dia da eleição, é brincar com o perigo. E numa eleição não há espaço para brincadeira. Agnelo terá um bom tempo na propaganda eleitoral. E que será dividido entre mostrar o que fez, o que fará e atacar adversários.

O ex-governador e também candidato ao Palácio do Buriti, José Roberto Arruda (PR), deverá ocupar bastante espaço no horário do PT. Uma das estratégias é colar na testa de Arruda que ele é ficha suja e que envergonha cidade. É um discurso duvidoso. Serve mais para pressionar o Judiciário do que para conquistar votos.

Arruda se apresenta ao eleitorado como o candidato experimentado. Que já fez e pode fazer mais. Que sabe governar. Enquanto Agnelo vai tentar mostrar um modelo de governo eficiente, Arruda vai desconstruir a administração petista. E chumbo trocado não dói.

O ex-governador vai surfar na rejeição do governo Agnelo. Vai aproveitar os números da economia que mostram retração em alguns setores, como o da construção civil. E bater na burocracia que emperra o setor produtivo. O Estádio Mané Garrincha vai ser colocado na campanha como um desperdício de dinheiro. E deve ter um simbolismo grande na campanha.

Arruda também deve preparar o couro. A Caixa de Pandora não vai sair das pautas eleitoral e do Judiciário. O escândalo vai ser explorado a exaustão. É um assunto de domínio público. Todo brasiliense conhece a história. Ou parte dela.

Além disso, os personagens da Caixa de Pandora estão presentes nas coligações de todos os candidatos ao Buriti. Basta procurar bem, que acha.

O terceiro tipo de candidato se apresenta com uma nova forma de governar. Que pretende se diferenciar dos modelos de PT-Agnelo e de Arruda-Roriz. Se mostrará ao eleitor como o novo. O candidato Rodrigo Rollemberg (PSB) é o principal nome dessa linha.

Além de Rollemberg, Luiz Pitiman (PSDB) surge como uma alternativa aos modelos já conhecidos pelo brasiliense. Pretende incorporar o sentimento mudancista detectado pelas pesquisas de opinião pública.

Rollemberg sai na frente entre os novos e surge empatado com o governador Agnelo. Além de ter a menor rejeição entre todos os candidatos. Segundo as mais recentes pesquisas, disputa voto a voto a vaga no segundo turno. E está em viés de alta.

Pitiman cola no candidato a presidente da República, Aécio Neves (PSDB), para crescer nas pesquisas. Aécio lidera a corrida presidencial no Distrito Federal. Mas ainda não consegue transferir votos para Pitiman. Arruda aproveita e faz uma aliança informal com Aécio.

Toninho do PSol também se apresenta como o novo. Mas incorpora a filosofia do velho PT. Não conseguiu se mostrar ao eleitor como alternativa. Está mais para um PT ainda sem poder. E entre a cópia e o original, o eleitor está fugindo dos dois.

São três formas de governar apresentadas na campanha. O eleitor vai decidir se permanece com o atual modelo, escolhe aquele já conhecido ou arrisca em algo novo. Quem sabe ler uma pesquisa e ir além das intenções de voto, já conhece o final dessa história.

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Por Ricardo Callado - São muitos os tipos de eleitor. E várias as motivações que o fazem escolher um candidato. Ou rejeita-lo. A eleições deste ano ao Governo do Distrito Federal podemos citar pelos menos três tipos. E que dá para entender melhorar o rumo que a eleições pode tomar.

O primeiro caso é o eleitor do governador Agnelo Queiroz (PT). O seu partido, o PT, tem por tradição conseguir entre 25% a 30% dos votos de Brasília. Não é suficiente para continuar no poder. Em 2010, num caso atípico, conseguiu graças a derrocada de adversários que afundaram com a Operação Caixa de Pandora.

Naquele eleição, nem Agnelo nem o PT tinham chances algumas. A reeleição de Arruda era garantida. Arruda foi pego numa gravação recebendo um maço de dinheiro. Foi preso e teve que deixar o governo pelas portas dos fundos. Em 2014, Arruda volta ao cenário político fortalecido. Afirma que sofreu uma armação por parte dos adversários e acusa o PT de ser o mentor da operação que lhe tirou do poder.

O eleitor de Agnelo está mais concentrado no militante tradicional, que vota por religiosidade ao PT. E porque não quer perder o cargo comissionado no governo. Alguns podem até não gostar de Agnelo, mas se afeiçoaram ao que uma lotação do GDF pode oferecer.

Agnelo também tem alguns votos nas classes de menor baixa renda. Os programas de distribuição de geladeiras e lâmpadas possuem seu apelo eleitoral. O Morar Bem, o mais bem sucedido programa do governo Agnelo, que distribui casas e apartamentos, contribuiu para o petista crescer nas pesquisas.

Um segundo tipo de eleitor é o que vota no ex-governador José Roberto Arruda (PR). É formado pela soma dos rorizistas, arrudistas e antipetistas. Agnelo não conseguiu seduzir esse eleitorado. Teve problemas em se comunicar com a classe de menor baixa renda.

Arruda também tem apoio em segmentos do setor produtivo. Alguns setores da economia, asfixiadas pelo governo petista, vê em Arruda uma forma de voltar a crescer. Constantes atrasos de pagamentos a empresas que trabalham direta ou indiretamente com governo sufocaram a economia do DF. Aliado a isso, a burocracia de liberação de alvarás travou a construção civil, que vinha em alta e chegou ocupar o top 3 nacional. Hoje está estagnada.

O terceiro caso de eleitor é aquele que tem acesso a mais informação. Que acompanha mais de perto a política. É o descontente com o governo Agnelo. Que vem sofrendo a recessão da economia, ao mesmo tempo em que se recusa em votar no ex-governador Arruda.

Esse eleitor não quer se submeter a ter que fazer uma escolha entre a inércia atual e os casos de corrupções do passado, investigados pela Operação Caixa de Pandora. Busca um candidato que não represente isso tudo.

