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Por Ricardo Callado

Brasília viveu nos últimos anos o caos administrativo. Época de denúncias de corrupção e ineficiência que mancharam a imagem de nossa cidade. A capital tem a partir de janeiro a oportunidade de virar essa página ruim da história.

Um grupo de mulheres e homens que tem amor por Brasília, liderado pelo governador eleito Rodrigo Rollemberg (PSB), assume a missão de colocar a administração pública nos eixos e devolver a autoestima do brasiliense, abalada com tanto descaso.

O passado não deve ser esquecido. Deve estar presente para que não se cometam os mesmo erros. O futuro, sim, é o foco do novo governo. Resolver no presente os problemas herdados do passado, e preparar nossa cidade para o futuro.

Não serão dias fáceis para Rodrigo Rollemberg. O novo governador terá o desafio de abrir a caixa preta das contas do GDF. Honrar os compromissos, analisar contratos e colocar as contas em dia é apenas o primeiro passo.

O servidor público deve ser tratado com respeito e valorizado. Assim como é importante ter responsabilidade ao gerir o orçamento. O que o governador Agnelo Queiroz (PT) fez foi um desequilíbrio das contas. Deu reajustes acima da média e depois não pôde pagar. Inchou a máquina com a criação de cargos e secretarias. Chegou se a ter 39 pastas. Algumas para atender aliados. Outras para acomodar militantes. É preciso ter responsabilidade com o que é público.

Rodrigo tem outro compromisso. Implantar uma relação séria e honesta com a Câmara Legislativa. Apenas assim consegue acabar com a cultura do balcão de negócios implantado nos últimos anos na Casa. Terá a contribuição dos novos deputados, que se mostram dispostos a acompanhar essa nova fase que ­inicia-se na política brasiliense.

A nova Câmara Legislativa é uma mescla de deputados experientes, mas abertos ao diálogo, com jovens políticos em primeiro ou segundo mandatos que buscam uma nova forma de fazer política. E serão essenciais para ajudar o governador eleito nessa nova fase.

Assim como é essencial o apoio da sociedade nesse primeiro momento. O brasiliense espera o início de um novo ciclo. E o sucesso do novo governo vai depender da compreensão da população. É preciso ajudar a futura administração. Assim saem ganhando todos: a cidade e o governo, numa mesma sintonia de mudanças.

Rodrigo Rollemberg não é o salvador da pátria. Mas é o melhor nome da nova geração para fazer a transição entre a velha e a nova política. É o principal representante da Geração Brasília, grupo de pessoas nascidas ou que estão aqui desde a infância e que se declaram apaixonados por Brasília, como o senador eleito José Antônio Reguffe (PDT).

Só paixão não basta. Vai ser preciso muito trabalho duro, foco e priorizar aquilo que realmente é importante para nossa cidade. Basta de gastar dinheiro com obras que não melhoram a qualidade de vida de pessoas, como o Estádio Nacional Mané Garrincha. A arena é o retrato de desperdício do dinheiro público. E tornou se um problema para o Buriti, tamanho e o custo de sua manutenção.

Um governo tem que se preocupar com pessoas. Com o dia a dia do cidadão. Tem que fazer a diferença na vida de cada um. E isso se faz com trabalho sério, sem firula ou vaidade. Rodrigo deve adotar a sinceridade e humildade como virtudes. E mostrar que pode fazer diferente, sem querer inventar demais.

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Por Ricardo Callado

Melancólico é a palavra que melhor define o atual momento do Distrito Federal. O brasiliense vive o caos nos últimos dias. O governo perdeu o controle, apagou. O apagar das luzes do governo de Agnelo Queiroz (PT) é o mais caótico do País. A semana que passou é para ser esquecida.

Agnelo atrasou pagamentos, em pleno mês de Natal, de garis, professores, motoristas de ônibus, médicos, enfermeiros, de creches e de empresas fornecedoras do Distrito Federal. O brasiliense vive dias infernais no trânsito com o Eixo Monumental sendo fechado todos os dias por protestos contra falta de salários.

O GDF afirma que vai fechar as contas e entregar o governo sem dívidas ao governador eleito Rodrigo Rollemberg (PSB). Após a eleição, Rollemberg havia dito que o déficit era de R$ 2,1 bilhões.

Na manhã deste sábado (13), o novo governo vai apresentar o diagnóstico e o mapa de riscos do Distrito Federal levantados pela equipe de transição. Se a situação está ruim, o apurado até agora é pior ainda. O próprio governador eleito vai apresentar os números a imprensa.

O caos foi provocado por má gestão, reajustes acima da média ao funcionalismo público e um calote que o GDF levou do governo federal. Este último caso Agnelo não pode tornar público. Não pode desagradar o PT nem a presidente Dilma Rousseff.

As contas do Planalto também não vão bem. E vários estados estão sem receber contrapartidas de contratos e repasse de recursos que eram esperados. E Agnelo espera um cargo no governo federal em 2015. Tenta retornar para a Agência de Vigilância Sanitária (Anvisa), onde teve uma passagem polêmica.

Agnelo vem se rebolando para apagar incêndios. Na saúde, remanejou R$ 84 milhões para programas de combate e prevenção a doenças como dengue e Aids, para pagar dívidas com fornecedores e reabastecer a rede pública com medicamentos e materiais hospitalares. Um levantamento feito por técnicos estima que o rombo da pasta seja de R$ 150 milhões.

Nos hospitais, 850 médicos residentes cruzaram os braços contra a interrupção do fornecimento de refeições e o não pagamento das bolsas. A paralisação começou na quarta (10). Outros profissionais de residência, como estudantes de enfermagem, também estão na mesma situação.

