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Por Julio Cesar Peres, presidente do Sinduscon-DF

Pesquisa realizada pela Booz & Company, por iniciativa da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (Cbic), da Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc) e do Movimento Brasil Competitivo (MBC), chegou a uma conclusão impressionante: a de que a burocracia pode aumentar em até 12% o custo do imóvel no Brasil.

Esse percentual representa, segundo a pesquisa, cerca de R$ 18 bilhões por ano, se considerarmos os financiamentos com recursos do FGTS e da caderneta de poupança, com base na média de unidades novas entregues anualmente. O custo absurdo onera toda a cadeia produtiva do setor e é pago pela sociedade brasileira.

A burocracia aumenta, também, o prazo de entrega da casa própria. No caso dos imóveis financiados pelo FGTS, que levam até cinco anos para serem entregues, estima-se que pelo menos dois anos são tomados por dificuldades nos trâmites. São atrasos na aprovação dos projetos pelos governos, falta de padronização dos cartórios e falta de clareza na avaliação de licenças ambientais.

Como resultado do estudo, o setor da construção propõe a redução dos custos burocráticos por meio de melhores práticas de análise e aprovação de projetos imobiliários — entre elas, a informatização dos processos, a antecipação dos financiamentos e a padronização das legislações federais, estaduais e municipais. Tais medidas reduziriam pela metade, de 60 para 32 meses, o prazo médio de entrega dos imóveis ao consumidor.

A demora na aprovação de projetos e na retirada de habite-se é fator de preocupação, também, para os empresários da Construção Civil do DF. Levantamento da Associação de Empresas do Mercado Imobiliário (Ademi-DF) mostra que existem hoje, sob análise do GDF e das administrações regionais, cerca de 190 projetos de obras, num total de 4 milhões de metros quadrados de áreas a serem construídas. Quando saírem do papel, esses projetos podem gerar cerca de R$ 2,3 bilhões em impostos, além de 50 mil empregos diretos e 200 mil indiretos.

São situações que nos levam a um estado de dúvida e letargia. Vale a pena investir em projetos imobiliários de porte, sem a certeza de poder entregá-los, dentro de um prazo predeterminado, ao consumidor final? Parece justo arcar com multas contratuais por atrasos que não foram causados pelo construtor ou incorporador?

Por tudo isso, o tema burocracia tem sido colocado, de forma recorrente, em nossos encontros com o governador Agnelo Queiroz e seus principais assessores. Sensível às reivindicações do setor, o governador criou a Diretoria de Análise e Aprovação de Projetos (Diaap), órgão ligado à Casa Civil do GDF, que já contribui para minimizar o problema.

Em seminário que realizamos no auditório do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Distrito Federal (Sinduscon-DF), com o apoio da Associação de Empresas do Mercado Imobiliário do Distrito Federal (Ademi-DF), da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (Cbic) e do Correio Braziliense, tivemos a oportunidade de discutir mais a fundo “o custo da burocracia no imóvel”. Na oportunidade, surgiram propostas para que o modelo da Diaap, hoje reforçada pelo trabalho da Força-Tarefa para Análise de Projetos de Edificação (Ftape), seja aperfeiçoado.

Mas o ideal seria fortalecer os quadros técnicos das administrações regionais com profissionais qualificados e bem remunerados, em condições de decidir, com rapidez e eficiência, sobre os projetos de construção e habite-se em cada cidade do DF. Esse reforço é necessário para que possamos empreender com mais segurança. Precisamos voltar à Brasília de anos atrás, em que os empresários da Construção Civil conseguiam comprar o terreno, construir o imóvel e comercializá-lo em 24 meses.

Sabemos que ainda há muito que fazer para que possamos chegar a esse modelo, mas devemos fixar uma meta e procurar atingi-la. Outras capitais já realizam experiências pontuais de desburocratização na análise de projetos imobiliários. Caso do Rio de Janeiro, por exemplo, para acelerar as obras de preparação para a Copa do Mundo e as Olimpíadas; e de Curitiba, que já aprova projetos em apenas dois meses, segundo os parâmetros de construção.

Aqui no DF, devemos levar em conta que a Diretoria de Análise e Aprovação de Projeto (Diaap) tem caráter provisório, ou seja, veio para atender a uma situação de emergência, e suas atividades se encerram em 31 de dezembro. A partir de janeiro de 2015, e até que o governo eleito tenha tempo para reestruturar os quadros técnicos das administrações regionais, sugerimos que a aprovação dos projetos de construção se concentre na Coordenadoria das Cidades, órgão ligado à Secretaria de Estado da Casa Civil. (Artigo publicado no Correio Braziliense desta segunda-feira, 18 de agosto)

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Por Ricardo Callado -  Eleição chegando, é hora de ir as compras. Os candidatos ao Palácio do Buriti planejam, cada um com sua turma, um rolezinho eleitoral. É hora de somar. De buscar alianças. Se fortalecer ao mesmo tempo que enfraquece o adversário.

A onda do tal de rolezinho que acontece nas principais cidades do país tem semelhanças com a corrida eleitoral. A molecada não está dando a mínima para a luta contra a exclusão social. A onda é juntar gente. E “catar umas minas ou uns gatinhos”! Ou dá um rolé com os brother.

Na política, a preocupação é acordos e a campanha eleitoral. A população está excluída nesse momento. Não dão a mínima para o que o povo pensa. Querem juntar gente. Catar uns partidos e uns aliados brother bons de voto. E com tempo de tevê.

Se nossos políticos dessem um rolezinho pela cidade, iam perceber que muito precisa ser feito. Problemas de infra-estrutura, segurança, trânsito. Na saúde e na educação. A molecada da periferia que usa o direito de ir e vir para se reunir nos shoppings conhecem bem essa realidade.

Os rolezinhos não são uma forma de protesto, mas por se tornar polêmico escancara os graves problemas sociais do país. A repressão mostra o abismo entre a periferia e as classes média e alta. Não essa falsa classe média que o governo usa para iludir o povo.

É difícil acreditar que o país vai bem. Que o Bolsa Família tirou milhões da miséria, se a cada ano centenas de milhares de famílias são inseridas no programa para ganhar miséria. Se o programa fosse um sucesso, o número de participantes deveria diminuir e não aumentar a cada ano.

Hoje, um a cada quatro brasileiros recebe o Bolsa Família. O governo pretende aumentar isso para a metade da população. É uma vergonha. E paliativo. O que se nota é que a população está empobrecendo. Cada vez mais há um número maior dependente dos programas sociais do governo. Dependente e constrangida a votar em seus pseudo benfeitores. Trata-se de compra de voto com dinheiro público.

A molecada do rolezinho nada mais é do que vítima dos programas sociais. Da exclusão social que eles causam. Impedem as famílias de progredir, engessadas por pequenas quantias repassadas pelo governo.

A molecada da periferia começou a entender isso. E querem mais. Não estão satisfeitos. O que é direito de todo brasileiro. Trabalho digno para que possam se manter, ao invés de serem tutelados pelo Estado. Oportunidade e qualidade de vida.

Quem está no poder não tem interesse em que essa grande camada da sociedade suba degraus. Preferem que sejam gratos e continuem recebendo mixarias em troca de votos. Como gado no curral que recebe sua ração diária.

A classe C, que insistentemente o governo chama de classe média, não passa de famílias que ganham salário mínimo, ou um pouco mais, que estão endividadas porque o governo forçou através de propaganda a consumir e consumir. O modelo chegou ao esgotamento. O país não aguenta mais os números maquiados da economia e as mentiras.

Os rolezinhos não são protestos. Ainda. Podem acender novamente a chama da indignação popular e colocar os povo nas ruas. Por enquanto nos shoppings. O movimento tende a se expandir e ganhar o apoio de trabalhadores, donas de casas e movimentos organizados.

O governo monitora com preocupação. A própria presidente Dilma convocou uma reunião para tratar do assunto. Ela está escaldada. Sabe que o momento não é bom para o governo. Bom seria se autoridades dessem um rolezinho na periferia e solucionasse de verdade o problema da desigualdade no país. Mas de verdade mesmo, não com programas para se perpetuar no poder e enganar o povo. Somos todos rolezinho. É legítimo.

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Por Ricardo Callado -  O momento é de compor. Montar estratégias. Fazer ou fortalecer alianças. Teremos em 2014 três frentes disputando o Governo do Distrito Federal. O governo tentando a reeleição, a direita/centro-direita querendo retornar ao poder, e a esquerda/centro esquerda surgindo com terceira via.

As estratégias de cada um estão claras. O governador Agnelo Queiroz (PT) mantém a aliança com o vice, Tadeu Filippelli (PMDB). Vai repetir a dobradinha vitoriosa em 2014. Os dois partidos são os maiores do país. E possuem o maior tempo de TV.

O deputado federal José Antonio Reguffe (PDT) continua na mira para ser o candidato ao Senado na chapa de Agnelo. O PT não desistiu. Espera que o parlamentar aceite participar novamente da coligação.

Agnelo tem como estratégia “ciscar pra dentro”. Vai atrair o maior número de legendas que puder, como PCdoB, PSL, PRP, PRB, talvez o PTB, quem sabe o PP, o PROS. Esses são alguns. A base aliada tem 17 partidos. Até o primeiro semestre do próximo ano alguns abandonarão o barco.

A caneta tem amplo poder de sedução. Além da máquina administrativa, com cargos para os aliados, o governador tem a seu favor um grande número de obras a ser entregues. A ordem é tratorar. Mostrar que o governo fez e poderá fazer em mais quatro anos. É arregaçar a manga e ir às ruas.

É preciso, ainda, convencer o eleitor que a direita representa um passado de escândalos políticos. Que o atual governo possui propostas e ideias para uma Brasília melhor. Ou seja, não vai inventar nada. Vai ser a campanha feijão com arroz. É uma fórmula batida, mas com boas chances de dar certo.

Se Agnelo busca a união imediata, a direita não tem pressa. A estratégia é diferente. Fragmentar para somar depois. Bem depois. Lançou vários candidatos ao governo. E cada um deles tem a missão de viabilizar a sua candidatura. Aquele que melhor estiver posicionado e ter o nome mais próximo ao consenso, poderá ser o candidato.

A divisão da direita se dá em pelo menos sete partidos. O PR vem com o ex-governador José Roberto Arruda, o ex-senador Adelmir Santana, e os ex-deputados federais Laerte Bessa e Jofran Frejat.

O PPS traz como novidade a deputado distrital Eliana Pedrosa. O DEM tem como expoente o ex-deputado federal Alberto Fraga. O ex-vice-governador Paulo Octávio e os deputados distritais Dr. Michel e Paulo Roriz estão no PP.

O PSDB, do presidenciável Aécio Neves, se reforçou e tem em sua tropa os deputados federais Luiz Pitiman, Izalci Lucas, a ex-governador Maria de Lourdes Abadia, o ex-deputado distrital Raimundo Ribeiro e o ex-secretário de Obras, Márcio Machado.

O pastor Rodrigo Delmasso, representante do bispo Robson Rodovalho, é o nome do PTN. O partido ainda possui lideranças ligadas ao ex-governador Arruda.

O PRTB, do ex-senador Luiz Estevão, trouxe o ex-governador Joaquim Roriz e a deputada distrital Liliane Roriz. Outros partidos podem aderir ao projeto, como o Solidariedade, do deputado federal Augusto Carvalho, e o PTB, do senador Gim Argello.

As alternativas são várias. Eliana Pedrosa e Luiz Pitiman são os nomes postos para disputar o Buriti. Arruda não é descartado e pode ser o candidato do grupo. Roriz afirma que ele estará em condições de disputa, mas tem Liliane como plano B. Podem surgir como novidades e de consenso Adelmir Santana e Jofran Frejat.

O grupo tem suas divergências e desavenças. Em alguns casos, há desconfiança mútua. A união vai se dar mais pela dor do que pelo amor. É uma questão de sobrevivência. Os principais players da direita, Arruda e Roriz, mantém conversas adiantadas.

Quem anda batendo cabeça é a esquerda/centro esquerda. Pratica a estratégia do erro. Nunca foi tão viável a vitória de uma candidatura da terceira via. Se o senador Rodrigo Rollemberg (PSB) e o deputado Reguffe não se unirem, vão morrer abraçados. Não existe espaço para duas candidaturas de uma mesma tendência.

Reguffe foi lançado governador pelo PDT. Para se viabilizar, precisa de apoio político. Além do PDT e do senador Cristóvam Buarque, Reguffe está só. Não tem apoio de outros partidos. E na política ninguém é candidato de si mesmo. Vai ter que fazer alianças e ampliar o discurso.

Sem Reguffe, Rollemberg ainda tem uma chance de montar uma chapa. Pode atrair o Toninho do PSol e outros partidos que estão soltos. Mas a derrota é iminente. Tanto para Rollemberg, quanto para Reguffe.

O discurso de Reguffe é coerente quanto diz que não será candidato a qualquer custo. E numa eleição, tudo tem um preço. Da mesma forma que não existe almoço de graça. Se continuar a divisão, Rollemberg perde e fica mais quatro anos no Senado, adiando o sonho de chegar ao Buriti para 2018.

Já Reguffe estará fora da política, pelo menos por quatro anos. Se for para o Senado, pode passar por uma fase de amadurecimento político. E vai dar sua contribuição, levando o exemplo de ética e moralidade para o parlamento mais alto da República.

Agnelo e a direita estão fazendo o dever de casa direitinho. A cisão da esquerda resulta na polarização. Agradecem PT, Arruda e Roriz. Se o novo não se entende, a velha política se mantém no poder.

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Por Ricardo CalladoNeste sábado inicia a Copa das Confederações. Brasília abre a competição internacional. Será o primeiro grande teste para a Copa do Mundo de 2014. O que isso tem haver com política? Nada. Ou não deveria. Misturar futebol com política não dá certo. Junta-se aos dois o tema religião.

Na prática não é isso que vai acontecer. E não tem como fugir. A Copa vai ser explorada nas eleições do próximo ano. O governo faturando politicando a construção do novo Mané Garrincha, das obras de infra-estrutura, do novo sistema de transporte coletivo e de tudo mais que possa envolver o torneio.