É esse eleitor que vai decidir a eleição para governador. A sua soma pode até não ser suficiente para eleger o futuro ocupante do Palácio do Buriti. Mas vai conseguir levar o escolhido ao segundo turno. Por enquanto, sai na frente o candidato do PSB, Rodrigo Rollemberg. Na mais recente pesquisa do Ibope conseguiu alcançar os 15% de intenções de votos. Tem ao seu lado nomes como o senador Cristóvam Buarque (PDT), a candidata a vice-presidente da República, Marina Silva (PSB-Rede), e o candidato ao Senado, José Antônio Reguffe (PDT). Todos bons de votos no DF

Luiz Pitiman (PSDB) e Antônio Carlos de Andrade, o Toninho do PSol, também querem atrair esse eleitorado. É a chance de quebrar a polarização PT versus Arruda-Roriz. Pitiman acredita no crescimento do Aécio Neves (PSDB) em Brasília. E que se transfira os votos para ele. Toninho torce para repetir o feito de 2010, quando teve cerca de 15% dos votos.

Esse eleitor vai deixar para decidir quando a propaganda da TV começar. Vai ser a onda do descontentamento. A saída para Arruda e Agnelo é tentar mudar a imagem que colou nos dois e tentar atrair esse eleitorado. A rejeição de ambos é muito alta. E não adiantar crescer nas intenções de votos, se não diminuir os índices de rejeição. Da maneira que está colocado hoje o jogo, um dos dois corre sério risco de ficar fora do segundo turno.

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Por Ricardo Callado - A semana que inicia vai movimentar o cenário eleitoral na corrida ao Governo do Distrito Federal e de uma vaga ao Senado. Serão divulgadas as primeiras pesquisas de intenção de voto depois que a campanha começou no dia 5 de julho. Será um choque de realidade.

A primeira pesquisa é a do Instituto Ibope. Será divulgada pelo DFTV, programa jornalístico da Rede Globo de Televisão. O jornal Correio Braziliense também promete soltar uma pesquisa nos próximos dias. Os números devem mostrar se outros levantamentos que circulam pela cidade estão certos.

As duas pesquisas estão registradas no Tribunal Regional Eleitoral do DF (TRE) e no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Mostrarão a intenção de voto do brasiliense para governador, senador e presidente da República.

As pesquisas que circulam pela cidade não são registradas. Não podem ser divulgadas por norma da Legislação Eleitoral. Servem apenas para análise interna das coordenações de candidaturas. E acabam chegando para alguns jornalistas.

O choque de realidade se dará em campanhas de alguns candidatos. O clima de já ganhou é visível. E o salto alto também.

Candidato à reeleição, o governador Agnelo Queiroz (PT) acha que a campanha está liquidada. E que o seu principal adversário, o ex-governador José Roberto Arruda, vai cair com o discurso de que ele é ficha suja.

A divulgação das pesquisas irá dizer se Agnelo tem razão ou não. Como tem a certeza da vitória, se dá ao luxo de desprezar apoios. O tempo dirá se a estratégia vai dá certo.

Antes do início da campanha eleitoral, Arruda oscilou entre abrir uma boa vantagem dos adversários e a um empate técnico com Agnelo. O cenário mais apertado foi feito dias antes de um julgamento que poderia impedir sua candidatura. O julgamento acabou sendo suspenso e só aconteceu após o registro no TRE.

Arruda conseguir ser candidato. Depois disso, apenas pesquisas internas sinalizam a posição dele na disputa ao Palácio do Buriti. O ex-governador também está confiante na vitória. Tem certeza que irá conseguir o retorno ao GDF.

É claro que qualquer candidato ou assessor de campanha vai dizer que tem certeza na vitória. A diferença está entre agregar apoio ou desprezar aliado. Isso pode alterar o resultado numa disputa eleitoral.

Candidato do PSB ao Buriti, Rodrigo Rollemberg conseguiu o que pode. Fez uma aliança com outros três partidos com tempo de TV mediano, o PSD, o PDT e o Solidariedade. É o suficiente para se tornar competitivo. Terá entre quatro e cinco minutos no horário eleitoral gratuito.

Agnelo conseguiu nove minutos. Tem os dois principais partidos com maior tempo de TV ao seu lado, o PT e o PMDB. E, com a caneta na mão e uma boa poupança para a campanha, atraiu partidos medianos e nanicos.

Terá tempo suficiente para mostrar as realizações do governo nos últimos quatro anos. E aproveitará parte do horário eleitoral gratuito para partir para cima de Arruda. Provavelmente lembrará os vídeos da Caixa de Pandora.

Arruda vem mais embaixo. Além do seu PR, tem o PRTB, o PTB, e o PMN. Ficará com cerca de dois minutos. Para compensar, vem numa campanha intensa por todo o Distrito Federal. Como já é conhecido, fica mais fácil o contato com o eleitor.

Rollemberg tem o desafio de se aproximar de Agnelo nas pesquisas. O candidato do PSB mira o segundo lugar. Pesquisas antes da campanha mostraram uma aproximação de Rollemberg, que deveria acender o sinal de alerta no comando de campanha do PT.

Com menos tempo, Luiz Pitiman (PSDB) e Toninho do PSol vão tentar a sorte de cair nas graças do eleitor. O corpo a corpo nas ruas é uma das alternativas para melhorar as intenções de voto. Os dois candidatos devem aparecer nas pesquisas disputando o quatro lugar.

Os números das pesquisas do Ibope e do Correio Braziliense darão o choque de realidade. E os candidatos devem rever as estratégias. Enquanto Arruda corre contra o tempo, Agnelo espera o tempo passar.

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Por Ricardo Callado – O melhor dos mundos para os adversários do ex-governador José Roberto Arruda (PR) era que ele tivesse sido condenado em 2º instância antes do 5 de julho. A data é o prazo final para o registro das candidaturas. E a Lei da Ficha Limpa não permite que alguém com este tipo de condenação, mesmo cabendo recurso, possa ser candidato.

Arruda conseguiu registrar a candidatura. A condenação veio quatro dias depois. O fato estava consumado. A partir daí trava-se uma guerra jurídica. Adversários, principalmente o governador Agnelo Queiroz (PT), correm para que o Tribunal Regional Eleitoral (TRE) não aceite e impugne a candidatura.

O Ministério Público Eleitoral e a Procuradoria-Geral da República são parceiros na derrubada de Arruda. O que parece é que a impugnação da candidatura é uma questão de tempo. O ex-governador não deve desistir. Ainda tem duas instâncias a recorrer: o Tribunal Superior de Eleitoral (TSE) e, posteriormente, ao Supremo Tribunal Federal (STF).

Arruda pode conseguir chegar ao dia da eleição com pendengas jurídicas. Ou abrir mão da candidatura e apoiar um outro nome para disputar o Palácio do Buriti. Isso pode ser feito até 20 dias antes da votação. Qualquer dos casos, o ex-governador vai passar por sangramento político. O que deve acabar em vitimação e fortalecimento da oposição. E o eleitor, principalmente o mais humilde, é solidário a quem se passa por perseguido.

