Posts Tagged ‘Corrupção’

Foto : George Gianni

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A oposição já colhe assinaturas no Congresso para instalar uma nova CPMI da Petrobras no início de 2015. O anúncio foi feito pelo presidente nacional do PSDB, senador Aécio Neves (MG), um dia depois de o PT finalizar o relatório da atual comissão sem o indiciamento de nenhum dos investigados na operação Lava-Jato da Polícia Federal. Para Aécio, a base da presidente Dilma Rousseff provocou um fim melancólico e vexatório das investigações.

“Já estamos colhendo assinaturas para instalar uma nova CPMI já a partir do início de fevereiro, porque o Congresso Nacional não pode privar-se de avançar nas investigações diante de algo de tamanha gravidade e tamanha irresponsabilidade”, disse em entrevista à imprensa em Belo Horizonte nesta quinta-feira (11).

Para o tucano, a sociedade brasileira espera punição exemplar para os envolvidos no que chamou de “maior crime de corrupção da história brasileira”. Aécio também fez um chamado à população para pressionar o Congresso a avançar nas investigações. “Se existe CPMI hoje é por causa da oposição. Infelizmente, a base do governo foi quem abafou as investigações. Cotamos com a opinião pública para que essa nova CPMI não tenha o desfecho vexatório que essa proporcionou ao Brasil”, afirmou o presidente nacional do PSDB.

As declarações foram dadas após reunião com deputados estaduais e federais do PSDB e da base aliada em Minas Gerais. Ao todo, 43 parlamentares participaram do evento, que contou com a presença do governador do estado, Alberto Pinto Coelho.

Na reunião, Aécio agradeceu o apoio dos parlamentares na eleição e ressaltou a necessidade de união da oposição. “Nosso papel é de uma oposição vigilante, atenta no campo federal e no estadual. A minha determinação em cumprir esse papel é a mesma que se tivesse vencido as eleições. Precisamos estabelecer um nível de oposição, claro e firme. Não questiono o resultado das urnas, fui o primeiro a reconhecer isso, mas nós vamos cobrar, e cobrar incessantemente, os compromissos assumidos pela candidata nas eleições”, anunciou.

Aécio lembrou que os vencedores das eleições no âmbito federal estão com dificuldade de sair às ruas em razão das medidas, tomadas após a disputa, que revelaram um Brasil diferente do apresentado pela propaganda petista. “Aquilo que denunciávamos sobre o rombo nas contas públicas se mostrou verdadeiro”, disse ao se referir à aprovação do projeto de lei que livrou a presidente Dilma de cumprir a meta fiscal após ter gastando além do previsto para 2014.

Isso, segundo Aécio, é um dos motivos que têm gerado os protestos contra o governo Dilma ocorridos nas últimas semanas em algumas capitais do país. “Esta eleição despertou uma parte da população brasileira que estava adormecida. Esse Brasil está nas ruas e nas redes. Temos que expressar esse sentimento em relação à corrupção, ao desgoverno, aos baixos indicadores na economia e à volta da inflação. Faremos uma oposição dentro das regras democráticas.”

Questionado sobre a posição do partido em relação às manifestações que pedem o retorno da ditadura, Aécio reprovou qualquer iniciativa que se dê fora do campo democrático. “A nossa história é muito coerente. A minha oposição é no campo da democracia, e vamos fazer essa oposição em favor do Brasil e dos brasileiros. Se existe algum sentimento na sociedade de saudosismo, obviamente eles se manifestação longe de nós e não têm nenhuma vinculação com a oposição democrática que fazemos no Congresso e que temos que fazer nas ruas também”, ressaltou o presidente nacional do PSDB.

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O medo instalou-se no partido. É por isso que ele não consegue celebrar a vitória de Dilma.

Por Ricardo Noblat

O PT encontrou um antídoto que julga eficiente para qualquer embaraço grave que a presidente Dilma Rousseff enfrente doravante: a denúncia de golpe.

Sim, há um golpe em curso contra Dilma, segundo o PT. E tudo haverá de ser feito para evitá-lo.

Gilmar Mendes, ministro do Supremo Tribunal Federal, foi sorteado para analisar as contas de campanha de Dilma. O lance, ora, faz parte do golpe.