A oposição vai bater, principalmente, no orçamento dessas obras. Nem o mais ingênuo cidadão duvida que o valor do estádio será levado ao horário eleitoral gratuito. Comparações com investimentos em outras áreas como saúde, educação e segurança são inevitáveis.

Cabe a governo bater na tecla dos benefícios que essas obras irão trazer, como geração de emprego e renda e arrecadação de impostos. Além da projeção internacional da cidade.

Os discursos dos dois lados são previsíveis. Como é previsível o Mané Garrincha virar a estrela da eleição de 2014. Tanto de forma positiva, como negativamente. O que não pode é a agenda ficar restrita a isso. O eleitor quer propostas.

O governador Agnelo Queiroz (PT) não pode ficar o tempo todo no ringue. Na defesa. Seus adversários, Rodrigo Rollemberg (PSB), Liliane Roriz (PSD), Eliana Pedrosa (PSD), Toninho de Andrade (PSol), Pitiman (PMDB), Arruda (sem partido) não podem cansar o eleitor apenas com acusações e desabafos. Um bom plano de governo, apresentado de forma inteligente, também ganha uma eleição.

No Brasil, a coincidência de Copa do Mundo com eleições acontece há décadas. E todo pleito se fala que uma campanha ruim da seleção pode afetar o pleito. Mito. Mentira. Desinformação. Quantos presidente se reelegeram com o Brasil perdendo a Copa.

Em 98, a Seleção perdeu a Copa e FHC se reelegeu. Em 2006, nossa equipe ficou nas quartas-de-final e Lula conseguiu seu segundo mandato. Em 2010, de novo nas quartas, e Lula elegeu Dilma. São apenas alguns exemplos.

A diferença é que no próximo ano a Copa é aqui. O uso político que se fará dela deverá depender mais do sucesso da organização do que da participação da seleção. O eleitor é muito mais inteligente do que supõe a equivocada opinião que associa resultados da seleção com as eleições.

O que vai mudar é o tempo de campanha. As eleições serão mais curtas. Terão apenas 60 dias. Só devem esquentar após a Copa do Mundo. Os eleitores estarão focados nos eventos da Copa, que acontecem em junho e julho. O povo só vai querer saber de política a partir de agosto.

A campanha promete ser mais curta e as legendas investirão em propaganda apenas nos dois meses que antecedem a eleição. Quanto mais tarde se começa a campanha, mais se economiza. Quem quiser misturar a campanha com a Copa vai ter prejuízo. Primeiro, com a Justiça Eleitoral, segundo com gastos desnecessários.

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) só autoriza a campanha a partir do dia 6 de julho. Até julho os partidos estarão focados em obter os registros de candidatura, do CNPJ, além do planejamento das estratégias de campanha. Não teremos clima de eleição nesse período.

Julho será um mês morto para a política. Os partidos que têm vivência de eleições não irão se arriscar no período dos jogos.

Brasília vai oscilar em período mornos e outros mais intensos. Setembro e inicio de outubro deste ano é um momento chave. Até o dia 5 de outubro quem quiser ser candidato terá que estar filiado a um partido. O troca-troca vai ser grande. É quando vai dar para fazer a primeira leitura concreta sobre a eleição. O retrato vai se esboçando.

O início de 2014 será de muita conversa. Momento de articular e atrair aliados. As pesquisas de opinião darão um norte. Quem estiver melhor posicionado, mais atraente fica. Com tudo amarrado, virá junho e as convenções partidárias.

Mesmo sendo o mês de início da Copa, nada vai atrapalhar. Os partidos estarão bem organizados. Além de ser eventos para o público interno e não para o grande eleitorado. A partir daí para tudo. É hora de torcer pela nossa seleção. E que tudo der certo na organização da Copa, independente se o governante é do partido A ou B. Campanha mesmo, só em agosto de 2014.

E a torcida começa neste sábado contra o japão. Pra frente, Brasil!!!

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Por Ricardo CalladoA cada eleição se fala em renovação de 50% na Câmara Legislativa. Na prática, isso acontece. Só que esse é o problema. A prática continua mesma. Mudam os nomes. Não muda o jeito de fazer política. O jogo viciado é o mesmo. Salvo raras exceções.

Para 2014, a renovação também será grande. Pode superar a média histórica de 40% a 50%. A razão são três: deputados fracos; ascensão política e aposentadoria.

Não vou citar nomes dos deputados abaixo da média. Será perda de tempo. Muitos são verdadeiros desconhecidos. São os deputados de uma legislatura só. Tiveram a sorte de chegar a Câmara Legislativa e não souberam como se manter.

Vamos aos que deverão tentar o lugar mais alto. São pelo menos seis deputados. Chico Leite (PT), campeão de votos na última eleição, é candidato ao Senado. Se o PT deixar, é claro. O desejo de mudar de Casa vem desde 2010, mas o PT não deixou.

Eliana Pedrosa (PSD) foi a segunda mais bem votada. Depois de três mandatos, decidiu partiu para voo mais alto. Mira o Palácio do Buriti. Mais especificamente a cadeira de Agnelo Queiroz. Está em campanha há pelo menos um ano e meio. Tem o apoio do presidente nacional da legenda, Gilberto Kassab.

Ex-presidente da Câmara Legislativa, Sidney Patrício (PT) vai tentar uma vaga à Câmara dos Deputados. Não vai ser fácil. O PT tem três federais. Outros nomes surgem fortes. Um deles é o secretário de Saúde, Rafael Barbosa.

Patrício vai se agarrar no eleitorado do sempre aliado e ex-deputado Paulo Tadeu, hoje conselheiro do Tribunal de Contas do DF. Também tenta limpar a imagem junto a corporação da Policia Militar, que já foi seu eleitorado fiel.

Outra que pretende disputar uma eleição majoritária é Liliane Roriz (PSD). Trabalha para encabeçar uma chapa ao Palácio do Buriti. Se não der, é cobiçada para ser vice.

Licenciado desde o começo da legislatura, Alírio Neto faz da Secretaria de Justiça o trampolim para a Câmara Federal. Bem articulado e presidente do PEN, surge com força para 2014. Vem fazendo um bom trabalho no GDF. Vai precisar de uma boa coligação para chegar lá.

Roney Nemer é o nome do PMDB para ser candidato a federal. O partido tem apenas o deputado Pitiman, que está de saída depois de bater de frente com a cúpula da sigla no DF. A candidatura de Roney seria também para atrapalhar os planos de Pitiman.

Um sétimo nome que pretende ascensão política é o de Olair Francisco (PTdoB). Ele já anunciou que pode ser candidato ao governo e ao Senado. Também aceitaria ser vice. A questão é que a turma não o leva muito a sério.

Os políticos que não serão candidatos a nada, por decisão própria ou força maior, são uns cinco. Arlete Sampaio (PT) pode deixar a vida pública. O seu sucessor seria o atual secretário de Desenvolvimento Social do DF, Daniel Seidel.

Atual presidente da Câmara, Wasny de Roure (PT) também pensa em parar. O administrador de Samambaia, Risomar Carvalho, deve ser o substituto natural. Os dois fazem parte do mesmo grupo político. O destino de Wasny pode ser o Tribunal de Contas. Seria um reconhecimento pela vida pública que desempenhou.

Outro que não deve ser candidato é Evandro Garla (PRB). Ligado a Igreja Universal, o deputado deve desempenhar uma outra função. A decisão é da cúpula da igreja, que vai designar um outro nome para ocupar a vaga. Provavelmente do suplente de federal Ricardo Quirino, atualmente na Secretaria do Idoso.

Raad Massouh (PPL) tem situação indefinida. Ele enfrenta um processo de cassação de mandato no Conselho de Ética na Câmara. Se perder o mandato, fica inelegível. Mesmo assim, vai sair baleado do processo. Terá dificuldade em 2014.

Situação semelhante a de Raad enfrenta Benedito Domingos (PP). A justiça não lhe deixa em paz. Os processos não param de andar e se multiplicar. Tem ainda o surgimento de outros candidatos em sua base eleitoral: Taguatinga e a igreja Assembléia de Deus. Se conseguir se safar da justiça, vai penar nas urnas.

Sobraram na disputa doze deputados e uma suplente no exercício do cargo, Luzia de Paula (PEN). Desses, a metade não conseguirá se eleger. Entre os favoritos a se manter na Câmara estão Chico Vigilante (PT), Cristiano Araújo (PTB), Agaciel Maia (PTC), Joe Valle (PSB), professor Israel (PEN), Robério Negreiros (PMDB) e Celina Leão (PSD).

Terão dificuldades Washington Mesquita (PSD), Aylton Gomes (PMN), Dr. Michel (PEN), Cláudio Abrantes (neo PT) e Wellington Luiz (PPL).

Novos nomes e outros não tão novos surgem para ocupar as vagas que serão abertas. Uns bons e outros já reprovados nas urnas. A renovação para melhor depende da consciência política do eleitor. É melhor pensar antes em quem votar, do que reclamar depois.

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Por Ricardo CalladoNão só a reeleição de Agnelo Queiroz motiva o PT. A vaga ao Senado virou questão de honra. E de sobrevivência para 2018. A experiência frustante de 2010 serviu de lição. O partido venceu a eleição e cabo a rabo. Mas não levou.

Elegeu os dois senadores coligados: Cristovam Buarque (PDT) e Rodrigo Rollemberg (PSB). Antes da metade do governo os dois foram para a oposição. Serão antagonistas de Agnelo em 2014. Rodrigo é candidato ao Buriti, com Cristovam em seu palanque.

O PT precisa que o candidato da vaga ao Senado seja do PT. Se Agnelo for reeleito sem um senador petista, a vida vai complicar. Se Reguffe (PDT) ou Gim Argello (PTB) ocuparem a vaga, eles surgem como alternativas em 2018.

Rodrigo Rollemberg será novamente a bola da vez. Até lá, o governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), estará mais maduro e mais forte para disputar o Palácio do Planalto. Um dobradinha forte.

Ainda dentro do cenário de reeleição de Agnelo em 2014, ele tende a deixar o governo no início de 2018 para disputar uma das duas vagas ao Senado. O vice, Tadeu Filippelli, assumiria a reta final do governo. E seria candidato natural a reeleição. Não vai pensar duas vezes em usar a máquina do GDF em sua mão.

A disputa, em tese, ficaria entre Reguffe ou Gim, Rodrigo, e Filippelli. E mais algum nome que vai surgir até lá. Ou seja, o PT estaria fora do protagonismo da disputa. Restaria sair da primeira divisão e passar a coadjuvante nesse cenário politico, sendo reduzido.

O senador eleito em 2014 seria a terceira força da eleição de 2018. Teria oito anos de mandato e disputaria com tranquilidade o Buriti.

Por isso, para o PT, além da reeleição de Agnelo, é importante ter o senador. As bases do partido sabem disso e se movimentam para pressionar a cúpula. Dois nomes surgem como favoritos: o deputado federal Geraldo Magela e o deputado distrital Chico Leite.

Coincidência à parte, Magela e Chico eram os nomes do PT em 2010. Foram escanteados para dar lugar a Cristovam e a Rodrigo. Desta vez, a militância fecha questão. Sem um petista na chapa, o partido tende a minguar futuramente. É preciso construir novas lideranças.

Magela fez um bom trabalho à frente da Secretaria de Desenvolvimento Urbano, Habitação e Regularização (Sedhab). O programa Morar Bem é um sucesso. Deve ser uma das vitrines da campanha eleitoral de Agnelo na televisão, no próximo ano.

Magela conseguiu o que muitos achavam difícil para um petista: entrar no eleitorado fiel do ex-governador Joaquim Roriz (sem partido). Tem experiência em eleição majoritária. Disputou o GDF contra o próprio Roriz, em 2002, e perdeu pela menor diferença de votos na história política do Distrito Federal.

Chico Leite é o campeão de votos do PT para a Câmara Legislativa. Tem a seu favor o discurso ético. Sua origem é no Ministério Público. É bem aceito nas diversas classes sociais. Consegue chegar em alguns eleitorados reticentes ao PT tradicional.

Deputado distrital em terceiro mandato, tem como bandeiras a ética na política, fiscalização dos gastos públicos e a defesa do trabalhador e do pequeno e micro empresario. É um nome leve e poderia dar uma nova cara ao PT do DF.

O partido tem outros nomes, mas esses dois saem na frente por questão de mérito. Estão na fila a mais tempo. A discussão é interna. E tem influência direta nas eleições de 2014 e de 2018.

Para Agnelo, vai depender da viabilidade da coligação que fará visando à reeleição. Para o PT, é questão de sobrevivência. Com a vitória ou não de Agnelo.

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Por Ricardo CalladoSou a favor da instituição da reeleição. Pouco se faz em quatro anos. É preciso muito mais do que isso para que as cidades fiquem próximas do ideal. Se o governante for bom, não tem problema algum ficar mais quatro anos. Se for incompetente, as urnas irão desaprová-lo.

Fernando Henrique aprovou a reeleição e ficou oito anos no poder. Lula disse que era contra, mas ficou por igual período. Aécio agora defende o fim da renovação de mandato. E que se estique de quatro para cinco anos o tempo do governante. Dilma quer mais quatro anos.

Opiniões e ideias das mais variadas estão ai. Acredito que projetos de longo prazo, que virão definir a direção a ser seguida por um país, uma unidade da Federação ou uma cidade não podem ser concluídos em quatro ou cinco anos. São projetos de décadas.

Projetos a longo prazo não geram popularidade para quem vai ficar apenas quatro anos. As pessoas querem soluções imediatas. Políticos pensam na próxima eleição. Como precisam de popularidade, não se preocupam com esses projetos. Quando se preocupam, são substituídos e, muitas vezes, os projetos abandonados.

