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Roney Nemer

Roney Nemer

“Vou apresentar projetos e emendas que contribuam de forma efetiva para a qualidade de vida das famílias”, Roney Nemer

Por Tatiane Alves, do Jornal da Comunidade

Mineiro de Viçosa, o arquiteto urbanista Roney Nemer (PMDB) assumiu dois mandatos como deputado distrital. Além de parlamentar, assumiu administrações regionais de Samambaia e Recanto das Emas. Nemer também foi secretário de Obras, realizou centenas de ações em infraestrutura por todo o Distrito Federal, de grande, médio e pequeno porte. Como distrital, apresentou centenas de emendas ao orçamento destinando recursos para melhorias na saúde, educação, transportes, segurança, obras, cultura, lazer e para geração de novos postos de trabalho. De acordo com ele, sempre atuou em defesa da qualidade de vida para as famílias.

Em 2015 assumirá mandato como deputado federal. Quanto a isso, ele diz que é um mundo novo e que quer tomar conhecimento do funcionamento de cada setor, das propostas que já estão em tramitação e que tratam de temas ligados à família, à revisão do código penal e contra o aborto. Nemer enfatiza que a capital tem um transporte público que o morador do DF não merece, mas que as medidas tomadas já apresentam reflexos.

Na saúde, o parlamentar acredita que precise de um choque de gestão. Na educação, aponta a infraestrutura oferecida aos alunos e professores como solução. Recentemente, Nemer foi condenado por unanimidade pela 3ª Turma Cível do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios (TJDFT) por improbidade administrativa. A defesa alega que não existem provas para a sua condenação.

O senhor foi condenado por improbidade administrativa por recebimento de valor mensal em troca de apoio político ao ex-governador Arruda. Como anda esse processo e o que tem a dizer em sua defesa?

Sempre caminhei pelo lado bom da política. Jamais recebi qualquer pagamento em troca de apoio ou nada do tipo. Tudo isso foi ratificado pelo delator da chamada Caixa de Pandora, Durval Barbosa. Em depoimento na Segunda Vara de Fazenda Pública do TJDFT, Durval disse em alto e bom som e perante um juiz que jamais me entregou dinheiro ou tomou conhecimento de que alguém tivesse feito. Disse que me conhecia como homem sério, honesto e religioso. Não posso ser responsabilizado por uma conversa de terceiros em que meu nome tenha sido citado. Tenho certeza de que minha inocência será provada. Nunca dei abertura para que isso acontecesse. Como disse antes, sempre andei do lado bom da política.

Qual momento marcou sua vida pública?

A eleição para deputado federal. Diante de inúmeras dificuldades, saber que um número tão expressivo de cidadãos confia no trabalho desenvolvido por mim e pela minha equipe é extremamente gratificante. É a certeza de que vale a pena lutar por um Distrito Federal mais justo.

Deputados têm sempre um projeto que chamam de carro-chefe. Qual é o seu e  por quê?

Atuo sempre em defesa da qualidade de vida para as famílias. Todos os nossos projetos têm esse objetivo. Sou o autor da lei das ciclovias, que tem repercutido muito ultimamente. A bicicleta é um excelente meio de transporte. Não polui, é barata, melhora o condicionamento físico e representa um carro a menos nesse trânsito caótico das grandes cidades. Mas não é só isso. Também sou autor do projeto que obrigará a realização do teste do coraçãozinho em todas as crianças nascidas no Distrito Federal. Apresentei também o projeto de lei que prevê auxílio gratuito de arquitetos e engenheiros em obras e construções realizadas por famílias que se encaixem nos critérios dos programas do governo. Este último foi vetado pelo Executivo, mas lutaremos pela derrubada do veto no plenário do CLDF.

Quais serão suas prioridades em seus primeiros dias de mandato?

Quero aprender. A Câmara Federal é um mundo novo e quero tomar conhecimento do funcionamento de cada setor. Quero tomar conhecimento das propostas que já estão em tramitação e que tratam de temas ligados à família, à revisão do Código Penal, contra o aborto. Tenho muito a aprender na Câmara Federal. Vou apresentar projetos e emendas que contribuam de forma efetiva para a qualidade de vida das famílias.

O que fazer para organizar setores como educação, saúde e transporte público?

Acredito que ainda não temos o transporte que o morador do DF merece, mas as medidas tomadas já apresentam reflexos. A renovação de grande parte da frota e a entrada de novas empresas no transporte coletivo já resultaram em ganhos para a sociedade. Acredito que a saúde necessita de um choque de gestão. A sociedade necessita de uma saúde pública que atenda suas necessidades. Quanto a educação, acredito que a maior necessidade esteja na infraestrutura oferecida aos alunos e professores.

Como o senhor vê questões como a legalização da maconha e a maioridade penal?

Sou contra a legalização da maconha, contra a legalização do aborto e a favor de uma consulta popular quanto a redução da maioridade penal. Na minha opinião não deve mais existir idade penal. Fez com consciência tem que pagar, independentemente da idade do infrator.

O que espera do governo Rollemberg, considerando que há uma rombo de mais de R$ 4 bilhões no GDF?

É uma situação complicada. Um momento muito ruim. Espero que consigamos garantir um início de governo com os serviços públicos básicos em funcionamento. Espero que ele empenhe todos os esforços necessários para construir um DF melhor.

"Agora é batalhar para que todas as propostas sejam aprovadas", Alberto Fraga.

“Agora é batalhar para que todas as propostas sejam aprovadas”, diz Alberto Fraga.

Por Tatiane Alves -

João Alberto Fraga Silva, 58 anos, mais conhecido como Fraga (DEM), foi o deputado federal eleito mais bem votado, com 155.056 votos, o que corresponde a pouco mais de 10% do eleitorado. Fraga disse que recebeu o resultado das urnas com naturalidade e prometeu continuar defendendo pauta relacionadas à segurança pública. O seu discurso forte, baseado na segurança pública, é sem dúvidas o carro-chefe de sua trajetória política. Fraga é coronel da reserva da Polícia Militar do DF. Esse será seu quarto mandato de deputado federal. Ele que também já ocupou o cargo de Secretário de de Transportes do DF, nas eleições de 2010 tentou uma vaga para o Senado, mas não foi eleito.

Na Secretaria de Transportes, Fraga desenvolveu ações com objetivo de moralizar e modernizar o sistema de transporte público do DF. Fraga nasceu em Estância, Sergipe. Mais bem votado no DF diz que vai continuar defendendo mais segurança. O parlamentar garante que quer continuar trabalhando pelo setor. Na vida pública defende pautas polêmicas como a redução da maioridade penal e o fim do benefício de saídas temporárias para presidiários em datas especiais.

O senhor foi o deputado federal mais bem votado no DF. Como foi receber essa notícia?

Eu trabalhei muito para isso e esperava um bom resultado. Com naturalidade fiz um trabalho consistente, uma campanha limpa e bonita. Esperava ter uma votação expressiva, pois minhas propostas eram coerentes e são defendidas pela sociedade há algum tempo. Agora é trabalhar duro para que todas sejam aprovadas e sancionadas. Eu queria agradecer aos meus eleitores e dizer que eu sempre fui fiel e coerente com minhas propostas.