Quanto mais tempo se passar, quanto maior for o sangramento político, mais Arruda terá força política para apresentar um novo candidato. O substituto deve ser o ex-deputado federal e quatro vezes secretário de Saúde, Jofran Frejat (PR), que atualmente compõe a chapa como vice. Em seu lugar, deve disputar a vaga de vice-governadora a deputada Liliane Roriz (PRTB).

Para o governador Agnelo, que disputa à reeleição, e o senador Rodrigo Rollemberg (PSB), que se apresenta como uma terceira via, essa situação só traz prejuízos. A eleição vai ficar concentrada numa guerra jurídica. Mas não será uma campanha no W.O. Se Arruda cair, Frejat será um adversário a altura, principalmente no debate da saúde pública.

Agnelo pode acabar saindo como vilão da história. Será responsabilizado pelo próprio Arruda como perseguidor. Vai dizer que sofreu um golpe armado pelo Palácio do Buriti. Faz parte do roteiro de vitimação.

A estratégia do governador começa a ser notada. O seu slogan, Respeito por Brasília, somadas as declarações públicas de Agnelo, são as dicas que a campanha será de enfrentamento.

Artigo publicado na semana anterior pelo Jornal da Comunidade, e assinado pelo governador Agnelo, é outra pista da campanha. O termo ficha suja será usado a exaustão para carimbar na testa de Arruda que ele foi condenado. Também será passado ao eleitor que o ex-governador envergonha a cidade e que é preciso respeito por Brasília.

É uma estratégia fraca e frágil. Até porque na coligação de Agnelo também habitam e orbitam personagens que tiveram seus nomes envolvidos na operação da Caixa de Pandora, a mesma que prendeu e desalojou Arruda do Palácio do Buriti. E Arruda não tem o que perder. Pode arrastar Agnelo para a mesma lama.

É preciso novas estratégias. Do contrário, vai viver a campanha de Arruda. E quem vive a vida dos outros acaba com a personalidade distorcida. O eleitor gosta de candidato de personalidade forte e firme. Com carisma. Que chega e decida as coisas. Sem titubear.

O candidato do PT pode começar seu discurso reafirmando a prioridade absoluta no que há de mais carente em nossa capital. Se descolar do Estádio Mané Garrincha, mostrando que foi feito por uma obrigação.

E que a atenção será com os mais pobres. Ao mesmo tempo lembrando o que foi feito nos últimos quatro anos para a população mais carente: Morar Bem, distribuição geladeiras, saneamento, transporte público.

O discurso de que o adversário é ficha suja deve ficar na imprensa e no Judiciário. A não ser que a equipe de campanha e o próprio governador queiram pautar os tribunais. Esse é um erro que deve ser evitado. Vai dar margem a teoria de conspiração.

Agnelo não deve promover a caça às bruxas nem uma revisão amargurada do passado. Deve mostrar que seu projeto será de “baixar as armas”. Até porque também tem vidro em seu telhado.

Para Rodrigo Rollemberg, sobrou fazer uma campanha com propostas que o diferenciem da guerrilha Agnelo-Arruda. Evitar que essa polarização feche espaços para crescimento de intenção de votos.

Não vai ser fácil. Pode ser engolido por uma provável vitimação de Arruda. Mas deve se aproveitar do sentimento anti-petista que cresce no País.

Rollemberg deve se apresentar como o novo. A Geração Brasília que merece chegar no poder. Ele vai ter um início tranquilo de campanha. Se crescer e incomodar, vai ser chamado para o ringue. Confirmando a tendência das pesquisas onde aparecem em primeiro Arruda, seguido por Agnelo em segundo, o tiroteio deve vir inicialmente do candidato do PT. Só vai apanhar se ganhar importância. É a regra.

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Por Ricardo Callado - Com o quadro de candidatos definido, a campanha começa oficialmente no domingo, dia 6. Na disputa estão Agnelo Queiroz (PT), José Roberto Arruda (PR), Rodrigo Rollemberg (PSB), Toninho do PSol e Luiz Pitiman (PSDB). Um desses nomes vai comandar o Distrito Federal nos próximos quatro anos. E um orçamento de R$ 36 bilhões anuais.

A partir das próxima semana vamos conhecer as apostas de cada um. O que pretendem vender ao eleitor para conseguir o voto. Quais serão as propostas e a linha de campanha. Se será propositiva ou a baixaria terá domínio na disputa.

Agnelo peca em não fazer a política de “ciscar para dentro”. Manter aliados. A culpa muitas vezes não é do governador, mas de assessores aloprados que preferem enxergar adversários onde eles não existem. E partem para a perseguição e a retaliação. É a dita política burra, que cobra o seu preço mais na frente.

Retaliação e perseguição na política mostra inabilidade. E descaso. O poder, para alguns, sobe a cabeça. E deixa cego aquele que deveria enxergar e comunicar melhor. O bom disso tudo é que a vida é uma roda. Quem está em cima hoje, amanhã assiste a roda girar.

Para se manter ou chegar ao poder é preciso se preocupar com os detalhes. São eles que fazem a diferença de uma campanha. E muita conversa. Quando a corda estica demais, tende a arrebentar. Não adianta tentar consertar quando o estrago já foi feito. Uma campanha tem detalhes. E é preciso dar atenção a eles.

Agnelo tem conseguido se recuperar. A mais recente pesquisa do Instituto Dados mostra uma diferença menor entre o candidato à reeleição e o ex-governador José Roberto Arruda. Melhorou, mas ainda não está bom.

A campanha vai ser muito difícil para Agnelo. Quem canta o clima de já ganhou no Palácio do Buriti tenta agradar e enganar o governador. E inconsequente. A arrogância ao invés de ajudar, acaba afastando apoio a campanha. Agnelo vai ter que identificar isso em sua equipe. Para o bem da sua campanha. E mudar a forma de agir. Pois não se ganha uma eleição promovendo insatisfação. A lógica é o contrário. É preciso se comunicar.

A partir de domingo iremos conhecer o que Agnelo tem a dizer para convencer o eleitor a lhe dar mais quatro anos. De que forma o governador vai se comunicar com a sociedade. Se pretende agregar ou fazer, por via de assessores, a caça as bruxas. Uma campanha não aceita erros. E muito menos arrogância.