Não sou a favor da eternidade do poder. Acho que uma democracia deva ter alternância. É saudável. Mas a monarquia tinha algo de bom. Um rei governa até morrer. O príncipe tem tempo suficiente para se inteirar dos planos de governo de seu pai, aprender, discutir mudanças no plano, e finalmente ser coroado já sabendo e fazendo o que deve ser feito. O lado ruim é que quando o rei governa mal também é rei até morrer, esse é o perigo do império.

Se todo mundo está sugerindo propostas, vai aqui mais uma. Partiu de um jovem brilhante, que infelizmente não anotei o nome. A ideia é eleger um governante por um prazo determinado. Junto com ele, elegeremos um vice que o sucederá no próximo mandato. O vice ficaria, então, fazendo uma espécie de estágio com o governante, conhecendo e discutindo os planos do governo.

Depois de um mandato o governante sai e o vice assume, então elegemos um outro vice que até poderia ser o governante que acabou de sair. Dessa forma cada um teria pelo menos dois mandatos para discutir e implementar seus próprios planos e, as rupturas das transições de mandatos desapareceriam já que o novo governante participou do último mandato.

A escolha do vice ganharia importância. O governante não teria a fixação nas próximas eleições, como se vê muito por aí. A política não exerceria tanta pressão. A administração ganharia total atenção. O presidente, governador ou prefeito poderia administrar com tranquilidade. E o vice seria um fiscalizador e cobraria soluções.

É claro que o governante não teria que se preocupar em eleger o seu sucessor. Ele já estaria escolhido quatro anos antes.

Se vai dar certo, não sei. Poderia mudar a filosofia político-administrativa, já que o futuro governante pode ser cobrado com antecedência. Não correríamos o risco de eleger alguem que ainda não estaria preparado para o cargo. É apenas uma ideia idiota? É, sim.

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Por Ricardo Callado – Você já parou para pensar por que escolheu viver em Brasília? E o modo que olha a sua cidade, o faz feliz ou não? A Capital do País é um dos melhores locais para se viver. Temos problemas, sim. E temos obrigação, também, de resolve-los.

Somos parte do processo. Podemos mudar o local onde vivemos pelo voto, com atitudes e exemplos de cidadania.

Brasília tem dois tipos de moradores. Aqueles que amam a cidade, que fizeram a vida aqui e constituíram suas famílias. E os que passam alguns dias, por obrigação de mandatos ou empregos públicos.

Esses últimos são meros transeuntes do Vaticano que engloba Esplanada dos Ministérios e os palácios da Praça dos Três Poderes. Não conhecem a Roma que é o Plano Piloto e as quase três dezenas de cidades que formam o DF.

Os escândalos políticos acontecem, em sua maioria, em Brasília, mas não por gente de Brasília. Claro que nossos representantes não são santos. Vide a Caixa de Pandora. Mas culpar a cidade por tudo de ruim que existe na política é mais do que ser injusto. É leviano.

A cidade vive um período de transição. O mais recente escândalo serviu como um marco divisor. Como experiência para futuras eleições. Brasília não vai se recuperar da noite para o dia. Mas ficou a lição. Em 2014, um passo deve ser dado na expurgação política.

É importante enfrentar e viver a realidade da cidade onde vivemos. Acreditando em ideias que tragam novo sopro de esperança para um futuro melhor. A força de um povo é maior do que qualquer articulação de maus políticos.

O que Brasília precisa não é de festas. Nem tampouco de arenas. A cidade precisa ser bem cuidada. Que dê orgulho a quem nela mora. É é tão simples. Um pouco de tinta e algumas lampadas já fazem muita diferença.

Brasília se tornou uma cidade escura. Tem setores que a cidadão tem medo de ir por falta de alguns postes. E não é na periferia das satélites. É na região central. Não se admira os registros de sequestro relâmpagos. Isso é apenas um pequeno exemplo.

Saúde, educação e segurança são obrigações. Deixar a cidade bonita é zelo. É amor por Brasília. E mostrar que o governante é compromissado com a cidade em que mora e não mais um vaticanista infiltrado, que faz a vida e depois some. Como todo respeito, é claro, aos católicos. É figura de linguagem.

Brasília precisa de um prefeito. Mas daqueles de verdade. O governador incorre no erro de pensar macro e esquece as pequenas ciosas do dia a dia. Nossos administradores regionais não passam de apadrinhados de políticos. Muitos deles pau-mandados de deputados distritais. Não se deve esperar muito deles, enquanto a escolha foi feito na base da indicação e da barganha. Salvo um ou outro.

Nossa cidade faz 53 anos. É uma terra de oportunidade, não de oportunistas. É para os nossos filhos, netos. Brasília é jovem, mas não é menino de recado e desde já merece respeito. Então, que nossos políticos a respeitem. E aprendam a ama-la.

opiniaoPor Ricardo Callado - A Câmara Legislativa iniciou os trabalhos de 2013 na sexta-feira (01). Sessão plenária mesmo só na terça-feira (05). Na sexta-feira (08), assim como todo o resto do país, param devido ao Carnaval. Somente no dia 18 o Legislativo começa efetivamente a funcionar. A prioridade será a eleição dos novos integrantes das comissões permanentes da Casa.

Os blocos partidários iniciaram a movimentação ainda em janeiro. Os cargos são escolhidos dentro da proporcionalidade. Quanto mais deputados têm o bloco, mais espaços de relevância ele ocupa dentro da estrutura do Legislativo.

As comissões mais disputadas são sempre a de Constituição e Justiça (CCJ) e a de Economia, Orçamento e Finanças (CEOF). Neste ano, ganha destaque também de Assuntos Fundiários (CAF).

A Lei de Uso e Ordenamento do Solo (Luos) e o Plano de Preservação do Conjunto Urbanístico de Brasília (PPCUB) vai tramitar pela CAF. Esses dois projetos mexem com a vida da cidade. Além de envolver grande negócios. O solo de Brasília é o nosso petróleo. Daí a ambição para participar da Comissão de Assuntos Fundiários.

Enquanto umas comissões são desejadas, o cargo de corregedor da Câmara está vago e nenhum parlamentar quer ocupa-lo. A Corregedoria tem por finalidade fiscalizar a atuação e a conduta dos deputados distritais.

Ou seja, terá que abrir processo contra um colega que cometeu algum deslize. E quando esse deslize se torna público. O corporativismo fala mais alto. E também o senso de sobrevivência. O juiz de hoje pode ser o julgado de amanhã, já que para muitos as práticas não diferem tanto.

A eleição dos integrantes das comissões é decidida nos bastidores. No dia da votação, os nomes estarão escolhidos previamente. Tudo carta marcada, salvo alguma exceção onde será preciso bater chapa.

Passada essa fase, voltam-se os interesses na relação com o Executivo. Ano pré-eleitoral é época de muita barganha, jogo duro e chantagem. Tudo para se ocupar mais espaço, indicar novos apadrinhados e liberar verbas para emendas parlamentares. É melhor do que o próprio ano eleitoral.

Na quinta-feira (31), o governador Agnelo Queiroz (PT) almoçou com os presidentes de partidos que compõe a base aliada. É um ato importante para manter unido o consórcio que chegou ao Buriti.

Nessas reuniões tem de tudo, desde bajulações a exposição de insatisfações. O PMDB, do vice-governador Tadeu Filippelli, e o PTB, do senador Gim Argello, reclamam que o PT é guloso demais e quer ocupar os principais espaço do Executivo.

Não deixa de ser verdade. Mas a política é a arte de ocupar espaços. E é isso que o PT faz. Se atrapalha a relação com outros partidos da base aliada, cabe ao governador mediar os conflitos. E puxar o freio. Afinal, a caneta está com ele.

Apenas dois ou três presidentes de partidos possuem o comando de suas legendas. A maioria não tem controle algum. O próprio presidente do PT, Roberto Policarpo, não toma decisões sem consultar pelo menos meia dúzia de cabeças coroadas do petismo. Na maioria das legendas manda quem tem voto. E mandato. E obedece quem tem juízo.

Não adianta fazer acordo com partido nanico se o deputado dessa sigla não concordar. É ele que faz o partido ter relevância na mesa de negociação. Partido para ter importância tem que ter deputado e tempo de TV. Do contrário, é apenas mais um na estatística.

O almoço de Agnelo com os presidente de partidos serve para manter o grupo unido. Mas, é diretamente com os deputados distritais que o governador precisa se entender. Cada um tem seu peso e seu valor. Somente é preciso ter cuidado para não se cometer injustiças. Aliado insatisfeito é pior que ressentimento de ex. Seja qual gênero for.

 

opiniaoPor Ricardo Callado - O governo voltou de férias. Os deputados distritais ainda não. O recesso termina oficialmente em 1º de fevereiro. Trabalho mesmo, efetivamente, só no dia 18 do próximo mês. A razão é que o Carnaval começa mais cedo este ano, no dia 8, sexta-feira. Até lá, a preguiça impera na política.

Somente com o retorno dos distritais é que a política dá as caras. A nova Mesa Diretora da Câmara Legislativa promete melhorar a imagem da Casa. E honrar compromissos. O relacionamento com o Executivo também tende a melhorar. Mantendo-se a independência entre os poderes, é claro.

No Palácio do Buriti o ano começou com mudanças. Sai o secretário de Transparência, Carlos Higino. Ele era um dos melhores quadros do governo. E teve participação importante em momentos de crises, como no depoimento do governador Agnelo Queiroz na CPI do Cachoeira. Foi Higino um dos responsáveis pela preparação de Agnelo antes de enfrentar o Congresso.

Quem chega é o ex-presidente do PT, Raimundo Junior. Ele assumiu essa semana a chefia de gabinete do governador, cargo que tem status de secretário de Estado. Raimundo Júnior foi coordenador da campanha de Agnelo. Só não assumiu uma função do Buriti porque questões jurídicas o impediram, como a Lei da Ficha Limpa.

O novo chefe de gabinete de Agnelo resolveu as pendências na justiça e estava lotado como assessor especial da governadoria desde o ano passado. Sua nomeação atende ao grupo Construindo um Novo Brasil, facção criada em 2012 dentro do PT do Distrito Federal e que vem ocupando cada vez mais espaços no GDF.

Quem perde é a tendência Articulação, que vê seu poder diminuir a cada dia. É uma briga interna que só traz problemas ao governo. A mais pura autofagia petista. Agnelo ainda irá fazer mudanças na administração. Terá a chance de acalmar os descontentes.

Fora do PT, pouca coisa acontece. As oposições ao governo tentam se articular. Vez ou outra se fala da movimentação do ex-governador Joaquim Roriz. Ele estaria preparando o retorno a política, caso a justiça eleitoral assim o permita. O nome Roriz ainda causa calafrios nas hostes petistas. Sabe que um embate com o ex-governador é um páreo duro.

Joaquim Roriz não deve ser candidato. Vai apoiar alguém para disputar com o PT de Agnelo. O nome preferido é o da filha, a deputada Liliane Roriz (PSD). Seria uma candidatura que não se pode desprezar.

Caso haja acordos e alianças, e Liliane vier a ser vice na chapa do senador Rodrigo Rollemberg (PSB), não se deve estranhar a presença de Roriz com o socialista. Em 2010 Rollemberg e Roriz ensaiaram uma aliança. A Caixa de Pandora e a crise política os afastaram e Rollemberg caiu no colo de Agnelo. 2014 será diferente.

Quando o ano político começar de fato, será bem intenso. Balões de ensaios, negociações e arranjos das mais diferentes formas serão projetados. Agnelo larga na frente porque tem a caneta na mão. Quem quer chegar ao Buriti tem que fazer acordos.

Sozinho, sem apoio ou grupo político não tem candidatura que se sustente. Hoje uma dezena de candidatos ao cargo de governador age dessa forma. Agnelo aposta na desarmonia da oposição para atrair o máximo de aliados possíveis. Mas isso só quando 2013 começar.

 

Por Ricardo Callado - Foi por unanimidade. O deputado distrital Wasny de Roure (PT) é o novo presidente da Câmara Legislativa a partir de janeiro. A semana foi marcada por reuniões intermináveis, rebeldia dentro da base aliada e a procura de um nome que pudesse fazer frente ao candidato do governador Agnelo Queiroz. No final deu a lógica. A implacável lógica da política.

Os rebeldes contabilizaram 12 votos, segundo seus cálculos. Faltava um. O problema é que mesmo que conseguissem, não havia consenso em torno de um nome. Apareceu mais candidatos do que eleitores. Sem acordo, prevaleceu o nome oficial.

O medo de retaliações também fez a diferença. Medo que ainda existe. Nos próximos dias as páginas do Diário Oficial do Distrito Federal podem trazer surpresas. A não ser que o governador perdoe os insurgentes.

A escolha de Wasny pacifica o PT. O partido, através das zonais e do diretório regional bateu o pé para que o sucessor do presidente Patrício (PT) fosse da legenda. Alguns, como a tendência Construindo um Novo Brasil-DF queria o próprio Patrício. As zonais apostaram no nome do deputado Chico Leite (PT).

Wasny veio para apaziguar. Tanto dentro, como fora do PT. Economista e brasiliense desde 1959, nasceu em Goiás e foi eleito deputado distrital pela primeira vez em 1990. Está no quarto mandato. Também foi secretário de Fazenda e deputado federal. Era líder do governo até setembro deste ano.

Agnelo é candidato à reeleição. E não poderia deixar de ser. Está na metade do mandato. Os índices baixos de aprovação precisam ser revertidos. E precisa do apoio do PT. Atender ao partido é uma forma de negar argumentos em 2014 para contestação do seu nome.

Isso não implica ser refém da legenda. Mas é preciso a harmonia. Tem muita gente no PT remando contra o governo. Querendo o seu lugar em 2014. Então é precisa que o governo tenha o partido perto dele, isolando os adversários.

Agnelo também não pode aceitar que subordinados contestem suas ordens. No caso da troca da Presidência do Banco de Brasília (BRB) teve até secretário-adjunto desobedecendo o Buriti. Em outro momento, enfrentou uma greve de subsecretários. Cargos comissionados e que deviam ser de confiança.

