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Ex-blog Cesar maia

1. Joaquim Levy marcou com o prefeito Cesar Maia um encontro antes do café da manhã no Hotel Gloria. A expectativa de Cesar Maia era de aprovação da terceira etapa do Favela-Bairro. Não era nada disso. Joaquim Levy propunha fazer um lobby suprapartidário para levar a economista Maria Silvia Bastos à presidência do BNDES. Cesar Maia disse que não era assunto dele, e que era assunto federal.

2. Cesar Maia chegou adiantado à reunião com o governador Sergio Cabral no Palácio Guanabara sobre o Pan-07. Cabral pediu que entrasse e se sentasse também a frente de sua mesa de trabalho. Ele despachava com Joaquim Levy. Naquele momento o assunto era a UERJ. Joaquim Levy argumentava com Cabral: Precisamos nos livrar disso, dessa UERJ. Cesar Maia entendeu que a ideia dele era federalizar a UERJ.

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Lava Jato: E os “auditores independentes” não têm nada a dizer? não têm responsabilidade?

1. A operação Lava Jato cobre um período de nove anos. São nove anos de balanços e demonstrações contábeis-financeiras da Petrobras, auditadas por empresas privadas de auditoria. Empresas têm dois sistemas de controle: um interno –da própria empresa- e outro externo –de empresas de auditoria independentes. No caso de empresas estatais federais, a CGU –do governo federal- pode fazer sua própria auditoria externa. E tem feito.

2. No entanto, por mais que a CGU se empenhe nesses levantamentos, não tem os instrumentos e o pessoal para cobrir a rotina de uma megaempresa como a Petrobras. O Controle Interno da empresa e os Auditores de seus balanços atuam com seus auditores de forma permanente, diuturnamente. Têm muito mais condições de identificar desvios.

3. Especialmente um mega-desvio como esse da Petrobras, que já está classificado entre os dez maiores de todos os tempos envolvendo governos. Só agora, na publicação do balanço do terceiro trimestre, é que os auditores independentes se declararam não inteiramente informados e não quiseram assinar o balanço desse trimestre. E antes. Estava tudo normal?

4. É claro que as empresas de auditoria independente devem ser chamadas a depor e comprovar por que não tinham como detectar os escândalos na Petrobras. Ou…, serem responsabilizadas como em outros casos em que grandes empresas de auditoria tiveram que fechar ao serem responsabilizadas por omissão em suas auditorias externas. Quantas e quais foram as ressalvas apresentadas pelos auditores independentes da Petrobras?

5. Lembremos –apenas como exemplos- dois casos importantes e recentes:

5.1. Arthur Andersen. No início dos anos 2000, a Arthur Andersen era uma das “Big Five”, o grupo das cinco grandes empresas de auditoria financeira do mundo. A tradição da Andersen, fundada em 1913, no entanto, não evitou sua ruína. A empresa foi tragada pelo escândalo financeiro da distribuidora de energia Enron, da qual ela era auditora. O caso Enron foi o mais emblemático na série de escândalos financeiros que assolaram os EUA no começo da década. Sob a esteira desses episódios, foi criada a Lei Sarbanes-Oxley, nascida para tentar coibir fraudes contábeis.

5.2. Lehman Brothers. A empresa Ernst & Young, responsável pela auditoria da empresa deu parecer sem reservas. Até que ponto deve-se responsabilizar a auditoria, e os gestores da empresa? O trabalho demonstra que houve de fato uma gestão fraudulenta e a empresa de auditoria nada detectou, ficando demonstrado ao final a responsabilidade da Ernst & Young no caso, trazendo mais uma vez a questão da independência dos auditores. O Lehman Brothers era o quarto maior banco de investimentos dos Estados Unidos – e o mais antigo. Fundado em 1850, mas não conseguiu passar incólume pela crise financeira internacional de 2008. A quebra do banco foi o momento mais emblemático das turbulências: o dia 15 de setembro de 2008, quando o Lehman pediu concordata, é considerado o marco zero da mais recente crise financeira global.

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1. (Folha de SP, 18) Executivo admite propina e diz ter sido extorquido. O diretor de Óleo e Gás da construtora Galvão Engenharia, Erton Medeiros Fonseca, afirmou à Polícia Federal que aceitou pagar propina ao esquema do ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa e do doleiro Alberto Youssef após ser extorquido pelos dois.

2. (Al Capone, 32 anos, entrevistado por Cornelius Vanderbilt Jr em 17/10/193 -semanas antes de ser definitivamente preso em Liberty- em A Arte da Entrevista, ed. Boitempo – pág. 126) “O suborno é uma máxima na vida hoje em dia. É a lei onde nenhuma outra lei é obedecida. Ele está corrompendo este país. Dá para contar nos dedos os legisladores honestos de qualquer cidade. Os daqui podem ser contados em uma mão. A virtude, a honra, a verdade e a lei despareceram de nossa vida. Somos todos uns espertalhões. A gente gosta de fazer coisas erradas e se safar. E se não conseguimos ganhar a vida com uma profissão honesta, vamos ganhar dinheiro de outra maneira”.

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Sistema político pluralista…, mas autoritário por vocação! Hermanas!

(Mariano Grondona – La Nacion, 13) 1. Nosso sistema político atual sofre de uma falha de origem. Por definição é pluralista, mas por vocação é autoritário. Em todos os países democráticos onde realmente funciona, a democracia admite a competição pela primazia entre os partidos, que ficam resignados quando não são os favorecidos da vez.

2. A falha de origem do atual governo foi, nesse sentido, não se adaptar a essa contradição. A presidenta queria ganhar “sempre”. Essa pretensão monopolista reforçou os alcances de sua ambição, quando ela estava em ascensão, tornando-se verdadeira, mas não se adaptou quando estava em baixa e não pode assimilar, portanto, os tempos de derrota. Esses tempos, agora, estão chegando. O que traz, provavelmente, é o cruel aprendizado do declínio.

3. A democracia, assim, perdura através de sucessivos sucessos e fracassos de seus partidos. É que os partidos são parte e só a democracia, com a ajuda dessas idas e vindas, forma o todo. Cristina Kirchner não conseguiu distinguir, por outro lado, entre “continuísmo” e “continuidade”. Isto é o que foi aprendido pelas velhas democracias, habitadas pela sabedoria das derrotas. Assim, o continuísmo é uma doença das democracias infantis, enquanto a continuidade é o resultado das democracias chegaram à maturidade.

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Em 2 anos e meio divida externa em reais passou de r$ 41 bilhões para r$ 54 bilhões!

1. (Ex-Blog) A dívida externa de estados e municípios foi estimulada pelo governo federal nos últimos anos. Além das clássicas dívidas com o Banco Mundial e o BID, foram introduzidos novos mecanismos de forma a que estados e municípios pudessem se endividar externamente com bancos privados. E –nesses casos- o governo federal além de estimular, passou a ser garantidor.

2. (Globo, 23/08/2013) O Senado Federal aprovou 69 pedidos de empréstimos para estados e municípios desde o início de 2012 até agora. Somente os créditos em moeda americana somam US$ 12,5 bilhões. Além das operações em moeda americana, há ainda dívidas em iene (16,4 bilhões) e euros (310 milhões).

3. (Ex-Blog) O governo federal aprovava tais empréstimos e encaminhava para autorização do Senado, justificando a necessidade de investimentos na Copa do Mundo de 2014 e nas Olimpíadas de 2016, e legitimando com aplicações também em saneamento básico…

4. (Globo, 23/08/2013) O especialista em contas públicas do Ipea Mansueto Almeida lembra que vários estados (e grandes municípios), trocaram dívidas internas por endividamento externo nos últimos anos. Além dessas renegociações, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, ainda autorizou novas contratações. — A dívida foi negociada em dólares, mas é paga em reais. Por isso, desde o início do ano, os estados e municípios estão pagando mais caro por ela e o impacto vai chegar aos próximos governadores e prefeitos — observou Mansueto.

5. (Ex-Blog) Em 2012 o dólar era cotado a 2 reais. A dívida externa de estados e municípios somava R$ 41 bilhões. Em 2013, o dólar subiu a 2,30 reais. Hoje a 2,60 reais. Em 2013 a dívida externa de estados e municípios alcançava R$ 47,9 bilhões de reais. Entre 2012 e 2013 os estados e municípios passaram a dever em reais mais R$ 7 bilhões. Entre 2013 e 2014 –novembro- o crescimento do dólar foi de 13% e, portanto, o endividamento externo total em reais passou a R$ 54 bilhões, crescendo mais 6 bilhões de reais.

6. Portanto, mais 13 bilhões em reais em menos de 2 anos e meio. Agora está na hora de pagar a farra do endividamento externo de estados e municípios. E se a parte com garantias dadas pelo governo federal for executada, transfere-se o ônus para déficit fiscal federal.

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1.Com menos de uma semana após a eleição de Dilma, o PSDB abriu a temporada de caça ao governo federal, tornando ácida a retórica, lançando em rede de whatsapp declarações duras de Aécio, convocando reunião para esta semana de forma a antecipar o confronto pela presidência da Câmara, e indo até ao questionamento,( Inócuo ), da apuração eletrônica junto ao TSE. Em resumo usa a tática de criar fatos para gerar memória do bom resultado obtido.

2. Esse é um erro triplo.  Primeiro porque a política ensina que deve-se deixar o vencedor fazer a sua festa sem criar argumentos de que os perdedores querem inviabilizar o país. Que tenham a carência do Natal ao Carnaval.  Segundo porque ao radicalizar termina criando as condições para o governo ampliar a sua base parlamentar mesmo que a um custo maior. E os “profissionais” sabem bem como aproveitar esses momentos.

3.Terceiro porque a conjuntura conspira contra o governo.  Em 1998 Fernando Henrique num quadro de crise econômica pré-eleitoral introduziu medidas fiscais e cambiais –digamos- flexíveis. E apontou para os riscos de uma vitória de Lula.  Agora Dilma faz o mesmo, do ponto de vista fiscal e apontou riscos dos avanços sociais regredirem.  Ambos tiveram sucesso eleitoral. Mas um período governamental crítico até hoje afeta negativamente a memória sobre o governo FHC.  E a probabilidade de vermos acontecer o mesmo com Dilma é muito grande.  Paciência deveria ser a palavra de ordem.

4. Em Getúlio 3, Lira Neto detalha as consequências do açodamento de Getúlio e Prestes na eleição no início de 1948, para vice-governador de S.Paulo.  Ademar de Barros e Dutra fecharam um acordo em torno do nome do genro de Dutra,( Novelli Jr). Getúlio percorreu o Estado, numa série de comícios tendo que se expor a provocações e violências. Subiu ao palanque com Prestes. Transformou a eleição num plebiscito nacional: a favor e contra Dutra em aliança com o governador Ademar de Barros. Seria a preparação da eleição de 1950. Não foi.

5. Perdeu e voltou a São Borja deprimido e o PTB estraçalhado. Quase se despede da política. Salgado Filho iniciou o processo de reconstrução do PTB enquanto Dutra formava um bloco,( a base aliada), com o PSD, a UDN e o PR, com mais de 80% dos deputados.  Mas Getúlio teve a sabedoria de reconhecer o erro, mergulhar num período silente, e ir costurando com calma a reorganização do PTB e a sua candidatura a presidente em 1950.  Vitoriosa.  O PSD se acomodou e se aproximou de Getúlio e voltou como aliado do PTB em 1955.  Em 1962 o PTB elegeu a maior bancada de deputados federais. Mas o PTB tinha Getúlio, e o quadro político atual é de entre-safra política.

6. O estilhaçamento partidário em 2014 com 28 partidos na Câmara de Deputados, não deve levar os partidos ao açodamento de fusões e composições.  Talvez este seja o pior momento. Numa Câmara em que o PT –maior partido- tem apenas 13,5% dos deputados federais, em que as crises –politica e econômica- vão se aprofundar em 2015 e que a ansiedade por 2016 estará na ordem do dia no final do primeiro semestre, melhor é ter calma,e jogar com o tempo a favor da oposição. O PSDB ao radicalizar perderá o poder de coordenação e os partidos menores, poderão não tomar as melhores decisões para seus fortalecimentos.

7. Não adianta duelar com moinhos de vento. Cervantes ensinou isso há mais de 400 anos.

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El País,(04), entrevista deputado Eduardo Cunha!