Terceirizados que prestam serviços para o GDF fizeram dois dias seguidos de protestos no Eixo Monumental pelo atraso no pagamento dos salários. A categoria afirma que só recebeu 50% dos vales refeição e transporte e 13º salário.

Na terça-feira (09), foi a vez dos servidores da Saúde e Educação fecharam a o Eixo Monumental em frente ao Buriti por causa de atraso nos salários.

Na educação, creches conveniadas com o governo estão há duas semanas paradas por falta de dinheiro. As instituições não recebem os repasses do DF há três meses e até pouco tempo estavam arcando com os custos para manter as creches em funcionamento com recursos próprios.

O Palácio do Buriti não dá muitas explicações. Diz que o atraso ocorre por motivos pontuais e que está adequando o fluxo de caixa para arcar com os compromissos assumidos.

O transporte público é um caos. Em 2014, foram 18 greves no setor. Motoristas e cobradores de quatro das cinco empresas de ônibus cruzaram os braços entre sexta (05) e terça-feira (09) por não receberem o 13º salário e outros benefícios. O DFTrans repassou R$ 35 milhões para garantir a retomada dos serviços. Quatro cooperativas que rodam em seis cidades decidiram manter a greve.

Os serviços de manutenção de gramados, plantio e limpeza de canteiros entraram na lista de problemas. Além da poda de árvores, que foram suspensos por falta de verba por um mês. Quatro empresas – Coopercam, EBF, Tria e FCB – eram responsáveis pela atividade, com 500 trabalhadores. Elas também fornecem equipamentos e transporte dos funcionários.

Na Novacap, foi suspenso a segunda fase do Asfalto Novo, programa de recapeamento em vias urbanas do Distrito Federal. O motivo apontado também foi falta de dinheiro.

Esse cenário de descaso nos mais variados setores é novidade para os brasilienses. A cidade não está acostumada com tanto caos. É uma semana a ser esquecida. E fica a torcida para que o governador Agnelo consiga resolver ou amenizar os problemas até 31 de dezembro.

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Por Ricardo Callado - O sopro de renovação na política brasiliense deve passar pela Câmara Legislativa. A sociedade não aceita mais a Casa envolvida em irregularidades. Nas últimas legislaturas foram vários os casos de deputados cassados por envolvimento em malfeitos. Esse termo foi inventado pelos políticos para se referir a coisas piores, como corrupção.

O maior erro que o deputado pode cometer é transformar o seu mandato em um balcão de negócios. Ter cargos e indicar pessoas é republicano e legítimo. Usar essas indicações para favorecimento pessoal é crime.

A Caixa de Pandora é um exemplo de como não se deve usar o mandato. Também o uso de emendas parlamentares de forma errada, visando lucro, deixou muitos distritais em situações de risco. Alguns perderam o mandato e foram expulsos da vida pública.

O Legislativo é um poder essencial para a democracia, junto com o Executivo e Judiciário. A divisão funcional e orgânica dos poderes cria um sistema de freios e contrapesos, que evita a predominância de um poder sobre o outro, efetivando os direitos e garantias fundamentais.

Não devemos condenar a Câmara Legislativa. A instituição deve ser preservada e respeitada. São alguns deputados que abusam e se lambuzam com aquilo que é público, que é do povo. No dia primeiro de janeiro vai estrear mais uma legislatura. E será eleita a nova Mesa Diretora.

Para que a Câmara deixe de ter uma imagem negativa é preciso a correta atuação individual de cada um dos parlamentares. E também da direção da Casa. Um presidente comprometido com a missão do Legislativo é um passo grande para recuperar o sentimento positivo da opinião pública.

Alguns deputados costuram apoios nos bastidores para chegar a Presidência da Casa. Temos entre eles, um procurador de Justiça do Ministério Público (Chico Leite), uma administradora de empresas (Celina Leão), um engenheiro florestal (Joe Valle), um economista (Agaciel Maia) e um delegado de polícia (Dr. Michel).

A profissão de origem não importa. São todos representantes do povo. É preciso ter bom senso e zelo com a coisa pública. Honestidade não é requisito, é obrigação. Ninguém é eleito para vender apoio ou meter a mão do dinheiro do povo. São escolhidos para representar a sociedade.

Independente de quem ganhe, a mudança de postura deve se confirmar, principalmente na relação  ao novo governo. O governador eleito Rodrigo Rollemberg (PSB) deixou claro que não vai aceitar o balcão de negócios. É preciso virar essa página.

Como governador, Rodrigo terá papel fundamental na escolha do próximo presidente da Câmara. A base de poio está em formação e dela deve sair o nome que vai comandar as Casa pelos próximos dois anos.

Claro que alguns deputados não irão perder as práticas antigas de uma hora para outra. Será um processo lento, até que se entenda o novo momento da política. Os deputados podem se ver desnudos em práticas de malfeitos. A sociedade não aceita mais isso. Se o governador eleito colocar em prática a transparência prometida durante a campanha, terá a opinião pública a seu favor. A boa comunicação com a sociedade é imprescindível.

A Câmara Legislativa é fundamental para essa nova fase. E pode dar a maior contribuição para que prevaleça a ética na política de Brasília. Do contrário, serão mais quatro anos com o mais do mesmo.

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Enfraquecido, farto, desapontado, o povo brasileiro adormece entorpecido

Episódios de mau uso do dinheiro público andam na Justiça mas precisam finalizar com a devolução integral aos cofres do governo. A punição não deve ser focada na figura pública sendo massacrada com holofotes e microfones.

Mais medo desperta ter que devolver o que foi surrupiado do bem público. Ações de improbidade protocoladas com ações cautelares de indisponibilidade dos bens é um bom começo. Difícil é o mês onde a Polícia Federal descanse sem que apareça mais uma operação cheia de surpresas.