Ou aceita as ordens ou pede para sair. Do contrário, a bagunça vai se generalizar. Porque em algumas áreas bagunçado já está. Os índices baixos nas pesquisas é a maior prova disso. Muita coisa precisa ser consertada. Precisa de decisão. De mudança.

Em 2013 o governador deve ter mais tranquilidade no trato com a Câmara Legislativa. Não que a Casa vai ser subserviente. Nada disso. Apoio é uma via de mão dupla. Mas Agnelo terá um presidente com perfil mais moderado. E fiel ao governo.

Quanto ao governo, ou Agnelo conserta e usa a caneta para fazer as mudanças necessárias, ou sua avaliação vai fazer o PT penar nas eleições de 2014, 2018, 2022…

 

Por Célio Alencar – A resposta é bem mais simples do que se pode imaginar: as administrações existem para cuidar dos interesses das comunidades. Parece que isso resume tudo, mas nessa simplicidade há uma complexidade intrínseca. Primeiro porque é um voto de confiança depositado em quem vai administrar. Depois porque o administrador não é nomeado com um manual de instruções. Para administrar bem, é necessário ter sensibilidade, ou seja, encontrar uma forma de conciliar as questões técnicas com as demandas políticas.

A administração necessita de uma equipe que lhe faça fervilhar o sangue fazendo-o correr pelas veias do organismo, passando pelo coração pulsante que é o administrador. Nesse contexto há aqueles que honram a confiança depositada e os que passam sem sequer perceber o grau de importancia que possuem para as comunidades.

Pode-se dizer. que se o administrador é o coração, o mandatário político que lhe deu o voto de confiança é o cérebro, haja vista sobre ele residir a responsabilidade de ser um visionário e perceber o que será melhor para as comunidades.

Cada um com seu estilo imprime a diferença na região onde insere a sua marca. Na administração do Varjão, o deputado Wellington Luiz (PPL), alçou um voo sobre a comunidade e como uma águia pode enxergar todas as necessidades de um público que tinha o anseio de ser especial, não pelos números alarmantes da violência, ou da evidente carência de cidadania, mas pela conquista do bem e da justiça social.

Por essa ótica foi necessário fazer um estudo para, cirurgicamente, atacar os pontos que davam ao Varjão a condição de cidade problema. Iniciou-se, então um trabalho com os dependentes químicos, como viciados em crack, álcool e outras drogas. A iniciativa integra-se ao plano de combate ao crack, mas acima de tudo promove uma inclusão social jamais vista no Distrito Federal.

A providência é bem-vinda como uma estratégia clara de prevenção por parte do governo, com o envolvimento efetivo da sociedade. E o reflexo disso é a redução drástica dos números das estatísticas que punham o Varjão como uma das comunidades mais violentas.

Com sua inteligência cognitiva, o então deputado Wellington Luiz determinou a sua equipe a máxima dedicação, acompanhando de perto os resultados que fazem com que o Varjão esteja inserido no contexto do Distrito Federal como uma das comunidades mais tranquilas, possibilitando a geração de empregos para os jovens que já são vistos como promissores de um futuro de desenvolvimento, longe da realidade cruel a que estavam submetidos.

A inclusão obtida através da prevenção dos males sociais deve servir de exemplo, pois o país tem que investir mais na prevenção, que deve envolver não apenas os governos e as instituições públicas, mas também as famílias e outros setores da sociedade que introduzem, repassam e divulgam as campanhas educativas, com informações objetivas sobre os danos físicos e psicológicos da toxicidade.

A iniciativa do deputado Wellington Luiz é de extrema importancia em razão da visão de que não se percebia nem nos programas oficiais nem nas iniciativas da sociedade civil a oferta de oportunidades reais para que os jovens substituam a cultura do prazer momentaneo pelo envolvimento em atividades sadias, como a prática de esportes, o desenvolvimento artístico, a participação em eventos culturais, a iniciação para o trabalho, entre outras atividades que funcionam como uma armadura protetora contra o envolvimento com drogas.

A César o que é de César. Há de se louvar a iniciativa do deputado Wellington Luiz, a persistência do administrador Hélio da Chagas e de toda sua equipe que trabalham para transformar velhos carbonos em reluzentes diamantes.

Chico Leite

Em 2003, tão logo assumi meu primeiro mandato de deputado distrital, eu me dispus a renunciar aos salários extras dos parlamentares, os chamados décimo quarto e décimo quinto e a remuneração pelas convocações extraordinárias. (Aliás, nunca recebi remuneração pelo exercício do mandato. Sempre recebi pela minha profissão, como declaro no meu imposto de renda, e assim farei, se a lei permitir, em qualquer cargo eletivo que venha a ocupar).

De fato renunciei aos salários extras por considerar que nenhum cargo pblico de reflexo eleitoral pode ser profissão, e que não se pode, em hipótese alguma, utilizar o voto, a confiança das pessoas, como meio de ascensão financeira ou como instrumento para negócios. Fui o primeiro em todo o Brasil a fazer isso.

Não o fiz por acaso. Há muitos anos, defendo a tese de que, como política não é profissão, é representação, não deve haver, para aquele que exerce cargo público eletivo, remuneração específica. Por isso, sempre percebi como promotor de Justiça, cargo que conquistei por concurso público há mais de vinte e três anos.

Mas há os profissionais da política, aqueles que vivem dela habitualmente. Esses defendem pessoas, não causas, tanto que seus aliados têm sempre razão mesmo que falem em defesa do que eles sempre combateram. Têm uma postura quando são oposição e outra quando situação. Não raro, quando estão no governo, agem da mesma forma que agiam os governantes que eles contestavam. São circunstancialistas. Estão a serviço, na verdade, de causas próprias, particulares; a política, como meio de sobrevivência, é só uma forma de se maquiar para parecer atraente à população de boa-fé.

Um dia vai prosperar entre nós a tese de que não deve haver remuneração específica para quem exerce mandato eletivo. Aí, ninguém mais entrará para a política atraído pelo salário nem pelo status como instrumento de barganha, porque então o sagrado voto do eleitor já não servirá para garantir contracheque nem formas outras de enriquecimento a quem quer que seja.

* Procurador de Justiça (licenciado), professor de Direito Penal e deputado distrital pelo Partido dos Trabalhadores

Os partidos que se assanham para deixar a base do governo se comportam como oportunistas ou erram na estratégia política. Em alguns casos, nem querem sair. São forçados por pressões de executivas nacionais que pouco conhecem a realidade da política brasiliense. É o caso do PDT. Pode ser o do PPS. Ontem, pela manhã, o deputado distrital professor Israel (PDT) afirmava a quem lhe perguntasse que não iria deixar a base aliada do Palácio do Buriti. Sofreu pressões de todos os lados. O senador Cristovam Buarque (PDT) ameaçou: “ou ele ou eu”. Garantiu que sairia do PDT, caso Israel não entregasse os cargos. A tarde entrou em cena o presidente nacional da legenda, ex-ministro Carlos Lupi.

Expulsão e constrangimento - O deputado foi ameaçado de expulsão e, constrangido, anunciou a saída da base do governo. O PDT entregou a Secretaria de Trabalho e a Administração do Lago Norte. Israel, a contragosto, se declarou independente. Cristovam comemora a sua vitória e saboreia a vingança contra Agnelo. O senador está até hoje magoado por não ter indicado o secretário de Educação.

PPS decide amanhã – Outro partido que está sofrendo intervenção branca da Executiva Nacional é o PPS. A legenda esta à frente da Secretaria de Justiça, Direitos Humanos e Cidadania, além de comandar as administrações regionais do Guará e de Planaltina. A direção regional do partido decide, nesta quinta-feira, se manterá o apoio ao governo Agnelo. Se depender do secretário de Justiça e deputado distrital licenciado, Alírio Neto, o PPS fica. A sigla tem dois deputados distritais, Luzia de Paula e Claudio Abrantes. A pressão vem, de novo, por cima. O presidente nacional Roberto Freire, opositor ferrenho do PT em qualquer lugar, quer a saída do PPS.

Momento de lucidez - Alírio faz uma leitura lúcida do atual quadro político. O momento não é de abandonar o governo. Além disso, nenhuma das denúncias atinge o PPS. O que o secretário mais lamenta é, caso aconteça a saída do partido, a descontinuidade de programas sérios e importantes que a Secretaria de Justiça está tocando. Alírio trabalha no combate às drogas há mais de 10 anos e vem fazendo um trabalho que é referência nacional. No dia 1º de junho se prepara para lançar o primeiro Procon Digital do país, uma iniciativa que pode mudar o relacionamento entre consumidor e comércio, trazendo benefícios à população. São apenas dois de quase duas dezenas de projetos ameaçados de paralisia se a Executiva Nacional forçar a saída do PPS. Para Alírio, a hora é de manter a governabilidade. A crise política não pode afetar a administração pública.

 

Pela primeira vez dá para perceber nitidamente uma discordância de estratégia entre a presidenta Dilma Rousseff e o ex-presidente Lula. O foco é a CPI do Cachoeira. Se dependesse de Dilma, a CPI seria enterrada e a investigação ficaria restrita à Policia Federal e ao Ministério Público.

Dilma não quer o governo contaminado por uma agenda negativa, nem que políticos aliados tenham suas carreiras atingidas. Uma vez instalada, a CPI vai fazer um estrago daqueles colocando sob os holofotes esquemas de corrupção, desvio de dinheiro público, ligações perigosas entre homens públicos e bandidos travestidos de empresários.

A sociedade brasileira torce pelo êxito da CPI. Será mais uma oportunidade de desmantelar mais um dos muitos esquemas nada republicanos que envolvem o público e o privado. A imprensa dará a sua cota de contribuição denunciando e divulgando.

Lula é a favor da CPI. E trabalha loucamente para isso. Não para passar o Brasil a limpo, mas para promover suas vinganças pessoais e faturar politicamente com uma possível derrocada do inimigo. O alvo é o governador Marconi Perillo e o seu partido, PSDB. Lula não gosta de Perillo desde que ele o avisou da existência do mensalão no Palácio do Planalto.

O político goiano fez Lula passar por mentiroso e derrubou o discurso do “eu não sabia”. O ex-presidente quer ir à desforra. Se o PSDB sair com uma imagem desgastada, melhor ainda para Lula. Ele acredita que pode reverter a desgraça do adversário a seu favor na campanha municipal de São Paulo, e eleger o poste Fernando Haddad (PT). Deve causar problemas ao governo Dilma e atingir aliados pela enxurrada de investigações e denúncias. Caso Dilma se dê mal, Lula volta como o salvador da pátria.

Mas tudo tem seu preço. Para pegar Perillo, Lula pediu que o PT deva abrir mão do também governador Agnelo Queiroz. Mas o companheirismo petista deve falar mais alto. Líderes do partido já se mexem nas tribunas do Congresso em apoio a Agnelo. Já para Lula, o custo-benefício lhe seria favorável. Consideram o governo do DF um preço baixo a pagar.

A oposição não vai querer apanhar sozinha. Vai tentar arrastar o PT e o governo Dilma para a lama da CPI do Cachoeira. Agnelo é o primeiro alvo. Se conseguir se articular e cortar oportunamente os setores contaminados, pode sobreviver. Sobrevivendo, terá a grande oportunidade de formar um novo governo, com uma equipe coesa e sem divisões por grupos brigando entre si.

Agnelo pode transformar a crise em oportunidade. Mas, para isso, a caminhada vai ser longa e difícil. Terá que enfrentar a CPI Mista no Congresso Nacional, bombardeio na imprensa, descaso de alguns integrantes do PT nacional, barulho da oposição e chantagens dos deputados distritais aliados.

É preciso serenidade nessas horas. Agnelo terá que entender a necessidade de cortar na própria carne. A limpeza ética no Palácio do Buriti será exigida. O governador estará sozinho. O que, de repente, pode ser até um bom negócio. Assim, terá a liberdade de tomar decisões com sua própria consciência. Mas, é bom que se diga: o PT nacional (leia-se Lula) adotou uma estratégia impiedosa e, possivelmente, suicida.

 

O clima no Partido dos Trabalhadores (PT) e no Governo do Distrito Federal (GDF) com o presidente da Câmara Legislativa, deputado Patrício (PT), é o pior possível. A estratégia de partir para o confronto azedou de vez as relações e deixou o petista isolado.

Patrício não digeriu como deveria as críticas das últimas semanas às mordomias da Câmara e escolheu, erradamente, a velha forma de fazer política com o fígado (raiva, chantagem, revanchismo e perseguição), que já não cabe mais na metodologia política atual. Os tempos são outros.

Para completar, colocou uma pitada de vingança em sua cruzada. O requerimento para convocação dos secretários Claudio Monteiro (chefe de gabinete do governador), Rafael Barbosa (Saúde) e Abimael Nunes (Publicidade) é fruto de ressentimentos. Patrício tem problemas com os três por assuntos diferentes. Mas o grande atingindo foi o governador Agnelo Queiroz (PT).

Para completar, alguns distritais foram induzidos por Patrício a assinar o requerimento sob o argumento de que se tratava de uma demanda da bancada do PT. Não era. Eles irão passar agora pelo constrangimento de retirarem suas assinaturas.

Para entender um pouco, no início do governo dois grupos disputaram uma queda de braço pelo poder no GDF. De um lado, Patrício e o secretário de Governo, Paulo Tadeu (PT), do outro Rafael e Claudio.

A disputa interna chegou ao ponto de emperrar a gestão pública. Grande parte dos problemas enfrentados por Agnelo surgiram daí. Outros petistas e integrantes do governo assistiram com lamentações a cizânia armada dos dois lados. Não faltaram intrigas, fofocas e tentativas de derrubadas.

A chegada de novos integrantes ao Buriti, oriundos da Articulação, a ala do PT que compõe o grupo denominado Construindo um Novo Brasil (CNB), a mesma de Dilma e Lula, foi bem recebida por Claudio e Rafael, mas desagradou Patrício.