1. Pergunta: Por que o PMDB quer descumprir o acordo de rodízio? Resposta: Esse acordo existiu em duas legislaturas, foi formatado no início delas. Não fizemos um acordo eterno de dividir com o PT nada. Fizemos um acordo em 2007 e repetimos o acordo em 2011. Não quer dizer que nós sejamos obrigados a repeti-lo sempre. Acordo é que nem contrato de locação. Você renova ou não. A gente não renovou. Hoje, o PT e o PMDB somos muito menores do que fomos porque as bancadas diminuíram. E o resto da Casa tem que participar. Não adianta eu querer fazer acordo se a Casa não quer.

2.  P: E por que a Casa não quer? Por que o PMDB não quer?  R: O PMDB não quer por uma razão muito simples. Estamos no exercício da presidência da Câmara. A Casa não quer porque o ambiente é muito mais conflagrado. Tem temas ideológicos sendo debatidos e o PT tem uma posição ideológica muito forte. A Casa não quer o comando dela na mão do PT hoje. Prefere uma atuação mais isenta. Teria mais dificuldade de a gente impor o nome do PT na Casa. A bancada do PMDB não abre mão, não quer perder o espaço. Então a discussão de alternância, neste momento, não cabe.

3.   P: Mas a bancada do PT não é a maior?  R: Isso não é regimental. O Aldo Rebelo foi presidente com 15 deputados. A Câmara tem um histórico que permite a disputa avulsa, não é como o Senado, onde no regimento está que a maior bancada tem o direito à presidência da Casa.  Tem temas ideológicos sendo debatidos e o PT tem uma posição ideológica muito forte. A Casa não quer o comando dela na mão do PT hoje. //  P: Mas a gente vê que o Congresso está mais conservador. Não há um cenário de mais resistência a pautas mais progressistas? R: Sem dúvida, mas não porque o Congresso está mais conservador. Mas porque o Congresso está mais bem representado do que é a sociedade. A sociedade é conservadora. O Congresso representa a sociedade. Hoje ele está mais próximo da sociedade do que esteve antes.

4.   P: Diante de um Congresso assim quais questões que não tiveram espaço nas outras legislaturas que podem ter agora?  R: Temos que ter firmeza na defesa da votação de uma reforma política.// P: Mas isso o PT quer…  R: Não, não… Como a do PT a gente já refutou. A gente quer que se vote e, no máximo, a gente pode submetê-la a referendo. Mas, jamais, através de plebiscito. //  P: Mas isso não é um pouco incoerente? R: Incoerente é a gente pedir voto para se eleger, ser eleito por cidadãos que nos delegaram o poder de representá-los e depois ter que ficar perguntando a eles todas as coisas, todas as horas. Seria praticamente a mesma coisa que se a gente quisesse ter consultas populares para o que o Executivo tem de governar. O Executivo também foi eleito e tem legitimidade.

5.   P: Mas você não faz oposição ao Governo, então?  R: Aí é que está, o grande erro da interpretação do papel. O líder de uma bancada não exerce sua opinião. Ele exerce o que a bancada decide. Eu sou porta-voz da bancada. Se eles acham que eu sou líder informal da oposição, então eles têm que interpretar que a maioria da bancada do PMDB é de oposição. Eu só exerço a vontade deles.

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1.Os melhores pesquisadores de campanhas eleitorais presidenciais nos Estados Unidos, garantem que quem impõe a –agenda- da campanha, tem 90% do caminho andado para a vitória.  Por isso as pesquisas de opinião durante a campanha eleitoral e pós-eleitoral, perguntam aos eleitores qual a prioridade ou as duas ou três prioridades de cada candidato.

2.Aqui no Brasil, em geral se faz uma quali-quanti, em que o eleitor pesquisado deve responder espontaneamente porque sua intenção de voto foi nesse ou naquele candidato. A pergunta é dirigida àqueles que marcaram a intenção de voto num e noutro candidato. Mas aqui não se faz pesquisa imediatamente pós-eleitoral quando o voto e suas razões estão quentes na memória do eleitor.

3.Deve-se fazer outros cruzamento de modo que se possa excluir dos que tem a intenção de votar num candidato, aqueles que votariam nele de qualquer maneira. Não é simples, mas é possível. No segundo turno é mais fácil. Por exemplo excluindo aqueles que respondem que não votariam no adversário de jeito nenhum , ou que marcam ruim e péssimo na avaliação do adversário.

4.Uma avaliação feita durante a campanha no primeiro turno, em relação aos candidatos que foram para o segundo turno, mostrava que os eleitores de Dilma sabiam porque iam votar. Uma razão fundamental e óbvia: protege os pobres/bolsa família,..e afins. Outra razão se chegava por concentração: o Nordeste, e que se sobrepunha a razão fundamental. Mesmo que repetitivas e defensivas, essas razões –proteção dos mais pobres através dos programas dos governos Lula e Dilma, eram retro-programáticas.

5.As razões diretas para votar em Aécio eram dirigidas a seu perfil de gestor, e reforçadas pelas pessoas de maior renda e nível de instrução, e a vontade de mudança. Não eram programáticas.  A questão da corrupção nos governos do PT, reforçadas pelo caso Petrobrás e pelos debates, eram razões desdobradas da rejeição a Dilma e que apontavam para Aécio. Mas também não eram programáticas.

6.No segundo turno as respostas das quali-quanti foram as mesmas. Uma semana depois da eleição um grupo jovem fez uma sondagem aleatória nas ruas do Rio perguntando as razões do voto e do não voto. Basicamente as respostas foram as mesmas das pesquisas de primeiro e segundo turnos.

7. A conclusão sobre a AGENDA da Campanha-2014, foi: para Dilma os pobres, para Aécio a rejeição/corrupção a Dilma/PT. Em 2014 não houve e não há memória sobre Agenda para o futuro, nem para um nem para o outro.  A de Dilma mesmo sendo uma Agenda de manutenção do que vem sendo feita, foi uma agenda propositiva-repetitiva. A de Aécio não.

8. Na lógica da Agenda, conforme a lógica dos estudos nos EUA, Dilma, terminou levando vantagem o que foi confirmado nas urnas.

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O trânsito na américa latina cumpre uma regra: salve-se quem puder”!

(AFP-31/10) 1. Moradores da América Latina acompanham com medo os assustadores números da criminalidade, sem perceber que outro perigo espreita nas ruas: na maioria de seus países, é mais provável morrer em um acidente de trânsito do que nas mãos da criminalidade. Na América Latina, os alertas de cruzamento frequentemente são decorativos, limites de velocidade são apenas sugestões, a prioridade dos pedestres é uma quimera e os sinais vermelhos podem ser ignorados porque supostamente tornam o motorista um alvo fácil do crime.

2. E esse caos não é de graça. Em 2013, 16 em cada 100.000 habitantes da região foram mortos em acidentes de trânsito, de acordo com a Federação Internacional de Automobilismo (FIA).  O dado mais alarmante vem da República Dominicana, onde 41,7 em cada 100.000 habitantes morrem em acidentes de trânsito, de acordo levantamento da OMS. Para referência, nos Estados Unidos morrem 4,7. As causas do problema são o desprezo pelas regras, o número de motocicletas e… a idiossincrasia: “Por que o capacete se está quente”, pergunta retoricamente Leandro Perillo, um alto funcionário da FIA, em uma entrevista recente a AFP.

3.Resultado: os veículos automotores representam 25,73% das mortes no trânsito na Venezuela, de acordo com o Observatório de Segurança Rodoviária.  Se esses números forem comparados com os das vítimas de homicídio publicado pela ONU, muitos países latino-americanos perdem mais vidas para o trânsito do que para o crime, que, entretanto, é frequentemente citado como a principal preocupação da população.

4.No Uruguai “é mais provável você sair de casa para trabalhar e não voltar por causa de um acidente de transito do que por um roubo ou homicídio”, disse à AFP Pablo Inthamoussú, secretário-executivo da Unidade Nacional de Segurança Rodoviária. Neste país, 21,5 em cada 100.000 habitantes morrem todos os anos em acidentes de trânsito, e 7,9 em  homicídios. No entanto, quase quatro em cada dez uruguaios cita a insegurança como o principal problema da sociedade, de acordo com o último Latinobarómetro.

5.Fenômenos semelhantes ocorrem no Brasil, no Cone Sul e nos países andinos. As nações cujas taxas de homicídio excedem os mortos em acidentes de trânsito são minoria: México, Colômbia, Venezuela e países da América Central, exceto Costa Rica e Nicarágua.  E a Argentina não fica muito atrás. Os acidentes de trânsito são a principal causa de morte de pessoas com idade entre 1 e 32 anos. “Nenhuma guerra ou catástrofe ou desastre natural produziu uma tragédia semelhante”, disse à AFP Alberto Silveira, presidente da ONG Luta pela Vida.

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1.  Getúlio foi eleito em 03/10/1950, com praticamente 50% dos votos. Seus adversários da UDN e do PSD tiveram mais ou menos 30% e 20%.  Após eleito o general Canrobert ministro da guerra do presidente Dutra, lhe deu 3 conselhos,(ver Getúlio 3 de Lira Neto): a) não nomear para ministro da guerra,(exército), o general Estillac Leal presidente do Clube Militar, nacionalista e com idéias de esquerda; b) se afastar de Ademar de Barros que estava contaminado pela corrupção; c) cuidado pois podem assassiná-lo para que Café Filho assuma o governo.

2.  Os dois partidos da coligação vitoriosa tinham apenas 25% dos deputados dos 304, –PTB-51  e PSP-24.  Getúlio abriu o governo para o PSD, ( 37% dos deputados que ficou com 4 das 7 pastas civis), e até trouxe um ministro da UDN que não reconheceu como tal. A UDN elegeu 27% dos deputados e os pequenos partidos 11%.

3. Criou uma assessoria econômica discreta no Palácio do Catete, toda ela de esquerda com Romulo de Almeida, Jesus Soares Pereira,…. O ministério que ele qualificava de “experiência”, era um saco de gatos, e fragilizado de saída com a qualificação que Getulio lhe deu.

4.  No final de 1951 com menos de um ano de governo, adotou 3 medidas de Natal : a) elevou o salário mínimo em quase três vezes,( de 380 para 1.200), no Rio e em S.Paulo; b) taxou adicionalmente a remessa de lucros em 8%; c) e decidiu negar a ONU e aos EUA o envio de tropa à guerra da Coréia. Euforia popular como se fosse uma segunda eleição.  A inflação que no governo Dutra vinha na média de 7%, passou a 12% no ano da eleição de 1950, e assim ficou em 1951 e 1952, mas dobrou em 1953 e 1954 para uns 25%.

5.  A UDN transformou-se num partido golpista que recorreu ao TSE contra a posse de Getúlio por ele não ter conseguido a maioria absoluta, embora a Constituição não exigisse isso. É famosa a frase de Lacerda durante a campanha: Getúlio não pode ser candidato. Se for não pode ser eleito. Se for eleito não pode tomar posse. Se for empossado tem que ser derrubado.

6. Espera-se que os primeiros movimentos pós-eleitorais do PSDB agora em 2014 não tragam de volta essa analogia.  Que a banda de música dos juristas da UDN não venha a ser a banda de musica dos cientistas sociais do PSDB.

7.   Na série de artigos reunidos em livro, “ 18 Brumário de Luis Bonaparte” ,(Napoleão III que restabeleceu o império na França através de plebiscito), Karl Marx afirma: “A história se repete, a primeira vez como tragédia e a segunda como farsa”.

8.  Mas a história ensina, em relação as formas adequadas e inadequadas que os líderes tratam as conjunturas. Especialmente em dois casos: nas conjunturas favoráveis, imaginando que são permanentes, e nas desfavoráveis imaginando que devem ser rompidas a golpes de força.

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46% dos inadimplentes são casados!

(G1-03) Entre as pessoas com pendências financeiras, 57% são casadas ou estão em união estável. Os dados são de uma pesquisa sobre o perfil do inadimplente da SCPC Boa Vista, referente ao 3º trimestre de 2014. Entre os entrevistados pelo estudo, 46% são casados e 11% estão em união estável.

Os solteiros representam 32% das pessoas com nome na lista de devedores. Separados e divorciados, 9% e viúvos, 2%. Os homens também são maioria entre os inadimplentes, representando 61%.