Quais serão suas prioridades em seus primeiros dias de mandato?

Vou organizar meu plano de trabalho para saber quais os caminhos que vou percorrer. Uma das prioridades será acabar com a maioridade penal. Já nos primeiros dias começarei a buscar assinaturas nas ruas e na internet. Como o nosso candidato a presidente da República, Aécio Neves (PSDB), perdeu precisaremos fazer uma grande mobilização para que o projeto seja colocado em votação no Congresso Nacional.  Ele era um dos maiores apoiadores da proposta. O PT deixou claro que é contra a discussão do tema, então vou precisar do apoio popular para colocar o assunto na pauta de discussões.

Reconhecido como especialista em segurança pública, como pretende trabalhar a questão aqui no DF?

Serão várias vertentes. Se melhorarmos o ordenamento jurídico e a legislação é evidente que a segurança pública do Distrito Federal irá melhorar. A legislação é nacional por exemplo, se conseguir acabar com o saidão a lei irá valer para todo o Brasil. Com o fim do saidão vamos evitar que os bandidos que deveriam estar na cadeia cometam crimes nas ruas.  Essa é uma das minhas principais bandeiras. Pessoas que são reincidentes e que tenham vasta ficha criminal não podem continuar andando pelas ruas livremente, colocando a vida do cidadão de bem em risco. Lugar de bandido é na cadeia.

Como pretende acabar com os saidões dos presos perigosos?

Alterando a lei de execuções penais. O preso não tem mais medo de ser preso porque sabe a quantidade de benefícios que recebe após a condenação. Temos que encarar esse problema ou então teremos que conviver com o aumento da violência. Hoje o que vemos é o cidadão de bem preso dentro de casa e os bandidos soltos nas ruas, os papeis estão invertidos. Isso não pode continuar.

Porque acredita que a maioridade penal acabará com a impunidade do menor infrator?

Em Brasília, 30% dos crimes contam com a participação de um menor infrator e a cada uma hora um menor é apreendido cometendo um delito. Não tenho dúvida que a punição irá inibir a participação de menores nos crimes ou que assumam determinados delitos. Em alguns casos o menor assume o crime, pois não serão punidos. Não acredito que as medidas socioeducativas seja uma punição. Defendo que se um menor cometer um crime e tiver consciência do que fez seja punido como um adulto. Chega de passar a mão na cabeça de bandido. Viramos reféns do medo.

O que acha sobre o porte legal de armas?

Sempre defendi que o cidadão de bem tenha o direito de comprar uma arma para ter dentro de casa e defender sua família. Estamos falamos de posse e não de porte. A posse tem que ser permitida para todo cidadão de bem que queira defender sua propriedade, sua família e a sua própria vida. O porte não defendo. Uma pessoa portando uma arma se envolve em uma briga de trânsito e pode causar uma tragédia em um momento de descontrole emocional. O cidadão de bem, trabalhador e sem ficha criminal pode comprar uma arma e se quiser usar nas ruas terá que seguir os requisitos previstos no estatuto do desarmamento.

O senhor foi secretário de Transporte no governo de Arruda. Quanto a esse setor, o que pretende fazer para melhorar?

Quando fui secretário de Transportes fiz todas as mudanças necessárias. Todo o processo de desenvolvimento do transporte urbano foi desenvolvido durante minha gestão. Implantei o bilhete eletrônico, coloquei os primeiros ônibus com acessibilidade, colocamos TVs dentro dos ônibus, criamos os corredores exclusivos, passe livre estudantil e acabamos com os aumentos anuais das tarifas de ônibus. A primeira licitação foi realizada na minha gestão, diferente do que o governo PT fala. Tiramos das ruas uma frota com idade média de doze e deixamos uma com menos de três anos. Agora é papel do governo que vai assumir cuidar do sistema público de transportes.

O DF tem áreas carente de atenção. A saúde, por exemplo, é uma delas…

A saúde passa por um problema de gestão. Dinheiro nunca faltou para o setor no DF. Boa parte dos recursos que a saúde e educação recebem são custeadas pela Fundo Constitucional. O que quero fazer e destinar emendas às áreas para ajudar na parte de recursos, caso seja necessário. Agora a gestão precisa ser feita pelo Governo do Distrito Federal com apoio dos deputados distritais.

Quais as pretensões na vida política para 2018?

Não posso adiantar absolutamente nada. Vai depender do sucesso do mandato e saber o que a população quer. Não adianta ser candidato de nós mesmos. A decisão só será tomada daqui algum tempo. O caminho natural seria o Senado ou quem sabe o governo. Agora a prioridade é trabalhar e aprovar minhas propostas de campanha e honrar cada voto de confiança que recebi. 

O que espera do governo Rollemberg?

Espero que o governador eleito cumpra o que ele prometeu na campanha. É claro que vou posicionar, mas tenho que dar um tempo para que ele possa fazer um trabalho. Vale ressaltar que Rollemberg irá assumir um governo com muitos problemas. Se ele não cumprir os compromissos que assumiu irei para a oposição fazer as críticas necessárias, mas com responsabilidade. O político não é obrigado a prometer nada, mas depois que se compromete precisa cumprir. Rollemberg afirmou que faria um governo diferente que acabaria com a corrupção e coisas erradas. Vou aguardar o início do governo e é evidente que vou fiscalizar e o que estiver errado irei denunciar.

Disputa acirrada para o Buriti

Segundo o analista de risco político Paulo Kramer, o desejo de mudança está claro e isso se atribui ao fato do mau humor econômico do eleitorado e de um repúdio ético generalizado. Para ele, Dilma e Aécio se enfrentarão no segundo turno, enquanto no DF Arruda pode ser eleito no primeiro turno caso siga em frente com sua candidatura

Por Jurana Lopes – Em entrevista ao Jornal da Comunidade, Paulo Kramer, professor da Universidade de Brasília (UnB) e analista de risco político, fez uma avaliação sobre o cenário político nacional e local. Segundo ele, esta será uma eleição bem difícil. No âmbito nacional, Kramer assegurou que é certeza que haverá um segundo turno, já no DF, tudo depende da situação do ex-governador José Roberto Arruda.

Como você avalia as eleições 2014?

O que mais me chama a atenção é o fato de que as pesquisas mostram que ao contrário de 2006 e 2010, quando a maioria do eleitorado não queria mudar, agora 70% dos entrevistados, na pesquisa de vários institutos dizem querer mudar. Podemos atribuir o desejo de mudança a vários fatores, a maioria dos analistas aponta as manifestações de junho de 2013 como um divisor de águas, porque a partir dali a presidente Dilma jamais recuperou os altos índices de popularidade que as pesquisas registravam até então. Antes, acreditava-se que a presidente pudesse vencer a eleição deste ano já no 1º turno. Agora, ninguém mais se arrisca, pois as manifestações embaçaram a bola de cristal dos analistas políticos.

Qual a sua opinião sobre o cenário nacional?