O secretário da Casa Civil, Swedemberger Barbosa, o Berger, veio justamente para arrumar a bagunça causada pela disputa política que vinha corroendo o governo e trazer um pouco de paz. Quem mais perdeu poder na nova configuração do GDF foi Paulo Tadeu, maior sócio político de Patrício. O presidente da Câmara também conseguiu uma aliada surprendente, a da deputada oposicionista Celina Leão (PSD).

O maior problema do requerimento é que ele não é meritório. A causa não mexe com honra, ética ou moralidade da política. Passa por vingança e também por pressão para a eleição da Mesa Diretora.

Patrício culpa Abimael por algumas reportagens que saiu em parte da imprensa, como o fim da mordomia do 14º e 15º salários. Também acusa, em conversas reservadas, que Claudio Monteiro estaria por trás de uma suposta investigação que teria à frente o ex-diretor da Polícia Civil, Onofre de Moraes, sobre uma agressão ocorrida alguns anos. Patrício também é o autor de requerimento convocando Onofre.

O problema com Rafael é maior. Tem relação com a disputa de poder, além de ser uma forma de atingir diretamente o governador Agnelo. Patrício sabe que se mexer com a área de Saúde, mexe com Agnelo. Seria uma forma violenta de conseguir apoio a sua reeleição à presidência da Casa.

Mas, pelo visto, Patrício está dando um tiro no pé. Se tinha alguma esperança de continuar no comando da CLDF, deve esquecer. Em 2013, o seu caminho será o de volta à planície onde estão os outros deputados distritais. Será mais um entre eles. Também deve sofrer sanções pesadas do PT, o que pode comprometer o seu futuro político e, ainda, arrastar o seu amigo Paulo Tadeu. As reações de outros deputados e lideranças petistas são de revolta.

Patrício precisa entender que na política as pessoas divergem aqui ou ali, sempre. Quando assim se deseja, abre-se um canal civilizado de diálogo em busca do entendimento, em prol de uma causa ou de um projeto politico-administrativo que possa sofrer alterações, como forma de aperfeiçoamento. O caminho escolhido por Patrício foi o do confronto, causando sérios problemas para o projeto político do seu próprio partido e colocando sob suspeição seu companheirismo e os seus próprios companheiros.

É preciso sempre confiar na capacidade do diálogo e do entendimento. Quem não for por esse caminho estará com seus dias contados no cenário da vida pública caso não reveja tais conceitos.

 

Os gargalos do transporte exigem soluções inovadoras e corajosas

Nenhum governante é verdadeiramente democrático se não ouvir as vozes dos cidadãos. Digo isso porque aqui no Distrito Federal, durante muitos anos, fez-se ouvidos surdos aos gritos da população desassistida pelos péssimos serviços de transporte público. Tanto no que tange os ônibus coletivos, quanto no que diz respeito ao Metrô DF, o sistema é uma caixa de inoperância e escândalos.

Antes de tudo, é preciso fazer justiça. A gestão passada deu os primeiros passos para encarar o problema e atual gestão, sob a batuta do vice-governador Tadeu Filippelli, está buscando soluções que dêem solução definitiva para o problema. A licitação das linhas de ônibus e as faixas exclusivas são um bom exemplo.

Mas é preciso fazer mais. As greves de metroviários e os escândalos de sabotagem do metrô são o indicativo de que o sistema tem um gargalo que precisa ser resolvido. Em uma análise superficial, tenho a impressão de que o cidadão tem de esperar por horas por um dos poucos trens que estão disponíveis na rede. Há problemas estruturais sérios. Falta manutenção, os carros estão quase sempre sujos.

A lista de reclamações sobre o metrô é quase tão extensa quanto ás tão recorrentes reclamações relativas aos serviços prestados pelos coletivos candangos. A diferença é que no caso do metrô fica evidente que o governo não tem pernas suficientes para corrigir. O subsídio dado pelo governo para manter o metrô nos trilhos é suficiente, por exemplo, para mandar todos os usuários de taxi para casa.

Traduzindo em midos, o governo tem gastado muito para atender um número ainda muito pequeno de usuários. São recursos que poderiam ser investidos em áreas que continuam extremamente carentes de orçamento. O dinheiro empregado no metrô pode, por exemplo, ser usado para atender as reivindicações dos professores que, mal remunerados, estão em greve.

As soluções estruturais para o metrô, pelo que parece, são proibitivas para o erário. É preciso procurar parceiros. Ter a coragem de, assim como fez o Governo Federal no caso dos aeroportos, ir ao mercado em busca de investidores com capacidade de colocar o metrô na linha e atender com qualidade os usuários e o público que a capital receberá em função da Copa do Mundo.

Ajudar o governo na busca de soluções para o transporte será uma obsessão para mim. Meu mandato será dedicado a geração de empregos e a melhoria dos serviços de transporte público. São duas áreas essenciais a dignidade dos brasilienses e dos que escolheram a cidade para morar e criar seus filhos e dar solução a essas questões será tema do qual não abrirei mão. Nisso, serei intransigente.

*Robéro Negreiros é deputado distrital pelo PMDB

O art. 205 da Constituição Federal diz que “a educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho”.

Se o pai ou a mãe não matricular o filho em uma escola, pode responder judicialmente. A questão envolve direitos e deveres da família e do Estado. Nossa legislação determina claramente a responsabilidade dos pais em prover a educação saudável de seus filhos. O Estado, por sua vez, tem o dever de zelar por todos os seus cidadãos, em especial as crianças e adolescentes, que devem ter todas as oportunidades para uma boa formação garantidas pelo poder público.

Daí a escola ser obrigatória em seu nível fundamental: é a experiência que garante condições de igualdade para todos os cidadãos, quanto à sua formação básica e ao início de sua inserção na sociedade adulta.

Mas, e quando acontece uma greve longa como a atual na educação pública, quem deve ser responsabilizado? Se os pais podem ser processados, o que acontece do outro lado? O pai e a mãe dos mais de 700 mil alunos que estão sem aulas há cerca de 20 dias têm o direito de entrar na justiça? E contra quem: o GDF ou o Sindicato dos Professores?

Essa queda de braço em que se transformou a greve na educação só prejudica a população. Os professores do Distrito Federal são os mais bem pagos do país. Podem até ter o direito – e ser justo o movimento – de paralisação, mas é difícil entrar na cabeça do cidadão comum o porquê dessa greve.

Como é difícil também entender como o GDF atingiu o limite da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF). O que importa para o cidadão é que seus filhos tenham uma boa educação para conseguir um futuro melhor. Essa é a preocupação de todo pai, seja ele rico ou pobre.

Com salário inicial de R$ 4.226,47, o professor da rede pública pode colocar seu filho num colégio particular. E a maioria faz isso. Esses jovens e adolescentes não estão sofrendo. Talvez, sim, o filho da empregada doméstica que trabalha na casa de um educador do GDF e que está se virando para encontrar onde deixar seu filho, já que a escola está fechada.

O GDF atingiu a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) por que fez loucuras no início do governo. Para fazer uma média com os comissionados, aquele batalhão de apadrinhados, militantes e colaboradores de campanha, em 2011, o GDF concedeu um aumento de 115%, o que levou o custo dos comissionados para R$ 320 milhões em 2012.

Além disso, foram criados 16 novos órgãos públicos, com custo anual de R$ 40 milhões. Este ano, o governador Agnelo Queiroz anunciou corte de apenas 10% nestes gastos. Se reduzisse em 50%, teria uma economia de R$ 180 milhões. Terra do governador Agnelo, a Bahia, por exemplo, tem cinco vezes a população de Brasília e conta com 26 secretarias, enquanto o DF soma 36.

É uma briga de cozinha, de companheiros. São todos filiados ao mesmo partido, o PT. Já passou da hora do governador e da direção do Sinpro se entenderem para o bem das nossas crianças. Além disso, para quem não se lembra, o maior desgaste do governo Cristovam Buarque foi provocado pelo Sinpro, o que deixou o PT longe do Palácio do Buriti por 12 anos. Sinpro e Agnelo, ambos do PT, correm o risco de morrerem abraçados.

 

Mesmo sendo um bem que não tem preço, cobrar ética na política está fora de moda. Mas não custa nada bater na tecla. A distorção de valores tem o seu preço: os políticos não conseguem mais conquistar o coração e a credibilidade do eleitor. A desconfiança é geral.

Como não triunfam por seus próprios méritos, e sem condições de mostrar a população que é o melhor candidato para esse ou aquele cargo eletivo, inverte-se o jogo que agora passa a ser de destruir os pretensos candidatos adversários para se chegar à eleição com o mínimo possível de concorrentes. Se não tiver nenhum na disputa, melhor.

Quem se atreve a sonhar com um cargo maior, mesmo em conversas reservadas – que sempre vazam -, coloca sua cabeça a prêmio. Do nada surge campanha na imprensa, ação no Ministério Público ou investigação policial colocando em xeque as condições morais do quase candidato. É uma guilhotina política que arruína a democracia porque atropela seus modos. No final, vence o menos pior.

Vivemos num regime nada democrático. Nossos políticos têm medo se assumir uma candidatura. No passado isso já foi celebrado como esperteza política. Hoje, é medo puro. O esquema montado para eliminar e massacrar adversários é forte e eficiente.

O ex-governador e atual senador, Cristovam Buarque (PDT), sabe disso. Bastaram as críticas ao governo Agnelo e alguns petistas rebeldes o procurarem declarando o desejo de ele ser novamente candidato ao Palácio do Buriti, para Cristovam levar boas bordoadas. Conseguiram enquadrá-lo na Lei da Ficha Limpa, mesmo antes de uma decisão final da justiça.

A deputada distrital Liliane Roriz (PSD) é cogitada para fincar a bandeira do rorizismo novamente no GDF. Ela herdaria os votos do pai, o ex-governador Joaquim Roriz (PSC), e ainda agregaria parte da oposição.

Pronto, foi o suficiente para descobrir aluguel de veículos pagos com a verba indenizatória. Parece um negócio semelhante ao que a maioria dos parlamentares faz, mas Liliane se deu mal porque uma das pessoas de quem ela alugou um veículo forneceu um endereço diferente do que o documentado.

 Ainda é uma denúncia pequena e que causa pouco desgaste, mas se Liliane ousar levar em frente a ideia de disputar o Buriti vai levar muita pancada. Quanto maior a pancada, maior o potencial da candidatura. Liliane ainda vai apanhar muito.

O próximo da fila que pode aparecer nas manchetes negativas e responder denúncias deverá ser o senador Rodrigo Rollemberg (PSB). Quietinho, não assume que pretende disputar o cargo de Agnelo, mas sua candidatura é óbvia. E, para desespero de adversários e aliados, com grandes chances de vitória.

O partido de Rollemberg faz parte da base aliada do governador Agnelo, mas sua candidatura não será uma decisão apenas dele, faz parte do projeto nacional do PSB, que vai atrair PSD, e ambos podem caminhar com o PSDB de Aécio Neves. Quando assumiu a direção regional do PSD, o ex-governador Rogério Rosso ouviu a orientação do prefeito de São Paulo e líder maior da legenda, Gilberto Kassab, para colar no PSB.

Kassab e Eduardo Campos, presidente nacional do PSB e governador de Pernambuco, respectivamente, articulam um projeto nacional para 2014. Se essa união acontecer, Rollemberg e Liliane irão caminhar juntos.

O deputado federal José Antonio Reguffe (PDT) é o político com um dos maiores potenciais de votos de Brasília. O eleitor gosta do seu perfil. Os políticos o odeiam. É bem provável que ele apareça bem colocado nas primeiras pesquisas de intenção de voto para 2014. Mas ele morre de medo de assumir qualquer candidatura, seja ao governo ou ao Senado. Reguffe também já foi vítima de algumas notas mal intencionadas.

A lista de candidatos à guilhotina política é extensa. Nela estão personagens como o ex-deputado Alberto Fraga (DEM) e a deputada distrital Eliana Pedrosa (PSD). Vez ou outra são levados ao ringue para levar umas pancadas. O objetivo: limpar o caminho de qualquer candidatura adversária.

É por essas e por outras que o secretário de Habitação do DF e deputado federal licenciado, Geraldo Magela (PT), submergiu e não quer saber de conversar sobre 2014. Cristovam já disse que apoiaria a candidatura de Magela ao Buriti, para seu desespero.

O PMDB é o partido mais coerente do país. É governo, independente de quem esteja governando. O vice-governador Tadeu Filippelli é do PMDB. Ele estará no próximo governo, mas ainda tem motivos para se mexer. Vai esperar o movimento das nuvens para o cenário político ficar mais claro. Melhor assim, pois preserva sua cabeça do fogo amigo.

O terror da guilhotina política apavora almas. Mas não só em uma eleição direta isso acontece. E nem sempre são promovidos por grupos adversários. O fogo amigo também corta cabeças. Um bom exemplo é a eleição para a próxima Mesa Diretora da Câmara Legislativa.

O atual presidente da CLDF, deputado Patrício (PT), colocou em pauta a disposição de aprovar a reeleição e ser candidato à própria sucessão. Vem sofrendo um massacre político. Se tivesse mais de uma cabeça, todas seriam cortadas. Nem os governistas escapam. Mas Patrício erra quando capitaliza sozinho o desgaste da Câmara, sem dividir com os outros deputados, principalmente da Mesa Diretora.

Outro que surge como favorito ao comando da Câmara é o deputado Agaciel Maia (PTC). De uma hora para outra apareceu como autor de uma esquema de invasões de terra em Brasília, ao mesmo tempo em que lutou para a criação da Secretaria de Regularização. A deputada Arlete Sampaio (PT), outra candidata, agradece.

Não está se fazendo aqui juízo se fulano ou cicrano é inocente ou tem culpa no cartório. Apenas constatando que basta ter seu nome citado como possível candidato a qualquer coisa, para começar uma campanha de desconstrução de imagem. A crise na política brasiliense é muito maior do que a crise no governo. A crise é de princípios.