Se quiser ganhar, Agnelo tem que mostrar propostas que mudem a vida principalmente das classes C, D e E. É nesse segmento que se concentra a maior parte do eleitorado do Distrito Federal. E saber levar essas propostas ao conhecimento da periferia. Os magos da comunicação de Agnelo sabem fazer isso. Não desaprenderam. Apenas se atrapalham as vezes.

E trapalhada não combina com eleição. Quem acaba perdendo no fim das contas é o governador Agnelo. Se já tem uma vida difícil, gerando insatisfação só piora a situação. Mas há no Palácio do Buriti quem pensa o contrário e que tudo vai muito bem. Que a eleição vai ser fácil e Agnelo já está reeleito. São uns inocentes que não sabem nada. Ou pior: acham que sabem tudo. Arrogância demais costuma causar cegueira. Agnelo tem chances, sim. Mas precisa agregar.

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Por Ricardo Callado - Os candidatos foram escolhidos. A disputa está posta e cada postulante vai ocupar o seu espaço. A briga pelo pelo governo do Distrito Federal ficará entre o governador Agnelo Queiroz (PT), que disputará à reeleição; o ex-governador José Roberto Arruda (PR); e, o senador Rodrigo Rollemberg (PSB). Um desses três vai comandar Brasília pelos próximos quatro anos.

A disputa vai ter ainda o candidato do PSol, Antônio Carlos de Andrade, o Toninho, que se juntou a dois partidos nanicos de extrema esquerda, o PSTU e o PCB. Promete conseguir uma boa votação, mas sem chances de vitória.

O deputado federal Luiz Pitiman (PSDB) é candidato ao Palácio do Buriti. Candidato dele e do presidenciável Aécio Neves. Não conseguiu atrair ninguém ao seu projeto, até o momento. Se for mantido candidato, estará só.

A deputado Eliana Pedrosa (PPS) também ainda não abriu mão da candidatura. Vive o mesmo pesadelo de Pitiman. Não tem apoio de ninguém e nem tempo de TV para se tornar competitiva. Podem acabar formando uma dupla sertaneja: Luiz Pitiman & Eliana. E mesmo assim, com poucas chances. Conversaram demais, negociaram demais, apostaram demais e esperaram demais.

As convenções partidárias só terminam na segunda-feira, dia 30. E o registro das candidaturas vai até o dia 5 de julho, quando inicia oficialmente a campanha. É possível que outras candidaturas sejam colocadas. Sempre aparecem de última hora pequenos partidos que lançam candidatos para marcar posição. É o caso do PCO com o conhecido bordão “Quem bate cartão não vota em patrão”.

Se espremer mais um pouco, a disputa fica resumida entre Agnelo e Arruda. Rollemberg é um bom candidato. Precisa ainda se mostrar e convencer os eleitores a sair da polarização do “nós contra eles”. Do PT versus Arruda (Roriz). Que Brasília não tem lado. E somos todos uma mesma cidade. É um desafio e tanto numa eleição em que as paixões falam muito alto. E os interesses também.

Arruda vai ter que se defender das acusações da Caixa de Pandora. O tiroteio vai ser grande em cima dele. Tem muita coisa que ainda precisa ser explicada. Ainda não ficou claro para o grande público, por exemplo, se o caso de corrupção funcionou no governo de Joaquim Roriz ou de Arruda. E a quem o delator Durval Barbosa servia. Ou se ele ao mesmo tempo criador e dono do esquema.

O ex-governador Arruda também terá que convencer o eleitor que seu governo foi melhor do que o de Agnelo Queiroz. Para isso, terá que equilibrar o patamar de escândalos com a atual administração. Para então rivalizar nas realizações. Escândalos versus escândalos. Obras versus obras.

Agnelo terá tempo de TV, dinheiro e bons apoios político-partidários. Tem que mostrar que fez mais que seu antecessor. E que Arruda é um voto no escuro. O discurso do PT deve ser o de focar nas ações da Justiça. Que se Arruda ganhar a eleição, pode ser retirado do Buriti novamente. E causar nova insegurança jurídica ao DF.

É um discurso perigoso. Difícil de colar, mas possível. Deve ser bem trabalhado. Se forçar demais na mão, quem pode sair ganhando com essa guerra entre Agnelo e Arruda é o senador Rodrigo Rollemberg. Se o jogo for muito baixo e sujo, a população tende a ficar enojada e procurar outra opção.

Se essa tendência se cristalizar, Rollemberg será chamado ao centro do ringue para levar porrada. Um dos alvos será o seu primeiro suplente, Hélio José da Silva, que foi colocado na chapa em 2010 pelo PT a contragosto de Rollemberg. E que agora pode ser usado pelo próprio PT contra o senador.

As divergências entre Hélio e Rollemberg são antigas. Cercado de acusações, Hélio acabou deixando o PT, onde tinha o cargo de secretário de Assuntos Institucionais e Políticos. Hoje está filiado no PSD. Se Rollemberg for eleito, será Hélio José que assumirá uma cadeira no Senado.

A eleição promete ser uma das mais complicadas dos últimos tempos. A população pode até rejeitar a baixaria. Para os políticos, na briga pelo poder, o chumbo trocado não dói.

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Por Ricardo Callado – O prazo para a realização de convenções partidárias entra na semana decisiva. Termina na segunda-feira (30). Boa parte das candidaturas está posta. A principal indefinição é com relação a candidatura do ex-governador José Roberto Arruda (PR). E compromete a articulação da chapa de direita.

Candidato à reeleição, Agnelo Queiroz (PT) conseguiu montar a chapa com tranquilidade. Vai repetir a dobradinha vitoriosa com o vice, Tadeu Filippelli (PMDB). Tem ao seu favor a máquina pública, a série de inaugurações que vem fazendo e um caixa financeiro construído nos últimos anos. Mesmo com uma ampla aliança de partidos, emplacou o candidato ao Senado do próprio PT, o deputado federal e ex-secretário de Habitação Geraldo Magela.

Além disso, a Lei de Uso e Ocupação do Solo (Luos) deve ser aprovada na terça-feira (24) pela Câmara Legislativa. Será um reforço para a campanha. Mesmo tendo importância para a economia e o tombamento de Brasília, a aprovação da Luos será ofuscada pelo oba oba da Copa do Mundo. Vai acabar passando despercebida do grande público. Entretanto, sua aprovação vai resolver problemas de caixa de campanhas majoritárias e proporcionais.