Pagamento de propinas, filmagens secretas, gravações e até buscas e participação internacional em investigações. Pessoas que receberam a confiança do povo para representá-lo, empresários respeitados, até mulheres da sociedade se viram surpreendidas e expostas à opinião pública.

Quantos casos mais as instituições respeitadas no Brasil vão esperar acontecer para se posicionar? A oposição que se comprometeu em ser ferrenha brada com uma voz inaudível. Movimentos populares são presos em computadores porque as táticas de guerrilha se infiltram no meio do povo insatisfeito fazendo parecer baderna.

Fatos fartamente documentados ainda tropeçam em firulas nos meandros das cortes de justiça. É sabido que justiça tardia, não é justiça. O fato adquire feições mais impressionante quando se observa a impunidade. Além de não devolver o dinheiro, gozam da mesma liberdade dos justos.

Enfraquecido, farto, desapontado, o povo brasileiro adormece entorpecido. Enquanto preenche o imposto de renda assiste o suor diário servir a toda espécie de crime institucionalizado. Políticos de outros tempos saiam ostentando a posição com orgulho.

Hoje os carros blindados com vidros escuros são as primeiras providências de proteção. A morosidade da justiça , aliada ao poder econômico dos réus que são defendidos por bancas renomadas, explicam parte da demora no desfecho dos processos.

A outra parte que explica a não punição dos acusados pode ser encontrada no nevoeiro do tempo ,que tem o dom de trazer o esquecimento embaçando a memória, cobrindo todos com o manto do perdão. (Fonte: Blog do Ari Cunha)

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Por Ricardo Callado

Faltam menos de trinta dias para o fim do governo Agnelo Queiroz (PT). Não tem muito o que fazer até a posse do novo governador. Será uma contagem regressiva. Se não atrapalhar muito, já faz um grande favor. O estrago está feito. Conseguir diminuir o tamanho do rombo nos cofres públicos, que vai entregar ao seu sucessor, é o mínimo para encerrar esse ciclo.

A Era Agnelo Queiroz é para ser esquecida. Ou ser lembrada para que não se cometam os mesmos erros. Foram quatro anos de arrocho, com a economia sufocada com falta de investimentos e calotes a empresas que prestam serviço a administração pública.

O governo do petista perseguiu empresas e adversários. Sufocou financeiramente setores da economia, causando desemprego e quebradeira. Não cumpriu acordos políticos. Apostou errado nessa tática, achando que conseguiria a submissão da sociedade organizada. Se deu mal. Plantou ventos. Colheu tempestades.

Deu as costas para a cidade, enquanto tramava projetos megalômanos, como o Estádio Mané Garrincha, o projeto Cingapura, a nova cidade de 1 milhão de habitantes próximo ao Jardim Botânico e o Centro Financeiro Internacional. Enquanto esquecia as necessidades básicas como cortar o mato, tapar os buracos nas vias públicas e oferecer segurança ao cidadão.

Agnelo colecionou erros administrativos e políticos. Assim, conseguiu a marca histórica de maior rejeição a um governador do Distrito Federal. Resultado: ficou pelo caminho não conseguindo ir sequer ao segundo turno das eleições 2014. Para completar, está afundando o PT local.

Na montagem do governo, pode se fazer a comparação a um caminhão de melancias. Foram muitas as baixas. Funciona assim: como Agnelo teve dificuldade de organizar o seu governo e escolheu nomes errados, durante o trajeto uma ou outra melancia caiu da carroceria e ficou pelo caminho, até que em determinado trecho as frutas conseguissem se acomodar de uma forma que o caminhão chegue, a duras penas, até o fim. E o fim está próximo.

Agnelo tentou vários freios de arrumação, mas nada de mudanças profundas. O governo não teve continuidade. Foram atropelos em sequência, devido a ineficiência até se confirmar um apagão de gestão. As principais pastas foram marcadas pela alta rotatividade. Alguns postos do primeiro escalão chegaram a ser ocupados por quatro, cinco ou seis secretários. O que dá em média mais de um por ano. A troca constante de secretários tem tudo para não dar certo. E não deu!

Agnelo encerra o seu governo com apenas dois secretários empossados em 1ª de janeiro de 2011, quando iniciou seu governo. O primeiro é Hamilton Pereira. Não é uma melancia que sobreviveu, mas sim que passou do prazo. A sua área, de Cultura, foi uma das mais polêmicas. Muitos gastos em festas desnecessárias e denúncias de superfaturamento de cachês.

Para encerrar a tragédia, ainda foi desautorizado por Agnelo no fim de governo, quando afirmou que não aconteceriam as festas de fim de ano. O governador passou por cima de Hamilton e garantiu a realização dos festejos com dinheiro público. Mais gastos para o cofre do GDF já combalido.

O segundo sobrevivente foi José Valter Vasquez, secretário de Transportes. Ele é um dos muitos braços do vice-governador Tadeu Filippelli (PMDB) dentro do governo. Zé Valter pode não completar o governo e dar adeus antes de 31 de dezembro.

Para coroar o seu trabalho, marcado pela licitação da empresas de ônibus que operam no sistema de transporte coletivo, foi indicado para o cargo de diretor da Agência Reguladora de Águas, Energia e Saneamento do Distrito Federal (Adasa). Não resolveu o caos no transporte público, mas foi recompensado.

O caminhão de melancias de Agnelo derrapa, mas não para. No apagar das luzes, o governador trocou, na sexta-feira (28), o secretário de Segurança Pública e o comando da Polícia Militar. Agnelo deve ter colecionado nesses quatro anos de governo cerca de uns 150 integrantes do primeiro escalão. Isso nunca havia acontecido. Não tinha como dar certo mesmo! Tivermos muitos governadores, mas Agnelo foi o pior, sem dúvida.