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1. O Brasil é uma Federação. E, além disso, é um presidencialismo vertical.  Estas duas condições dão aos governadores uma força mais que proporcional. Especialmente num Congresso pulverizado com 28 partidos.

2. Em função disso, a função aglutinadora e coordenadora dos governadores em relação a suas bancadas de deputados e senadores amplia, em muito, a importância política deles.

3. E será isso que os fortalecerá junto a Presidente da República que, num parlamento pulverizado idealmente, precisaria se articular com os governadores para evitar o varejo do voto, pai e mãe dos mensalões.

4. Mas se avaliarmos os governadores eleitos, apenas dois terão -de partida- expressão política e capacidade de liderar suas bancadas de deputados federais e senadores: Alckmin de S.Paulo e Pimentel de Minas Gerais. Aliás, ambos presidenciáveis para 2018.

5. Num quadro destes, a tendência desses últimos anos de desfederalização de fato se acentuará, seja desfederalização econômico-fiscal, seja político-parlamentar.

6. Com isso, crescerá a verticalidade presidencial, será ampliado o varejo parlamentar e a importância do ministro de articulação política, tenha o ministério o nome que tiver. O tempo dirá se a Alckmin e Pimentel se somarão outros nomes que venham a ganhar destaque no exercício do governo.

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Cresce prestígio de Evo Morales!

(Natálio Botana, sociólogo-historiador – La Nacion, 21) 1. Evo Morales injetou na maioria dos bolivianos sentimentos de pertencimento: um homem como tantos outros que emergiu como o primeiro presidente vindo dos povos indígenas, que não hesitou em mudar a Constituição e incorporar a seu texto e prática a multinacionalidade; que nacionalizou empresas de energia; que controla com mão de ferro os meios de comunicação; que esteve prestes a abrir um sério conflito com Santa Cruz de La Sierra; que, amante da polarização, condena o neoliberalismo e o imperialismo e até se atreve a romper laços com os Estados Unidos, e suspender relações diplomáticas.

2. Evo é, portanto, um populista de ações e símbolos, defensor da reeleição, onipresente, que quer virar a página de uma Bolívia de direita, definitivamente superada pelo seu projeto de esquerda. Ele começou de baixo e continua a crescendo junto com meio milhão de bolivianos que saíram da pobreza em um país onde esse atributo foi (ainda é) um dado persistente ao longo de dois séculos de sofrimentos e injustiças. A imigração boliviana na Argentina atesta esta fratura que contribuiu para expulsar populações em busca de um destino melhor.

3. Ascensão parece ser a ordem do dia na república fundada por Bolívar. Mas não há ascensão possível se você não tem os pés plantados no chão e Evo parece tê-los. Desde 2006, a Bolívia tem um crescimento anual acumulado de 5%, a inflação é baixa (4%) e o apoio fiscal, alto. Desde 2005, as exportações aumentaram nove vezes: Bolívia tem em seu Tesouro as maiores reservas do mundo em proporção ao seu tamanho populacional, permitindo-lhe captar recursos a taxas razoáveis.

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1. Marina saiu da eleição presidencial de 2010 fortalecida e em ascensão. Tornou-se um destaque nacional e internacional, sinalizando que, em 2014, seria uma alternativa de poder.  Em função da “plasticidade” do PV, Marina rompeu com o partido e se declarou independente.

2. Agrupou em torno dela um grupo com ideias afins, sendo que muito poucos com mandato, talvez uns 3 deputados federais. Em função da afirmação de princípios e redação de documentos, atrasou a criação de seu partido ao qual denominaram Rede – rede de sustentabilidade.

3. Por esse atraso, no limite do prazo para criação de partidos, as assinaturas de apoio apresentadas não foram suficientes. Havia a expectativa de uma adesão significativa de parlamentares. Desnorteados, reúnem-se nessa mesma noite/madrugada e após um telefonema de Marina ao governador Eduardo Campos, decide ingressar no PSB, apontando a hipótese de vir a ser vice de Campos, coisa que acabou ocorrendo.

4. Logo em seguida, o Congresso aprova uma lei terminando com o direito de que novos partidos criados tenham direito ao fundo partidário e ao tempo de TV proporcional aos deputados federais que atraíssem. A lei termina assim com a portabilidade dos deputados federais que, ao trocarem de partido nas condições permitidas pela lei, levariam consigo o tempo de TV e a parte do Fundo Partidário proporcionais a eles.

5. Campos e Marina realizam reuniões públicas e afirmam uma parceria. Marina lembra que é provisória até criar a sua Rede. As pesquisas indicam para Campos intenções de voto quase a metade do que indicavam para Marina.

6. Com a morte de Eduardo Campos, Marina assume a candidatura a presidente e imediatamente as pesquisas a projetam para uma posição de liderança, derrubando Aécio Neves para um terceiro lugar afastado. Marina passa a ser alvo de seus adversários e vacila. No final do primeiro turno já estava em empate técnico com Aécio e em processo de desgaste.

7. Já na entrada ao PSB não houve consenso na Rede. Alguns preferiam que entrasse para o PPS e imediatamente assumisse a candidatura presidencial.

8. Com sua imagem afetada, segue para o segundo turno e, com o reforço da família de Eduardo Campos, adere a Aécio Neves em três momentos: declaração à imprensa; depois o encontro dos dois com Marina sem coque e de rabo de cavalo (Freud explica); e, finalmente, na TV com um bom pronunciamento de apoio a Aécio.

9. Outra vez a Rede racha. Boa parte, talvez a maioria, preferia a neutralidade. O apoio de Marina a Aécio não altera a disputa no segundo turno. A eleição termina quase empatada e Marina como uma outsider nesse processo.

10. Hoje, o quadro é totalmente diferente do momento da tentativa de criação da Rede no TSE. Marina enfraquecida, seu grupo dividido e fragilizado, nenhuma expectativa de atrair parlamentares quando a Rede for legalizada.

11. O mais provável é que Marina não recupere mais o brilho de
antes e que seu partido, uma vez criado, se torne inviável ou mais um micropartido pela quase nenhuma adesão de parlamentares, o que mesmo ocorrendo marginalmente, não trará mais os recursos e o tempo de TV que trazia antes.

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Cesar maia

1. É pura ilusão de ótica imaginar e afirmar que Dilma fez uma campanha agressiva. Não é verdade.  Vamos usar uma linguagem de guerra. Um país em guerra com outro define seus bastiões fundamentais e, em torno deles, concentra suas forças físicas e equipamentos para defendê-las.

2. Uma campanha agressiva se dá quando um país tenta avançar sobre os espaços ocupados por seu adversário.  Isso em nenhum momento ocorreu nesta campanha eleitoral.

3. Desde bem antes da campanha que todas as pesquisas mostravam com todas as letras e números que Dilma dependia de dois espaços fundamentais.  Perder parte deles -por menor que fosse- seria a morte eleitoral, seria a derrota.

4. Pode-se buscar as pesquisas de um ano antes da eleição, de seis meses antes, de três meses antes e qualquer pesquisa durante a campanha e se tem o mesmo resultado.  Dilma tinha sempre dois bastiões: os mais pobres e o Nordeste. E em boa medida há um significativo cruzamento entre os dois.

5. Para manter esses dois fortes guarnecidos, valia tudo. Para isso -em primeiro lugar- concentrou sua presença no Nordeste e centrou sua comunicação num suposto anti-nordestinismo do Sul maravilha. A polarização aí é claramente defensiva. Não quer ganhar nada, mas manter o que tem.

6. Em segundo lugar, reintroduziu o velho e surrado discurso dos pobres contra os ricos.  E repetia à exaustão os riscos que os pobres correriam se ela perdesse: o bolsa-família, o emprego, minha casa-minha vida, pro-uni…, foram as baterias antiaéreas que usou. E sua tática defensiva funcionou.

7. Os excessos verbais e publicitários tinham só esses objetivos, evidentemente defensivos.  A defesa de seu forte nordestino funcionou bem. Manteve a proporção de votos de 2010 em 2014.

8. E o binário pobres x ricos funcionou, mas parcialmente. Afinal, se é verdade que houve uma ascensão social de milhões de pessoas, a receptividade daquele binário tinha que ser menor.  Mas funcionou parcialmente.

9. O exército de Aécio entrou pelo norte, pelo centro-oeste, pelo sul, por S.Paulo, pelo Rio. Só não entrou pelo bastião mais importante de Aécio: Minas. Aí caberia colocar suas baterias defensivas (agressivas): cuidado, porque querem acabar com Minas. Não fez e entrou no jogo de que fez um bom governo ou não.

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Nos votos, Paraná = Maranhão e São Paulo = Bahia+Pernambuco+Ceará!

(Monica Bergamo – Folha de SP, 28) 1. Na contabilidade regional, a frente de quase 7 milhões de votos obtida por Aécio Neves no Estado de São Paulo foi compensada pela vantagem de Dilma Rousseff nos três maiores Estados do Nordeste: Bahia (2,9 milhões), Pernambuco (1,9 milhão) e Ceará (2,4 milhões), que somaram 7,3 milhões a mais para a petista.

2. Já a vitória do tucano no Paraná, com uma dianteira de 1,3 milhão de votos, foi neutralizada por uma votação esmagadora da petista no Maranhão, onde proporcionalmente Dilma teve sua maior votação (78,76%), uma vantagem de 1,8 milhão.

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Cesar maia

1. Os debates não mudam o voto dos decididos. Mas podem mudar os dos indecisos –6%- somados aos que marcam sua intenção de voto nas pesquisas, mas admitem que podem mudar –10%. A tendência dos indecisos se pode mensurar pelas perguntas feitas pelos indecisos escolhidos pelo Ibope para fazerem perguntas. Todas as perguntas foram de críticas ao governo. Ou seja: precisavam de razões para votar na oposição.

2. O debate mostra a falta que faz a prática parlamentar. Dilma não tem eloquência, gagueja, perde a continuidade da frase e se interrompe. Aécio não apenas levou vantagem por isso, mas com tiradas que geram lembrança como “para acabar com a corrupção no Brasil: tirar o PT do poder”. Dilma tem erros de concordância e de português (para mim responder, etc.). E ainda sugeriu à economista indecisa fazer o pronatec (arghh).

3. A ambos falta suavizar as expressões, o que a TV gosta. Dilma nunca, Aécio às vezes.

4. A audiência do debate foi de 30 pontos na média e 38 pontos no pico. A cada 100 televisores ligados, 47 sintonizavam o debate.

5. Numa pesquisa telefônica (600 ligações Rio, SP, BH), buscando aqueles que não estavam convencidos antes do debate, citando Aécio, Dilma e nenhum dos dois por enquanto, e usando como referência aqueles 16% de indecisos, 39% responderam que o debate não foi suficiente. 41%, responderam Aécio e 20% Dilma. Ou seja, liquidamente, Aécio cresceria 3,3 pontos em relação à Dilma pelo debate, extrapolando-se para todo o Brasil.

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Proporção de votos nas regiões e interferencia da abstenção e dos votos brancos e nulos!

1. Admitindo a confiabilidade das pesquisas realizadas pelos Institutos reconhecidos nacionalmente, o resultado das mesmas se refere ao total do eleitorado inscrito. Mas parte dos eleitores não comparece às urnas: é a taxa de abstenção. E parte dos que comparecem anulam seu voto ou votam em branco.

2. O cálculo da porcentagem de eleitores em cada região é feito sobre os eleitores inscritos em cada uma delas. São dados oficiais do TSE. Mas chamemos de voto líquido, já que parte dos eleitores se abstém ou não escolhem nenhum dos candidatos. Portanto, o que vale no final são os votos líquidos, ou seja, os que marcam o número dos candidatos.

3. Mas a abstenção e votos brancos+nulos não constituem as mesmas proporções em cada região. Com isso, as pesquisas só cobrem essas diferentes proporções quando a diferença de intenção de voto entre os candidatos é acentuada. Não é o caso desta eleição presidencial. Vejamos.