Quem também definiu a chapa foi o candidato do PSB, senador Rodrigo Rollemberg. Ele vai disputar o Palácio do Buriti tendo como vice o jornalista Hélio Doyle (PSD). O candidato ao Senado é o campeão de votos em 2010, deputado José Antônio Reguffe (PDT).

Além de PSB, PDT e PSD, a aliança terá o Solidariedade, partido presidido pelo suplente de deputado Augusto Carvalho. Além de Augusto, outra aposta para a Câmara dos Deputados é o ex-governador Rogério Rosso, presidente do PSD.

Rollemberg conta com o apoio de Marina Silva e do senador Cristovam Buarque para chegar competitivo. Os dois possuem empatia com o eleitor brasiliense. Marina foi a campeã de votos no DF nas eleições para o Palácio do Planalto em 2010. Cristovam já foi governador com boa avaliação.

Além disso, o candidato a presidente do PSB, Eduardo Campos, listou Rollemberg como uma das prioridades do partido nas eleições 2014. E vai buscar apoio financeiro e político para a legenda vencer a disputa ao GDF.

A direita continua tonta. O entrave é a situação do candidato do PR, ex-governador José Roberto Arruda. Os adversários tentam abortar de todas as formas a candidatura de Arruda. E atuam em três frentes. O plano A é pressionar o Judiciário a uma decisão desfavorável em segunda instância.

As pressões vem nas mais diferentes formas. Custam muito esforço, são caras e vem dando resultado. O Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios (TJDFT) marcou para a quarta-feira (25) o julgamento de uma ação contra Arruda. A exatos dez dias do prazo final para registro das candidaturas.

Se for condenado, fica fora da disputa. Tirar Arruda da eleições não tem preço. Os adversários pagam qualquer valor. Vale qualquer tamanho de mala. Agora, se Arruda for inocentado, o tiro sai pela culatra. Ele vai virar o jogo e bater no peito com a decisão de que é inocente e se dirá perseguido. O papel de vítima é uma das especialidade do ex-governador. Adversários podem ir da alegria a tristeza em 3, 2, 1…

O plano B é desaprovar as contas do ex-governador na Câmara Legislativa. Mas isso não vai rolar. Não terá tempo hábil. O processo se encontra no Tribunal de Contas do Distrito Federal (TCDF). E tudo indica que não sai de lá esse semestre.

O plano C é o mais sujo. A política sai dos palácios e irá frequentar mais uma vez as dependências da Penitenciária da Papuda. A ideia é convencer o ex-deputado Valdemar da Costa Neto (PR) a inviabilizar a candidatura de Arruda. Mesmo de dentro da Papuda, Valdemar ainda manda no PR. Parece coisa de facções criminosas como o PCC. E é, infelizmente. Tem candidatos que jogam qualquer jogo. Até o pior deles.

Se Arruda cair, outros integrantes da direita terão que se reorganizar. Eliana Pedrosa (PPS), Luiz Pitiman (PSDB) e Liliane Roriz (PRTB) são nomes naturais para substituir o ex-governador. Eles terão que se entender. E formar uma chapa competitiva que irá envolver ainda o próprio PR, o PP de Paulo Octávio, o senador Gim Argello (PTB), o presidente do DEM, Alberto Fraga e o presidente do PRTB, Luiz Estevão. E com as bençãos do ex-governador Joaquim Roriz. Terão um bom tempo de TV. E muitas arestas a aparar. É uma aliança de difícil entendimento.

No sábado (21), quem decide sua vida é o PSol. A convenção lançará a Frente de Esquerda que terá na cabeça de chapa Antônio Carlos de Andrade, o Toninho do PSol. A aliança é composta ainda por PCB e PSTU.

Essa movimentação política promete passar despercebida enquanto o eleitor estiver ocupado com os jogos da Copa do Mundo. E é tudo que os políticos que agem na espreita querem. Quando a Copa passar, o estrago está feito.

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Por Ricardo CalladoA discussão em torno de quem será o vice de algumas chapas para as eleições deste ano colocam em destaque a função do cargo. O único que tem a coligação pronta é o governador Agnelo Queiroz (PT). Vai repetir a dobradinha vitoriosa em 2010, com vice Tadeu Filippelli (PMDB). Aguarda apenas a confirmação das convenções partidárias, que vão de 10 a 30 deste mês.

Definir o vice com antecipação dá tranquilidade para a formatação de alianças. Agnelo escolheu o melhor que tinha na base aliada. E não precisou inventar. O PMDB tem mais tempo de TV. E Filippelli tem a preferência por estar no cargo.

Na chapa petista, a discussão ficou em torno da vaga ao Senado. O deputado federal Geraldo Magela levou a melhor. Venceu a disputa interna contra o deputado Chico Leite, ambos do PT. Agora tem que superar a resistência de partidos da base. Mas é o nome certo. E um bom nome na disputa.

A ameaça de rebelião pode causar dissidência. Levar legendas para os braços de adversários de Agnelo. Nada que uma conversa resolva. Os partidos precisam de uma boa estrutura de campanha, financiamento e de perspectiva de poder. A conversa começa por ai.

O ex-governador José Roberto Arruda (PR) perdeu a sua vice, Liliane Roriz (PRTB). E ganhou mais poder de articulação para ampliar a aliança. Liliane anunciou oficialmente esta semana. Vai disputar novamente o cargo de deputada distrital. E continuará apoiando Arruda. O desejo dela era conhecido nos bastidores há semanas.

A saída de Liliane abriu espaço para Arruda aglutinar o grupo político de oposição. O ex-governador trabalha com vários nomes. E acredita que não existe outro caminho além da polarização entre os grupos Roriz/Arruda e Agnelo/PT.

São vários os nomes cogitados: os deputados federais Jaqueline Roriz (PMN) e Izalci Lucas (PSDB), os deputados distritais Eliana Pedrosa (PPS) e Alírio Neto (PEN), os ex-deputados federais Alberto Fraga (DEM), Robson Rodovalho (PP) e Jofran Frejat (PR), o ex-governador Rogério Rosso e o presidente do PSDB-DF, Eduardo Jorge. O martelo será batido pelo ex-governador Joaquim Roriz (PRTB), dentro do acordo feito com Arruda.

O ex-governador Arruda vai gastar muita saliva. Eliana, por exemplo, teria que abrir mão da sua candidatura ao Palácio do Buriti. Hoje ela mantém o projeto de ser eleita governadora. E vem trabalhando muito para isso. Dentro de seu grupo há resistências com relação a uma aliança com Arruda. O principal nome da resistência é o seu irmão, Eduardo Pedrosa.