Um lance que dependeu de sorteio – mas não importa. Até os fados, muitas vezes, favorecem o mau contra o bem.

Gilmar é ministro graças a Fernando Henrique Cardoso, que o indicou. Lula cabalou o voto dele para absolver os mensaleiros. Gilmar denunciou a cabala e desde então foi promovido pelo PT à condição de seu inimigo.

Uma equipe de 16 técnicos do Tribunal Superior Eleitoral encontrou irregularidades nas contas de campanha de Dilma.

Olhe aí! Bem que o PT avisou. É golpe. Mais um lance do golpe!

Se Gilmar propuser a desaprovação das contas de campanha de Dilma, seu voto será confrontado com os votos de outros seis ministros. Entre eles, o governo tem folgada maioria.

Mas e daí? Trata-se de um golpe e pronto!

Digamos que as contas da campanha acabem rejeitadas. Ainda assim Dilma seria empossada. E teria tempo suficiente para corrigi-las. Só perderia o cargo se não as corrigisse. É quase impossível.

Onde estaria o golpe nesse caso?

Ora, no ar, nas nuvens, no clima, em qualquer lugar.

Na verdade, a denúncia de golpe serve para vitimizar Dilma e o PT. E aumentar, se der certo, o apoio popular dos dois.

Serve, também, para disfarçar o momento delicado que Dilma atravessa. Afinal, a Justiça denunciará empreiteiros envolvidos na roubalheira da Petrobras.

E no PT se teme que a denúncia aproxime ainda mais o escândalo do gabinete de Dilma. E – quem sabe? – do gabinete do vice Michel Temer.

O doleiro preso Alberto Yousseff, em troca de delação premiada, contou coisas que até Deus duvida. E comprometeu Lula e Dilma. Disse que eles sabiam da roubalheira.

Não basta ao delator que delate. Caso minta perderá o benefício de uma pena menor. Delação premiada não se sustenta com mentiras.

O PT decidiu organizar de última hora uma manifestação contra o golpe a se realizar amanhã, em Brasília. Se tiver certeza de que a manifestação reunirá muita gente, Lula comparecerá. Do contrário, não.

Sabe o que de fato acontece?

O PT ganhou mais quatro anos de governo, embora por pouco. Por uma diferença mínima. A menor desde que ele chegou ao poder pela primeira vez em 2002. Ainda não se recuperou do susto.

Perdeu 18 vagas na Câmara dos Deputados. E meia dúzia no Senado. Para que governe, dependerá do apoio do PMDB. Quase metade dos convencionais do PMDB, em meados deste ano, rejeitou o apoio à reeleição de Dilma.

Em fevereiro próximo, o PT completará 35 anos de vida. Nasceu à sombra de Lula. Alcançou o poder por meio de Lula. Dependerá de Lula para não ser expurgado do poder em 2018. Não é uma trajetória brilhante.

O medo instalou-se no partido. É por isso que ele não consegue sequer celebrar a vitória que colheu há coisa de mês e meio.

Rodrigo Janot

Rodrigo Janot

Rodrigo Janot faz agora pela manhã um duro discurso na Conferência Internacional de Combate à Corrupção,  na sede da Procuradoria Geral da República, e cobra um choque de transparência na Petrobras, com a substituição de toda a sua diretoria – inclusive Graça Foster – e a colaboração da empresa com o Ministério Público e demais órgãos de controle.

O discurso, pelo Dia Mundial de Combate à Corrupção, cobra ainda Dilma Rousseff pela regulamentação da Lei Anticorrupção, que permitira a punição de pessoas jurídicas em atos de corrupção.

Janot também convoca procuradores da primeira instância a iniciar ações penais e de improbidade administrativa contra os que “roubaram o orgulho dos brasileiros” pela Petrobras.

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Pesquisa indica que 25% veem ‘pouca responsabilidade’ da presidente. Para 20%, ela não é responsável. Aprovação do governo é de 42%

Do G1, em Brasília – Pesquisa Datafolha divulgada neste domingo (7) pelo jornal “Folha de S.Paulo” mostra que 43% dos entrevistados julgam que a presidente Dilma Rousseff tem “muita responsabilidade” em relação ao escândalo de corrupção na Petrobras. Para 25%, Dilma tem “um pouco” de responsabilidade.