4. Em 2010, a abstenção no primeiro turno foi de 20,34% na região Norte; foi de 20,43% na região Nordeste; foi de 17,15% na região Sudeste, foi de 15,27% na região Sul, e de 18,16% na região Centro-Oeste. Vamos comparar apenas as regiões Nordeste e Sudeste que representam respectivamente 27% e 44% do eleitorado. Com isso, a região Sudeste representa 62% a mais que o eleitorado do Nordeste. Mas levando em conta esta abstenção, passa a representar 70% a mais que o Nordeste. Isso afeta o resultado –mesmo supondo que as pesquisas acertaram na hipótese que se referiam ao total do eleitorado.

5. Em 2010 a abstenção no segundo turno foi de 26,19% na região Norte, crescendo 29%. Foi de 23,79% na região Nordeste, crescendo 16%. Foi de 20,05% no Sudeste, crescendo 17%. Foi de 21,54% no Sul, crescendo 41%. E foi de 22,82% no Centro-Oeste crescendo 25%. Por exemplo, o maior crescimento no Sul prejudicou o candidato José Serra no segundo turno.

6. Em 2010, os votos brancos+nulos no primeiro turno foram 11,2% no Nordeste. No segundo turno caíram para 6,8%, favorecendo a candidata Dilma. No Norte passaram de 5,7% no primeiro turno para 4,5%. No Sudeste caíram de 8,4% para 7,7%. No Sul caíram de 6,9% para 4,8%. E no Centro-Oeste passaram de 7% para 6,1%.

7. Dessa forma, são dois os movimentos. Primeiro a mudança das ponderações do eleitorado por região em função da abstenção e dos votos brancos+nulos. Segundo, o aumento ou diminuição dessas proporções do primeiro para o segundo turno.

8. Sendo assim, além da margem de erro que os Institutos informam (nas últimas pesquisas falam em + ou – 2 pontos), ainda deve ser levando em conta o voto líquido –em função da abstenção e brancos+nulos, o que altera a ponderação entre as regiões.

9. Portanto, há que se ter cautela –muita cautela. Uma diferença em pesquisas entre candidatos para o segundo turno no entorno dos 5% não garante nada. Há que esperar os movimentos de abstenção, brancos e nulos.

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Muito cuidado com as mesas eleitorais depois das 16h! Como flagrar!

1. Os “profissionais” das mesas eleitorais costumam usar uma fraude depois das 16h em várias mesas. Na medida em que as pessoas, em geral, não se interessam em participar das mesas, grupos “interessados” compõem as mesas. A partir das 16h o afluxo é mínimo. Um “amigo” se aproxima da mesa e o “mesário” aponta um nome para ele assinar. E em seguida vai votar.

2. Se por acaso chega o verdadeiro dono do nome, o “mesário” diz que houve um descuido, mas ele pode assinar em outro lugar, sem problema, porque na ata isso se ajusta. E assim vai.

3. Em mesas que se repetem em muitas eleições isso é feito com facilidade porque parte da abstenção compulsória (moram fora, etc.) é conhecida. Por isso, o risco é mínimo, assim como a chegada no final do verdadeiro dono do nome.

4. Mas o TSE tem como pegar esta fraude. Basta cruzar a lista dos que justificaram a ausência com a lista dos que votaram. Isso se faz eletronicamente. Aqueles nomes que “votaram” e que justificaram ausência correspondem a uma fraude. Aquela urna deveria ser anulada retroativamente e procedida nova eleição.

Cesar maia

1. Em 2010 a economia crescia 7,5%, a inflação estava abaixo de 5%, a popularidade de Lula atingia o auge e o bolsa família projetava ampliação. Nessa situação, Dilma atingiu 70% no Nordeste. Apesar da vitória de Serra em S.Paulo, Dilma venceu no Sudeste com 52% dos votos. No Sul, Serra venceu com pequena vantagem de 8 pontos. No Norte/Centro-Oeste, Dilma venceu com vantagem de 6 pontos tendo obtido votações recordes no Norte com quase 90% no Amazonas…

2. O quadro agora em 2014 é muito diferente. Aécio tem vantagem no Sudeste que deve chegar a 15 pontos. No Nordeste, com a nova situação na Bahia e em Pernambuco, os 70% de Dilma vão cair pelo menos 3 pontos. No Sul Aécio abriu assim como no Centro-Oeste.

3. Em 2010, no total Dilma venceu com 53,2% a 46,8% –elas por elas- 6 pontos de diferença. É quase impossível que em 2014 a diferença seja maior que essa, com a economia parada, a inflação em uns 7%, a popularidade de Lula decrescente, o bolsa família consolidado e a série de escândalos atingindo diretamente o governo Dilma.

4. Dois presidentes do PT e o presidente da Câmara de Deputados do PT presos, a bancada do PT na Câmara passando de 17% para 13,5% e a Petrobrás atingida por atos de corrupção explícitos.

5. É impossível que em 2014 a vantagem de Dilma seja maior. Mas quanto menor seria? Este Ex-Blog, usando dados de ontem do GPP –portanto após o campo das pesquisas do Ibope e Datafolha- tabulou os resultados por região e os comparou com 2010. Com isso, a diferença de 6 pontos pró-Dilma em 2010 desparece e surge –criteriosamente- um empate entre os dois.

6. A decisão ocorrerá nas urnas e dependerá da localização e setorização da abstenção dos votos brancos e dos votos nulos.

7. Conheça a tabela comparativa 2014 – 2010. A conclusão é óbvia. As pesquisas do Ibope e do Datafolha divulgadas ontem no Jornal Nacional e hoje nos jornais retratam uma mobilização das ruas, nos últimos dias, favorável a Dilma. Hoje tem o debate, sábado e domingo pela manhã é um período de “silêncio”. E as urnas vão retratar o clima existente antes desses últimos dias.

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Eleição 2014: “Duas ou três coisas que eu sei dela”!

1. Datafolha dá 40 pontos de vantagem para Dilma no Nordeste. Pesquisa interna de Aécio dá 30 pontos de vantagem para Dilma no Nordeste. Esses 10 pontos de diferença significam 2,7 pontos a menos para Dilma em nível nacional. Datafolha dá 10 pontos de vantagem para Aécio no Sudeste. Pesquisa interna de Aécio dá 15 pontos de vantagem para Aécio no Sudeste. Esses 5 pontos de diferença significam 2,1 pontos em nível nacional. Ou seja, 2,7 + 2,1 = 4,8. Datafolha dá vantagem nacional a Dilma de 4 pontos. Pesquisa interna de Aécio lhe dá vantagem nacional de 1 ponto (0,8).

2. Quem inaugurou a campanha da baixaria foi Collor em 1989 –primeira eleição para presidente pós-regime militar. Apresentou ex-mulher de Lula dizendo que ele havia proposto aborto a ela e ela não aceitou e mostrou a filhinha. Campanha de Collor fez terrorismo econômico com os riscos de uma vitória de Lula. Antes do debate, enviou emissário militar a Lula dizendo que Collor tinha mandado fotografar com teleobjetiva ele no apartamento de uma suposta amante. Levou uma pasta para o debate onde estariam as fotos. E no debate citou um aparelho Três em Um que havia na sala daquele apartamento.

3. Em 1998 voltaram os temas sobre risco econômico em relação a Lula; e desde a campanha de Lula panfletos espalhados sobre filho de FHC com uma jornalista e compra de votos no Congresso.  Tanto em 1989 como em 1998 não existiam as redes sociais na campanha eleitoral. Se existisse a reverberação da baixaria seria muito, muito maior.

4. Eleição majoritária desde John Kennedy em 1960 –portanto há 54 anos- é campanha de IMAGEM dos candidatos. Cada um exaltando a sua e desmerecendo a do adversário. No Brasil, em todas as eleições desde 1989 que as imagens são antípodas. As imagens mais próximas –guardadas as diferenças de gênero- foram as de 2010. Com isso, o tema que cruzou a eleição de 2010 foi aborto, que elevou Marina e exigiu declarações enfáticas de Dilma e legitimação de líderes evangélicos.

5. Datafolha mostrou que otimismo com futuro da economia cresceu. Nada estranho, pois os candidatos produzem otimismo em relação ao futuro se ganharem. Em julho, o otimismo com o futuro da economia estava num patamar de 25%, depois num patamar de 30% e agora –na última pesquisa- 44%.  Aliás, pesquisa IPSOS (Estado de SP, 23) diz que 57% dos brasileiros estão otimistas com o futuro da economia. Os humores do mercado e da bolsa não são os mesmos.

6. Governo virtual. Em junho, Datafolha dizia que Dilma tinha 33% de ótimo+bom e 28% de ruim+péssimo. Hoje tem 42% de ótimo+bom e 20% de ruim+péssimo. Como tem acontecido com o amplo tempo de TV: reconstrução virtual do governo.

7. Quanto o caso Petrobrás afetou a decisão de voto?  Cada dia fica mais claro que pelo tempo e espaço que ocupou foi um tema eleitoralmente irrelevante. Uns analistas dizem que as acusações recíprocas explicam este empate em relação ao tema. Outros que a corrupção na política está na massa do sangue do eleitor.

8. Há duas questões inquestionáveis. a) A imagem do PT deteriorou e sua bancada de deputados federais caindo de 17% para 13,5% da Câmara mostra isso. O PMDB,  ganhe quem ganhar, não ganhou a eleição. E seus cardeais e bispos sabem disso. Em fevereiro terão constituído um bloco com outros partidos da “base”, elevando seus 12% de deputados para o dobro. Se ganhar Dilma, a pretensão ministerial chega a importantes ministérios. Se ganhar Aécio, chega a um ou outro ministério significativo.  Mas, nos dois casos, o candidato desse bloco, a presidente da Câmara –e favorito- será do PMDB, o deputado Eduardo Cunha.

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Populismo eletrônico!  Trechos do Ex-blog em 02 de junho de 2014!

1. Mas quando um governo tem uma avaliação entre ruim e regular, um generoso tempo de TV na campanha eleitoral pode construir virtualmente –por ficção televisiva- um bom governo, elevando sua avaliação ruim a regular para boa e até ótima.

2. A possibilidade de construir virtualmente um governo em campanha eleitoral é resultado de uma opinião pública que não dá muita atenção aos governos. O que entrou –para a maioria das pessoas- se parece com o que saiu, nos defeitos e nas virtudes. Só quando a performance de um governo afeta muito as pessoas, para o bem ou para o mal, é que a opinião delas é sólida e não muda com a campanha, apesar da ficção eleitoral na TV.

Cesar maia

1. Pelo Datafolha, a diferença a favor de Aécio no SUDESTE lhe dá, nacionalmente (ponderando pela participação de 44% dessa região), 5,28 pontos à frente. A diferença a favor de Aécio no SUL lhe dá, nacionalmente (pela participação de 15% dessa região), 3,3 pontos. A diferença a favor de Aécio no CENTRO-OESTE lhe dá, nacionalmente (pela participação de 7% dessa região), 0,84 pontos.  No total, Aécio soma uma vantagem, nessas regiões, de 9,42 pontos de vantagem em nível nacional.

2. Pelo Datafolha, a diferença a favor de Dilma no NORDESTE lhe dá, nacionalmente (pela participação de 27% dessa região), 10,8 pontos. A diferença a favor de Dilma no NORTE lhe dá, nacionalmente (pela participação de 8% dessa região), 1,28 pontos. No Total, Dilma soma uma vantagem, nessas regiões, de 12,08 pontos.

3. A diferença nacional ponderada pelas regiões era a favor de Dilma de 2,66 pontos. Se Aécio ampliar a diferença em apenas 5 pontos no Sudeste e no Sul a eleição estará empatada.

4. Se no Sudeste Aécio crescer apenas 3 pontos trocando com Dilma, que desceria 3 pontos, pelos números do Datafolha a eleição estará rigorosamente empatada.

Cesar maia

1. As pesquisas são feitas em base às informações do TSE, que incluem gênero, idade e local de votação. Os demais recortes são feitos em base censitária pelos Institutos de Pesquisa.  Dessa forma, a base das pesquisas é o total do eleitorado, incluindo, portanto, o que na urna se saberá em relação a brancos, nulos e abstenção.

2. Quando as tendências do eleitorado são estáveis, a abstenção não altera os resultados das pesquisas de opinião. Mas quando a intenção de voto dos eleitores é volátil, a abstenção pode mudar tudo. E se a volatilidade é grande, até mesmo os brancos e nulos podem mudar no dia da eleição. Mudar em dois sentidos: decidir votar, ou os que decidiam votar, nas pesquisas, na hora do voto, anular ou votar em branco. Segundo o Datafolha, 15% dos eleitores decidiram em que presidente votar, no primeiro turno-2014, na véspera e no dia da eleição. Esse número tende a ser menor agora com apenas 2 candidatos. Mas quão menor?