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Por Antonio Imbassahy

A presidente Dilma Rousseff chegou ao limite da desfaçatez: depois de torrar o dinheiro público sem dó, especialmente durante a campanha eleitoral, quer que o Congresso aprove, a toque de caixa, a revisão da meta de superávit primário para este ano. Tamanha pressão tem motivo: descumprir a meta configura, no limite, crime de responsabilidade, o que pode ter gravíssimas consequências.

Nós, da oposição, sintonizados com a força e o desejo de mudança de 51 milhões de brasileiros, vamos lutar para evitar que esta irresponsabilidade seja aprovada. Nesta semana, conseguimos cancelar a reunião da Comissão Mista de Orçamento que aprovou a anistia. O próximo passo seria a sua votação pelo plenário do Congresso. Em nova reunião, derrotamos o governo e adiamos a discussão. O objetivo é ganhar tempo, já que há prazo para a matéria ser aprovada.

O superávit primário é uma espécie de poupança que os governos devem fazer para pagar os juros da dívida pública. É um indicador da saúde financeira de um país: sinaliza que ele tem um orçamento responsável, capacidade para pagar o que deve e, portanto, é um bom destino para os investimentos estrangeiros. Quanto maior o esforço para se gastar menos com o próprio governo, maior será o superávit e mais recursos sobrarão para investimentos e para o abatimento de dívidas.

No ano passado, no projeto da LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias), que estabelece os parâmetros para o Orçamento da União, a própria presidente Dilma definiu a meta de 1,9% do PIB para o superávit primário, algo em torno de R$ 99 bilhões. No entanto, nos nove primeiros meses do ano, em vez de superávit, o setor público registrou um déficit primário de R$ 15,3 bilhões. Um rombo.

No período, enquanto a arrecadação cresceu 0,57%, já descontada a inflação, as despesas de custeio do governo, já excluídos os programas sociais, dispararam. Custeio são os gastos para manter a máquina, com 39 ministérios e mais de 22 mil cargos de confiança. Não há arrecadação que dê conta.

No projeto que enviou ao Congresso no último dia 11, a presidente Dilma acaba com a meta e libera a gastança. Ela quer que no cálculo do superávit entrem como receitas os gastos com o PAC e as desonerações concedidas a setores da economia. Isso já era permitido, mas até R$ 67 bilhões. Pelo projeto, o céu é o limite.

É como se uma família, ao fechar as contas do ano, tendo gasto muito mais do que ganhou e sem conseguir economizar para pagar os juros do cartão de crédito, inclua no saldo um aumento no salário que acabou não recebendo e, ainda, o que foi gasto na compra de um apartamento. Com essa manobra, as contas podem até fechar no papel, mas na realidade, não sobrará um tostão para pagar a dívida e nem para melhorar a casa, por exemplo. E o saldo negativo será empurrado para o ano seguinte, virando uma bola de neve. Se para essa família isso é uma irresponsabilidade, no caso dos governantes, é crime.

Desde 2000, quando a Lei de Responsabilidade Fiscal entrou em vigor, no governo Fernando Henrique Cardoso, colocando travas nos gastos públicos, esta será a primeira vez que a meta fiscal não será cumprida. E, de quebra, a presidente Dilma está jogando no lixo os alicerces do Plano Real, que são o controle da inflação e o superávit primário, além do câmbio flutuante.

Se a meta fiscal for revista, o Brasil ficará com o nome sujo no mercado internacional, o que poderá afastar investidores, e o governo não terá recursos para os investimentos necessários em infraestrutura, ampliar os programas sociais, pagar suas contas e fazer repasses para Estados e municípios.

De cada R$ 10 que os brasileiros pagam de impostos, R$ 9 são gastos fixos e sobra apenas R$ 1 para investimentos. É muito pouco. O país irá parar porque o governo federal está sem dinheiro para pagar as suas obrigações. Seguraram as informações até as eleições e, agora, o país descobre o tamanho do rombo e da irresponsabilidade do governo. A revisão da meta fiscal é a prova de que a presidente Dilma quebrou o Brasil.

(*) Antonio Imbassahy é deputado federal e líder do PSDB na Câmara. Artigo publicado no jornal “A Tarde”.

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Por Ricardo Callado

Muitos podem achar precipitado falar das eleições de 2018. Elas não estão nas ruas, é claro, e nem poderiam. Nem existem candidatos. Entretanto, estão nas manchetes dos jornais. E o maior responsável por isso é o governador Agnelo Queiroz (PT) e sua equipe econômica. E o maior prejudicado nas próximas eleições será o PT.

O atual governo produz diariamente notícias negativas. E que serão usadas nas próximas eleições. Os constantes atrasos nos pagamentos de empresas terceirizadas e fornecedores, se estende ainda as mais diferentes áreas, que vão da cultura, passando pela publicidade e estourando nos transportes. O caos mostra uma ineficiência no controle das contas do governo.

Quando uma greve no transporte público é deflagrada, deixando milhares de trabalhadores sem condições de ir ao trabalho, gera notícias negativas para o governo. Além da memória da população, as manchetes dos jornais e as reportagens nas TVs e em outros veículos como rádios, sites e blogs serão usadas na campanha eleitoral de 2018

Será fácil a abordagem. Basta um candidato petista ser oficializado na disputa do Palácio do Buriti que será lembrado como foi e como o PT entregou o GDF em 2014. O partido pode ter um desempenho pior do que teve em 2006. Nesse ano a candidata Arlete Sampaio ficou na terceira colocação, atrás do ex governador Arruda (à época no DEM) e da ex governadora Maria de Lourdes Abadia (PSDB). Ou pior que nas eleições deste ano, quando sequer foi ao segundo turno.