Somados os percentuais de “muita” e “pouca”, 68% consideram que ela tem algum tipo de responsabilidade. Na avaliação de 20%, Dilma não tem responsabilidade – 12% não souberam responder.

Segundo informou o jornal, o levantamento também indicou que 42% dos entrevistados avaliam como “bom” ou “ótimo” o governo da presidente, 33% como “regular” e 24% como “ruim” ou “péssimo”. Para 50%, ela fará um bom segundo mandato.

O Datafolha ouviu 2.896 pessoas entre as últimas terça (2) e quarta-feira (30) em 173 municípios. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.

Para 85% dos entrevistados, houve corrupção na Petrobras; 13% disseram que não sabem; 2% consideram que não houve. Dentre os que responderam que houve, 41% acham que os beneficiados foram partidos políticos; 11%, empreiteiras; 8%, funcionários da Petrobras; e 35%, todos.

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Enfraquecido, farto, desapontado, o povo brasileiro adormece entorpecido

Episódios de mau uso do dinheiro público andam na Justiça mas precisam finalizar com a devolução integral aos cofres do governo. A punição não deve ser focada na figura pública sendo massacrada com holofotes e microfones.

Mais medo desperta ter que devolver o que foi surrupiado do bem público. Ações de improbidade protocoladas com ações cautelares de indisponibilidade dos bens é um bom começo. Difícil é o mês onde a Polícia Federal descanse sem que apareça mais uma operação cheia de surpresas.

Pagamento de propinas, filmagens secretas, gravações e até buscas e participação internacional em investigações. Pessoas que receberam a confiança do povo para representá-lo, empresários respeitados, até mulheres da sociedade se viram surpreendidas e expostas à opinião pública.

Quantos casos mais as instituições respeitadas no Brasil vão esperar acontecer para se posicionar? A oposição que se comprometeu em ser ferrenha brada com uma voz inaudível. Movimentos populares são presos em computadores porque as táticas de guerrilha se infiltram no meio do povo insatisfeito fazendo parecer baderna.

Fatos fartamente documentados ainda tropeçam em firulas nos meandros das cortes de justiça. É sabido que justiça tardia, não é justiça. O fato adquire feições mais impressionante quando se observa a impunidade. Além de não devolver o dinheiro, gozam da mesma liberdade dos justos.

Enfraquecido, farto, desapontado, o povo brasileiro adormece entorpecido. Enquanto preenche o imposto de renda assiste o suor diário servir a toda espécie de crime institucionalizado. Políticos de outros tempos saiam ostentando a posição com orgulho.

Hoje os carros blindados com vidros escuros são as primeiras providências de proteção. A morosidade da justiça , aliada ao poder econômico dos réus que são defendidos por bancas renomadas, explicam parte da demora no desfecho dos processos.

A outra parte que explica a não punição dos acusados pode ser encontrada no nevoeiro do tempo ,que tem o dom de trazer o esquecimento embaçando a memória, cobrindo todos com o manto do perdão. (Fonte: Blog do Ari Cunha)

A presidente Dilma Rousseff cumprimenta um funcionário antes de embarcar de volta para o Brasil após reunião do G20, na Austrália

A presidente Dilma Rousseff cumprimenta um funcionário antes de embarcar de volta para o Brasil após reunião do G20, na Austrália

Na Austrália, onde participa do G20, presidente disse que seu governo é o ‘primeiro na História’ a investigar corrupção

Por Deborah Berlinck, de o Globo – No seu primeiro pronunciamento desde a prisão espetacular de chefes de empreiteiras no escândalo de corrupção da Petrobras, a presidente Dilma Rousseff exaltou o mérito do governo de estar investigando a corrupção “pela primeira vez na História do Brasil”. E ainda culpou governos passados pela corrupção que está acontecendo hoje na empresa, afirmando que ninguém fez nada antes dela para combater.

Para a presidente, o escândalo será um marco na história do país:

- Eu acho, de fato, que isso pode mudar o país para sempre. Em que sentido? No sentido de que se vai acabar com a impunidade. Este é, para mim, a caracteristica principal desta investigação.

Vestida num terno marrom claro, respondendo tranquilamente a todas as perguntas, a presidente disse que nem ela, nem o país vão se abalar por causa disso. É parte do jogo democrático, afirmou.