3. Vamos aos números. As pesquisas de intenção de voto no segundo turno vêm dando uns 10% de brancos e nulos, mais de três vezes a diferença entre Dilma e Aécio. E fazem abstração –como é natural- da abstenção, mesmo sabendo que estará próxima a 20%, supondo, como tradicionalmente ocorre, que não influenciam o resultado da eleição. Será?

4. O que ocorreu nas últimas 3 eleições?  Em 2006, no primeiro turno os votos brancos/nulos foram 8,4% e a abstenção 16,75%. No segundo turno, os brancos e nulos caíram para 6% mas a abstenção cresceu para 19%. Em 2010, no primeiro turno, os brancos/nulos foram 6,7% e a abstenção 18,1%. No segundo turno, os brancos/nulos cresceram para 8,6% e a abstenção subiu para 21,50. Em 2014, no primeiro turno, os brancos/nulos atingiram 9,6% e a abstenção 19,4%.

5. Com uma campanha em 2014 -no segundo turno- muito mais disputada e polemizada, é provável que a abstenção seja próxima de 2010, quando a eleição ainda não estava completamente definida uns 10 dias antes da eleição. Ou seja, 21,50%. Mas a tendência dos votos brancos/nulos não se pode prever em função das agressões recíprocas.  Suponhamos que os 9,6% do primeiro turno se repitam.

6. Fazendo os ajustes, 25% dos eleitores não influenciarão os votos válidos. Supondo que metade da abstenção é compulsória (doentes, muito idosos, estão ou moram fora de seu registro eleitoral, presos…), esses 25% baixam para uns 18%. Supondo que os brancos/nulos sejam os mesmos eleitores das pesquisas de intenções de voto, aqueles 18% baixam para 9%.

7. Usando como referência uma série de eleições, os números de um ou outro candidato só podem sinalizar favoritismo e vitória se as pesquisas finais indicarem uma vantagem de 5 pontos sobre os votos totais. Nas pesquisas já publicadas do Datafolha e Ibope, esta vantagem ainda está em torno da metade desses 5%.

8. Ficando nessa metade, só a urna nos dirá quem venceu.

       Cesar maia

1. As agressões já deram o que tinham que dar. Mais do que atingirem a imagem de um e de outro, distribuíram aos eleitores os argumentos para que defendam seu candidato ou ataquem o adversário. Com isso, o processo de convencimento e desconvencimento pelo boca a boca entre as pessoas acelerou muito. E tornou-se decisivo.

2. E, com isso, a volatilidade do voto que já era grande, aumentou mais. No final da segunda semana de outubro –11/12- ocorreu uma aceleração das intenções de voto pró-Aécio.  Nos três dias seguintes ocorreu uma acomodação e o retorno aos patamares anteriores com 2 pontos de diferença.

3. Mas esta acomodação deve ser dissecada por dentro, através dos cruzamentos clássicos, dos cruzamentos regionais, por religião… Além disso, aquelas informações/agressões que têm potencial para produzir fluxos e argumentos devem ser testadas por pesquisas qualitativas focalizadas nos temas.

4. Para isso, há que se trabalhar com hipóteses. A primeira é sobre a região mais sensível a esse boca a boca e decisiva eleitoralmente nas atuais circunstâncias. Naturalmente é a região Sudeste, não só pelo peso eleitoral de 43%, mas pelo fato que é onde esse boca a boca tem produzido mais oscilações e o uso das redes sociais é mais intenso. a) No Rio –onde estão as estatais- analisar esses fluxos.

5. b) Nas três periferias metropolitanas –SP, BH e Rio- analisar os fluxos relativos à insegurança que possa sensibilizar os menos integrados socialmente. c) Em S.Paulo checar o impacto sobre os incluídos que trabalham com carteira assinada, recortando os de classe média baixa. d) E, finalmente, o boca a boca entre os jovens nas maiores cidades.

6. Alguns podem dizer que faltam poucos dias e não dá mais tempo. Dá sim. Como as pesquisas qualitativas são feitas sistematicamente pelas candidaturas, é questão apenas de direcionamento imediato. E, claro, reler as pesquisas qualitativas feitas desde o início do segundo turno, recortando estes três fatores citados.

7. Ninguém melhor que as equipes dos candidatos para valorizar essa necessidade. Afinal, as pesquisas diárias –tracking- os têm deixado desorientados.  É urgente, portanto.

8. Este Ex-Blog tem usado todas as pesquisas que tem acesso –divulgadas ou não- e não se espanta com diferenças aparentemente absurdas como a do Sensus e do Ibope/Datafolha, GPP e Vox Populi. Isso exige afinar a amostragem, além de ampliá-las no Sudeste e no Nordeste e dar suporte qualitativo para orientar as últimas declarações pela TV, os últimos programas e comerciais e os últimos debates.

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Cesar maia

1. O TSE contabiliza os votos válidos no primeiro turno por duas razões. Primeiro porque a maioria absoluta ou não dos votos válidos conseguida pelos candidatos a presidente e a governadores é que determina se haverá segundo turno ou não. Segundo porque nas eleições para deputados –federais e estaduais- é a divisão dos votos válidos pelo número de vagas que determina o cociente eleitoral e quantos deputados serão eleitos pelos partidos e pelas coligações.

2. Mas, no segundo turno, divulgar votos válidos é uma dupla besteira. A primeira porque é inócuo, já que vence a eleição de presidente e governadores quem tiver mais votos, independente da porcentagem de votos que tenha. Mas a segunda razão é de extrema gravidade para orientação dos eleitores, da campanha, dos analistas e da própria imprensa, pois confunde e ilude.

3. É fácil entender.  Sempre que a proporção dos que marcaram brancos, nulos, não sabem e não responderam é significativamente maior que a diferença das intenções de voto entre os dois candidatos, a eleição está completamente indefinida. Exemplo. No Ibope e Datafolha Aécio tem 45% e Dilma 43% dos votos totais. Uma diferença de 2 pontos.

4. Mas há 12% dos eleitores que não marcaram nenhum nome. Isso representa 6 vezes a diferença entre eles. Mais ainda: essa diferença de 12 pontos cresceu 2 pontos desde as pesquisas da semana passada. Ou seja, uma eleição completamente indefinida. Na intenção de voto espontânea há um empate de 42% a 42%, ratificando a indefinição.

5. Sempre que a porcentagem daqueles que não marcaram nenhum candidato se aproxima ou ultrapassa o dobro da diferença entre eles, a eleição pode se considerar indefinida.  Sendo assim, o fundamental no segundo turno é esquecer os votos válidos e informar apenas os votos totais e os que não escolheriam nenhum deles. Com isso, os eleitores, os analistas e a imprensa poderão avaliar a taxa de indefinição da eleição.

6. Outro exemplo: Rio Grande do Sul, Datafolha. Sartori tem 52% e Tarso Genro 35%. Marcaram brancos, nulos, não sabem, não responderam: 13%. A diferença entre os dois, de 17%, é 30% maior que a porcentagem dos que não marcaram nenhum dos dois. Essa é uma eleição definida mesmo faltando 11 dias, desde a pesquisa, para a eleição.

7. A divulgação das pesquisas deveria ser sobre votos totais: X tem XX%, Y tem YY%, Nenhum deles ZZ%. Diferença entre eles é RR% e é tantas vezes maior ou menor que os que marcaram brancos, nulos, não sabem não responderam. Assim, a informação permitiria uma análise adequada das probabilidades até a eleição.

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Cesar maia

1. Um problema dos arredondamentos. Se jogarmos os valores do Ibope, por região, na planilha, o resultado é Aécio 51,4 x 48,6 Dilma. Diferença de 2,8%! Olhando por aqui, o correto seria arredondar para 3% a diferença!

2. Como se pega o 51,4% e arredonda para 51,0, a diferença de 2,8% acaba-se arredondando para 2,0%! Será correto?

3. Em tempo. Na última pesquisa do Ibope, 37% responderam que tinham pouco ou nenhum interesse pela eleição. Na anterior foram 48%. Aquecendo.

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Debate tipo luta de boxe e ingenuidade dos candidatos!

1. A imprensa reclama da agressão mútua dos candidatos a presidente nos debates pela TV. Mas o desenho do posicionamento dos candidatos estimula esse tipo de dinâmica. Um de frente para o outro, não poderá dar outro resultado. E os candidatos morderam a isca e caíram na armadilha.

2. Isso produz caras e bocas fechadas e até raivosas, um apontando para o outro. O tempo que os candidatos gastaram em mídia training foi esquecido em função da formatação. Numa luta de boxe, os telespectadores vibram com os ataques entre os lutadores. Os lutadores têm um só foco: os adversários. Só se concentram neles. E é isso que os telespectadores querem.

3. Mas, no debate eleitoral pela TV, o foco dos candidatos deve ser os eleitores. Mesmo que estejam cara a cara, devem lembrar que, na TV, os gestos e a voz devem ser suaves, escandidos. Na Band –aquecidos pelo confronto- esqueceram as aulas que tiveram de mídia training. Deveriam lembrar que as câmeras são posicionadas frontalmente a eles e que estão falando –saibam ou não- para os telespectadores. E, para estes, a suavidade das imagens e da voz é fundamental.

4. Devem ter se esquecido das lições dos professores-pesquisadores de debates nos Estados Unidos. Quem tem a última palavra leva vantagem na TV. Dessa forma, quem pergunta deve fazê-lo para si mesmo. E usar pergunta do outro para a crítica, numa escada, onde a tréplica deve ser a conclusão. Usar as perguntas para que o outro se explique é perder a pergunta, pois a conclusão será do outro.

5. Deveriam esquecer, durante o debate, a formatação de luta de boxe e falarem para os telespectadores.  E as caras e bocas poderiam ser aprendidas com dois mestres recentes: Clinton e Blair. O YouTube está aí mesmo.

6. Obs.: A TV Band adotou o modelo francês, em que os candidatos fazem perguntas ou expõe temas livremente. Um avanço.

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Pesquisas Ibope e Datafolha por região: tendência diz que Sudeste vai decidir!

Dilma x Aécio, Ibope e Datafolha, por esta ordem.

1. SUDESTE: 46% x 54% e 41% x 59%. Diferença 9 pontos e 18 pontos.

2. NORDESTE: 61% X 30% e 68% x 32%. Diferença 31 pontos e 36 pontos.

3. SUL: 38% x 62% e 39% x 61%.  Diferença mínima.

4. NORTE+CENTRO-OESTE: 45% X 55% e 46% x 54%. Diferença mínima.

a) Sudeste tem 43% dos eleitores. Nordeste tem 27% dos eleitores. Façamos a média para o Nordeste: diferença de 33,5 pontos. Aplicando os 27% de eleitores, seria uma diferença nacional de 9 pontos.  Para o Sudeste como a diferença é grande não há como fazer a média. No caso de 9 pontos Aécio livra 3,9 pontos nacionais no Sudeste. No caso de 18 pontos, Aécio livra 7,7 pontos no Sudeste.

b) Para facilitar e como os pesos do Sul e do Norte-Centro Oeste são semelhantes, apliquemos a média dos dois sobre 30% do eleitorado. Seriam 42% para Dilma e 58% para Aécio. Essa diferença de 16 pontos corresponderia a 4,8 pontos em nível nacional pró Aécio.

c) Dessa forma, com a vantagem de Aécio no Sudeste de 9 pontos, teríamos a eleição empatada: 3,9 + 4,9 = 8,8 pontos. Se a vitória no Sudeste for de 18 pontos, somando Sul-NO/CO-Sudeste, teríamos 4,9 + 7,7 = 12,6 pontos para Aécio, mais que os 9 pontos no Nordeste de vantagem para Dilma.

d) Supondo que a situação no Nordeste esteja estabilizada e que no Sul e NO-CO as tendências se estabilizem, o campo decisivo para o resultado eleitoral em 26 de outubro será o Sudeste, onde Aécio vence em SP e MG e Dilma no RJ. Dilma reduz a diferença? Aécio mantém a diferença dada pelo Datafolha? Ou o que valerá será a diferença do Ibope?