Na minha leitura das pesquisas eu interpreto esse desejo de mudança estando associado a um sentimento de desconforto econômico financeiro geral da população, porque a inflação está voltando, as expectativas de crescimento da economia são sistematicamente mês a mês revisadas para baixo, ou seja, estamos a caminho de mais um ‘PIBinho’, aliás, nunca tivemos um ‘PIBão’ na gestão de Dilma e isso tem alguns efeitos aparentemente paradoxais. Por exemplo: o governo Dilma se vangloria de que tem um dos índices mais baixos de desemprego, e mesmo com as pesquisas de institutos, nota-se que há avaliação dos entrevistados do governo Dilma, até neste quesito é uma avaliação ruim, isso acontece porque mesmo as pessoas estando empregadas elas percebem o clima de paradeira geral da economia e passam a temer por seus empregos no futuro. Como dizem os economistas, na economia as consequências vêm antes, porque são as expectativas dos consumidores, dos trabalhadores e empresários que acabam formatando um ambiente real, onde as pessoas se relacionam. Então, esse desconforto econômico, na minha opinião é o que vai pesar muito na decisão do eleitor, isso não quer dizer que a oposição já ganhou. Um das certezas é que haverá segundo turno.

Como Dilma poderá combater sua baixa popularidade?

O marketing de campanha da presidente Dilma poderá ter sucesso na tentativa de convencer a população de que ela é a mais qualificada para promover essas mudanças que a sociedade tanto cobra. Por mais paradoxal que isso possa parecer, mas o fato é que desde o lançamento da candidatura dela, os sites e redes sociais petistas têm enfatizado a palavra mudança no programa de governo Dilma. Por enquanto é difícil prever, mas quando chegar a hora da propaganda eleitoral na TV dará para prever alguma coisa, pois ela é a principal janela através da qual grande maioria dos brasileiros toma contato com a realidade política. Então, acreditarei mais nos resultados de pesquisas que sejam divulgados nesse período de propaganda eleitoral.

Quais as chances de cada candidato à presidência da República?

Eu acredito que o Aécio é quem vai para o segundo turno com a Dilma. Por questão de estratégia eleitoral e por um último esforço para se viabilizar, a candidatura de Eduardo Campos está tentando ao mesmo tempo que combate o governo Dilma, está tentando descolar de Aécio, para se diferenciar. Enfim, ele procura se diferenciar dos outros dois candidatos. Então, eu acho que a decisão ou a não decisão de Eduardo no futuro vai estar ligada em uma leitura que ele fizer de para onde vai o eleitorado dele, então não se sabe quem ele apoiará no segundo turno. Eduardo Campos tem problemas, pelo menos por enquanto as pesquisas mostram que até mesmo no estado que ele governou, com altos índices de popularidade, a diferença da Dilma para ele, em intenção de votos, é muito pequena. O PT vai continuar buscando no Nordeste tirar a diferença dos votos que não conseguir conquistar nos grandes centros, como São Paulo, Minas Gerais. Nas últimas três eleições, Dilma e Lula tiveram votação majoritária em Minas Gerais, que é o segundo maior colégio eleitoral do Brasil. Acredito que MG deva marchar majoritariamente com Aécio Neves, que é filho da terra e tem tradição. Dessa vez, o PT vai precisar de muita compensação dos votos que ele perderá em MG, que é no Nordeste e no Norte, se o PT vai conseguir isso ainda não se sabe. A Dilma tem mais tempo de TV, dizem os especialistas em comunicação política que o tamanho ideal de duração de um programa eleitoral é de cinco minutos.

Como você analisa a candidatura de Aécio Neves?

Eu, como analista político, vou prestar muita atenção se ele será capaz de seguir a estratégia do avô, Tancredo Neves, que ficou clara na última grande disputa eleitoral em que ele se envolveu, que foi na disputa pelo voto indireto no colégio eleitoral, no final da ditadura e que ele ganhou contra o Paulo Maluf, que é uma estratégia, na minha opinião voluntária ou involuntária, consciente ou inconsciente que se baseia na máxima do grande estrategista militar chinês Sun Tzu de que vence melhor quem vence o adversário antes mesmo da batalha começar. Ou seja, por um processo de descrédito o oponente vai minando as bases da candidatura do outro. Vamos ver se Aécio conseguirá repetir a estratégia do avô.

Você acha possível Dilma Rousseff ganhar novamente?

Eu colocaria em termos de percentuais, hoje: 55% Dilma Rousseff, 35% Aécio Neves e 10% Eduardo Campos, isso dos votos válidos e se as eleições fossem agora.

 Os presidenciáveis podem influir na campanha dos candidatos ao governo do DF?

Sempre gera um impacto. Marina Silva foi a campeã de votos em 2010, o DF tem essa característica de que ao mesmo tempo que reflete a realidade eleitoral nacional, também sinaliza tendências que no futuro poderão ser seguidas pelo restante do Brasil. As pesquisas aqui do DF mostram uma queda da popularidade da presidente Dilma e eu acredito que em Brasília o Aécio ganha. Certamente o Pitiman seria ajudado pela maré Aécio Neves, mas mesmo assim ainda é muito difícil pra ele. Até porque o Arruda tem ligações antigas com o grupo político do falecido presidente Tancredo Neves. A campanha de Arruda, verificando que o Aécio cresce, certamente eles irão tentar intensificar esses laços ostensivos e ocultos.

 Como você avalia o cenário político do DF? Será uma eleição diferente das anteriores?

Acho que Agnelo cresceu nas últimas pesquisas mais por inércia, em comparação com as pesquisas de intenção de votos e avaliação de governo de um passado recente, ele melhorou bastante a ponto de se posicionar em segundo lugar e certamente vai contar com o peso da máquina administrativa local e daquilo que for possível o governo federal fazer para ajudá-lo. Ele vai focalizar em obras, realizações, porque os marqueteiros do PT, tanto da Dilma como de Agnelo partem de uma hipótese que eu considero no mínimo duvidosa: todos os problemas de rejeição que os nossos candidatos encontram hoje se devem quase que exclusivamente a um único fator, desconhecimento dos benefícios que as realizações deles trouxeram e continuam trazendo à população.

 Como você analisa o caso de Arruda?

A candidatura de Arruda é uma incógnita, já que pairam desconfianças de que, caso o Supremo acate a denúncia do Ministério Público, resolva interpretar a Lei da Ficha Limpa de modo a retroagir o castigo, pois até o Arruda registrar sua candidatura, ele ainda não tinha sido condenado em 2ª instância. Em direito, nós sabemos que a lei só pode retroagir para beneficiar, nunca para prejudicar. Mas, quem somos nós para adivinhar o que se passa na cabeça dos ministros do STF. Uma coisa sabemos, a corte hoje é formada esmagadoramente por indicações do ex-presidente Lula e da presidente Dilma Rousseff, então há uma possibilidade bem concreta da candidatura Arruda ser derrotada no tapetão e não nas urnas e isso é obvio que beneficia o candidato Agnelo Queiroz, que é candidato da presidente Dilma. É uma candidatura desde já, marcada pela incerteza jurídica.

 Você acha que haverá segundo turno DF?