A diferença entre 2006 e 2014 é que neste último ano teve o comando do governo. E quem possui a máquina sempre sai à frente dos adversários, a não ser que o governo seja reconhecido pelo eleitor como um desastre. E foi o que aconteceu com Agnelo.

O governador precisa de uma operação de redução de danos ou enterra o PT de vez no Distrito Federal. Agnelo já bateu nas portas da presidente Dilma Rousseff (PT) pedindo ajuda. Busca para que o governo federal pague o que deve ao GDF, a contrapartida de obras, como as do PAC da Mobilidade.

Também procurou o Tesouro Nacional para pedir um repasse de R$ 625 milhões que ajudariam a quitar as dívidas até o final do ano. O montante se refere a verbas previdenciárias cujos repasses já estavam previstos no orçamento deste ano.

Por último, Agnelo enviou na terça feira (18) à Câmara Legislativa um projeto de lei para colocar à venda títulos da dívida ativa local. O texto permite ao governo receber cerca de R$ 2 bilhões até o fim do ano para o pagamento de fornecedores e servidores.

Se o governador enviou à Câmara um pedido de autorização para captar esse valor com a venda dos títulos, é porque as primeiras tentativas com o Palácio do Planalto e o Tesouro Nacional não tiveram sucesso.

O governador eleito Rodrigo Rollemberg (PSB) classificou como “flagrantemente ilegal” o projeto de lei enviado por Agnelo. Para ele, fere a Lei de Responsabilidade Fiscal, porque é uma operação de crédito. Portanto, não poderia ser feito nos últimos meses de governo. Isso demonstra o desequilíbrio financeiro do GDF.

Se a situação hoje não é nada boa para Agnelo, daqui a quatro anos o preço será pago pelo PT. Se o governo federal virar as costas para o governador, estará levando o partido no DF ao limbo político.

Falta dinheiro para tudo. Da alimentação de enfermeiros e acompanhantes de pacientes em hospitais públicos até os salários das merendeiras das escolas. Além da sequência de greves no transporte coletivo. São fatos que não deixarão de ser lembrados daqui a quatro anos. Literalmente, o governo perdeu o controle do caixa.

Resumindo, hoje o maior adversário do PT em 2018 é o PT de 2014.

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Por Eliana Pedrosa

A violência contra a mulher, infelizmente, é muito presente na vida das famílias brasileira. Apesar de existir uma lei específica para inibir esta covardia – a Lei Maria da Penha – ainda percebemos notícias de brutalidade e agressividade realizadas por ex-maridos, namorados e companheiros no cotidiano das nossas vidas. Com isso, a necessidade de se avançar nos mecanismos de proteção à mulher.

Este ano, apresentei e consegui aprovar um Projeto de Lei na Câmara Legislativa do Distrito Federal que pode mudar radicalmente a forma de se combater esta covardia. A proposta, que aguarda sanção do governador, institui no DF o Programa de Proteção para Mulheres Vítimas de Violência Doméstica – o Alarme do Pânico. Para a implementação do programa serão adquiridos equipamentos que possam ser acionados pelas mulheres sob medida protetiva judicial. Ou seja, se o agressor não mantiver a distância mínima determinada pela Lei Maria da Penha, a polícia será acionada com apenas um toque no “botão do pânico”.

Programa equivalente já funciona em Vitória, no Espírito Santo. Lá, a Prefeitura fez uma parceria com o Tribunal de Justiça do ES para reduzir os altos índices de violência doméstica contra a mulher. O sucesso foi tamanho que a iniciativa recebeu o Prêmio Innovare no Superior Tribunal Federal (STF).

Homens e mulheres com vidas públicas precisam se atentar para suas responsabilidades. A Lei Orgânica do Distrito Federal estabelece que é dever do Poder Público promover políticas de prevenção e combate à violência contra a mulher por meio de mecanismos de criação e execução de programas que visem coibir essa violência. Neste sentido, tenho total convicção de que o projeto será transformado em lei e, com isso, as mulheres do DF poderão contar com esse programa para viverem com mais segurança e paz.

* Eliana Pedrosa é deputada distrital pelo PPS

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Por Ricardo Callado

O Governo do Distrito Federal vem atrasando compromissos com empresas prestadoras de serviços e fornecedores da administração pública. Isso afeta o dia a dia do brasiliense. Setores estão parando devido a falta de pagamento.

Hospitais sem alimentação para médicos, enfermeiros e acompanhantes. Escolas sem merenda escolar. Órgãos públicos sem limpeza e sem internet. Passageiros sem ônibus. Isso sem citar áreas que sofrem com o calote sem chamar a atenção da população, mas que causam tragédias em muitas famílias.

Muitas são as explicações para o cofre vazio do Buriti. Vão desde aos aumentos acima da média do funcionalismo público a outros erros de gestão financeira. Mas tem um caso que deixa a situação mais clara e de fácil entendimento.

Segundo fontes do Buriti, várias obras, como o Expresso DF, eram para ser executadas com dinheiro do DF com contrapartida do governo federal. A União não cumpriu a sua parte. Como a campanha eleitoral se aproximou, Agnelo precisou entregar as obras. O pagamento das empresas executoras foi completado com recurso do tesouro distrital.

Agnelo levou um calote da presidente Dilma. E não pode tornar isso público. Dilma tem mais quatro anos de mandato e muitos cargos. A partir de janeiro Agnelo é mais um petista desempregado em busca de colocação para ele e de pessoas do seu grupo político. Não é de bom grado  contrariar a chefa.