Cesar maia

1. Em 1997, veio ao Brasil o publicitário que fazia o controle de qualidade dos comerciais de Clinton na campanha de 1996. Contratado, reuniu-se em S. Paulo e no Rio com equipes de campanhas eleitorais. Pediu que fossem apresentados a ele vários comerciais de trinta segundos dos candidatos, assim como um ou outro programa eleitoral.

2. Pediu que não colocassem nem legenda nem dublassem. Ele queria analisar apenas as imagens, a técnica e a forma de comunicação usada pelos candidatos, pelos políticos.  E queria fazê-lo apenas na hora das reuniões, sem vê-los antes. Ou seja, queria avaliá-los como o faz a pessoa que vê na TV e de repente aparece um comercial de 30 segundos. Ver programa de minutos seria apenas um suporte, pois nos EUA isso não ocorre nas campanhas.

3. No Rio, analisou os comerciais de três políticos, prováveis candidatos. Cada um deles foi produzido por um publicitário diferente, os três bem cotados no mercado. Viu e reviu três vezes. E viu um programa político de cada. Disse que, no Reino Unido, nas campanhas, também se usa programa de alguns minutos. Em seguida comentou.

4. Comerciais e programas eleitorais não são telejornais. Destes 3 políticos que eu vi agora, apenas um entende de propaganda política pela TV. Os outros dois pensam que são locutores de telejornais. E explicou. O estilo telejornal é quando as imagens dos problemas são apresentadas na TV, seja pobreza, saúde, segurança, educação, emprego, etc. E o candidato comenta no estúdio: Isso é um absurdo; se eleito vou fazer isso e aquilo.

5. Pior, disse, é quando quem comenta no estúdio ou fora da cena apresentada é um locutor ou ator. E concluiu afirmando: o candidato tem que estar na cena, no local do problema e falar de lá. Pode até complementar no estúdio ou com ator.

6. Hoje, os comerciais eleitorais no Brasil proíbem tomada de cenas externas. Com isso, se tirou força dos comerciais. Os candidatos, em estúdio, passam a ser apenas expressões faciais, pois são vistos de relance pelo expectador. Não comunicam conteúdo por mais que leiam seu teleprompter.

7. E os programas 2014, no primeiro turno e agora no início do segundo turno, são telejornais, na avaliação projetada do assessor de Clinton à época. Os problemas mostrados nos locais, ou apresentados em claquete e comentados por atores, são telejornais com locutor novo. E sempre os comentários e promessas dos candidatos são feitos em estúdio. Ou seja, tipo telejornais.

8. Os candidatos nunca estão no local dos problemas. Quando aparecem nas ruas ou auditórios é apenas para mostrar popularidade, com eleitores abraçando e aplaudindo. Segundo o assessor, o efeito disso tudo é não mudar opinião de ninguém, apenas afirmar a opinião já existente.

9. Em tempo 1: os comerciais que o assessor aprovou e elogiou eram de Duda Mendonça. Em tempo 2: em 2006, Alckmin (Geraldo) foi à fronteira do Brasil mostrar que não havia patrulhamento e é por ali que a droga entrava…, à vontade. Teve grande impacto.

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Cesar maia

1. Em 2010, Dilma venceu o primeiro turno da eleição presidencial com 43,1%. Em 2014 caiu para 37,7%, ou menos 5,4 pontos.  Serra, em 2010, no primeiro turno, atingiu 30%. Aécio, agora, no primeiro turno, praticamente os mesmos, com 30,3%. Marina, em 2010, chegou a 18% e agora, em 2014, atingiu quase o mesmo, com 19,3%.  Em 2010, os votos brancos e nulos somaram 8,6%. Em 2014 somaram 10,44%. Abstenção em 2010 foi de 18,12% e em 2014 de 19,39%. Portanto, a única mudança foi a votação porcentual de Dilma/PT, que caiu dos tradicionais 43% no primeiro turno para 37,7%.

2. A primeira pesquisa Datafolha em 2010, no segundo turno, em 08/10, deu Dilma 48% e Serra 41% com 11% de brancos+nulos+não sabe. Agora, na mesma data, em 2014, deu Aécio 46% (um crescimento de 5 pontos sobre Serra) e Dilma 44%, uma queda de 4 pontos sobre Dilma-2010.

3. Aécio cresceu 15,7 pontos sobre o primeiro turno. Dilma cresceu 6,3 pontos. Marina + Outros somaram 21,6%. Desses, uns 70% foram para Aécio e uns 30% para Dilma.

4. Em 2010, Lula atingiu o auge da popularidade e a economia cresceu 7,5%.  Agora, em 2014, Lula é apenas um eleitor de referência e a economia está parada.

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Transferências de voto no segundo turno das eleições presidenciais no Brasil!

Metade dos eleitores inscritos não votou em nenhum dos dois no primeiro turno.

1. As pesquisas eleitorais sobre a eleição presidencial no Brasil começaram a ser divulgadas. Mas devem ser tomadas com prudência neste início de segundo turno. Quando se acompanha as curvas nas séries de pesquisas e se observa tendências ascendentes ou declinantes, deve-se imaginar um processo em que os eleitores estão formando sua opinião e convencendo outros. Por isso as curvas.

2. Na abertura do segundo turno, aquele candidato que tem curva ascendente, tende a ter uma taxa de agregação, inicial, maior que seu adversário, pois o entusiasmo dos que votaram nele no primeiro turno atinge os que votaram em outros ou não escolheram candidato no primeiro turno. Mas ainda não se pode tomar esta decisão dos “outros” eleitores como cristalizada. A campanha eleitoral na TV e no boca a boca que provoca é que vai ajustando ou sedimentando esta reação inicial.

3. A campanha de Aécio Neves levou/leva uma vantagem técnica sobre a de seus adversários e vai manter esta vantagem técnica no segundo turno. Explica-se. Usou e usa o instituto de pesquisas GPP, que desenvolveu nos últimos anos uma metodologia de amostragem superior aos demais (este Ex-Blog já comentou sobre a prevalência do fator espacial sobre os demais, etc.). Além disso, diversificando a amostra e usando perguntas sinalizadoras e em seguida cruzando-as com as intenções de voto, consegue-se antecipar tendências eleitorais, subsidiando a comunicação do candidato.

4. Numa política inorgânica como a brasileira, é ingenuidade pensar que o apoio de um ou outro candidato que não passou para o segundo turno, em nível nacional ou regional, transfira automaticamente os votos. Na verdade, o que se pode transferir é o voto potencial no candidato que passou para o segundo turno e que estava contido nos candidatos que não passaram para o segundo turno.

5. Isso se poderia saber ainda no primeiro turno com as perguntas e cruzamentos diversos. Sendo assim, na campanha eleitoral no segundo turno (que começou ontem na TV), com essa informação, a comunicação pode atrair e cristalizar os votos potenciais contidos em outras candidaturas, antes que sejam atraídos pela campanha virtual de seu adversário.

6. Não se trata de perguntar em que proporção a votação de Marina será transferida para os demais usando simplesmente as pesquisas que começam a ser divulgadas e que darão esse destaque. Há que se ir mais longe. A própria pergunta ao eleitor, em quem votou no primeiro turno, mostrará respostas que não são iguais aos votos depositados nas urnas. Mas não se trata de explicar aqui.

7. Há que se saber –desde o fim do primeiro turno- que potencial de re-decisão do eleitor que votou Marina ou não votou, tem para ir para um ou outro lado ou nenhum lado. Portanto, o fundamental é a demanda, ou seja, a lógica do eleitor. As declarações de Marina não serão capazes de fazer trocar de lado as razões do eleitor: não há transferência automática. Da mesma forma em relação aos 35% de eleitores que se abstiveram ou anularam o voto. Pode ter sido uma decisão ativa, ou apenas uma espera para decidir no segundo turno, quando se sentir mais empoderado.

8. Conhecidas as razões potenciais do eleitor –espaciais, valorativas, programáticas, temáticas, emocionais- que combinam com a desse ou daquele candidato/a, a comunicação fala para o eleitor certo e produz imediata sinergia.  Mas se as fotos e declarações bastarem aos candidatos e se deitarem em berço esplêndido, verão com surpresa que o eleitor não foi junto quando o trem passou.

9. Quem tiver essas informações, vence a eleição. Se –se- a equipe de Aécio analisou em profundidade as pesquisas do GPP, no primeiro turno, partirá com vantagem até se tornar favorito. Se…

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Cesar maia

1. A entrada de Marina na campanha e sua presença inicial – explosiva – nas primeiras pesquisas levaram a campanha de Dilma (Santana?) a uma decisão açodada. Imaginando que o apoio a Marina no segundo turno pelo PSDB seria automático e não necessariamente o contrário, “Dilma” iniciou um bombardeio – aberto e fechado- a Marina.

2. Deixaram de lado a Teoria da Ballotage – das eleições em dois turnos que este Ex-Blog já apresentou algumas vezes. Esta ensina que nesse caso se deve escolher o adversário a ser atacado e poupar o outro ou outros, de forma a construir apoios naturais no segundo turno. “Dilma” atacou os dois.

3. Atacar ou não atacar Aécio não mudaria a posição do PSDB num eventual segundo turno entre Dilma e Marina. Dessa forma, “Dilma” construiu um cenário para o segundo turno com a aliança entre Marina e Aécio, fosse qual fosse o resultado do primeiro turno. E mais ainda: ajudou muito a tirar Marina do segundo turno. Ou seja: perdeu o apoio ou a neutralidade de Marina no segundo turno.

4. E provavelmente não contava que a dosagem usada estava sendo desproporcional. Dessa forma, a queda de Marina correspondeu um crescimento de Aécio que, em função da dosagem usada por “Dilma”, foi geométrico. Aécio, que no auge do efeito Marina chegou a 15% das intenções de voto, dobrou, chegando a 29% na urna, incluindo brancos e nulos.

5. Dilma, que havia se estabilizado em 40% das intenções de voto, fechou nas urnas com 37%, incluindo brancos e nulos. Ou seja: perdeu também com a tática que usou, talvez passando a imagem de autoritária, ao atacar outra mulher.

6. Resta agora saber se a transferência de intenções de voto de Marina para Aécio foi apenas parcial, ou seja, alcançou principalmente os que oscilavam entre Marina e Aécio e os que haviam migrado de Aécio. Ou o que ficou com Marina ainda alcança principalmente os que estavam indecisos entre Aécio e Marina.

7. As pesquisas que serão divulgadas esta semana farão esses cruzamentos entre Dilma x Aécio e em quem votaram no primeiro turno. Mas há que se ter cuidado, pois em geral essas pesquisas sobre em quem votaram no primeiro turno produzem alguma distorção de arrependimento do eleitor e dificuldades da própria amostragem e, por isso, devem ter outras perguntas para garantir os cruzamentos. Provavelmente Aécio terá mais do que teve e Marina menos do que teve.

8. Ideal seriam os institutos abrirem –mesmo que internamente- a pesquisa de boca de urna por gênero, instrução, renda, faixa etária, religião, região…, de forma a as equipes poderem avaliar os potenciais de migração. Nesse sentido –mesmo que de forma a sinalizar ao eleitor evangélico- que em geral migrou do Pastor Everaldo para Marina, Dilma e Aécio deveriam contatá-lo à luz dos refletores. Um gesto que pode valer milhões de votos na definição dos eleitores que votaram Marina no primeiro turno.

Cesar maia

1. Aécio levou clara e insofismável vantagem no debate.  Falando com firmeza, sabendo o que tinha que dizer e dizendo no momento certo. Mostrou tranquilidade.

2. Dilma inacreditavelmente nervosa, tropeçando nas palavras e sem roteiro claro, ziguezagueando. Cresceu no final.

3. Marina começou intranquila e instável. Aqueceu e melhorou bastante depois.

4. O desenho da TV GLOBO de perguntas e respostas feitas por cada um de frente para o outro deu uma agilidade muito maior ao debate, expondo os candidatos aos nervos.

5. O mais à vontade foi Eduardo Jorge.

6. Dos seis debatedores três tiveram origem no PT.

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Curiosidades eleitorais!