 

Quem faz até mesmo uma breve leitura do plano de metas que o governador Agnelo Queiroz anunciou para o sistema de transporte coletivo fica impressionado. Na teoria, vai resolver um problema que atormenta há décadas os usuários de ônibus. Na prática, vai travar uma briga judicial com os donos de empresas de ônibus que se sentem donos do sistema e tratam Brasília como uma capitania hereditária deles.

Atualmente, 17 empresas operam em Brasília, mas apenas três empresários dominam 80% do sistema. Nessa briga, do lado do GDF, na ponta de lança, está o secretário de Transportes, José Walter Vasquez Filho, tendo na retaguarda o vice-governador Tadeu Filippelli.

O GDF promete segurança, conforto, acessibilidade e mobilidade a condutores e usuários. A integração entre ônibus e metrô vai acontecer. O preço não vai aumentar e o custo para o usuário pode, em alguns casos, até diminuir. Os ônibus serão novos e terão ar-condicionado. É o paraíso na terra para os sem-carros e que pode atrair a classe média para usar o transporte coletivo.

Se ganhar a briga com os empresários, Agnelo pode dar uma guinada em sua administração. Os índices de aprovação tendem a melhorar gradativamente. Assim, chegará competitivo em 2014, o que a oposição e até aliados começam a não acreditar.

No Rio de Janeiro, o prefeito Eduardo Paes (PMDB) apostou tudo na educação para ficar bem pontuado nas pesquisas de avaliação de governo. Não deu certo. Os índices de aprovação estancaram. Paes reavaliou a sua administração, convidou especialistas e descobriu que a maior aflição da população era o sistema de transporte coletivo. Em Brasília, Agnelo Queiroz abraçou a área da saúde desde o primeiro dia de governo. Está fazendo um bom trabalho no setor, mas que é pouco percebido pela população. O governo ainda não aprendeu a se comunicar. Faz muito, mas ninguém vê. Resultado: despencou na avaliação ao ponto de ficar em último lugar numa pesquisa comparativa com outros governadores do país.

A imprensa todo dia noticia o caos no sistema de transporte público, o Ministério Público pede licitação, a população sofre e reclama, reclama e sofre diariamente com ônibus velhos, quebrados, sujos e superlotados. Verdadeiras latas de sardinhas. Ou seja, estava na cara o que fazer.

Governos anteriores só tentaram soluções paliativas para o sistema de transporte público porque estavam atrelados aos empresários do setor, seja pela doação de dinheiro para campanha eleitoral ou em negócios não republicanos.

Se Agnelo conseguir o que promete, dará um grande passo para melhorar a aprovação de seu governo e almejar uma reeleição tranquila. Isso, é claro, se conseguir controlar os chantagistas que orbitam em seu governo, que prometem provas bombásticas, mas esperam o momento certo para mos-trá-las, numa demonstração de chantagem pura. Brasília não merece ficar novamente refém do submundo da política.

O anúncio do plano de ações para o sistema de transporte público é uma notícia positiva num mar de lama, de vídeos e achaques. Agnelo tem que fugir dessa agenda negativa e mostrar para a população que o governo pode fazer, fará e está fazendo. Se der certo, muita gente da base aliada do governo que ensaiava pular fora do barco vai ter que reavaliar sua posição. Já a oposição terá que sair do comodismo e se organizar, pois Agnelo vai botar o busão na estrada.

 

Tem aqueles que só aprendem apanhando e os que aprendem com os erros dos outros. Os deputados distritais, simplesmente não aprendem, nem de uma forma ou outra. Fazem parte do grupo que não aprende, nem apanhando. Continuam errando, e muito. Os erros cometidos nas legislaturas passadas não serviram de lição para a atual composição da Câmara Legislativa.

O noticiário desta semana foi extremamente negativo para o Poder Legislativo. Os deputados não podem reclamar de perseguição ou injustiça. Eles fazem por onde ser criticados. Voltaram das férias e não fizeram quase nada. O período de folga, superior a 30 dias, foi cansativo. Então, o Carnaval dos parlamentaras virou um feriadão de 12 dias sem sessões plenárias. A opinião pública caiu em cima da folga dos distritais.

Para completar, 17 deputados embolsaram, cada um, R$ 20 mil com 14º salário. Ainda este ano irão receber o 15º salário. Serão mais R$ 20 mil no bolso de cada um. Esse privilégio já podia ter acabado. Um projeto do deputado distrital licenciado Raad Massouh (PPL), de 2009, acaba com essa farra. Mas, infelizmente, foi arquivado por falta de interesse dos deputados. Em 2011, Raad apresentou novamente o projeto, que repousa mansamente na gaveta do presidente da Câmara Legislativa, deputado Patrício (PT).

O engavetamento do projeto deve constar no pacote de bondades que a atual Mesa Diretora da Câmara Legislativa preparou para aprovar a proposta de reeleição, o que daria a Patrício mais dois anos na Presidência da Casa. Não seria um bom momento de cortar os privilégios dos parlamentares. Mesmo que para isso a moralidade fique relegada a segundo ou terceiro planos.

Pelo visto, Raad Massouh continuará uma voz quase solitária em defesa do projeto. Seus colegas de plenário torcem o nariz, com raras exceções. Mas Raad ficará bem junto à opinião pública e já prepara o discurso de moralização para 2014. Quem sabe os deputados da próxima Legislatura não sejam mais inteligentes e aprendam com os erros da atual. Ou que os eleitores estejam mais atentos e escolham parlamentares mais compromissados.

Quando os deputados voltarem ao plenário terão grandes temas para discutir como o Plano Diretor de Ordenamento Territorial do Distrito Federal (PDOT) e a Lei de Uso e Ocupação do Solo (Luos).

Além do Carnaval prolongado e de salários extras, os deputados ainda tiveram recentemente aumentos de 77,77% na verba indenizatória e de 28% nas diárias de viagens. Cada um dos 24 distritais custa a você, contribuinte, R$ 1,8 milhão ao ano.

A Casa, que ficou conhecida no passado como a do “espanto”, tornou-se o Palácio dos Privilégios. E a culpa não é da imprensa. É dos próprios deputados que não zelam pela imagem do Legislativo, de suas carreiras políticas e, principalmente, do voto que recebeu do eleitor para bem representá-lo na Câmara.

Joaquim Domingos Roriz (PSC) é um animal político. Um sobrevivente. Os seus dias de vida pública estão contados, mas uma simples movimentação causa reboliço nos meios políticos e na imprensa.

Há pouco mais de uma semana, o ex-governador por quatro vezes ensaiou mais um retorno. Seu objetivo seria organizar a oposição ao governador Agnelo Queiroz (PT) visando uma candidatura ao Palácio do Buriti em 2014. Prometeu, inclusive, gastar a sola de sapato visitando as cidades do Distrito Federal. Queria se aproximar do povo e se colocar como a principal opção à sucessão de Agnelo.

As visitas devem ser abortadas. Roriz não tem mais motivos e vai continuar na toca, pelo menos por enquanto. O Supremo Tribunal Federal (STF) jogou água fria em suas pretensões com a validação constitucional da Lei da Ficha Limpa, impedindo qualquer candidatura sua até 2023, quando estará com 87 anos.

Mas quem pensa que o velho cacique vai abandonar a política, engana-se. Roriz é um articulador e deve preparar dentro do seu grupo político um sucessor, que pode estar em sua própria casa. A mais provável deve ser a filha, deputada distrital Liliane Roriz (PSD). Bem articulada e considerada simpática por políticos de várias tendências, é a solução caseira que pode, ao mesmo tempo, dar um ar de modernidade ao rorizismo.

Jaqueline (PMN), a outra filha e deputada federal, saiu chamuscada da exibição do vídeo recebendo dinheiro do ex-delegado Durval Barbosa, operador do esquema de corrupção nos governos Roriz, Maria de Lourdes Abadia (PSDB) e José Roberto Arruda (sem partido). Jaqueline foi vítima do fogo amigo e teve seu mandato parlamentar questionado, mas no final conseguiu se safar.

Fora do clã Roriz, a briga vai ser intensa para herdar o espólio político-eleitoral do ex-governador. Com a derrota de Roriz nos tribunais, a deputada distrital Eliana Pedrosa (PSD) pretende ocupar o espaço aberto e se viabilizar como opção. A parcela da população que votaria em Roriz de olhos fechados está na faixa de 30%. É essa a fatia do eleitorado que Eliana sonha. Ao contrário de Liliane, Eliana não teria vontade nem paixão de levantar a bandeira do rorizismo. Fica satisfeita com o apoio e os votos, mas sem compromisso maior.

Já Rogério Rosso (PSD) é considerado um aliado fiel de Roriz, a quem é grato por ter entrado na vida pública. Saiu do PMDB de forma conturbada e entrou de cabeça no projeto político do PSD. Ficou alguns meses no cargo de governador num momento atribulado. Não conseguiu deixar sua marca no governo, nem teve tempo suficiente para isso. Tem uma carreira meteórica: de secretário de Desenvolvimento Econômico a administrador de Ceilândia; de suplente de deputado federal a governador, e agora presidente regional de um dos maiores partidos do país. Rogério poderia ter a bênção de Roriz, mas a briga com Liliane e Eliana vai ser grande. E estão todos na mesma legenda.

O certo é que a eleição de 2014 passará novamente por Roriz. Ele estará presente, não como candidato, mas como padrinho político. Sua imagem ainda é forte nas classes mais baixas, em que o PT tenta, tenta e não consegue se consolidar.

A deputada Arlete Sampaio (PT), que ficou um ano na Secretaria de Desenvolvimento Social e Transferência de Renda, testemunhou isso. Não bastam apenas programas sociais cheios de bondades, é preciso carisma, coisa que Roriz tem de sobra. Não basta conceder um benefício, tem que ir à periferia e entregar o cartão bolsa-qualquer-coisa nas mãos do povo. O povo gosta de ver e tocar o político e é assim que se faz política, longe dos gabinetes com ar-condicionado. Roriz sabe disso, o ex-presidente Lula também, o PT do DF ainda não.

Para encerrar, um trecho da carta intitulada “Ao Povo de Brasília”, que o ex-governador Joaquim Roriz divulgou logo após a decisão do STF: “Estou certo de que Deus me dará saúde e forças para continuar lutando pelos brasilienses nas próximas eleições, mesmo sem poder disputá-la. Mas estarei apoiando alguém que comungue com minhas ideias, que seja do nosso grupo político, respeite e governe para o povo, e que será vitorioso”.

Roriz pode estar velho, mas não bobo. Ele vai faturar o seu cacife eleitoral até quando for possível. Ou até o dia em que os adversários aprenderem a sua fórmula de fazer política e conseguirem enterrar o rorizismo. Mas, muitas vezes, esperteza e expertise não andam juntas.

 

Políticos, autoridades e empresários de Brasília vivem sob constante ameaça de chantagem. São todos reféns do passado, dos erros que cometeram e de diálogos não-republicanos. Outros têm a sua vida pessoal devassada e questões de foro íntimo caem na rede de bisbilhotagem que se criou na política do Distrito Federal.

Foi no final dos anos 90 que se iniciou na Capital Federal esse clima de medo e insegurança. Tudo começou com o ex-delegado Durval Barbosa e teve continuidade com seus filhotes de arapongagem. Quem trilhou pelo submundo de gravações clandestinas fez fortuna na cidade e muitas vítimas. Quem não se submete às chantagens tem a sua vida destruída.

Não se pode mais conversar com tranquilidade com ninguém em Brasília. Por telefone, nem pensar. Sempre vai haver um terceiro na linha ouvindo e gravando conversas que podem gerar dinheiro ou poder. De jornalistas a juízes, passando por governadores, secretários de Estado e parlamentares, todos são alvos dessa gente.

A última vítima foi o delegado Onofre de Moraes, que fez confidências e emitiu opiniões nada adequadas para alguém que almejava chegar ao cargo de diretor geral da Polícia Civil, um sonho antigo. Caiu não só pela boca grande, mas também pela escolha de suas amizades e companhias.

Onofre alegou que tudo não passava de “galhofas e brincadeiras”, mas esqueceu que não se pode brincar com coisa séria, quando se ocupa um cargo sério. A gravação causou constrangimento no governo e deixou sua situação insustentável na Polícia Civil. O pedido de demissão foi inevitável e Onofre agora veste os pijamas da aposentadoria.

Fala-se nos bastidores que existam mais de três mil gravações de áudio e vídeo em poder dessa turma, aterrorizando meio mundo de gente que orbita pelo poder em Brasília. Quem ainda não foi chantageado e pode fazer algo para conter a sanha dos grampeadores, fica inerte com medo de ser a próxima vítima. Então, optam pela omissão, fechando os olhos para os escalabros que acontecem.

Se existe mesmo tanta gravação assim, o Ministério Público poderia provocar a Justiça para que requisite dos grampeadores que estão sob sua tutela a entrega de todos os áudios e vídeos. Desta forma, colocaria um fim na era das chantagens. Quem cometeu algum tipo de ilícito responderia por seus atos nos tribunais adequados.

O que não pode são protegidos da justiça por delações continuarem operando na cidade e trazendo o medo e a instabilidade política, mostrando suas gravações clandestinas quando bem entendem ou quando lhe trazem algum benefício financeiro, político ou uma mera vingança. Se essa bandalheira continuar, o Judiciário será responsabilizado pela sociedade como co-autor desses crimes.

A divulgação de vídeos clandestinos é hoje a maior arma de um grupo que chefia o poder paralelo em Brasília e desafia os poderes legalmente constituídos. São gravações ilegais e que acabam contando com a omissão da justiça, que não contesta a sua produção. O certo seria que um autor de vídeo clandestino respondesse processo nos tribunais.

É hora de por um fim nisso tudo, do contrário continuaremos vivendo num estado de medo e seremos todos suspeitos e vítimas, ao mesmo tempo, de nossos próprios pecados mais íntimos, pois sempre terá alguém nas sombras do submundo gravando a intimidade alheia.

O artigo 5º da Constituição Federal garante a todos os cidadãos brasileiros o direito à privacidade. Esse direito é, inclusive, garantido pela Lei 9.296/96, que diz que a intimidade de uma pessoa só pode ser violada pela Justiça.