Fala-se que a dívida que o governo federal tem com o GDF passe de R$ 1 bilhão. O governador tem a esperança de receber e colocar as contas em dia para entregar ao seu sucessor, o governador eleito Rodrigo Rollemberg (PSB). Ou, pelo menos, diminuir as dívidas.

Mais os problemas não acabam por ai. O Tribunal de Contas do Distrito Federal emitiu um alerta ao GDF. No documento, afirmou que Agnelo está quase extrapolando o limite máximo estabelecido pela Lei de Responsabilidade Fiscal para despesas com pessoal.

O comunicado foi divulgado na quinta-feira (13) pelo tribunal e enviado ao governador Agnelo Queiroz e à Secretaria de Fazenda. O gasto com servidores do Executivo atingiu 46,04%, índice próximo do limite máximo estabelecido pela lei, que determina o teto de 49% da receita líquida com pessoal.

O período analisado são os meses de maio, junho, julho e agosto de 2014. Nos primeiros quatro meses do ano, a mesma situação ocorreu e um alerta também foi emitido. Se o governo desrespeitar o limite no último quadrimestre do ano (setembro, outubro, novembro e dezembro), a próxima gestão ficará impedida de conceder aumento aos servidores, reajustar salários, criar cargos e contratar hora extra, entre outras medidas.

O Tribunal de Contas aponta que a atual gestão pode terminar o ano com um déficit de R$ 3,1 bilhões. O número está no Relatório Resumido da Execução Orçamentária, relativo até agosto deste ano, e publicadas no site do Portal da Transparência. Nos próximos dias o governo vai lançar um novo relatório, quando será possível saber se o GDF conseguiu reduzir esse déficit.

Em outubro, Agnelo acabou com as secretarias de Micro e Pequena Empresa, da Defesa Civil e de Assuntos Estratégicos, para reduzir despesas. Não descartou, ainda, o corte de outras pastas e estimou que 1,2 mil cargos comissionados sejam cortados.

Em sua defesa, Agnelo explica que receita ficou abaixo das despesas por causa do gasto com funcionalismo. Mas, segundo ele, tudo vai ser normalizado até dezembro. E promete determinado: “Nós vamos entregar o governo muito melhor do que eu recebi”.

O certo é que o relatório definitivo sobre as contas do governo em 2014 será votado pelo Tribunal de Contas provavelmente no segundo semestre de 2015. Se ficar um rombo no caixa e as contas forem consideradas irregulares, Agnelo poderá ficar inelegível. E o PT ainda mais desgastado junto ao eleitor brasiliense.

O escândalo da Petrobras, um autêntico enredo de novela de bordel, tem seu lado positivo: a força irreprimível da investigação e dos fatos.

di_franco_1Por Carlos Alberto Di Franco

Esta coluna, com frequência, criticou o governo da presidente Dilma Rousseff, sobretudo por seu alinhamento ideológico com governos autoritários e com ditaduras que amordaçam as liberdades e espancam os direitos humanos.

A adesão cada vez mais explícita ao projeto bolivariano de socialização continental, marca registrada do governo petista, está comprometendo gravemente o peso do Brasil no cenário mundial e arranhando o prestígio do Itamaraty.

A honestidade intelectual e o dever de isenção, pré-requisitos de quem pretende fazer jornalismo ético, me obrigam a reconhecer quando o governo acerta. É o caso da Medida Provisória 657/2014, que confere maior autonomia e independência à Polícia Federal.

Para entender a importância da iniciativa da presidente Dilma Rousseff, seria oportuno que, juntos, façamos a leitura da medida provisória. Muita gente aplaude ou condena iniciativas em razão direta com suas simpatias políticas ou preferências ideológicas. E não é por aí.

É necessário ir à fonte. Inicialmente, não se trata de uma ação partidária. Basta ver que o mesmo conteúdo dessa MP de iniciativa do PT também foi objeto da emenda à Constituição do Estado de São Paulo, de nº 35/2012, editada por iniciativa do PSDB.

policia federal

São três os pontos que merecem destaque: 1) o posto de diretor-geral da Polícia Federal passa a ser ocupado apenas por delegado de Polícia Federal de carreira, dentre os integrantes do mais alto nível desse cargo; 2) passa a ter participação da OAB nas fases do concurso público para o cargo de delegado de Polícia Federal; 3) passa a haver exigência de três anos de atividade jurídica ou policial para a posse no cargo de delegado de Polícia Federal.

A iniciativa confere maior autonomia e independência à Polícia Federal, pois seu chefe passa a ser, necessariamente, alguém oriundo dos quadros técnicos, que foi aprovado em concurso e que já trilhou todos os níveis do cargo. Ou seja, indicações meramente políticas deixam de ser viáveis.

A nomeação pela Presidência da República do diretor-geral não acarreta por si só uma intervenção na atividade policial. Basta lembrar que o mesmo já ocorre com outras carreiras, como com os ministros do STF, o procurador-geral da República e o advogado-geral da União.

A participação da OAB no concurso público representa uma saudável vigilância da sociedade civil organizada sobre um dos concursos mais concorridos, o que contribui para uma Polícia Federal cada vez mais independente, republicana, técnica e transparente.

A exigência de experiência jurídica ou policial para o ingresso no cargo de delegado sobressai como uma evolução do que já acontece em diversos outros cargos, tais como na magistratura, no Ministério Público, na Defensoria Pública etc.

O escândalo da Petrobras, um autêntico enredo de novela de bordel, tem seu lado positivo: a força irreprimível da investigação e dos fatos. A Polícia Federal tem feito um excelente trabalho. Reforçar as instituições da República, sua independência e transparência, é o melhor caminho de defesa da democracia.