Na minha visão, tudo estará condicionado à situação jurídica de Arruda, que hoje é o campeão na intenção de votos.

 Quais as chances de cada candidato ao Buriti?

Na hipóteses de Arruda concorrer eu daria: 55% para Arruda, 20% para o Agnelo e os outros 25% mais ou menos dividido entre os outros candidatos.

 Qual será o nível da disputa para o governo do DF?

Eu não espero nem da campanha nacional e nem da local um alto nível. Eu só receio que determinadas candidaturas exagerem muito nos ataques e nas denúncias. Outra coisa que as pesquisas mostram é que esse eleitor que quer mudar quer conhecer quais as propostas de mudança que serão vendidas a ele como as mais viáveis de acontecer, as mais benéficas se forem adotadas. Então, é importante que todos os candidatos prestem atenção nisso. O eleitor não quer baixaria, ele quer propostas, mas como sabemos, o mais baixo ou alto nível de boa educação em uma campanha eleitoral está sempre condicionado no que eu chamo de dinâmica espontânea da raiva na arena da eleição, é um processo de ascensão ao extremo, ou seja, o candidato A ataca o B, o B resolve responder na mesma moeda e até dar o troco e assim sucessivamente. Muitas vezes, isso beneficia terceiros colocados, que correndo por fora vão crescendo.

 Você acredita no fortalecimento de uma terceira via (Rollemberg)?

O Rollemberg seria significativamente fortalecida na hipótese de a candidatura de Eduardo Campos crescer nacionalmente ou pelo menos crescer muito aqui em Brasília, por causa da Marina. Acho que o crescimento de Rollemberg estará muito condicionado ao crescimento da candidatura de Campos aqui. Além dessa ligação, o Rollemberg está ligado a um político de excelente imagem ética no DF, que é o Reguffe.

 Como você avalia os candidatos ao Senado?

Reguffe tem excelente imagem política no DF, vai tentar chegar ao Senado Federal em uma eleição que será muito difícil, pois é uma vaga só. Quando a eleição tem duas vagas ao Senado fica mais fácil para o candidato se apresentar como o segundo voto de todo mundo e muitos ganham assim. Quando é uma eleição com apenas uma vaga, tende a ser mais dura. O Magela é um político, na minha opinião, trabalhador, persistente, que não abandona seu eleitorado no seguinte sentido: nunca deixa de mandar sinais para o eleitorado. A máquina eleitoral petista, local e nacional, e mais esse traço da personalidade do Magela, vão ajudá-lo bastante, não sei se isso será suficiente para fazê-lo o próximo senador do DF, mas certamente é um candidato muito competitivo. Acredito que a disputa ficará entre Reguffe e Magela. Ao mesmo tempo, não podemos desconsiderar a atuação de outro candidato que também é muito persistente e trabalhador, que é o Gim Argello. A sorte é importante na política também e estar no lagar certo e na hora certa. O Gim provou que é bafejado por essa sorte, como primeiro suplente de Roriz, ninguém imaginava que o Roriz renunciasse antes de terminar o seu primeiro ano de mandato no Senado, o que deu sete anos para Gim, e ele é sortudo.

 Você acredita em uma grande renovação na Câmara dos Deputados? E na CLDF?

Não estou acompanhando diretamente a Câmara Legislativa. No caso da Câmara dos Deputados está sendo prevista uma renovação maior que a média dos anos anteriores, até porque pelo menos cem deputados, pelos mais diversos motivos não concorrerão à reeleição. Isso já representa 25% de renovação se essa expectativa se concretizar. As taxas de renovação na Câmara dos Deputados, ao meu ver, são muito altas, na faixa de 40% a 45%, quase a metade.

 Ao seu ver, a eleição 2014 será mais difícil para os candidatos?

Este ano, particularmente por causa do mau humor econômico do eleitorado e de um repúdio ético generalizado, a classe política que já está na política e quer continuar está vendo este pleito com muito cuidado e receio. Será uma eleição difícil.

 Para ganhar é preciso mostrar o que fez

Roberto Wagner

Secretário de Conselho do Governo, Roberto Wagner Monteiro, disse que Agnelo tem chance de conquistar a reeleição se conseguir mostrar o que fez em seu governo e que a campanha eleitoral será em cima da conversa, sem ataques aos adversários

Por Jurana Lopes - Em entrevista ao Jornal da Comunidade, Roberto Wagner Monteiro, secretário de Conselho do Governo, informou que o grande desafio do governador Agnelo Queiroz (PT) é conseguir mostrar à sociedade o que ele fez em seu governo e o que ainda pode fazer para melhorar a cidade. Segundo ele, a tendência é que se mantenham os mesmos partidos na aliança do governo. Além disso, informou que Geraldo Magela será o candidato ao Senado na coligação.

Como o governo está se articulando para as eleições?

O governador criou uma comissão de articulação política para tratar desses assuntos, que é formada pelo vice-governador Tadeu Filippelli, o ex-secretário particular Raimundo Júnior e eu. Nessas reuniões estamos tratando de três assuntos políticos: coligação para distrital, coligação para federal e a questão do Senado. Para federal existe a possibilidade de termos duas chapas, sendo uma do PT mais alguns partidos e a outra do PMDB mais outros partidos. Para o Senado há uma aprovação muito forte dos partidos em nome do Geraldo Magela. E essa posição ficando igual está hoje, firme, a discussão que irá se apresentar será entre a 1º e 2ª suplências. Ouvindo as indicações para nomes para a 1ª e 2ª suplências existem duas frentes. Uma que se denomina a Frente Cristã, formados pelos partidos de matrizes evangélicas, estão se reunindo para indicar um nome, não seria o de Ronaldo Fonseca porque ele não aceitaria ser suplente. Consta que seria do bispo Manoel Ferreira ou da bispa Lúcia Rodovalho. Esses são os nomes colocados. Além disso, o Wanderley Tavares, presidente do PRB-DF, seria um nome. Do lado do G5, se eles aprovarem o nome do Magela, vão estudar um nome para representar o G5 na disputa da suplência. O nome mais colocado é o do Lucas Kontoyanis, presidente do PHS-DF.

Quantos partidos fazem parte da base governista?

Temos 17 partidos na aliança. Estou incluindo o PTB, porque o senador Gim Argello ainda não disse se vai estar fora da base. É um desejo muito forte do governador que o PTB continue conosco porque o senador Gim foi excepcionalmente leal ao governo, foi o senador no Brasil que mais trouxe recursos da área federal para o seu estado e é um companheiro em todas as horas. Então, há um pleito de gratidão do governo ao senador Gim Argello. Os outros partidos continuam na base e estamos entrando na fase de discussão das alianças, as chamadas coligações. Estamos fazendo encontros diários com três ou quatro partidos e eles estão colocando suas pretensões de coligações. Hoje, coligações já feitas para distrital são: PHS com PTdoB e outra coligação é o PEN com o PSL. Os outros partidos ainda estão estudando. Normalmente, para deputado distrital, a coligação é entre dois partidos.

A aliança permanecerá a mesma? Haverá entrada de mais alguma sigla?