Com o fim das férias, a primeira semana de fevereiro deve ser de articulações no Legislativo e no Executivo. Os dois poderes vão se debruçar em uma pauta política intensa e anunciar decisões que afetarão o dia a dia do brasiliense.

Do lado da Câmara Legislativa, além das novidades de três novos deputados – Arlete Sampaio (PT), Robério Negreiros (PMDB) e Paulo Roriz (DEM) -, importantes projetos como o Plano Diretor de Ordenamento Territorial (PDOT) e a Lei de Uso e Ordenamento do Solo (Luos) irão encabeçar as discussões, somando-se a outros projetos de interesse relevante da sociedade, como o da proibição da exigência do cheque caução em hospitais particulares e o combate à máfia dos combustíveis, defendidos pelo deputado Chico Vigilante (PT).

São assuntos importantes e o desafio do deputado Patrício (PT), presidente da Câmara Legislativa, é evitar que essas discussões não sejam contaminadas pelo debate político, que promete se acirrar nos próximos meses. Um dos assuntos mais polêmicos é a sucessão de Patrício, que vem sendo discutida, de maneira equivocada, um ano antes da eleição da nova Mesa Diretora da Casa.

É certo que político adora uma eleição, mas o exagero não é recomendável. O que se vê hoje na Câmara Legislativa são deputados candidatos a qualquer coisa que pintar. Tem candidatos a vaga no Tribunal de Contas do Distrito Federal (TCDF), que não se sabe ao certo quando surgirá; a cargos na Mesa Diretora da CLDF em 2013; e até ao Senado e ao Governo em 2014.

Para o cargo de presidente da Câmara, o que não faltam são postulantes. Chega ao absurdo de até suplente no exercício do cargo querer a cadeira, o que juridicamente não é possível. Até o próprio Patrício faz contatos e conta os votos para tentar modificar a Lei Orgânica do Distrito Federal que veda a reeleição de membros da Mesa Diretora numa mesma legislatura.

Pela legislação atual, ele estaria fora do páreo. Mas, se conseguir apoio para mudar as regras do jogo, terá que contar com 16 votos para a aprovação de uma emenda que lhe assegure a possibilidade de concorrer. Leonardo Prudente (sem partido, ex-DEM) e Alírio Neto (PPS) tentaram a mesma estratégia e se deram mal.

No Palácio do Buriti, o burburinho é a tão esperada reforma no primeiro escalão do governo, que promete dar eficiência à administração. Agnelo divide a sua decisão com poucos auxiliares, o que não evitou alguns vazamentos. O principal deles é a recriação da Casa Civil, dando um novo fôlego ao secretário de Governo, Paulo Tadeu.

Agnelo pretende que Tadeu tenha seu foco mais na articulação política, deixando a administração pública com um gestor experiente que vai chefiar a Casa Civil. A Secretaria de Governo está inchada em atribuição. O problema não é o Paulo Tadeu. É o poder excessivo acumulado na pasta de Governo. Ninguém daria conta do recado sem perder o foco e sem causar insatisfações entre aliados. O melhor é dividir as atribuições antes que Paulo Tadeu chegue torrado em 2014. Ser chamuscado ele não conseguiu evitar.

As outras mudanças ainda estão estudadas em segredo. Fala-se muito em mudar a comunicação do governo. Não em troca de nomes, mais em métodos. Agnelo precisa voltar a ser simpático e se livrar da pauta negativa. Precisa ser um governante leve, de bem com a vida e que consegue se comunicar com a sociedade. Para isso, alguns ajustes devem ser feitos.

O governo tem um saldo de realizações positivo, mas por algum mistério, ainda não conseguiu dizer a população o que faz. Assim, vem acumulando índices baixos de aprovação. Uma sacudida, como uma reforma no secretariado, é sempre bem vista pela sociedade. Passa a impressão que o Buriti vem agindo para corrigir o que está errado. Melhor do que um novo caminho, é o caminho certo.

 

As idas e vindas de deputados distritais continuam intensas. O ano de 2012 começa com pelo menos três novidades na Câmara Legislativa. A maior delas é a reestreia da deputada Arlete Sampaio (PT) que deve mesmo deixar a Secretaria de Desenvolvimento Social e Transferência de Renda do Governo do Distrito Federal, desalojando da Câmara a também petista Rejane Pitanga.

Arlete vinha fazendo um bom trabalho na secretaria. Trouxe na bagagem a expe­riência de ter sido a número 2 do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome do Governo Lula, chegando em alguns momentos a assumir o cargo de ministra de Estado.

Divergências a trazem de volta ao Legislativo, onde exerceu seu último mandato eletivo entre 2002 e 2006, conseguindo o destaque que a fez ser candidata ao Palácio do Buriti, em 2006. Perdeu a eleição para José Roberto Arruda (sem partido), mas foi convocada para exercer cargos no Governo Federal. Em 2010, foi eleita novamente para a Câmara, mas não chegou a assumir efetivamente. Tomou posse, licenciou-se e foi para a equipe do governador Agnelo Queiroz (PT).

Nos bastidores, o nome de Arlete é sempre citado para presidir a Câmara, mas a eleição que vai escolher o sucessor do atual presidente, deputado Patrício (PT), só acontece daqui a um ano. É muito cedo para esse tipo de especulação.

Se uns retornam, outros dão adeus à Câmara Legislativa. E quem sai é justamente o deputado mais antigo da Casa. Benício Tavares (PMDB) foi cassado pela Justiça Eleitoral por abuso de poder econômico e compra de votos. É considerado até por deputados adversários como um dos maiores articuladores da política brasiliense, com amplo conhecimento das entranhas do poder e dos podres dos políticos.

Quem entra no lugar de Benício é Robério Negreiros Filho (PMDB), estreante em mandato eletivo e com 32 anos de idade. Negreiros ingressou na legenda e disputou as últimas eleições pelas mãos de Rôney Nemer.

Robério é herdeiro e foi executivo da empresa de segurança Brasfort, que possui contratos com o GDF e na Esplanada dos Ministérios. Assume o mandato engrossando a base governista de Agnelo e promete trabalhar pela geração de empregos.

Quem retorna à Câmara Legislativa é Paulo Roriz (DEM), sobrinho do ex-governador Joaquim Roriz (PSC). Ele assume a vaga aberta no final de dezembro com a ida de Raad Massouh para chefiar a Secretaria da Micro e Pequena Empresa do GDF. Paulinho Roriz, como é conhecido, mesmo carregando o sobrenome da família que deu as ordens no Buriti por quatro mandatos, há algum tempo mantém distância da política feita pelo tio.

Paulinho viverá uma situação curiosa. Como é filiado a um partido declaradamente de oposição, não poderá aderir ao governo. Também não deve exercer o papel de opositor de forma ferrenha, correndo o risco de ficar sem assento na Câmara Legislativa. Se causar muitos problemas ao GDF, Agnelo pode pedir para Raad Massouh retomar o mandato de distrital, dando adeus a Paulo Roriz. Será um mandato engessado. Se Agnelo deseja mesmo governar sem oposição, essa foi mais uma ação de sucesso em sua estratégia.

Novas mudanças podem acontecer nos próximos meses. Agnelo pretende fazer uma reforma no secretariado em fevereiro, que pode mexer no tabuleiro da Câmara. Tem ainda a disputa por uma cadeira no Tribunal de Contas do Distrito Federal (TCDF) que pode abrir uma nova vaga Legislativa. O que não falta são deputados dispostos a assumir o cargo de conselheiro, de caráter vitalício e com muitas regalias.

 

Depois da confusão criada em decorrência da deflagração da operação Caixa de Pandora, com reflexos significativos na economia e na política do Distrito Federal, o brasiliense iniciou 2011 com esperança de mudanças positivas. Não foi o que aconteceu. O ano que acabou foi de retração econômica e de denúncias envolvendo figuras do alto escalão do Palácio do Buriti.

O governo ficou engessado com o tiroteio político-policialesco, tendo como consequência a ineficiência administrativa. E se a oposição aproveitou para ecoar as denúncias, os companheiros não pouparam o governo de Agnelo Queiroz nas principais categorias do serviço público. Greves arranharam a imagem do Buriti e, principalmente, prejudicaram a sociedade que ficou no meio de uma briga política por mais espaços na administração pública. Nem toda greve feita em 2011 foi legítima. Houve aquelas que serviram de instrumento de pressão. Pastas do GDF e de órgãos públicos acabaram sendo entregues a sindicalistas, a exemplo da Secretaria de Educação e do Detran.

A base governista na Câmara Legislativa foi por muitas vezes arredia, ameaçando dar trabalho na aprovação de medidas importantes para o GDF. Na barganha por cargos, deputados e governo protagonizaram um cabo-de-guerra, tendo como centro a Secretaria de Governo. No final, parece que deu tudo certo. Os distritais entraram em recesso, os projetos do Executivo foram aprovados e os parlamentares conseguiram avançar na máquina administrativa indicando apadrinhados.

O primeiro e segundo escalões do GDF passaram por algumas mudanças no primeiro ano de governo, sem resultar em muito efeito. Mas, será em 2012 que a primeira grande reforma administrativa acontecerá no Buriti.

A exemplo de 2011, o ano que se inicia será de esperança por dias melhores. Agnelo Queiroz terá uma grande oportunidade de dar uma guinada em seu governo. A troca de peças desgastadas será fundamental para que a máquina funcione com mais eficiência. Apenas isso não basta. É preciso que o governador tenha uma nova atitude à frente do Executivo. Alguns, mais maledicentes, falam que ele precisa ter pelo menos atitude. Mudanças são sempre positivas.

Agnelo também vai precisar de alguém para dar a cara a bater. Gente disposta a defender o seu governo em qualquer ocasião. Os principais assessores precisam sair dos gabinetes refrigerados e andar pela planície que é onde, enfim, vivemos. Não é vergonha descer do pedestal e mostrar o rosto.

Fatores positivos conspiram a favor de Agnelo. Um deles é que terá pela primeira vez um orçamento gestado pela sua equipe. O de 2011 foi elaborado durante o governo Rogério Rosso e aprovado pelos deputados distritais da legislatura anterior. Ou seja, o plano de metas de Agnelo não pode ser seguido à risca.

Também terá em execução um pacote de obras que deve trazer benefícios à sociedade, além de girar a economia com a contratação de mão de obra pelas empresas licitadas. O novo governo também está mais afeito à condução da máquina pública e – espera-se – não venha a cometer os mesmos erros do primeiro ano.

Talvez nada disso faça efeito se Agnelo não der à sociedade uma resposta à série de denúncias que vem sofrendo. O cidadão comum não entende o que vem acontecendo e, nesse caso, chega à conclusão mais fácil: que o governador tem culpa no cartório. Se não tem, é preciso ser claro e falar isso francamente à população, o que o governo não está sabendo fazer. Assim, o desgaste aumenta a cada dia e a popularidade vai a níveis cada vez mais baixos. Não existe cenário pior para um político que pode vir a ter uma carreira longa. E para o PT também, que passou anos longe do poder, e, quando consegue chegar novamente ao Buriti, se vê envolvido em tramas caseiras, colocando o projeto político-partidário por água abaixo.

Que em 2012 Agnelo não cometa os mesmos erros de 2011. É o que desejo para o governador.

 

Desde o início do governo Agnelo Queiroz que o PT não tinha uma reunião tão tensa. Com o agravamento da crise política e a incessante produção de denúncias contra o governador, o partido resolveu sentar, lavar a roupa e analisar o que vem acontecendo. O último encontro deste tipo feito pelos petistas aconteceu ainda durante a campanha de 2010. Depois disso, o governo se isolou e cada um foi para o seu lado.

Participaram da reunião no início desta semana integrantes da executiva regional e os parlamentares. Além de Agnelo, estiveram presentes o secretário de Governo Paulo Tadeu; o secretário de Habitação e deputado federal licenciado, Geraldo Magela; o secretário de Publicidade Institucional, Abimael Nunes; a secretária de Desenvolvimento Social e deputada distrital licenciada, Arlete Sampaio; a deputada federal Erika Kokay; o presidente da Câmara Legislativa, deputado Sidney Patrício; os deputados distritais Chico Vigilante, Chico Leite, Wasny de Roury e Rejane Pitanga; o ex-administrador de Taguatinga, Antonio Sabino; o ex-deputado distrital Chico Floresta; o administrador de Brazlândia, Bolivar Rocha; e o assessor especial do GDF para a Copa de 2014 e coordenador da campanha de Agnelo, Raimundo Junior.

Não foi uma reunião de governo. Tratou-se de uma reunião de partido para analisar o governo. Foi uma lavação de roupa suja, onde Agnelo ouviu mais do que falou. A avaliação feita pela maioria dos presentes é que tem muita coisa errada na gestão do Palácio do Buriti, o que não chega a ser uma novidade para quem acompanha de perto a administração. A população, que é mais sabida do que se pensa, também tem essa mesma sensação.

Na busca de soluções para evitar um desastre maior, foram feitas autocríticas do modelo de gestão. Alguns, mais racionais, lançaram a ideia de uma reformulação no primeiro escalão para dar um gás novo ao governo em 2012.

Outros petistas elegeram o revanchismo e a retaliação como armas para sair da crise, o que não passa de uma grande tolice. Na política, não faça nada, mais nada mesmo, movido pelo fígado. O cérebro, mesmo parecendo frio demais, é melhor conselheiro do que o fígado, sempre identificado com a ira.

A origem das denúncias contra Agnelo não está nos adversários políticos, mas nos próprios aliados, principalmente aqueles de longa data. A oposição, claro, faz o papel dela de dar ressonância ao inferno astral de Agnelo. Algumas vezes até usando métodos heterodoxos e condenáveis. Cabe à Justiça punir esses casos.

Não se deve também, como defendeu o secretário de Governo Paulo Tadeu, o presidente da Câmara, deputado Patrício, entre outros de menor influência, tomar medidas que mais atrapalham do que ajudam, como parar a comunicação do Buriti. Os feitos do governo devem ser divulgados para que a população tenha acesso à informação do que Agnelo vem fazendo. E isso é função da imprensa local. Os meios de comunicação de abrangência nacional só irão se lembrar do governo na pauta negativa.