* Carlos Alberto Di Franco é diretor do Depto de Comunicação do Instituto Internacional de Ciência Sociais – IICS (www.iics.edu.br) e diretor da Di Franco – Consultoria em Estratégia de Mídia (www.consultoradifranco.com). E-mail: difranco@iics.org.br

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Por Ricardo Callado

Não existe governo derrotado que queira facilitar a vida de seu sucessor. Quem perde uma eleição se preocupa mais em esconder os esqueletos no armário do que liberar as informações para a nova equipe. Quanto mais se esconde, é porque mais rolos existem.

Sem transparência nas informações a transição fica prejudicada. E configura-se a continuidade do erro. Esconde-se hoje o que mais na frente será descoberto. É simples assim. E o desgaste pode ser até maior para quem cometeu malfeitos ou erros administrativos.

A equipe do governador eleito Rodrigo Rollemberg (PSB) conta com o bom senso do atual governo para que o trabalho de transição ocorra de acordo com o combinado. Não pode ser apenas de fachada para inglês vê. A cooperação deve ser mútua. De quem solicita as informações e de quem as repassa. O diálogo entre as duas partes deve se pautar pela liberdade democrática.

Nos bastidores, parece que não é isso que acontece. Existiria ordens vindas do governador Agnelo Queiroz (PT) para dificultar a transmissão de informações. A intenção seria dificultar o máximo o trabalho do novo governo.

Espera-se que isso não seja verdade. Que não passe de intrigas para prejudicar ainda mais Agnelo, que vem se mostrando um republicano na condução da transição. Agnelo se colocou a disposição de Rollemberg e decidiu ele mesmo ser o chefe da equipe.

Agnelo não deve fazer política com o fígado. Deve agir com a razão. Até porque uma ação desastrada pode prejudicar os planos do PT nas eleições de 2018. Na próxima campanha, alguém do PT será candidato ao Palácio do Buriti. A herança de Agnelo vai prejudicar o seu próprio partido. O governador tem menos de dois meses para reduzir os danos eleitorais em 2018.

Por enquanto, o cenário é muito ruim. Falta dinheiro para tudo. De alimentação para hospitais, aos terceirizados da limpeza de órgãos públicos, até o repasse a empresas de transporte coletivo. Resultado: greves de ônibus, paralisações de setores do serviço público, protestos e reclamações, muitas reclamações.

A grande pergunta que a população se faz é onde foi parar o dinheiro do governo. O GDF sempre teve as finanças saneadas, mesmos durante escândalos como a Caixa de Pandora. As pistas do rombo financeiro são o custo bilionário do Estádio Mané Garrincha, o inchaço da máquina pública e reajustes acima da média para algumas categorias do funcionalismo público.

Essa herança não preocupa apenas o governador eleito Rodrigo Rollemberg. Petistas graduados temem o futuro do partido. E se proceder a informação de que a ordem durante a transição é esconder informações, o que pode vir pela frente deve enterrar ainda mais as pretensões do PT de voltar ao Palácio do Buriti nas próximas eleições. O desespero bate a porta. O atual governo não deve deixar o fracasso subir a cabeça.

Para Rollemberg, será preciso dar transparência as contas do governo e mostrar claramente como recebeu o GDF. O novo governador pode transformar a crise em oportunidade. Ao pegar uma máquina pública com dificuldades, qualquer ato que fizer será aplaudido. Não precisa de muito, basta errar pouco e fazer o feijão com arroz. E não cair nas armadilhas que serão jogadas pelos adversários.

O mundo segundo o PT é muito simples: ou votam em nós ou são “de direita”, “coxinhas”, “burgueses”, “elitistas”.

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felipe_schulmanPor Felipe Schulman – Temos o costume de dividir o mundo em blocos. Tal caracterização depende de nosso próprio paradigma, nossos interesses e convicções. É natural, portanto, que o adversário pareça pior nas caracterizações genéricas que fazemos.

Para o PT, mesmo para os seus líderes mais inspiradores, tudo quanto lhes faça oposição é inevitavelmente catalogado de fascista e antidemocrata. Lula chegou até a usar a palavra nazista no calor do debate eleitoral! É assustador que para o PT só o próprio PT seja republicano e democrático. Por decreto. Por dogma. Por definição. Porque sim. Porque eles dizem. Não importam os fatos. O mundo segundo o PT é muito simples: ou votam em nós ou são “de direita”, “coxinhas”, “burgueses”, “elitistas”.

Os adversários do PT, por sua vez, também generalizam: “bolivarianos”, “chavistas”, “comunistas”. Embora sabendo que há exceções, os tucanos também taxam petistas no coletivo, como se todos fossem iguais.

O que me espantou depois do fim da campanha eleitoral foi perceber que, do lado do PT, os ataques das ruas ecoam a posição oficial do partido.

Na campanha o partido e a candidata pareciam ser a mesma coisa. Porém, depois que virou presidente, Dilma passou a dizer uma coisa e o partido outra. E eu fico pensando: afinal, quem o Brasil elegeu? A presidente que deixa as armas de lado e  discursa falando em união e paz, ou o partido dela que segue mirando com gosto na testa da oposição e dos seus eleitores?

Durante toda a primeira semana pós-eleições, a presidente enfatizou a necessidade do diálogo, inclusive com a oposição. Na segunda-feira seguinte, no entanto, foi apresentada ao país a resolução da Comissão Nacional Executiva do PT para o novo mandato de Dilma. Era uma espécie de declaração de guerra. O documento afirma que Aécio e os oposicionistas são adversários que fazem a política do “machismo, racismo, preconceito, ódio, intolerância e da nostalgia da ditadura militar”.

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Palavras ditas em manifestações, durante o calor da disputa eleitoral,  ou  aquelas espalhadas por militantes nas redes sociais, têm importância relativa. Palavras escritas em documentos oficiais têm peso extremamente maior, uma vez que constam da história do partido e da  história do país.