Há um desejo do governador de trazer o Solidariedade, que está fechado a nível nacional com Aécio Neves, mas existe a possibilidade do deputado Augusto Carvalho e a vice, Sandra Faraj, serem convidados para participar das nossas coligações. O PSD, do ex-governador Rogério Rosso também. Rosso ainda não definiu nada e está exigindo que vai ficar do lado da coligação que tiver planos estratégicos voltados para a região do Entorno, ele acredita que a solução de Brasília está no Entorno. Ainda tem a tentativa de fazer coligação com o PSDC.

Existe possibilidade de algum bloco partidário sair da aliança?

Houve um almoço na última semana entre o governador e os 17 partidos. Todos falaram que estão na base, ninguém disse nada de sair. Mas estão em fase de discussão das coligações. Não existe nenhum tipo de revolta por parte dos partidos na questão da vaga do Senado, esse assunto já foi resolvido. É legítima a pretensão do G5 e da Frente Cristã decidir as suplências do Senado.

Magela será mesmo o candidato ao Senado pela aliança de Agnelo?

Há um consenso da maioria dos partidos de que o Magela é o nome mais forte para disputar com o outro candidato, fortíssimo por sinal, Reguffe (PDT). O candidato Reguffe é uma pessoa diferente, o tempo dele é dele, as informações que temos é que ele ainda não se decidiu. Mas temos a impressão de que ele será candidato ao Senado, porque ele passou o tempo todo dizendo que é contra repetir o mesmo cargo eletivo. Como ele já foi distrital e federal, agora é a vez de disputar o Senado, é bem o perfil dele estar no Legislativo. Mas também existe a pressão do PDT nacional, porque se ele fosse candidato a federal iria ser eleito e ainda levaria alguém com ele.

O que o governador Agnelo pode levar para a campanha como realização mais importante de sua administração?

É difícil um governador em qualquer estado dizer que priorizou um setor, porque as pessoas querem, por exemplo: mobilidade urbana. Brasília, possivelmente foi o local que mais se investiu em mobilidade urbana no Brasil. Saúde é outro ponto. Se fizer um levantamento proporcional ao tamanho do Estado, Brasília também vai ganhar como a unidade da Federação que mais se investiu em saúde. Se fizer as contas, também será visto que Brasília foi o lugar que mais se investiu em educação. Segurança também recebeu grande investimento. Também se investiu muito no esporte e lazer, com investimento em estádio, vilas olímpicas. Proporcionalmente, Brasília foi a cidade que mais teve investimentos da área federal nos últimos quatro anos. Isso é mérito do governador, pois se ele fosse antagônico ao Palácio do Planalto, não teria conseguido isso. A melhor coisa para o Distrito Federal é ter um governador aliado ao Palácio do Planalto.

Qual será o nível da campanha política?

Vai depender muito das redes sociais, porque os jornais jamais vão fazer campanha ou divulgar baixaria, não vão se prestar a isso. Mas, nas redes sociais, infelizmente tem muita baixaria e têm pessoas que acham que se combate baixaria com baixaria. Caberá às pessoas saberem diferenciar o que é verdade e o que não é.

Como será realizada a campanha de Agnelo?

A campanha do nosso lado será na boca do governador e do vice-governador. Será o seguinte: “Fizemos isto e vamos fazer aquilo”. Não vamos, nem devemos e não é da índole do governador Agnelo, ficar falando mal das pessoas, atacando. No minha opinião, o eleitor hoje não será mais voltado para as mazelas, mas sim para as ideias, as realizações. Não adianta o eleitor ser levado a votar em A ou B por questão de guerra na rede social, ele tem que fazer a parte dele e escolher aquele que mais pode fazer pela cidade. Essa é a função do eleitor consciente de escolher bem, de votar no melhor. No caso da reeleição, tem que se ver o que foi feito e no caso de quem não é governador, qual é o passado dele e se o passado tem uma lógica com o futuro. Têm pessoas que nascem com o perfil do Legislativo, outras nascem para o Executivo.

Como está a articulação do PRB-DF nestas eleições?

Atualmente sou vice-presidente nacional do PRB. O objetivo, como em todo partido político, é eleger o deputado federal Vitor Paulo e temos também o candidato a distrital, o Júlio Ribeiro, que foi secretário de Esportes. Também temos o foco de contribuir para a reeleição do governador Agnelo Queiroz.

Como o senhor vê as eleições no Distrito Federal?

No DF, se nós conseguirmos mostrar para a população o tanto que fizemos, eu penso que iremos ganhar, porque foi muita coisa que o governador Agnelo fez. Além disso, ele teve a felicidade de contar com o apoio muito forte da área federal, pois nosso orçamento depende muito das verbas federais e a presidente Dilma foi muito amiga do Distrito Federal. Tivemos a ajuda muito forte do senador Gim Argello. Estamos tentando e as pesquisas estão indicando que as pessoas estão começando a ver o que foi feito, se conseguirmos mostrar tudo que fizemos, e acho que vamos conseguir, há uma esperança nossa de que a população vai ser capaz de ver tudo que foi feito e acreditar que vale à pena uma reeleição. Bom, mas isso é uma coisa que demora um pouco a sedimentar no imaginário do eleitor.

E a nível nacional?

A última pesquisa mostrou que a presidente ainda tem possibilidade de ganhar no primeiro turno. A disputa nacional tem o candidato Aécio Neves, que é uma pessoa com baixíssima rejeição, portanto pode crescer também. Tem o Eduardo Campos, também com baixíssima rejeição e Marina Silva, que teve 20 milhões de votos, um número razoável. A dúvida é saber se ela consegue repassar esses 20 milhões de votos para o Eduardo Campos. Mas, cabeça de eleitor é algo imprevisível, às vezes uma frase dita em um contexto, explorada pelo adversário, muda a opinião. Há uma presunção de que haverá uma guerra nas redes sociais, o que é previsível.

Como o senhor avalia os pré-candidatos ao Buriti? Podem ser considerados um perigo para o governador?

São candidaturas legítimas. No caso de Arruda, já foi governador, já foi senador, está gozando de seus direitos políticos e tem legitimidade. O que se imagina é se ele será candidato antes de ter seu julgamento no tribunal. Seria bom que o julgamento fosse antes, e se fosse absolvido, teria toda a legitimidade de ser candidato. Seria muito ruim em termos jurídicos se acontecesse o caso de Arruda ser candidato, ser eleito e em seguida ser condenado e fazer voltar aquela situação de status quo. O caso é uma insegurança jurídica, em que ele pode se eleito e se condenado após tomar posse, sair do governo. O Rollemberg tem toda a legitimidade para disputar as eleições, é extremamente sério e muito vinculado com Brasília, e tem a seu favor um baixíssimo índice de rejeição, pois é uma pessoa muito séria. Não se usa em política a palavra perigo, todo candidato sabe que não existe no Brasil a candidatura única, o regime democrático exige, aliás, para governador eu penso que cinco ou seis candidatos é bom. O deputado Pitiman também é uma pessoa muito séria, um leão para trabalhar, um deputado muito bom, muito legítima a candidatura. Cabe ao governador mostrar à população o tanto que fizemos, e fizemos muito, e mostrar o que poderemos fazer nos próximos quatro anos se houver a reeleição. Nosso trabalho é mostrar tudo o que fizemos e se pelo que fizemos merecemos ser reeleitos para ter mais quatro anos de trabalho profundo.