- O Brasil não se abala por um escândalo – disse.

Para ela, o escândalo não vai significar o fim e nem a revisão de todos os contratados do governo com as principais empreiteiras do país, muito menos uma devassa na Petrobras:

- Não acho que nem a Petrobras, nem todas as empreiteiras… não dá para demonizar todas as empreiteiras desse país. São grandes empresas e se A, B, C ou D praticaram malfeitos, atos de corrupção, ou de corromper, pagarão por isso.

Segundo ela, é “um absurdo fazer raio-x de todas as companhias para trás” – isto é, rever todos os contratos:

- Não tem como fazer isso. Não se pode achar que todo mundo cometeu delito. Isso não ocorre. Não é assim que a Justiça age. Para achar que alguém cometeu delito tem que ter indícios. Não vou sair por aí procurando todas as empresas.

Falando logo após o encerramento da reunião de líderes das 20 maiores economias do mundo – G20 – em Brisbane, na Austrália, a presidente ainda culpou governos passados pelos escândalos de corrupção hoje na Petrobras. Depois de dizer que poderia listar uma “quantidade imensa de escândalos no Brasil que não foram levados a efeito”, ela alfinetou:

- E talvez sejam esses escândalos que não foram investigados que são responsáveis pelo que aconteceu na Petrobras.

A presidente se disse convencida que a investigação vai mudar também as relações entre sociedade, estado e empresas privadas.

- Eu acho que mudará para sempre as relações entre a sociedade, o Estado e as empresas privadas. O fato de nós, neste momento, estarmos vendo isso investigado de forma absolutamente aberta é um diferencial imenso.

A presidente garantiu ainda que os culpados serão punidos e frisou que este não é o primeiro caso de corrupção da História do Brasil – mas é o primeiro a ser investigado, o que, na sua visão, é um mérito do governo.

- Você não vai acreditar, não é, que nós tivemos (agora) o primeiro escândalo da nossa História. Nós tivemos o primeiro escândalo de nossa História investigado. Há aí uma diferença substantiva.

Dilma disse que as investigações na operação Lava Jato vão ter impacto em outros casos de corrupção:

- É uma investigação que vai necessariamente colocar à luz todos os processo de corrupção, inclusive de uso internacional de algumas atividades. Isso ela vai.

A presidente defendeu veementemente a Petrobras.

- Não é monopólio da Petrobras ter processos de corrupção – disse, lembrando que um dos maiores casos de corrupção investigados no mundo foi da gigante de energia americana Enron, que faliu.

E partiu em defesa da honra dos funcionários da estatal brasileira, afirmando que a maiora não são corruptos:

- Nem todos, aliás, a maioria absoluta, quase, dos membros da Petrobras, não é corrupta. Agora, tem pessoas que praticaram atos de corrupção dentro da Petrobras. Mas não se pode pegar a Petrobras e condenar a empresa. O que temos que condenar são pessoas. Pessoas dos dois lados : corruptos e corruptores.

O escândalo da Petrobras, segundo a presidente, também não vai atrapalhar o seu governo ou abalar o apoio no Congresso para a reforma ministerial:

- Nas duas hipóteses, é não.

Dilma deixou claro que, dentro das pessoas cogitadas para o futuro ministério, não há ninguém que possa estar envolvido no escândalo.

- Você há de convir que essa questão da Petrobras já tem um certo tempo. Então, nada disso é tão estranho para nós. Nós não sabíamos as pessoas concretas. Mas a investigação nós sabemos dela.

Dilma Rousseff também não se abalou com as manifestações de rua ou com alguns manifestantes pedindo impeachment ou até intervenção militar no seu governo.

- Eu não concordo com o teor das manifestações. Mas com a manifestação em si, não tenho nada contra ou a favor. O Brasil tem espaço para a manifestação que for, mesmo uma que signifique a volta do golpe (militar). Porque somos hoje, de fato, um país democrático. Um país democrático absorve e processa até propostas mais intolerantes. O Brasil tem essa capacidade de abosrver e processa.

 

Mais de uma centena de jovens líderes, jornalistas, especialistas em mídia social e músicos que lutam contra a corrupção reúnem-se, nesta segunda e terça-feiras, 5 e 6 de novembro, no Orla Clube de Engenharia, em Brasília (DF), no 3º Fórum Mundial ‘Vozes Contra a Corrupção’, para discutir problemas governamentais, trocar experiências e ideias e colaborar em projetos anticorrupção.