O nome novo nessa lista é o do tucano Eduardo Jorge. Ex-secretário-geral da Presidência no governo Fernando Henrique Cardoso, Jorge seria uma boa escolha para Arruda. Mas esbarra no próprio partido que lançou o deputado federal Luiz Pitiman para o governo.

O PSDB pode ainda abrir mão da candidatura e apoiar Eliana Pedrosa. O vice cogitado seria do deputado Izalci Lucas. E teriam a vaga ao Senado para ampliar a aliança. Mas é difícil alguem mais querer entrar na disputa que já tem Reguffe, Magela e Gim Argello. Só um suicida.

Candidato do PSB ao GDF, o senador Rodrigo Rollemberg também busca fechar a chapa. A pouco dias do início das convenções, tem o apoio apenas do PDT. O deputado federal José Antônio Reguffe (PDT) deverá ser o candidato ao Senado.

Rollemberg tem conversado com o PSD de Rosso e o PPS de Eliana. Pretende atrair ainda o Solidariedade, do suplente de deputado federal Augusto Carvalho. O nome para vice poderia sair de um desses partidos. O jornalista Hélio Doyle (PSD) vem sendo cogitado para a aliança.

O fato da semana foi a prisão do ex-governador Paulo Octávio, que foi vice de Arruda em 2006. A oposição classifica como uma ação política. E tem o quê de estranheza. PO foi preso sob o argumento de que estaria obstruindo o trabalho das investigações da Operação Átrio. Qual juiz com um pouco de discernimento não mandaria recolher qualquer um que cometesse tal crime.

A questão é que a operação aconteceu em 7 de novembro de 2013, ou seja, há sete meses. Paulo Octávio aparece em um áudio pedindo ao ex-administrador de Taguatinga, Carlos Jales, que não entregue documentos a justiça que comprovaria em liberação irregular de alvarás.

A gravação é da mesma época, de novembro. E foi um fato grave. Era para prender mesmo. Não se entende o porquê do Ministério Público não pediu a prisão naquele momento. Esperou passar sete meses para enviar o pedido a um juiz.

Coincidentemente aconteceu dois dias depois de Paulo Octávio anunciar que o seu partido, o PP, não iria mais apoiar a coligação do governo. Se as gravações foram feitas sob autorização da justiça, e em novembro de 2013, tem algo muito estranho. Fica difícil acreditar que o autor do pedido de prisão, o Ministério Público, prevaricou ou se deixou usar pela disputa eleitoral entre grupos adversários. Melhor não acreditar nisso. Brasília não aguenta mais esse jogo sujo.

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Por Ricardo Callado - Definido pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o calendário das eleições determina que o mês de junho é dedicado as convenções partidárias. É quando os partidos políticos escolhem os times que irão disputar as eleições. E a formação de grupos.

No calendário popular as atenções estão voltadas para as festas juninas e suas quadrilhas. Essas trazem alegria a população e não causam dano ao bem público. São as quadrilhas do bem. Não têm medo da Polícia Federal, nem precisam enganar o público. Basta alegria, originalidade e respeito com as tradições. Na quadrilha junina quem dança são os integrantes. Na política, o povo.

Em junho, a concorrência dos partidos com as quadrilhas é intensa. As atenções ficam divididas. Em 2014, ainda teremos a Copa do Mundo no Brasil. A quadrilha da Fifa chega para dividir mais ainda os holofotes.

No Distrito Federal, boa parte dos partidos vai deixar as convenções para os últimos dias do prazo determinado pela Legislação Eleitoral. Dia 30 de junho. Pesquisas eleitorais, ações na justiça, votação de contas de governo na Câmara Legislativa e dinheiro, muito dinheiro, deverão definir para onde vai cada partido.

Não se faz uma campanha sem dinheiro. Para se eleger, seja para governador ou deputado distrital, custa muito caro. Um partido menor que projeta eleger pelo menos um deputado busca apoio financeiro para disputar a eleição. É nessa hora que entra os grande partidos. E a compra de legendas.

Quem sai na frente são as candidaturas do governador Agnelo Queiroz (PT) e do ex-governador José Roberto Arruda (PR). Apoio financeiro de grandes empresas da indústria e da construção civil o permitem comprar o maior número de partidos para fortalecer a coligação.

A compra de partidos agrega mais tempo de TV e um exercito de cabos eleitorais formados pelos candidatos a deputados dessas legendas que estão à venda. Quem tiver mais cacife, sai na frente. Hoje, Agnelo está melhor nesse quesito. Possui maior poder de atração. Arruda vem colado nessa disputa.

O senador Rodrigo Rollemberg (PSB), o deputado federal Luiz Pitiman (PSDB) e a deputada distrital Eliana Pedrosa (PPS) estão bem atras. Todos são candidatos ao Palácio do Buriti. E hoje não tem votos, nem dinheiro.

Uma coisa está atrelada a outra. Sem voto, fica difícil conseguir dinheiro. É preciso que apareçam bem nas pesquisas, para que uma grande empresa abra o cofre e injete recursos na campanha de um candidato.

Como Rollemberg, Pitiman e Eliana ainda não conseguiram consolidar as candidaturas, ou se colocar mais competitivo nas pesquisas, o cofre deles está vazio. O jeito é partir para alianças mais na base da parceria. No investimento futuro. Ou por afinidade.

Podem se comparar os comandos da dança mais utilizados nas quadrilhas juninas com os da política. O balancê (balancer) é a ação de balançar o corpo no ritmo da música, marcando o passo, sem sair do lugar. É usado como um grito de incentivo e é repetido quase todas as vezes que termina um passo. Serve muito para os lançamentos de candidaturas ou de apoios políticos.

O anavan é avante, caminhar balançando os braços. Ou pedir votos, fazer o corpo-a-corpo numa eleição. Anarriê (an arrière) significa voltar aos seus lugares. Buscar antigas alianças ou abdicar de uma candidatura furada.

Dentre os muitos passos, o caminho da roça é um dos mais tradicionais. É quando damas e cavalheiros formam uma só fila. Cada dama à frente do seu parceiro. Seguem na caminhada, braços livres, balançando. Fazem o balancê, andando sempre para a direita.