Em entrevista ao Jornal da Comunidade, o governador do Distrito Federal afirma não ter qualquer relação com as denúncias da Polícia Federal ao contraventor Carlinhos Cachoeira e que tudo não passa de intriga e distorção dos fatos. Para Agnelo, o bicheiro usou o senador Demóstenes Torres para persegui-lo, pedindo inclusive seu impeachment, em 2011, para que ele cedesse às pressões de nomeações no GDF de pessoas ligadas à organização criminosa que atua em vários estados brasileiros

 

ALLINE FARIAS, AMANDDA SOUZA E RICARDO CALLADO

Nos últimos dias, o nome do governador Agnelo Queiroz voltou a ser foco na mídia devido a denúncias de um possível envolvimento dele com Carlos Cachoeira, suspeito de comandar um esquema de jogo ilegal em Goiás.

Para Agnelo, o pedido de impeachment feito pelo senador Demóstenes Torres, em 2011, seria uma forma de pressionar o GDF a ceder às investidas de Carlos Cachoeira, que tentou nomear pessoas ligadas ao grupo criminoso em cargos estratégicos do Buriti. “Na época eu não imaginava, mas hoje reflete a insatisfação brutal do grupo e do partido com o meu governo”, disse Agnelo.

O governador se defende das acusações: “Eu também estou fazendo minha apuração. Estamos pedindo compartilhamento das provas, e qualquer fato encontrado será punido”.

Agnelo afirma não ter qualquer relação com as denúncias da Polícia Federal a Cachoeira e que tudo não passa de intriga e distorção de fatos.

Trechos de conversas divulgadas citam nomes de membros do primeiro escalão do GDF, como o secretário de governo, Paulo Tadeu, o secretário de Saúde, Rafael Barbosa, e o assessor, Cláudio Monteiro, que pediu afastamento do cargo para se defender das acusações.

Em entrevista exclusiva ao Jornal da Comunidade, porém, Agnelo Queiroz observa que em nenhum momento a Polícia Federal confirma, de fato, que ele esteja envolvido em algum esquema de corrupção junto a Carlos Cachoeira e afirma: essa onda de denúncias é uma tentativa, não se sabe de quem, de tentar atingir o PT e, particularmente, o governador do Distrito Federal.

As denúncias da operação Monte Carlo ligam o GDF ao esquema do bicheiro Carlinhos Cachoeira…

Essa crise é do DEM e do PSDB, e de Goiás. Porque a Polícia Federal fez uma longa apuração e todo mundo sabe o vigor dessas apurações da Polícia Federal, mais de um ano e meio grampeando esses atores, cujo objetivo era pegar uma ação ilegal do jogo caça níquel e contravenção. E foi justamente nessa investigação que se identificou as relações desse grupo e essas relações que estão bem caracterizadas nos autos da Polícia Federal. Ressalto: o que sai na imprensa não é o que está na Polícia Federal. Infelizmente, nem toda imprensa dá notícias, especificamente a imprensa nacional. O que a polícia detectou foi a ligação desse grupo com o senador Demóstenes Torres. Trezentas ligações dele pessoais com o Carlos Cachoeira advogando e legislando pelo jogo no Congresso. Isso é fato e pegou uma série de relações de influência do grupo com o estado de Goiás, envolvimento citado pela polícia. Não estou fazendo juízo de valor, porque não tenho obrigação de fazer isso.

Mas a investigação cita políticos…

O que foi investigado pela polícia, dos nomes políticos que estão vinculados a Carlos Cachoeira, a Polícia Federal indicou, desde o senador, deputados federais, prefeitos, governadores etc. Inclusive, indicação de primeiro escalão. Isso é que está nos autos. Mas o que se vê na TV é atacar o governador do Distrito Federal e ninguém ataca o crime, o jogo. Você não vê também falar sobre as outras ligações políticas, também, com o estado de Goiás, que foi apurado e o que não está nos autos é uma tentativa desesperada, desconexa, contraditória para envolver o governador do DF e o PT.

O senhor ou o GDF tem negócios com algum dos personagens dos grampos da PF?

Não tenho nenhum negócio com o Carlinhos Cachoeira ou com o grupo dele. Eu não tenho, nem o GDF tem. Tanto é que todos os diálogos que apresentam mostram a dificuldade que este grupo tem de emplacar alguém no DF. Eles não conseguem indicar uma pessoa, não conseguem indicar um negócio. Então, não tem um único negócio aqui no DF com anuência do GDF. Essa é a maior prova. A segunda maior prova é a própria divergência desse grupo comigo, porque foi justamente o representante desse grupo, o Demóstenes Torres que pediu meu impeachment. Então, achar que um grupo que tem influência aqui, que está fazendo negócio aqui, está pedindo o meu impeachment, a avaliação do próprio Cachoeira num diálogo, que vocês podem observar em alguns jornais, ele fazendo referência de que o governo aqui não vai até o final do ano.

O senhor acha que o pedido de impeachment do Demóstenes não foi uma forma de pressionar o governo a ceder a alguma indicação ou a algum contrato com o grupo?

Eu penso hoje, por que na época não poderia pensar isso, que reflete a insatisfação brutal do grupo dele com o meu governo. Como eu fechei as torneiras para tudo que é tipo de negócios e isso era uma coisa sistêmica em todo governo do DF, então, tenho certeza que aqui, desse grupo, não tem absolutamente nada no governo do DF. Falo isso com, digamos, com muita segurança. Se algum agente, de qualquer que seja o escalão, por iniciativa individual tentou fazer isso, é responsabilidade individual, não vingou e será punido, porque eu também estou fazendo minha apuração. Temos a Secretaria de Transparência e comunicamos ao STF, já estamos pedindo compartilhamento das provas para receber tudo que diz respeito a qualquer pessoa do DF. Isso inclui também o governador. Se tiver qualquer coisa, haverá punição. Portanto, se alguém cometer individualmente, paga individualmente. Eu asseguro que do governo do DF não tem absolutamente nada e as transcrições que temos acesso, que têm saído na imprensa, confirmam isso, apesar de que a imprensa faz uma interpretação que tem ligação, essa é a grande contradição, uma forçação de barra para mostrar uma ligação do GDF com esse esquema.

O senhor disse que o grupo de Cachoeira não conseguiu indicar ninguém, mas chegou algum pedido de indicação até o senhor?

Não chegou, isso que é importante. E tem lógica de não ter chegado. Quando eu assumi, a empresa Delta já estava explorando lixo aqui por decisão judicial, teve uma licitação em 2007, no governo Arruda. Em dezembro de 2010, o governador Rosso cumpriu uma decisão judicial. Quando eu recebi o governo, já estava atuando e cumprindo o contrato.

E por que o diretor do SLU saiu do cargo?