1. Antes de Marina entrar na campanha, os três candidatos competitivos somavam 70%. Hoje eles somam 85%.

2. A campanha presidencial e as campanhas de governador ocorreram desconectadas, sem influenciarem-se reciprocamente.

3. A grande surpresa dessa eleição -até aqui- é a vitória do candidato do PT a governador em MG.

4. O eleitor chega às urnas com a segunda vaga presidencial em aberto.

5. Um paradoxo. A cada tropeço na economia, a cada novo fato de corrupção publicado, Dilma subia nas pesquisas.

6. O alheamento do eleitor durante a campanha eleitoral ampliou a incerteza das eleições parlamentares em relação a nomes e bancadas.

7. Uma incógnita. A quanto somará o Não Voto: abstenção+brancos+nulos. Ficará nos tradicionais 25%? Irá para o patamar dos 30% como em alguns estados em 2010? Ou caminhará na direção dos 40%? Quanto maior o patamar de Não Voto, maior a imprevisibilidade eleitoral em qualquer instância em qualquer Estado.

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Cesar maia

1. A campanha fria, a proporção dos que mesmo tendo marcado intenção de voto afirmam que podem mudar, os que dizem votar em branco/nulo ou se abster, o impacto de fatos novos e a reversão dos mesmos, enfim, todo este conjunto que tem caracterizado a presente eleição, mostra, que tudo –ou quase tudo- é possível nesses últimos dias.

2. A começar pela taxa de não voto (branco-nulo-abstenção): quanto será? As flutuações nas pesquisas mostram que o eleitor aponta seus preferidos de forma displicente. O impacto Marina gerou duas curvas: uma de imediata, ascendente, e outra em seguida descendente.

3. Os que concluem que se tratou da propaganda negativa contra ela se equivocam. Ela afirmou em 2010 seu nível de voto e nenhum fato novo ocorreu sobre ela que se pudesse imaginar mudança desse patamar.

4. As acomodações se dão muito mais pela baixa adesão dos eleitores em geral a seus preferidos. O controle das máquinas de governo produz uma adesão maior de eleitores de seu entorno, por pragmatismo.

5. As flutuações levam candidatos a flutuarem sua comunicação também. Um equívoco, pois ajuda a insegurança do eleitor e reforça a ideia que é melhor não mudar nada. Deixar como está para ver como é que fica.

6. Em nível parlamentar –deputados e senadores- tudo pode acontecer. Com exceção de no máximo uns 20% das vagas garantidas pelas máquinas e pelos recursos financeiros, as demais vagas ainda estão em jogo.

7. Isso aponta para uma reta final ou boca elástica de urna, em que eleitores realmente decididos terão bem maior capacidade de influência. E as “colinhas” entregues por pessoas, referentes das pessoas, terão um peso maior que nunca.

8. Agora é ir ao boca a boca –físico e eletrônico.

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Datafolha de Marina!

(Painel – Folha de SP, 01)  O derretimento de Marina Silva (PSB) é mais intenso no Sul do país. Ela perdeu 14 pontos na região desde o início de setembro, apesar de ter escolhido o gaúcho Beto Albuquerque como vice. Aécio Neves (PSDB) ganhou dez pontos, e Dilma Rousseff (PT), outros seis. Marina também teve queda superior a dez pontos entre os eleitores mais jovens, os mais ricos e os mais escolarizados. Na faixa de até 24 anos, que engrossou as manifestações do ano passado, recuou de 39% para 28%. Marina perdeu 11 pontos entre os católicos. Tinha 31% no início de setembro e recuou para 20%. Dilma e Aécio cresceram sete pontos cada no grupo. Têm 46% e 22%, respectivamente.

Cesar maia

1. O último Ibope quis saber do eleitor a certeza dele em relação à sua intenção de voto. 67% dos eleitores potenciais de Dilma afirmaram que a decisão sobre Dilma é definitiva. 57% afirmaram o mesmo sobre Marina. E 61% afirmaram o mesmo sobre Aécio.

2. Aplicando sobre as intenções de voto estas porcentagens, o resultado da mesma pesquisa Ibope seria: 26,2% já decidiram votar em Dilma; 16,5% já decidiram votar em Marina e 11,6% já decidiram votar em Aécio. Ou seja, 45,7% dos eleitores podem mudar seu voto até a eleição. Se é assim para presidente, algo parecido e mais acentuado deve ocorrer para governador. E muito mais para senador e deputados estaduais e deputados federais.

3. Portanto, após marcarem sua intenção de voto, ainda se encontram indecisos em alguma medida. Ainda se teria que agregar os que não marcaram nenhum candidato e que podem deslizar para uma candidatura. E a imprevisível taxa de abstenção+brancos+nulos.  A diferença entre Dilma e Marina até abre um pouco: de 9 pontos passa a quase 10 pontos. Mas a diferença entre Marina e Aécio que, na pesquisa induzida, era de 10 pontos, cai para 4,9 pontos, menos da metade.

4. Esses números refletem algo que este Ex-Blog vem dizendo desde o início da campanha. As ruas frias mostram um eleitor ausente depois de tantos escândalos e letargia econômica. Uma espécie de protesto pelo silêncio. E mostra também que o impacto da morte do governador Eduardo Campos sobre a vontade de votar em Marina se diluiu.

5. No dia da eleição a vantagem de Dilma e Aécio crescerá por terem controle de máquinas em nível federal, estadual e municipal. Ou como alguns preferem: terem muito maior capilaridade, o que pode agregar alguma coisa pela proximidade dos candidatos a deputado de Dilma e de Aécio com o eleitor em cima da eleição: a quase boca de urna.

6. Não são poucas as eleições que a mensuração pelos que estão totalmente convencidos mostra um resultado diferente que se afirma na urna. Em 2000, na eleição para prefeito do Rio, Cesar Maia havia ultrapassado Conde no voto cristalizado na quarta-feira. Mas na pesquisa induzida ele só alcançou Conde no sábado.

7. Esta dinâmica deve ser levada em conta para a comunicação dos candidatos para os debates na TV, para a presença das campanhas nas ruas, desde esse fim de semana até 4 de outubro véspera da eleição. Faltam 9 dias.

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César Maia explica por que a crise economina não afetou a eleição!

(Ilimar Franco- Coluna Panorama Político- Globo-26) A culpa é dos proto-keynesianos. A oposição começa a expiar seus pecados. Um dirigente aliado do PSDB avalia que Aécio Neves perdeu o Sudeste ao imaginar que a região viria por osmose. Confiando que os síndicos Geraldo Alckmin e Pimenta da Veiga garantiriam o cenário. O palco desmoronou com a entrada de Marina Silva. Há também erros de leitura da vida real. O candidato ao Senado no Rio, César Maia, dedicou-se ao tema em seu “Ex-Blog” Lá, resume: “A economia para fins eleitorais não se traduz em questões fiscais, ou cambiais, ou financeiras. A economia que importa é a do bolso, emprego e renda” E conclui que “estas, à custa de malabarismo proto-keynesianos, se mantêm” E profetiza que o eleitor vai receber a conta em 2015.

Cesar maia

1. As pesquisas de opinião nos últimos meses repetiram uma pergunta e obtiveram respostas semelhantes. Queriam saber do eleitor se nesta eleição para presidente queriam mudanças ou manter a situação governamental atual.  Em todos os casos a resposta é que queriam mudanças. Numa média de várias pesquisas divulgadas pelos principais institutos, 72% queriam mudanças.

2. Por outro lado, a avaliação do governo Dilma vinha caindo –pesquisa a pesquisa- até aproximar o Bom+Ótimo do Ruim+Péssimo. Ao lado disso tudo, a economia naufragava, até atingir o patamar atual de crescimento de 0,5% em 2014, menor que o crescimento da população. Quando o governo se sentiu aliviado com a culminação das prisões pelo mensalão, surge a delação premiada de um ex-diretor da Petrobrás, com fatos e números escabrosos.

3. Mas no último Ibope publicado nesta semana, Dilma ampliou sua vantagem, alcançando 38% de intenções de voto.  Será que algumas dessas afirmativas de especialistas caem por terra? Dilma lidera apesar de 72% quererem mudanças, Dilma lidera apesar de sua avaliação ser sofrível. Dilma lidera apesar de a economia naufragar contrariando a máxima –”É a economia, estúpido!”

4. É claro que a eleição não terminou, mas hoje os analistas não fazem mais os mesmos prognósticos, com as mesmas intensidade e certeza de antes. É provável que na primeira fase (com Eduardo Campos), os candidatos de oposição não vestiram suficientemente a roupa da mudança com afirmações claras. Na segunda, com a entrada da Marina, o foco mudou, na medida em que Aécio precisa derrubar Marina para ir ao segundo turno e Dilma precisa derrubar Marina para entrar no segundo turno com vantagem confortável. As mudanças não acompanharam a comunicação de campanha em dose suficiente.

5. A avaliação declinante de Dilma levou até estudiosos construírem uma equação de fronteira abaixo dos 35% como derrota certa. Este Ex-Blog chamou a atenção na época que a própria campanha com tempo de TV generoso tem reconstruído os governos, ou criado governos virtuais. E deu vários exemplos.  Dilma é mais um. No início da campanha igualava o Ótimo+Bom com Ruim+péssimo. Agora tem 39% contra 28%. Açodamento dos estudiosos.

6. Finalmente a famosa afirmação “É a Economia, Estúpido”, de James Carville, da primeira eleição de Clinton, naufraga?  Na verdade a economia para fins eleitorais não se traduz em siglas, ou questões fiscais, ou cambiais ou financeiras. Certamente estas terão repercussões para o eleitor no próximo governo. Mas neste, a “economia” que importa é a economia do bolso, em curto prazo, ou seja, emprego e renda. E estas, à custa de malabarismo proto-keynesianos se mantêm, transferindo a conta para 2015.

7. Mas as 3 afirmações são válidas? Sim, mas analisadas na dinâmica da própria campanha, e não como regras e equações rígidas, como se a opinião pública fosse definida ex-ante, pré-definida pelos estudos publicados. E se pudesse aplicar técnicas econométricas para projetar resultados eleitorais.  Isso seria igualar países e eleitores e épocas e situações e candidatos/equipes, muito diferentes, como se fosse elementos constantes.

Cesar maia

1. A eleição de 2014 talvez seja a única, desde a redemocratização, que não tem patronos, seja para Presidente da República, seja para Governadores. Inclua-se a ausência dos partidos como referência eleitoral.

2. Nenhum dos ex-presidentes tem sido apresentado como patrono e nenhum dos ex-governadores e nenhum dos candidatos a presidente tem sido apresentado como patrono das campanhas para governador.

3. Esses, provavelmente, são sinais de uma renovação geracional que se encerra com esta eleição. A geração de 1964 (seja a que assumiu o poder ou a que foi cassada), a geração de 1968 (seja a que estava no poder em todos os níveis, seja a que foi excluída), encerram seus ciclos com esta eleição.

4. São ciclos de 50 anos e 46 anos, que tiveram como pontos de partida rupturas institucionais, com a tomada do poder em 1964 e a manutenção com o AI-5 em dezembro de 1968. Paradoxalmente, estas datas foram fixadas pelos exilados que se identificavam como da geração de 1964 e da geração de 1968.

5. Dessa forma, é importante atentar para as eleições de governadores e deputados federais de 2014, em que nomes das gerações dos nascidos a partir de 1970 despontarão e deverão liderar o processo político no próximo ciclo. Isso se afirmará tanto pela quantidade de votos, quanto pela densidade dos mesmos.

6. Evidente que sempre há exceções à regra e, como sempre, serão exceções que justificarão a regra, pela refundação de seus discursos e de suas comunicações políticas.

7. Finalmente, cumpre lembrar que as redes sociais estão apenas em seu nascedouro político e que serão certamente parte desta refundação da comunicação política.

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População da Escócia diz – não – à independência! pesquisas erraram por 15 pontos!

55% disseram NÃO no plebiscito pela independência da Escócia. 45% disseram SIM. As pesquisas davam uma vantagem ao SIM de 5 pontos. Com o resultado final os erros das pesquisas alcançaram 15 pontos.

Cesar maia

1. O tempo de TV no segundo turno iguala os candidatos: 10 minutos para cada um. Mas há um fundamental detalhe. Sempre que um candidato no primeiro turno tenha quase esses 10 minutos ou até mais, o segundo turno aparece como uma continuidade do primeiro, tirando impacto da TV. Já se um candidato tem um tempo de TV pequeno no primeiro turno – digamos 2 minutos – ao abrir o segundo turno e passar a ter 10 minutos é como se fosse um candidato revigorado.