E alguém grita “Olha a cobra”. Os participantes da festa junina-eleitoral que estavam andando para a direita, voltam-se e caminham em sentido contrário, evitando o perigo. Ao invés de cobra, pode se usar outros comandos como “Olha a chuva, Olha a inflação, Olha o assalto, Olha a Dilma”. Depois vem o melhor de todos: “É mentira”. E todos voltam a caminhar para a direita. Já passou o perigo. Era alarme falso. Junho é o mês de prestigiar as festas juninas, mas não tem como deixar a política de lado. A partir de julho, as boas quadrilhas saem de cena.

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Por Ricardo Callado - A cerca de 40 dias para início da Copa TRE-DF 2014, os times se preparam para entrar em campo. A competição deve ter quatro equipes e será jogada em dois turnos. Disputado pelos times vermelho, azul/verde, amarelo e amarelo ensolarado. Em caso de goleada de algum time no primeiro turno, a copa será encerrada no dia 5 de outubro. A segunda fase tem término para 26 de outubro.

O bom senso político-esportivo dita que as equipes devem estar formadas com antecedência, para um melhor desempenho em campo. Também nas ruas, no corpo-a-corpo, nos palanques e comícios. E para passar uma boa imagem na TV e no rádio, que transmitirão o torneio. Quem está atrasado na formação dos times desconversa e diz que treino é treino e jogo é jogo.

A regularização de um dos jogadores, o ex-governador José Roberto Arruda (PR), dificulta a formação das equipes e põe em dúvida inclusive a preferência da torcida. Arruda brilhou em competições anteriores. Depois de ser pego no exame antidoping eleitoral em 2008, tenta reconquistar a boa forma e a regularização para entrar em campo.

Os adversários chiam e querem ele expulso da competição. Até jogadores do próprio time de Arruda acham que sem ele podem se tornar o craque da equipe e torcem contra. O ex-governador vai precisar de uma finta na Justiça Eleitoral. E fechar com o grupo.

O time que está pronto e arrumado para a disputa é o vermelho. O governador Agnelo Queiroz (PT) é o craque do time. A escalação é essa: Agnelo; Tadeu Filippelli e Magela; Rafael Barbosa, Policarpo, Rôney Nemer e Patrício; Chico Leite, Chico Vigilante, Wasny e Arlete.

No banco de reservas, o estreante Cláudio Abrantes, a bad girl Erika Kokay, os bons de bola Robério Negreiros e Wellington Luiz, além de Rejane Pitanga, Ricardo Vale, Dirsomar, Risomar e Daniel Seidel. A equipe conta com outros atletas de menor categoria eleitoral. O técnico do time é Cláudio Monteiro. Paulo Tadeu é o auxiliar técnico. Alcoforado, o cartola.

Tudo indefinido no time verde e azul, mesmo com o seu craque Arruda afirmar que o time vai ficar pronto para entrar em campo. O plantel carece de entrosamento e está dividido. Se um outro exame antidoping causar o impedimento de Arruda, o racha é inevitável. E duas equipes diferentes deverão ser formadas.

Na escalação, além de Arruda o time vem com Liliane, Gim Argello e Alberto Fraga, Eliana Pedrosa, Luiz Pitiman, Izalci Lucas, Márcio Machado, Jaqueline Roriz, Adelmir Santana, Cristiano Araújo, Washington Mesquita e Aylton Gomes; Laerte Bessa, Rodrigo Delmasso, Dr. Charles, Dedé Roriz, Guarda Jânio e Jofran Frejat, além de Paulo Roriz e Dr Michel.

O técnico é o ex-governador Joaquim Roriz, que promete entrar nas quatro linhas para distrital. Luiz Estevão é o auxiliar técnico e cartola do time.

Os times amarelo e a amarelo ensolarado também batem cabeça. Rodrigo Rollemberg e Toninho do Psol lideram as duas equipes. As chances na competição seriam maiores com uma fusão dos planteis. O que é difícil de acontecer. Rodrigo aguarda definição do time verde e azul para buscar algum dissidente e reforçar sua equipe.

Os amarelos são formados por Rodrigo Rollemberg, Hélio Doyle e Reguffe; Rogério Rosso, Celina Leão, Joe Valle. Sempre solidário, Augusto Carvalho está em negociação. Mas também negocia com verdes, azuis e vermelhos. O time de Rodrigo está muito desfalcado e precisa contratar urgente. Toninho quer montar a sua própria equipe e ser a zebra da competição.

O problema é que não existem cartolas e nem verba para contratar. O técnico é Cristóvam Buarque.

Jogadores que formariam um time inteiro aguardam negociações. Estão no mercado para reforçar as equipes. Nessa hora os empresários entram em campo para fazer os melhores acordos. Os que estão sem clubes são Paulo Octávio, Ronaldo Fonseca, Agaciel Maia, Alírio Neto, professor Israel Batista, Eduardo Brandão, Benedito Domingos, Olair Francisco, Evandro Garla, Pastor Vitor, entre outros. Além disso, uma equipe pode roubar um atleta de outra a qualquer momento. O prazo para dar entrada na escalação final na Copa TRE-DF 2014 é 5 de julho. Mas tudo tem que estar decidido até 30 de junho. Quem pagar mais, leva os melhores jogadores.

E uma notícia de última hora: Alberto Fraga foi escalado para a ponta direita do Congresso. Vai disputar uma vaga de deputado federal. Não se sabe por qual time. É olho no lance e haja coração, amigos.

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Por Ricardo Callado – A disputa ao Senado esquenta. A colocação dos principais nomes dá um norte. Outros candidatos irão surgir até as convenções, mas a briga deve ficar mesmo entre quatro candidatos. O senador Gim Argello (PTB), os deputados federais Geraldo Magela (PT) e José Antônio Reguffe (PDT) e o ex-deputado federal Alberto Fraga (DEM). Um deles será senador em 2015.

A cadeira a ser disputada é de Gim Argello. Primeiro suplente do então senador Joaquim Roriz (PRTB), Gim assumiu praticamente todo o mandato com a renúncia do titular nos primeiros meses de 2007. Abatido pela Operação Aquarela e de um cheque descontado de forma mal explicada. Roriz, abriu a oportunidade para o petebista.

A disputa ao Senado não era o plano A de Gim Argello. Ele se cacifou para assumir uma cadeira no Tribunal de Contas da União (TCU). Teve o apoio da presidente Dilma Rousseff, do seu partido e da maioria dos colegas de Senado.