Isso foi uma mudança que fiz antes desses episódios, não tem nada a ver com eles. Não houve pressão desse grupo para a indicação de João Monteiro, como vêm dizendo. Isso não é verdade. Eu escolhi o João Monteiro porque ele é um delegado da Polícia Civil, secretário de Segurança Pública e o motivo pelo qual eu o coloquei lá era justamente porque eu tinha certeza que ele não teria ligação com essa área, no geral.

Por que o senhor escolheu um delegado?

A área de lixo é sempre complicada em qualquer lugar do Brasil. Então, o que fiz? Coloquei um secretário de segurança pública. Ninguém notou um negócio desse. Ele saiu da SSP e foi para SLU. Poder imaginar que ele pudesse ser interesse de alguém não é, pelo menos, razoável. Tem um depoimento que saiu na Folha de S. Paulo, um diálogo desses, do Dadá com o Marcello, onde ele diz “os caras nomearam só inimigos da Delta. O que esses caras me ajudaram até hoje. Ninguém fez p…nenhuma”. Essa é a opinião do cara, representante do Cachoeira, junto à Delta. Não querem saber disso, infelizmente, a campanha que tentaram me envolver. Falo campanha porque não tem denunciante, não tem um partido, um político, estou sendo atacado pela imprensa, com frases desse tipo, para provar uma vinculação. Mas só que, ao apresentar frases, ela nega a acusação. Como pode dizer que esse cara teve influência na indicação se o que está dito é absolutamente o contrário.

O João Monteiro chegou a relatar alguma pressão da Delta ou de alguém ligado ao Cachoeira?

Falam que teve uma reunião entre eu, o João e o Rafael. Um desses diálogos, com bravata, para mostrar influência. Só que eu nunca fiz, nem com Rafael e nem com o próprio João Monteiro, que nunca me relatou nenhum grau de dificuldade e nunca tratei com ele sobre a Delta, nunca despachei com ele. Para mim, era uma área que não tinha problema e eu confiava nele. O que percebo no diálogo de hoje, o cara falando com o cara da Delta, o Dadá, reclamando do Cláudio Abreu que não consegue receber nem o pagamento devido, o que mostra que esse grupo não tinha facilidade aqui. Não teve um aditivo, não teve uma ação que pudesse melhorar as condições, que poderia em condições normais. As evidências e os diálogos não provam uma relação com o GDF.

A que o senhor atribui essa onda de denuncismo?

Tentam sujar o PT. Essa crise é do DEM e do PSDB. Estamos perto das eleições municipais no Brasil e aí a tentativa desesperada de embaralhar o jogo, tentar dificultar, achar que isso facilita não sair a CPI. Acho que é uma nítida campanha para envolvimento do meu nome. Há coisas esparsas, não há nenhuma conversa minha com uma pessoa dessa. Não há conversas do Cláudio Monteiro com alguém. São sempre terceiros. Meu nome aparece somente uma vez, num diálogo que fala que solicitei uma reunião. Nunca aconteceu reunião, nem com o João Monteiro, sobre a Delta. Ele saiu antes desses episódios, foi por um ajuste que estou fazendo no governo. Tentam dizer que eu pedi uma audiência. Isso é forçação de barra e dá interpretação de algo que não está escrito. Nem mesmo a investigação da Polícia Federal, que faz a investigação, afirma, de fato, que estou envolvido. Eles dizem que parece se referir a mim. O que tentam passar para a sociedade é que a PF diz que o cara sou eu, mas a polícia não diz que sou eu. Para tentarem reforçar, dar conotação de veracidade, por exemplo, dizem: “o Marcello, assessor do Agnelo”. Como assessor do Agnelo? Ele estava no governo este ano, na Casa Militar, eu não o conheço. Ele nem estava no ano passado. Nunca estive com ele.

Algum desses personagens citados têm alguma relação mais próxima com o senhor?

O Zunga eu conheço, que é do esporte há muito tempo em Brasília. O Marcello, que é o que está nesse diálogo, não é meu assessor, estão tentando induzir que esse cara tem proximidade, quando na verdade sequer eu o conheço pessoalmente. E ele só entrou no governo porque o Cláudio Monteiro indicou este ano. Esses diálogos são do ano passado.

O senhor encontrou com Cachoeira em Anápolis. O que vocês conversaram?

Eu era diretor da Anvisa e visitei algumas indústrias farmacêuticas por lá e foi uma coisa geral. Tinham várias pessoas lá e as indústrias têm muitos interesses, legítimos. Eu fiz dezenas de reuniões como essa, com todo o setor farmacêutico em Goiás, fiz reunião em São Paulo. Então, não tem nada que não seja legítimo. Estava falando com um empresário do ramo farmacêutico, na área que eu estava atuando. Querem fazer uma vinculação dessa com uma coisa criminosa, eu não era governador e nem candidato. Não estava num exercício de um mandato eletivo. Encontro e vou encontrar com dezenas e centenas de empresários desse país e qualquer político vai encontrar e isso não tem demérito.

O senhor já perdeu o seu chefe de gabinete, Cláudio Monteiro, por ser citado em gravações da PF. Com o surgimento em outros grampos dos nomes dos secretários de Governo, Paulo Tadeu e de Saúde, Rafael Barbosa, eles poderão ser afastados para se defender?

Cláudio recebeu uma acusação de recebimento de dinheiro por influenciar uma indicação. O Cláudio sabe que essa onda é contra o meu governo. Ele foi correto em se afastar, sair do meu governo. São situações diferentes (o encontro dos secretários em um jantar em Brasília, com Cláudio Abreu). Eu confio nos meus secretários. Não podemos condenar reuniões, em que, eventualmente, algum desses interlocutores tiveram algum problema no futuro. Isso será o fim do mundo. Não podemos mais encontrar com ninguém, falar com ninguém?

Caso a CPI seja instalada, o senhor irá se explicar espontaneamente?

Tenho certeza de que a CPI é o pleito correto de voltar à investigação que a PF fez. Temos que nos basear no que foi pesquisado, investigado. Ninguém vai poder inventar nada. Quem me acusa? Qual partido? Não temos respostas. Só a imprensa está me acusando. O que depender para esclarecer da minha parte, irei colaborar. Sou o maior interessado. Tenho convicção de que não tem ação do jogo forte aqui no DF. Essa crise não é de Brasília.

Quando terá fim a greve dos professores? A categoria terá aumento salarial?

Não terá aumento de jeito nenhum. Intensificamos bastante o contato com eles e tenho diversos secretários envolvidos. Queremos acabar com a greve e os números são transparentes. Não há como conceder aumento agora. Eles tiveram 14% de aumento no ano passado. Reajustei o tíquete de refeição, equiparando-o com o do governo federal. Aumentei período extraescolar, para prepararem as aulas e receberem por isso. O piso deles é três vezes maior que o piso do professor nacional.

Quando ficará pronto o plano de carreira da categoria?