2. Explico. Um candidato no primeiro turno com pouca exposição e visibilidade, nas quais está incluído – claro e principalmente – o tempo de TV, ao entrar no segundo turno com 10 minutos multiplicando – por exemplo – 5 vezes o tempo de TV, surge para alguns como um candidato que “não conheciam direito” e para todos como se surgisse fortalecido.

3. O eleitor reage em relação a esse candidato como se ele tivesse ressurgido de forma surpreendente, o que dá a ele um impulso muito forte. Se o programa de TV nesses 10 minutos souber trazê-lo de volta à telinha com toda essa força da surpresa, do fortalecimento e da renovação, ele se torna naturalmente competitivo, mesmo que a diferença entre os dois –ou as duas- no primeiro turno tenha sido significativa.

4. O candidato que já tinha esses 10 minutos –ou quase, ou mais- no primeiro turno, terá que criar no segundo turno uma sensação de novidade e não de continuidade em relação ao primeiro turno. É uma questão delicada. Não se trata de criar um novo candidato, o que passaria como farsa. Trata-se de renovar –quase recriar- o mesmo candidato. No início do programa de TV no segundo turno, fazer memória de pontos destacados no primeiro turno e de maior impacto no primeiro turno. Mas apenas como ponte para um programa recriado no segundo turno.

5. Essas terão que ser as habilidades da comunicação em TV e Rádio no segundo turno. A equipe do que já tinha os 10 minutos no primeiro turno deverá fazer a transição, usando o primeiro turno como referência inicial, mas renovando a forma e redesenhando o conteúdo. Do outro lado, o candidato que viu seu tempo de TV multiplicado no segundo turno tem que minimizar a ponte e a referência ao primeiro turno e entrar no segundo turno como um vigoroso candidato, impulsionado pelos 10 minutos à disposição, renovado e “musculoso”.

6. Quem se descuidar –num e noutro caso- amargará a derrota. Os exemplos são muitos. Em 2006, o programa de Lula no segundo turno veio renovado e ajudou a mudar o quadro. Venceu. Em 2000 na eleição para a prefeitura do Rio, o programa do candidato à reeleição veio com todo cheiro de continuidade o que passou a sensação de ultrapassado. Perdeu.

Cesar maia

1. A hipótese de Dilma x Marina no segundo turno produz, pelo menos, duas mudanças importantes tanto para uma como para outra. Para Marina o apoio espontâneo do PSDB. Para Dilma a reunificação de sua base de partidos políticos.

2. A primeira é natural. A segunda é produto dos conflitos que ocorreram entre PT e os demais partidos da base de Dilma, no primeiro turno, na formação das candidaturas e coligações regionais. Aécio aproveitou bem isso em alguns estados. SP e MG, onde PSDB e PSB se coligaram, é a exceção e no segundo turno onde estarão, claro, com Marina.

3. No primeiro turno a desagregação da base aliada permanecerá até o final, seja pela disputa dos governos dos Estados, seja pelas disputas para deputados estaduais e federais. O discurso “higiênico” de Marina em relação aos partidos e suas flechas sobre líderes do PMDB, serão a garantia que no segundo turno, os grandes e médios partidos da base aliada estarão com Dilma.

4. Mesmo em nível regional a oposição a Dilma poderá não estar unida na oposição no segundo turno. Primeiro pela sensação de inacessibilidade e falta de interlocutores na hipótese de Marina presidente. Segundo também pelas questões regionais, onde os aliados de antes de Dilma, num hipotético segundo turno para governador poderiam estar mais próximos dos partidos de oposição em nível local. Terceiro pela imprevisibilidade de mudanças na política local com Marina presidente, em especial na eleição municipal de 2016.

5. Esta será uma grande vantagem de Dilma no segundo turno, especialmente nos municípios do interior, onde os políticos locais têm maior capacidade de condução de voto. E será difícil Marina neutralizar pela força de coerência que procura dar a seu discurso em relação ao que chama da política que precisa ser ultrapassada. Lembrando que Dilma vence –hoje- com vantagem nos municípios de até 50 mil habitantes, o que será ampliado. São 35% dos eleitores.

6. Quem colocar lupa no segundo turno da eleição presidencial de 2010, em nível regional, poderá obter boas respostas.

Cesar maia

1. (Ex-Blog) Muitas vezes aparecem como contraditórios resultados diferentes em pesquisas nos cruzamentos dos eleitores com renda acima de 5 salários mínimos e com nível superior.  Nesta semana dados do RAIS mostraram que não é tanto assim. O acesso ao nível superior, mas com acesso ao mercado de trabalho equivalente ao nível médio, salarialmente, explica essa aparente contradição.

2. (Folha de SP, 08)  2.1. Quase metade dos trabalhadores com ensino superior que atuam no mercado formal no país ganhavam, no máximo, quatro salários mínimos em 2013 (o equivalente na época a R$ 2.712). A faixa de renda entre dois e três salários mínimos era a que agrupava a maior fatia dos que possuem diploma universitário (16% do total). Apenas 5,3% dos trabalhadores com ensino superior tinham remuneração média superior a 20 mínimos.

2.2.  Entre trabalhadores com mestrado e doutorado, o percentual dos que recebiam o teto de quatro mínimos no ano passado era de, respectivamente, 36% e 23%. Os dados –que foram levantados pela Folha na Rais (Relação Anual de Informações Sociais), do Ministério do Trabalho– são um retrato da realidade salarial do país. “Os salários pagos no Brasil, de forma geral, ainda são baixos, apesar de a renda ter aumentado”, afirma o economista Naercio Menezes Filho, do Insper. Menezes Filho e outros especialistas destacam também que os dados podem refletir diferenças na qualidade dos cursos de ensino superior.

2.3. “Existe uma heterogeneidade grande na formação superior”, diz Fernando Veloso, economista da FGV. Um estudo de Menezes Filho mostra que, nos últimos anos, os salários pagos em carreiras com grande número de formados caíram. É o caso de áreas como enfermagem, administração de empresas e marketing. Já carreiras como medicina, engenharias, economia e ciências sociais registraram aumento de salários. “Parece existir um efeito de mudanças de demanda e oferta no mercado, mas fatores como diferenças na qualidade da formação também podem influenciar os salários”, diz Menezes Filho.

Cesar maia

1. Nos países anglo-saxões com milenar disputa do poder pela força e pela violência, o uso dos ataques em campanhas eleitorais é algo normal, que faz parte da cultura política. Os melhores exemplos estão nas campanhas eleitorais nos EUA. Os estudos realizados lá, em campanhas eleitorais através dos últimos 50 anos, mostram que os comerciais de 30 segundos negativos produzem mais memória que os positivos, que são conhecidos como defensivos.

2. Aqui no Brasil é diferente. Os comerciais e programas de ataque assustam o eleitor. Em geral se voltam como bumerangue, contra quem os usa nas campanhas eleitorais.

3. Sempre as campanhas eleitorais majoritárias (presidente, governador, prefeitos de grandes cidades, senador) começam suaves e propositivas: o que o candidato fez, o que pretende fazer, sempre com imagens suaves dos candidatos que sorriem levemente conforme orienta o diretor de gravação.

4. Mas as campanhas chegam à metade do percurso, os programas e comercias de TV e rádio entram e criam expectativas. Mas os dias passam e se as pesquisas indicam que um candidato está ficando para trás, este e sua equipe resolvem iniciar uma bateria de ataques aos adversários que estão na frente.

5. Em geral o fazem usando os comerciais, ou no final dos programas, como se estes tivessem terminado como terminam todos os dias. E fazem o ataque como se não fossem eles que o fizesses. Da mesma forma nos comerciais, ou diretamente, ou colocando a marca do programa do candidato imperceptível e atacando o adversário.

6. Esta mudança de percurso é percebida pelos eleitores que se perguntam: Por que agora? Será porque está perdendo? O publicitário Duda Mendonça tem uma frase que ficou célebre: “Quem bate, perde!”.

7. Com os quadros eleitorais majoritários definindo os candidatos, mais competitivos e os que estão atrás, ou estando na frente temem que a situação se reverta, começaram as agressões. As eleições no Rio têm sido um exemplo disso, desde a semana passada. Anotem quem bate. Anotem assim os perdedores.

Cesar maia

1. Os aparelhos de TV ligados não alcançam 50% a cada momento. Durante os programas eleitorais na TV, nessa campanha, a audiência tem caído 40%. Os comerciais têm audiência igual às dos programas na mesma faixa de horário. Mas menor atenção. Os mais açodados acham que, por isso, a TV nas campanhas tem muito menor audiência que anos atrás.

2. E mais ainda se pode dizer. Antes, a audiência das TVs não baixava na primeira semana. Depois caía e só crescia na última semana. Com isso, a atenção aos impactos das mensagens pelos marqueteiros ocorria no início e no final das campanhas. Agora a queda de audiência aconteceu logo após o início das campanhas eleitorais pelas TVs.

3. Tudo isso é verdade. Mas não são as mesmas pessoas que assistem aos programas num dia e em outro dia, numa hora e em outra hora. Com isso, em vez de audiência a cada momento, se deve pensar em audiência cumulativa. Ou seja, hoje são umas pessoas que assistem, amanhã não são as mesmas necessariamente e assim por diante. Dessa forma, a audiência cumulativa é bem maior que a audiência medida num certo momento.

4. Essa nova dinâmica exige das produções variações de tema sobre uma mesma mensagem ou linha de comunicação. É como se o perfil e a imagem do candidato fossem sempre os mesmos. As narrativas sempre as mesmas. O que muda é o tema ou a história, contadas reforçando o personagem. Assim, do ponto de vista do expectador de um dia e de outro dia, a imagem do candidato é sempre a mesma, realçada por história ou temas distintos.

5. Um erro fatal com as audiências e as atenções atuais é variar a imagem do candidato com a variação do tema. O publicitário e a produção são pressionados ao sabor das pesquisas e as equipes e os próprios candidatos exigem que “o programa mude”. Às vezes essa radicalização culmina com a mudança da própria equipe de comunicação, contratando um publicitário/produtor “mais ousado, mais agressivo”.

6. Esse erro fatal afeta a cumulatividade e surge na telinha outro personagem. Sendo assim, a audiência –no momento da mudança- inicia um novo ciclo de cumulatividade. Quando isso ocorre no início da campanha pela TV a perda é menor. Mas quando ocorre do meio para o final, será fatal. A audiência acumulada não consegue mais transmitir uma imagem do candidato, não dá tempo, não há audiência acumulável.

7. Onde ocorre essa mudança de equipes, anotem: a probabilidade da derrota informada pelas pesquisas se acentua e passa a ser muito maior. O socorro produz uma queda de intenção de voto ainda maior que a anterior. Produz –quase sempre- a derrota.

Cesar maia

1. As ruas frias em relação às eleições, o crescimento de Marina que se deu no vácuo, a alta porcentagem dos que não sabem espontaneamente em quem votar, com recorde para as eleições de deputados e senadores, o impacto do novo cenário presidencial, mostram que teremos um terceiro retardamento da decisão definitiva e final de voto.

2. O primeiro foi o rescaldo dos protestos de 2013, o segundo a Copa do Mundo e agora o terceiro com a tragédia no avião do governador Eduardo Campos e candidato a presidente. Com isso, o processo eleitoral que ocorre na formação do voto através da interação entre as pessoas é interrompido ou desviado. Toda a campanha eleitoral até aqui não se perde, mas deixa memória tênue.

3. Com isso, em setembro se reinicia o processo eleitoral e a dinâmica de decisão de voto recomeça com uma base efetiva e consolidada muito baixa. Dessa forma, as pesquisas anteriores a setembro são muito mais sensibilizadores e sinalizadores que decisão definitiva. O aquecimento começará agora em setembro, o que deve durar uns 15 dias.

4. Na segunda quinzena de setembro é que o voto irá sendo cristalizado nas eleições majoritárias. Nas eleições proporcionais para deputados, provavelmente ainda mais tarde. Nesse caso, teremos uma última semana onde a decisão de voto –definitiva- alcançará pelo menos 80% dos eleitores.

5. Hoje, uns 85% espontaneamente não citam nenhum nome de deputado e uns 50% espontaneamente não citam nome de senador.