Ações que responde em tribunais superiores e a repercussão negativa em entidades de classe e do próprio TCU derrubaram a indicação. O próprio senador resolveu abrir mão para não passar pelo constrangimento de seu nome ser rejeitado no Senado.

Gim saiu dos holofotes, esperou a poeira baixar. Assimilou o golpe, reuniu umas quatro mil pessoas denominadas Amigos do Gim numa casa de festas no Park Way e lançou a candidatura à reeleição.

O PT acabou com toda a especulação de abrir espaço para outro partido na chapa do governador Agnelo. Também resolveu a briga interna e alçou o deputado Geraldo Magela como o nome da legenda para a disputa ao Senado.

Magela tem experiência em candidatura majoritária. Disputou em 2002 o Palácio do Buriti e por muito pouco não virou governador. Ganhou o primeiro turno. Mas perdeu o segundo para Joaquim Roriz. Foi a eleição mais apertada da história do DF. Se cacifou como uma liderança da cidade e vem forte para a eleição de 2014.

Nos últimos anos, Magela conseguiu entrar no eleitorado de Roriz. Foi secretário de Habitação, Regularização e Desenvolvimento Urbano do GDF. Lá, criou o programa Morar Bem, que se espelha no Minha Casa Minha Vida do Governo Federal.

A distribuição de moradia sempre deu muito voto no Distrito Federal. E foi assim que Roriz fez a fama de pai dos pobres. Magela aprendeu e ampliou o seu eleitorado.

Alberto “governador, respeita o povo” Fraga disputou as eleições de 2010 ao Senado. Ficou em terceiro. Conseguiu uma votação que o coloca em 2014 com boas chances de vitória. Polêmico e sem papas na língua, vai ser uma pedra no sapato não só dos seus concorrentes, como do próprio governador Agnelo. Se não é hoje a principal voz de oposição ao Buriti, é pelo menos a que faz mais barulho. E é competitivo. Se conseguir ficar a tiracolo do ex-governador Arruda, cresce ainda mais.

Reguffe é o favorito. Todas as pesquisas apontam isso. Ele já liderou as intenções de votos para governo e é o preferido do eleitorado para o Senado ou como deputado federal. A demora em decidir qual cargo iria disputar fez ele estagnar nas pesquisas.

Esse efeito deu ânimo aos adversários que calculam que Reguffe não crescerá mais. Prometem ainda desconstruir a imagem de bom moço do deputado. Mas, para isso é preciso combinar com os eleitores, que tratam Reguffe como o queridinho da política.

Chamar Reguffe para o ringue não deve ser difícil. Caberá ao deputado saber responder as provocações à altura. E se preservar para não cair no jogo dos outros candidatos.

Os quatro candidatos possuem chances reais. Se as pesquisas apontam Reguffe como favorito, dizem também que a parcela maior do eleitorado não decidir em quem votar. A mais recente pesquisa do Instituto Dados mostra num cenário com todos os nomes cogitados ao Senado, que o índice de indecisos ou pretendem votar branco ou anular o voto chega a 52,5%. Quando Reguffe sai da lista, esse percentual sobe para mais de 70%. Vai ser uma disputa aberta e dura. Quem tiver mais couro grosso sobrevive.

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Por Ricardo CalladoMuitas vezes é a falta de caráter que decide uma partida. Não se faz literatura, política e futebol com bons sentimentos, dizia Nelson Rodrigues. Infelizmente. O quadro político do DF parece definido. Os principais nomes estão postados para disputar o Palácio do Buriti. Parece um cenário pronto, mas é apenas uma nuvem. E se o ex-governador José Roberto Arruda (PR) for impedido de concorrer?

Não é recomendável fazer política na base do “se”. Só que todos estão esperando pelo impedimento de Arruda. De aliados a adversários. A torcida é grande. E vai além de torcer. Os movimentos de bastidor para tirar Arruda são incessantes. Muitos veem nisso a única forma de chegar competitivo nas eleições.

No Judiciário, Arruda pode ser abatido se um dois processos que estão tramitando em segunda instância andarem mais rápido do que o normal. Se isso acontecer, e a decisão for desfavorável, Arruda pode enfiar a viola no saco e ir para casa. Será casuísmo. Uma aberração jurídica. Mas em política o sentimento é que tudo pode. Principalmente em época de eleição.

Em outra frente, Arruda pode cair pela rejeição de suas contas. O presidente da Câmara Legislativa Wasny de Roure (PT), foi escalado para acompanhar o caso de perto. E já cobrou do Tribunal de Contas do DF celeridade na apreciação do recurso de Arruda à rejeição das contas do governo relativas ao ano de 2009, pelo próprio tribunal.

Em discurso na tribuna da Casa, Wasny disse ser necessário que o processo retorne à Câmara Legislativa para que se delibere sobre o assunto antes de começar o processo eleitoral. Para Wasny, a sociedade brasiliense vai cobrar dos deputados, nas ruas, independência nos papéis exercem no Legislativo.

Wasny considera que é melhor a Casa se deparar com a questão antes das eleições, para evitar uma “situação desconfortável”.

No outro lado, candidatos que transitam no mesmo eleitorado de Arruda seriam beneficiados com uma queda do ex-governador. As deputadas distritais Eliana Pedrosa (PPS) e Liliane Roriz (PRTB), o deputado federal Luiz (PSDB) e o ex-deputado federal Alberto Fraga (DEM) se fortaleceriam. Seria aberta a temporada de traições.

Os votos de Arruda migrariam para essa turma. Não haveria um herdeiro natural. Seria uma disputa interna, intensa e pesada. Quem sobreviver, chegaria com chances de polarizar com o governador Agnelo Queiroz (PT).

O senador Rodrigo Rollemberg (PSB) também espera tirar uma lasca com a saída de Arruda da disputa. Ele acha que pode atrair partidos que hoje fechariam com a coligação do ex-governador.

O maior favorecido seria o governador Agnelo. Ele chega forte na campanha por ter em mãos a caneta, a máquina e boa estrutura financeira de campanha. Sem um adversário forte ou com a oposição dividida, a vida do governador será facilitada.

Além disso, Agnelo vai cumprir nos próximos dois meses uma sequência de agenda positiva, puxada por inaugurações de obras. A costura da coligação também pode favorecer o governador. Se for bem feita, agrega partidos e tempo de TV.

Mas essa é a política do “se”. E se Arruda conseguir ser candidato? Agnelo provavelmente manteria o script. Não teria muito o que mudar em sua campanha. A oposição precisaria de um realinhamento.