Encerrada a temporada de filiações partidárias visando candidaturas para as eleições do próximo ano, inicia-se uma nova fase na política brasiliense: a das alianças para formação de chapas majoritárias e subcoligações proporcionais. O balcão de negócios da política funciona de maneira inversa a do comércio convencional, onde as vendas no atacado antecedem e estão à frente do varejo.
O varejo, no caso, é a negociação de legendas para atrair um bom número de candidatos competitivos para as câmaras Legislativa e dos Deputados. Com nominata forte, filiados com bom potencial de votos, e tempo de televisão e rádio atraentes, os partidos se cacifam para o comércio bilateral com os candidatos ao governo do Distrito Federal. Nessa negociação, as siglas nanicas também têm o seu valor, mesmo com tempo ínfimo no horário e postulantes de poucos votos. A estratégia, nesse caso, não seria nem para aumentar a força de uma coligação, mas sim minar a estrutura dos adversários.
De hoje até julho de 2010 o balcão estará aberto para as negociações, mas sai na frente quem primeiro amarrar as melhores alianças. Até porque o mercado costuma inflacionar com a demora de definições. É a lei da oferta e da procura. Também haverá negociações para desistência de candidaturas ao Buritinga. Hoje, quatro estão postados visando o governo do Distrito Federal. Partidos nanicos da esquerda mais radical devem lançar mais dois candidatos para marcar posição e expor a ideologia operário-comunista. Também deve surgir a candidatura de algum aventureiro sem chance para vender palanque e/ou se cacifar para 2014.
Mas 2010 também é propício para freios de arrumação. O governador Arruda (DEM), por exemplo, tem grandes chances de se libertar das amarras que de vez em sempre a Câmara Legislativa quer lhe impor. Para isso, deve trabalhar na formação de uma bancada composta por parlamentares de confiança e que defendam, verdadeiramente, o seu governo.
Em 2002, isso não foi possível. Numa disputa ferrenha, com o grupo político dividido em duas candidaturas e mais a disputa com o PT, Arruda não teve condições de trabalhar uma nominata de deputados distritais alinhados, salvo exceções, como de Raimundo Ribeiro pelo PSL, eleito fruto de uma costura pessoal de Arruda, de quem é amigo. O então postulante ao Palácio do Buriti teve que jogar com as cartas que estavam na mesa e fazer alianças com aqueles políticos que compunham o xadrez atual.
Arruda terá que mostrar muita habilidade para formar um novo grupo na Câmara Legislativa, aproveitando alguns parlamentares que mostraram fidelidade e colocando na Casa nomes de sua confiança. Nomes que podem ser achados em seu próprio governo, em partidos aliados e em entidades representativas.
Adelmir Santana
Não se pode condenar o senador Adelmir Santana (DEM) pela desistência em se filiar ao PSB. O que aconteceu na manhã de quinta-feira, quando a solenidade de adesão foi cancelada, frustrando boa parte da esquerda brasiliense, faz parte do jogo político. O grande erro de Adelmir não foi ter cancelado o evento na noite anterior, quando começou a sofrer pressões, evitando assim o constrangimento daqueles que compareceram à sede do PSB.
No geral, Adelmir não teve culpa do fracasso da filiação. Ele foi envolvido em uma teia de interesses do seu partido, o Democratas, e da oposição, tendo à frente a sigla socialista. O senador conseguiu carta branca e um acordo de amizade para sair do DEM, mas não percebeu a magnitude do jogo. Os caciques locais, ocupados com outros acertos, tendo em vista o prazo de filiações, não deram a devida atenção ao caso de Adelmir. Foi preciso um alerta da Executiva Nacional para que a saída fosse cancelada. Afinal, a conta é simples. A oposição consegue vitórias apertadas no Senado Federal contra o Planalto, e num ano eleitoral, com projetos importantes como o do pré-sal a serem votados em plenário, perder um senador para o governo é inadmissível.
Adelmir Santana é um homem de bem, de bom caráter e que tem se pontuado pela ética. Não se deve colocar toda culpa nele pelo episódio e torná-lo uma chacota como alguns fizeram. A trapalhada tem outras digitais.
Política
Adelmir Santana, Eleições 2010