O Fórum irá se basear em medidas geradas pela rede Juventude Global Anticorrupção, que vem crescendo e se consolidando auxiliada pelo World Bank Group, com 1,5 mil membros ativos em sua plataforma online (www.voices-against-corruption.org). O Fórum oferecerá treinamento em desenvolvimento, usando Tecnologias de Informação e Comunicação para governança, gerenciamento de projetos, arrecadação de fundos e responsabilidade social. Entre os participantes do Fórum estarão – além de jovens líderes e membros da rede GYAC – Vinicius Wu, secretário-chefe de Gabinete do Governador do Estado do Rio Grande do Sul, e Sanjay Pradhan, vice-presidente do World Bank Institute.

“O programa Voices Against Corruption nasceu da conclusão do World Bank Group de que não há um domínio das respostas aos nossos mais urgentes problemas de desenvolvimento, incluindo aqueles ligados à corrupção”, diz Pradhan. “Trabalhamos duro para conseguir reunir os jovens e estamos orgulhosos do que eles conseguirem realizar desde que a rede foi fundada na Bélgica, em maio de 2010. O World Bank Institute dá suporte com muita satisfação a diversos projetos que, em parceria com o programa British Council Global Changemakers, impactaram diretamente em 315 mil pessoas até o momento e beneficiaram milhões.”

Após os dois dias de Fórum, os participantes marcarão presença na 15ª Conferência International Anticorruption (IACC), que acontece de 7 a 10 de novembro, no Centro de Convenções Ulysses Guimarães, também em Brasília (DF). A rede Global Youth Anti-Corruption Network está co-patrocinando o evento como parceira oficial da IACC. Membros da rede irão realizar dois workshops e um plenário especial na conferência, a qual deve ter 3 mil participantes. A rede, por meio do WBI, auxilia também a conferência, com as bandas vencedoras da competição anticorrupção Fair Play, o braço musical da programação. Os vencedores deste ano vêm de Egito, Indonésia e República Democrática do Congo.

“O movimento mundial anticorrupção necessita da voz da juventude – não apenas da voz dos cantores, mas também da voz que os incentiva a desenvolver projetos de forma diferente, engajando os cidadãos em mídias sociais, acrescentando informações a mapas online e a blogs, usando a internet para envolver pessoas importantes dos governos para criar uma sociedade mais aberta, em que acordos feitos por baixo dos panos não serão mais tolerados na direção de um país”, diz Boris Weber, especialista sênior em governança no WBI. “No último IACC em Bancoc houve uma grande ênfase em envolver e mobilizar todos os setores da sociedade, especialmente o jovem, na luta contra a corrupção. Nós estamos dando continuidade a essa missão ao permitir que os jovens assumam papéis ativos no IACC deste ano. Eles não são mais apenas consumidores, usuários e beneficiados pelas iniciativas anticorrupção: são nossos parceiros, membros e participam das decisões.”

O Fórum 2012 é organizado com o apoio do Governo da Bélgica, da Fundação Internacional Jeunesses Musicales, do British Council Global Changemakers, da Transparência Internacional e da 15ª Conferência Mundial Anticorrupção.

 

Com o apoio de entidades da sociedade civil, a Ordem dos Advogados do Brasil, Seccional do Distrito Federal (OAB/DF) realiza na sexta-feira (7 de Setembro) a 4ª Marcha Brasil Contra a Corrupção. A concentração será a partir das 9h, na Esplanada dos Ministérios, em frente ao Museu Nacional, com encerramento na Praça dos Três Poderes.

Organizada pelo Movimento Brasil Contra a Corrupção (MBCC), a marcha terá como pauta o julgamento e a condenação dos mensaleiros, educação e saúde pública de qualidade, fim do voto secreto parlamentar e ficha limpa para todos.

Segundo o vice-presidente da Seccional, Emens Pereira, é importante que as pessoas se conscientizem da existência do político corrupto e percebam o impacto negativo que a corrupção provoca na precariedade da educação, da saúde, da segurança pública e nos demais setores públicos.