Agnelo balançou, balançou, e pareceu não concordar com a proposta. Ao invés de cortar a divulgação, chegou-se à conclusão de que para dar publicidade das ações do governo é preciso que o governo produza ações positivas. E é para esse ponto chave que o GDF precisa acordar: uma agenda positiva, do contrário estará em jogo todo o projeto político do PT. Para os petistas vão alguns conselhos: arrume a casa e coloque em ordem aquilo que está fora do lugar, mesmo que tenha que cortar na própria carne; produzam notícias boas para a população; e, definitivamente, resolvam os problemas do passado. O governador já é bem crescidinho para sofrer com assombrações.

Também deve se afastar os assessores lamurientos, que vivem a se lamentar da vida, como o Lipi, aquela hiena do desenho animado, que dizia: “óh dia, óh céus, óh azar, eu sabia que não ia dar certo”. Pode sim dar certo, mas para isso acontecer não se pode ter medo de fazer as coisas certas.

No final da reunião, nada ficou resolvido. Afinal tratou-se de uma reunião do PT.

 

Para ser governador, o homem público tem que se preparar muito. É preciso ter uma vida resolvida, para que mais tarde não venha enfrentar problemas de ordem ética e moral. Trata-se do mais elevado cargo político eletivo que representa a autoridade máxima do Poder Executivo local. Antes de governar, é preciso governar-se.

É fato que o governador Agnelo Queiroz (PT), no início de sua carreira, manteve algumas relações políticas com personagens obscuros. Queria ele, se pudesse, apagar sua trajetória no PC do B. Assim como Arruda, as sombras do passado atormentam Agnelo.

Muitos ex-companheiros aproveitaram a chegada do amigo de militância para conseguir espaços no governo relembrados fatos antigos.

O episódio envolvendo a invasão do soldado PM, João Dias, é apenas um exemplo do passado malresolvido. A questão é que não se deveria levar esses problemas para o Palácio do Buriti, sede do governo local. É preciso respeitar e preservar a instituição do Governo do Distrito Federal. O submundo deve ficar em seu lugar devido. O prédio do Poder Executivo é para as decisões que irão melhorar a vida do brasiliense, não para briga de rua de irresponsáveis.

Entre outras motivações, o policial militar João Dias invadiu o Buriti com um objetivo: atingir o secretário de governo Paulo Tadeu. Não conseguiu 100% do seu intento: produzir imagens do principal assessor do GDF com a mesa cheia de dinheiro suspeito para depois derrubá-lo ou, quem sabe, tê-lo na mão.

Paulo Tadeu não caiu, mas teve que sair do gabinete e se defender. Apresentou provas, chamou o soldado de canalha, deu entrevistas contundentes a jornais, rádios e TVs e procurou o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) para que entre no caso. Mostrou que não está com medo de chantagens e denunciou uma suposta armação contra ele.

O secretário concentrou poder demais, que muitas vezes acaba lhe trazendo dores de cabeça e muitos desafetos. Além disso, algumas decisões e a maneira que vem conduzindo a Secretaria de Governo são motivos de críticas de aliados que, entre outras coisas, reclamam de retaliações. Tem de tudo: desde ciumeira política até a eterna briga pela poder.

João Dias, por sua vez, viu que a sua ação extrapolou os limites da convivência republicana. De maneira muito lúcida, conseguiu rapidamente um atestato de que está fazendo um tratamento psiquiátrico.

As denúncias e ameaças do soldado João Dias devem ser apuradas com rigor. Se se mostrarem verdadeiras, o Buriti precisará passar por mudanças. Do contrário, as suas declarações irão cair em total descrédito.

Agnelo vai precisar de firmeza e sabedoria nesse momento para tomar as decisões necessárias e garantir a governabilidade. Já está mais do que na hora de promover uma faxina “à la Dilma”. Governador, aproveite a marca de um ano de administração e faça uma “mexida” providencial. Veja o que está errado e conserte. Acabe com o fogo amigo e com as disputas entre secretários, do contrário serão quatro anos de mandato marcados por uma sequência de crise políticas.

Quando escrito em chinês a palavra crise compõe-se de dois caracteres: um representa perigo e o outro representa oportunidade. Ou seja, crise significa momento de riscos e ameaças, mas também podemos estar à frente de uma excelente oportunidade. Fica a dica, governador.

O que não pode é o Palácio do Buriti frequentar as páginas policiais com crimes de agressão, ofensa, racismo, injúria e, dependendo da perícia feita no dinheiro, crime contra o sistema financeiro.

Uma reforma do primeiro e segundo escalões pode dar um novo ânimo ao governo. Na Câmara Legislativa as críticas contra a composição do GDF são recorrentes. No começo, eram apenas comentários de bastidores. Hoje já ganham as páginas dos jornais. O governador deve dar atenção às reclamações da base. Ninguém consegue governar sozinho, mas é preciso escolher as melhores companhias. Ou aquelas que tragam menos problemas.

As autoridades do Governo do Distrito Federal não devem ficar reféns do passado. Nem trazê-lo para o presente, pois assim o futuro fica comprometido.

O governador precisa resolver essa questão para poder chegar em 2012 com um novo fôlego e tomar as decisões que Brasília espera. E foi para isso que a população foi às urnas e o elegeu. Ou Agnelo resolve de vez

sua relação com antigos companheiros, ou essa relação vai acabar com o seu governo

 

Sediar um evento como a Copa do Mundo, que ultrapassa os limites de laterais e linhas de fundo dos gramados, transformando-se em uma verdadeira festa de confraternização entre as diversas culturas mundiais, é motivo de grande entusiasmo para a maioria dos países. Quando pensamos em um evento desse porte no chamado país do samba, do Carnaval, da junção de raças e de cores e, principalmente, do futebol, o entusiasmo é nítido no semblante de todos os brasileiros. Entretanto, como saber se tamanho entusiasmo não acarretará consequências ruins? Será que nossa empolgação, motivada por fortes elementos culturais da nossa sociedade, não está fazendo com que fechemos os olhos para possíveis problemas na preparação do meio de campo da festa?

No dia 21 de novembro, a Novacap publicou o edital de licitação para construção da cobertura do Estádio Nacional de Brasília, no valor estimado de R$ 175 milhões. De acordo com matéria publicada pelo grupo Uol, com este acréscimo, o custo da nova arena já alcança R$ 850 milhões e, segundo informações do Governo do Distrito Federal (GDF), este montante deve aumentar, pois ainda restam os processos de compra do gramado e dos 71 mil assentos para os torcedores que comparecerão aos jogos.

Ao final, o custo total da obra se aproximará de R$ 1 bilhão, o que torna o estádio da Capital mais caro que o Itaquerão (SP), arena escolhida para sediar a abertura da Copa. Mais alta que o custo do Estádio Nacional de Brasília, ex-Mané Garrincha, apenas a reforma do Maracanã (RJ). Confirmadas essas cifras, o montante é 60% superior ao que foi orçado em 2010, quando Brasília assinou a matriz de responsabilidade da Copa, ocasião em que se estimava um gasto de R$ 671 milhões.

Superfaturamentos e acréscimos no orçamento não são novidades na realização de eventos esportivos no Brasil. Segundo matéria do Estado de S. Paulo, quando o Rio de Janeiro foi escolhido como sede dos Jogos Pan-Americanos, em 2003, o Ministério do Esporte estimou um gasto de R$ 386 milhões, mas o balanço final girou em torno de R$ 4 bilhões: valor 800% superior ao que foi inicialmente planejado.

No entanto, o que chama a atenção no empreendimento faraônico tocado pelo GDF é a forma como todo o processo foi gerido. Mesmo com todos os indícios que Brasília não seria escolhida para abertura da Copa, o comitê organizador local insistiu na construção do estádio compatível com as exigências para abrigar a primeira partida, quando uma arena mais modesta, com capacidade para público de 50 mil pessoas poderia ter sido a opção.

Além do alto valor em si, cabe destacar o modelo de financiamento adotado pelo GDF, completamente estatal. Ao contrário das outras oito arenas em que há investimento de dinheiro público, o GDF não se deu ao luxo de participar das linhas de investimento do BNDES, que se propôs a emprestar até R$ 400 milhões aos governos estaduais. Não bastasse, também optou por descartar parcerias com a iniciativa privada, como a que ocorre na reforma do Estádio Beira Rio, no Rio Grande do Sul.

É fato que o futebol está intrinsecamente associado à identidade brasileira e faz parte do patrimônio cultural de nossa sociedade. Esta constatação já impõe que o Estado participe da gestão do esporte e auxilie confederações e clubes na organização da Copa do Mundo. Não obstante, cabe questionar, aqui, as prioridades na utilização do dinheiro público e a quem este vultoso dispêndio beneficia. É legítimo que o GDF invista R$ 1 bilhão para recepcionar apenas 5 jogos de um evento esportivo, quando os hospitais públicos distritais estão em situação caótica?! Esta é uma questão que teremos que aguardar três anos para responder, ou, talvez, para a qual nunca teremos resposta.

André Ribeiro dos Reis – Aluno de Ciência Política – Universidade de Brasília

Nicole Albuquerque Dino – Aluna de Gestão de Políticas Públicas – Universidade de Brasília

 

A Câmara Legislativa pode até encerrar o ano com um saldo positivo, aprovando projetos importantes, realizando debates de interesse da sociedade e praticando a austeridade financeira. Mas, nada disso deve ser lembrado a longo prazo.

O primeiro ano da atual legislatura vai ficar marcado pelos embates fervorosos entre o governista Chico Vigilante (PT) e a oposicionista Celina Leão (ex-PMN, atual PSD). Não é de hoje que os dois vêm se estranhando. Desde as primeiras sessões do ano que o clima entre eles não vai bem.

Cada um vem cumprindo a sua missão política antagônica. Chico é petista e defende com afinco o governo do seu partido. É um leão de chácara quando chegam críticas e denúncias ao governador Agnelo ou a sua administração.

Já Celina é do berço rorizista – mesmo que ela tente se afastar do seu passado – e faz como ninguém o papel de oposição. É contundente em seus discursos e vigilante nas ações do Executivo. Uma verdadeira pedra no sapato de Agnelo. Quase virou governista no início do ano, mas a oferta feita pelo Buriti não lhe tentou.

Esta semana aconteceu mais um round entre os dois parlamentares. Celina acusou na quinta-feira (17) um integrante do primeiro escalão do GDF de participar da divulgação de um vídeo para livrar o governador Agnelo da suspeita de recebimento de propina.

Celina apresentou imagens do circuito interno da Câmara que mostram o chefe da Casa Militar do governo, coronel Rogério Leão, entrando no gabinete do líder do PT na Casa, Chico Vigilante, com uma sacola, minutos antes de o deputado distribuir o vídeo favorável ao governador.

A deputada insinua que o coronel estava levando o segundo vídeo protagonizado pelo lobista Daniel Tavares e divulgado na semana passada. No primeiro, em depoimento à própria deputada, ele acusou o governador de receber propina e, como prova, apresentou um comprovante de depósito de R$ 5 mil na conta de Agnelo.

No segundo, distribuído por Vigilante, o lobista dizia que o dinheiro era devolução de um empréstimo feito por Agnelo, a mesma explicação que o governador havia dado quando a denúncia foi divulgada.

O vídeo em si não diz nada. O chefe da Casa Militar, como qualquer outro integrante do governo, visita com frequência gabinetes de deputados governistas. Celina afirma que as imagens do circuito interno deixam “claro que houve a compra de uma testemunha e o uso da máquina pública”. Não deixa claro, deputada! São apenas ilações. Qualquer pessoa com o mínimo de inteligência sabe que as imagens não provam nada. Como diz lá no Goiás: afirmar isso é “pular o corguinho”.

Celina ainda afirma que “se fosse uma reunião de trabalho, ele (Rogério Leão) não iria de sacola, sem assessores, e o deputado não teria deixado o coronel sozinho no gabinete.” Ir com ou sem sacola, assessores, ou com testemunha não é crime. Sabe o que isso quer dizer: nada!

Porém, a deputada admitiu que apenas uma investigação da Polícia Federal pode comprovar se houve a participação de pessoas do governo na produção do vídeo favorável ao petista. O vídeo do circuito interno já foi entregue à PF e ao Ministério Público Federal. Ou seja, depois dos arroubos, até Celina viu que as imagens não querem dizer nada. E, ainda por cima, a PF e o Ministério Público irão perder tempo com isso. As imagens só valerão de alguma coisa se aparecer uma testemunha afirmando que viu o coronel entregar o dvd com a gravação de Daniel. Seria o batom na cueca.

Se esta semana Celina acusou Vigilante de armação, na semana passada foi o petista que acusou a pesedista. O deputado foi à tribuna acusar Celina e o irmão da deputada Eliana Pedrosa (PSD), o empresário Eduardo Pedrosa, de oferecer R$ 400 mil em cash e mesada por um ano ao lobista Daniel Tavares para fazer um vídeo incriminando o governador Agnelo.

O vídeo foi gravado e divulgado. E para provar mostrou as imagens de Daniel desmentindo tudo o que disse para Celina. A deputada virou uma arara e esta semana, o que parece, deu o troco colocando o coronel Leão e Vigilante sob suspeição.

Mas, se existe uma investigação dos malfeitos durante a gestão de Agnelo na Anvisa ou no programa Segundo Tempo; se uma testemunha gravou dois vídeos em que, óbvio, um deles está mentindo; e, se essas gravações foram feitas sob oferta de dinheiro ou por coação; o que nós temos aqui é o crime de obstrução da justiça com prejuízo à investigação.

Ou seja: alguém tem que ser preso. Ou manda para a cadeia Celina Leão e Eduardo Pedrosa; ou arruma celas para Chico Vigilante, coronel Rogério Leão e Agnelo. Foi assim com o ex-governador José Roberto Arruda.