Espero resolver isso até o fim do ano. Queremos fazer um esforço para que compreendam isso. Espero sinalizar uma incorporação em 2013, mas agora não posso fazer nada que não poderemos cumprir, por isso, a proposta apresentada não será alterada. A população precisa ver que somos coesos com o que falamos. Cortamos despesas, reduzimos salários de secretários, não estamos contratando concursados. Peço um gesto de confiança, para voltarem a trabalhar e garanto que vamos continuar negociando. Não importa se a greve já durou 30 dias e vai durar mais ou menos. Não terá aumento, portanto, quanto mais cedo conversarmos, melhor. A área da educação foi que a mais recebeu investimentos no meu governo.

Qual o maior desafio na educação?

Melhorar a qualidade do ensino, número de creches, escolas técnicas, implantação de ensino integral, pois é uma área essencial e importante para a vida do povo no DF.

Candidato a distrital, Chico Vigilante vai apresentar projeto para um corte de 30% nos gastos do Legislativo e garante que o setor produtivo não irá mais pagar propina

Marôa Pozzebom, do Jornal da Comunidade

O ex-deputado distrital e primeiro suplente do PT na Câmara Legislativa, Chico Vigilante é novamente candidato a ocupar uma cadeira no Legislativo distrital. Uma de suas propostas é a redução de custos na Câmara Legislativa que poderiam chegar a 30%. Vigilante fala, ainda, nesta entrevista sobre os casos de corrupção que envolveram os poderes públicos brasilienses, diz que o setor produtivo não irá mais pagar propina, denuncia o cartel no transporte público e explica como foi construída a articulação da chapa do candidato a governador, Agnelo Queiroz e a presença do PMDB, que trouxe o vice, Tadeu Filippelli.

Entre suas propostas, pretende priorizar as áreas de segurança pública, saúde, educação, ocupação do solo e principalmente a moralização do Poder Legislativo. Em 2002, Vigilante se elegeu sendo um dos deputados distritais mas bem votados, a sua vasta experiência é marcada desde 1990, quando foi eleito deputado federal com mais de 18 mil votos.

Qual será a sua principal proposta para conseguir uma cadeira na Câmara Legislativa?

Uma Câmara que tem menos de 20 anos de idade e poderia perfeitamente ter sido um exemplo para a população, mas o que a gente vê hoje é um descrédito completo com relação à Câmara Legislativa. Eu já estou com um estudo pronto, um projeto que foi elaborado por técnicos que conhecem profundamente a situação da Câmara Legislativa, e possa assegurar para os eleitores que eu sendo eleito no meu primeiro dia de mandato vou apresentar uma proposta que corta 30% dos gastos da Câmara. Porque não adianta cortar os gastos de um gabinete, nós temos que cortar no todo. E eu estou convencido, o documento aponta isso, são vários incontestes mostrando que a gente pode reduzir 30% dos gastos da Casa e ela vai funcionar muito bem.

O senhor sempre foi um crítico contumaz dos governos federal e distrital, como analisa a atual situação que Brasília está passando?

O DF vive uma situação política muito grave. Eu comparo o DF hoje com a situação que aconteceu no Acre. Em 1990, o secretário de Segurança Pública do Acre que depois virou deputado, Hildebrando Pascoal, que até serrava gente com motosserra. Portanto lá no Acre o prefeito Jorge Viana do PT teve que fazer uma aliança ampla envolvendo desde o PMDB até o PSDB, nós do PT autorizamos a aliança para livrar o Acre do crime organizado. Aqui no DF não é diferente. Nós temos uma situação onde o crime ingressou em todas as esferas de poder. Contaminou o Executivo, o Legislativo e parte do Judiciário do DF passando inclusive pelo Ministério Público. Por isso, nós tivemos que fazer uma aliança ampla no DF pegando todos os partidos que não concordam com essa situação vivida pelo DF e é insuportável para a população. Com essa aliança nós acreditamos que é possível eleger o companheiro Agnelo Queiroz como governador e o Filippelli como vice.

Além de apoio político, o PT está conseguindo atrair o setor produtivo para a campanha de Agnelo e Filippelli?

Nós estamos tento hoje um amplo apoio do setor produtivo do DF que não suporta mais pagar propina. Você pega o empresário que quer investir no DF além de adquirir o lote na área do Pró-DF após ter pago por ele ainda precisa esperar na fila. Portanto, na medida que nós conversamos com o setor produtivo nós asseguramos para ele que no governo Agnelo Queiroz não haverá propina. Porque nós queremos o setor produtivo engajado nesse projeto para gerar empregos. Nós hoje somos uma unidade da Federação capaz de exportar bens e serviços para fora do DF. E nós queremos ampliar ainda mais isso, porque na medida que você amplia a capacidade de oferecer e prestar serviço, abrir a capacidade de empregar no DF ajuda muito a nossa juventude.

Como combater a corrupção?

Eu já conversei com o companheiro Agnelo para combater a corrupção, uma praga que vem se alastrando na política brasiliense, é a criação de uma corregedoria competente e especializada que possa combater todo tipo de corrupção. Eu posso assegurar à população do DF que no governo de Agnelo Queiroz e eu sendo deputado distrital não haverá corrupção, porque, na medida que surgirem denúncias, sejam quem for que tenha cometido qualquer ato de improbidade, será imediatamente afastado. Será apurado e punido. O problema em Brasília é que as pessoas aprontam, roubam e depois não temos punição nenhuma.

Como foi construída a aliança entre PT e PMDB?

Desde que eu era presidente do PT já vinha há três anos conversando com o deputado Tadeu Filippelli, que é o presidente do PMDB, e dizendo para ele da necessidade dessa aliança. A gente sempre conversou isso de maneira madura, mas sem dar muita visibilidade para que as pessoas não atrapalhassem o processo que nós estamos fazendo. E por que a gente fez isso? Porque a briga nossa aqui não foi com o PMDB. A nossa primeira eleição que disputamos em 90, época em que se implantou a eleição direta no DF era candidato do PT o médico Carlos Saraiva e Saraiva e foi candidato do PMDB Elmo Serejo. O Roriz foi candidato pelo PTR. Portanto, a briga sempre foi entre PT e Roriz. Nunca foi PT e PMDB. E a partir do momento que o Filippelli teve a capacidade e a hombridade de enfrentar o Roriz e colocar ele para fora do PMDB facilitou essa aliança que nós fizemos. Nós temos cerca de um terço dos eleitores do DF, mas para ganhar temos que ter 50% mais um. Então primeiramente nós buscamos um candidato que amplia além do PT, e é por isso que eu apoio o Agnelo. Porque além dos partidos de esquerda tradicionais que é PT, PDT, PSB, PCdoB, a gente precisava ir além desse aspecto político, por isso, trazemos um partido de centro como o PMDB, o PRB, enfim até o próprio PTB para essa caminhada.

Qual será o mote da campanha?

Nós vamos mostrar o novo contra o passado. É preciso, e as pessoas de Brasília são inteligentes, porque esse esquema de corrupção do DF não é esquema de três anos ou de três meses, ele tem vinte anos. Portanto, o pai de tudo isso não foi o Arruda, ele só aperfeiçoou o esquema, porque, a origem de tudo isso foi nos governos anteriores. Todos os males existentes no DF ligados a corrupção foram implementados nas últimas duas décadas. Isso que é insuportável.