“Essa prática ofende e macula a dignidade do ser humano. Um exemplo disso é a fragilidade da segurança pública, que vive um descompasso em relação ao aumento da violência. A corrupção existe, e precisamos conscientizar a sociedade, afirma Emens.

Durante os preparativos da Marcha, a OAB/DF se reuniu com o Conselho Federal e ganhou o apoio de importantes organizações como a ONG Contas Abertas, o Sindicato dos Delegados de Polícia do DF, a Fecomércio e a Confederação Nacional dos Trabalhadores na Indústria.

 

Presidente da OAB-DF, Francisco Caputo

A OAB/DF manterá seu apoio ao movimento contra a corrupção. A entidade vai participar da “2ª Corrida e Caminhada – Venceremos a Corrupção”, marcada para o dia 11 de dezembro. A largada será às 9 horas, em frente ao Congresso Nacional. No início deste mês, o presidente da Ordem, Francisco Caputo, recebeu os organizadores do evento e reiterou seu apoio ao movimento.

“A Ordem não poderia deixar de participar desse movimento. Esse tipo de iniciativa enche de esperança a OAB e o povo brasileiro. Não seremos tolerantes com atos de corrupção. Nossa bandeira une homens e mulheres de bem do nosso país. Ir às ruas revela às autoridades do Executivo, do Legislativo e, principalmente, do Judiciário, que o povo não aguenta mais a impunidade e exige mudanças”, afirma Caputo.

 

A ONG Rio de Paz, em parceira com os organizadores da Marcha Contra a Corrupção, fincou 594 vassouras verde-amarelas na Esplanada dos Ministérios, em frente ao Congresso Nacional, como ato público contra a corrupção. Foto Antonio Cruz/ABr

 

O setor produtivo brasiliense está engajado na luta em favor da ética na política. A Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Distrito Federal (Fecomércio-DF) realizará nesta quinta-feira (15/9), às 10h30, na sede da instituição, uma reunião extraordinária para lançar um manifesto contra a corrupção. O documento foi aprovado por toda a Diretoria da entidade e conta com o apoio dos senadores que integram a Frente Suprapartidária de Combate à Corrupção e à Impunidade.

“Lutar contra a corrupção é hoje imperativo para todos os brasileiros”, diz o presidente da Fecomércio-DF, Adelmir Santana. “Combater o roubo de recursos públicos é essencial para que o Brasil cresça com justiça social, elevação da renda e da qualidade de vida, redução das desigualdades, extinção da miséria e verdadeira democracia”, completa. A expectativa dos organizadores é que a iniciativa ganhe a adesão de outras entidades.

Além dos representantes da Federação do Comércio, são esperados os senadores Rodrigo Rollemberg (PSB), Jarbas Vasconcelos (PMDB), Casildo Maldaner (PMDB), Randolfe Rodrigues (PSOL), Pedro Taques (PDT), Eduardo Suplicy (PT), Katia Abreu (DEM), Marcelo Crivella (PRB), Mozarildo Cavalcanti (PTB), Pedro Simon (PMDB), Ana Amélia Lemos (PP) e Cristovam Buarque (PDT).

 

O senador Cristovam Buarque (PDT-DF) disse, em pronunciamento nesta quinta-feira (8), que a presidente Dilma Rousseff “vai cometer um grande erro” se tentar se isolar do movimento anticorrupção em curso no país. As comemorações de 7 de setembro, na quarta, foram marcadas por manifestações em diversas cidades.

- Acredito que (o movimento) não vai parar. Há um caldeirão favorável à essa indignação – disse o parlamentar.

Cristovam afirmou que a presidente é “uma heroína” e que sua história “é bonita demais” para jogar fora por conveniência de pessoas que estavam do lado “daqueles que a torturaram”. Para o senador, a presidente tem de entender a dinâmica desse movimento social, sob pena de cometer “um suicídio histórico”.

O parlamentar ressaltou, entretanto, que a presidente pode ser “prisioneira das circunstâncias”. Em sua opinião, os senadores têm que ajudar a presidente a se livrar das “amarras”.

Para o senador, a luta contra a corrupção deve ser capitaneada pelo Poder Executivo. Ele se disse contra a criação, no momento, de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar a corrupção no governo.

