PSDB e DEM: como se deram mal
A Caixa de Pandora deu um freio de arrumação na política local e reduziu a pó algumas candidaturas tidas antes como favoritas. Também aposentou políticos e assessores que fizeram carreira há anos no serviço público. Mas, além de atingir pessoas, também complicou a vida de alguns partidos políticos.
Antes poderosos, com uma máquina partidária invejável e disputados a tapa por candidatos, pode-se dizer, com antecedência dos três meses para a data do pleito, que PSDB e Democratas são os grandes derrotados da Eleição 2010. Já entraram na campanha derrotados.
O Democratas tem uma situação ainda pior. Perdeu o governador, o vice-governador, o presidente da Câmara Legislativa, o comando do Palácio do Buriti. Perdeu o poder e o glamour. Muitos podem pensar que ainda lhe restou um bom patrimônio eleitoral como seus quatro deputados distritais (Eliana Pedrosa, Raad Massouh, Geraldo Naves e Paulo Roriz), um deputado federal (Alberto Fraga) e um senador (Adelmir Santana).
Mas, vamos aos fatos. Dos quatro distritais, dois não foram eleitos e sairam da suplência devido a infortúnios judiciais dos ocupantes titulares. E, o que é pior, o partido não conseguiu convencer nenhuma outra legenda, mesmo nanica, a fazer uma aliança para melhorar a totalização de votos. É praticamente impossível o Democratas conseguir atingir o coeficiente eleitoral para reconduzir os quatro à Câmara Legislativa. Se conseguir eleger dois será um grande feito. A condução das negociações foi de um amadorismo impressionante, fruto talvez dos desentendimentos na cúpula regional.
No Congresso Nacional, houve uma troca de posições. O deputado Fraga é candidato ao Senado e o senador Adelmir é candidato à Câmara Federal. Fraga bem que tentou viabilizar uma candidatura ao governo do DF, mas o isolamento a que o DEM foi submetido e a briga interna o fez desistir. Resultado: o partido caiu no colo de Roriz. De tanto criticar o PSDB, o Democratas queimou a língua e tomou o mesmo caminho. É exagero falar que a legenda está a caminho da extinção no DF, mas que terá que passar por um duro recomeço, terá.
No PSDB a situação é menos crítica. Mas a vida também não será fácil para os distritais. Como o DEM, o partido não conseguiu uma aliança que a ajude a atingir o coeficiente eleitoral. Hoje, são dois tucanos na Câmara Legislativa (Raimundo Ribeiro e Milton Barbosa), que ainda terão que disputar vaga dentro da legenda com o ex-deputado Zé Edmar, bom de voto e de confusão. Além disso, a novata Sandra Faraj promete movimentar a máquina da fé ao seu favor. No Congresso, a ex-governadora Maria de Lourdes Abadia é a grande aposta para a legenda voltar a brilhar. Ela vai tentar uma vaga ao Senado e vai travar uma briga sangrenta com Alberto Fraga pela segunda vaga, tendo ainda a sombra do socialista Rodrigo Rollemberg na disputa. A situação de Cristovam Buarque é cômoda e será o mais bem votado ao Senado.
Ou seja, tucanos e democratas podem sair da campanha eleitoral menores do que entraram. Ficaram isolados e quando tomaram rumo, já era tarde para ocupar os melhores lugares. Correm o risco de serem ultrapassados em cadeiras na Câmara por nanicos como PSC e PMN e não tão nanicos como o PP e o PR. A Caixa de Pandora foi implacável com as duas legendas. Quem sobreviver no tucanato e nos democratas terá a árdua missão de reestruturar o seu partido para, quem sabe, terem um 2014 menos complicado.

Acabou a incerteza. Depois de muita conversa e diferentes convites, o senador Adelmir Santana decidiu sair do Democratas e se filiar ao PSB. A festa de filiação acontece hoje, às 10h30, na sede do PSB/DF (304 Norte, Bloco A, sobreloja). A decisão foi tomada depois do senador atestar a indecisão do DEM em apresentá-lo como candidato ao Senado na disputa de 2010. “Saio do Democratas por causa da indecisão do partido em e pela certeza de que vou ser senador em outra agremiação”, afirmou Adelmir.
O deputado federal Ricardo Quirino dos Santos, Pastor Quirino, enviou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) pedido de justa causa para desfiliação partidária. O deputado disputou a última campanha pelo extinto Partido Liberal (PL), atual Partido da República (PR), pelo Distrito Federal, nas eleições de 2006, ficando na primeira suplência da coligação com o PFL, atual Democratas. No pedido, ele alega que vem sofrendo grave discriminação dentro da legenda.

Cearense de Fortaleza, é diretor de Redação do Grupo Comunidade de
Comunicação - editor do Jornal da Comunidade, Jornal Coletivo e do portal Comuniweb.