Marcha em Brasília

Cristovam Buarque destacou a dimensão da marcha contra a corrupção em Brasília, a maior do país no Dia da Independência, com cerca de 25 mil participantes. Ele lamentou que a imprensa costume falar da corrupção como um mal de Brasília e não dos políticos que estão na capital.

Segundo o senador, a população exige não só o fim da corrupção no comportamento, mas também o fim da corrupção nas prioridades. Como exemplo deste tipo de corrupção, lembrou que o Brasil admite gastar R$ 50 a 60 bilhões para realizar uma Copa do Mundo, mas não investe “R$ 5 ou 6 bilhões” para erradicar o analfabetismo. Citando a comemoração do Dia Internacional da Alfabetização, nesta quinta, o senador informou que o Brasil tem 14 milhões de analfabetos adultos.

Cristovam Buarque defendeu a aprovação de dois projetos de lei de sua autoria que transformam a corrupção em crime hediondo (PLS 253/06 e PLS 223/07), a exemplo de projeto semelhante do seu colega de partido, senador Pedro Taques (PLS 204/11).

Apartes

Em aparte, o senador Pedro Simon (PMDB-RS) reiterou sua posição contrária à CPI da Corrupção, exposta pouco antes em Plenário. Segundo ele, hoje, as CPIs não são “coisa séria” no Congresso. Ele sugeriu que, em vez de CPI, haja um esforço conjunto para combater a corrupção.

- Vamos chamar o PMDB, o PSDB, o PT, todo mundo e encontrar uma fórmula para fazer as modificações daqui para o futuro, para que essas coisas não se repitam – disse.

O senador Waldemir Moka (PMDB-MS) também se declarou contrário à instalação de uma CPI, no cenário atual, por temer que as investigações paralisem o governo. Ele ressaltou, porém, que pode vir a assinar o requerimento no momento oportuno e aproveitou para criticar parlamentares que dão apoio à CPI e logo em seguida retiram a assinatura.

Para Moka, o papel do Congresso agora é de apoiar a presidente Dilma nas ações contra a corrupção.

- Temos que garantir à presidente que, em tudo que ela fizer a respeito de punir qualquer coisa errada, vai encontrar apoio aqui no Senado ou na Câmara – afirmou o senador. (Agência Senado)

 

Carolina Pimentel, da da Agência Brasil

Internautas estão organizando uma marcha contra a corrupção no dia 7 de setembro, quando é comemorada a independência do país. O movimento ganhou mais adeptos depois da absolvição da deputada federal Jaqueline Roriz (PMN-DF), segundo a organização do protesto.

Há duas semanas, um grupo de brasilienses lançou no Facebook, uma rede social, a ideia de fazer o protesto no Dia da Independência. Até a noite de terça-feira (30), mais de 9 mil pessoas tinham confirmado presença. Segundo um dos organizadores da manifestação, Giderclay Zeballos, as confirmações praticamente dobraram depois que a Câmara dos Deputados arquivou o processo de cassação do mandato de Jaqueline Roriz, acusada de quebra de decoro após aparecer em uma gravação de vídeo recebendo dinheiro do operador do esquema de propina no governo do Distrito Federal, Durval Barbosa, quando era candidata a deputada distrital.

“Muita gente ficou indignada com a absolvição”, disse Zeballos, analista de sistema.

Na página do protesto na rede social, os organizadores afirmam que a manifestação não tem apoio de partidos, sindicatos ou empresas. E surgiu da mobilização de cidadãos comuns diante das denúncias de corrupção, como as recentes ocorridas nos ministérios dos Transportes, do Turismo e da Agricultura. “A corrupção virou uma doença no Brasil. Sentimos que temos que fazer alguma coisa”, disse Zeballos.

Segundo ele, os próprios organizadores estão arrecadando com amigos e parentes recursos para a compra de material para a manifestação, como faixas e tintas.

O grupo pede que os participantes levem spray, apitos, balões e tinta para pintar o rosto durante a marcha. “Não carregue bandeira de nenhum partido, a bandeira que devemos carregar é apenas a do Brasil, que é o nosso interesse comum”, diz texto na página do evento.

O protesto está previsto para começar às 10h do dia 7 de setembro. O local escolhido é o Museu Nacional, próximo à Esplanada dos Ministérios, onde é realizado o tradicional desfile militar.