Pelo lado da oposição, sinto que falta foco e cada um se julga no direito de gritar o que bem entende: impeachment, eleições manipuladas, fraude. Alguns chegaram ao cúmulo de gritar pedindo intervenção militar. Enquanto isso, a posição oficial da oposição parece dispersa, confusa e fraca. Há um pronunciamento aqui contra as manifestações, outro ali reiterando o compromisso tucano com a democracia.

Talvez a democracia precise de uma defesa mais clara e mais forte por parte da oposição. Afinal, aqueles que defendem censura à imprensa, disfarçada de “democratização da mídia” e com o plebiscito constituinte, têm trabalho fácil: seguir a liderança do PT e defender as medidas. Enquanto o comando do PT mostra o seu polêmico caminho por meio da diretriz partidária, a oposição não diz ao eleitor o que fazer. E, então, fica essa confusão.

O vencedor da batalha ideológica entre os dois maiores partidos do país é discutível, mas vejo que na batalha política o PT continua na dianteira. Enquanto a máquina política petista não perde um minuto sequer e apresenta seus projetos, com prazos e metas para os próximos quatro anos, o PSDB se contenta com uma oposição arrastada e retórica.

Perdido em meio a polêmicas vazias sobre manifestações pró e contra o militarismo, além de envolvido em discussões sobre petições em defesa do impeachment, o eleitor de Aécio ainda não sabe para onde vai. Se continuar assim, sem foco e desperdiçando energia com debates que não fazem sentido, a oposição corre o risco de deixar de lado assuntos realmente importantes como os escândalos de corrupção, o aparelhamento do estado e as ameaças à liberdade da imprensa.

* Felipe Schulman é estudante paulistano e tem 17 anos

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Alô, jornalistas. Alô, parlamentares decentes. Alô sociedade civil independente. Despertem. Ponham a boca no mundo enquanto é tempo

“Vejam o absurdo da medida provisória 657 editada pela presidente Dilma. Sabemos que ela é centralizadora, mas, nesse caso, excedeu-se: se passa a ser a presidente a responsável pela nomeação do diretor geral da Polícia Federal, estando, entretanto, a instituição no ministério da Justiça (por isso, chama-se Departamento de Polícia Federal), o ministro, formalmente responsável pelos Departamentos incluídos em seu ministério, deixa de ser a referência superior hierárquica para o Departamento da Polícia Federal.

O esvaziamento da autoridade do ministro da Justiça não é um detalhe, um método, um estilo de gestão, é uma fratura na linha de comando institucional, gerando uma aberração formal. O outro lado dessa moeda é a exposição excessiva da presidente da República. Se ela nomeia, será cobrada por cada ato da PF. Se a presidente quer centralizar e trazer para si esse poder (e essa bomba) –o que seria um erro, de meu ponto de vista–, teria de ser coerente e retirar a PF do ministério da Justiça, ligando-a ao gabinete presidencial como um ministério ou uma secretaria especial.

Ela deixaria de ser um Departamento sob a responsabilidade do ministro da Justiça. Afinal, só tem autoridade plena quem nomeia e demite. E o ministro deixaria de fazê-lo. Contudo, se a PF sai do MJ, como fica a SENASP? E o Departamento de Polícia Rodoviária Federal? Dilma fala em integração entre as polícias, mas usa dois pesos e duas medidas? Se ela vai nomear o diretor da PF, por que não nomeia o diretor da PRF? Se a SENASP é responsável pela formulação de uma política nacional de segurança pública –política que envolve, portanto, a PF e a PRF–, como é que o(a) diretor(a) da PF vai passar a ser nomeado(a) pela presidente e o(a) secretário(a) nacional de segurança pública, não?

A presidente ouviu falar tanto em ZONA ELEITORAL que voltou ao Palácio disposta a desordenar, desintegrar e confundir o MJ e a segurança, já tão incoerente e atrapalhada. Enquanto isso, os agentes da PF continuam abandonados pelo governo na mesa de negociações de mãos abanando, sem nenhuma explicação sequer, deixados ao Deus dará. É tudo tão grotesco e absurdo, que só há uma interpretação possível: a presidente negociou com os delegados federais seu pacote de demandas, preparando sua transição para a carreira jurídica, em troca de… em troca de… Não sei. Ganha um litro de gasolina grátis quem acertar. Alô, jornalistas. Alô, parlamentares decentes. Alô sociedade civil independente (ainda existimos, afinal de contas). Despertem. Ponham a boca no mundo enquanto é tempo.”

* Luiz Eduardo Soares, especialista em segurança pública

Fonte: Agência Fenapef // Blog do Sombra

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Por Ricardo Callado

A vitória do governador eleito Rodrigo Rollemberg (PSB) representa um novo ciclo na política brasiliense. É a chegada ao poder de uma geração de políticos que viu Brasília ser dominada durante décadas por dois grupos políticos, que se alternavam no poder. É a chamada Geração Brasília, que tem em Rodrigo o seu maior expoente.

Alguns políticos e partidos tradicionais do DF, como os ex-governadores Joaquim Roriz (PRTB) e José Roberto Arruda (PR), o vice-governador Tadeu Filippelli (PMDB, o ex-senador Luiz Estevão (PRTB), o senador Gim Argello, o PMDB e o PT, dão lugar a novas lideranças.

Rodrigo terá a missão de conduzir esse processo e fazer a transição para uma nova forma de fazer política. Dos antigos, só sobrou o ex-governador e atual senador Cristóvam Buarque, aliado do governado eleito, e que aplaude o novo momento da política do DF.

O governador derrotado no 1º turno das eleições no Distrito Federal, Agnelo Queiroz (PT), resolveu radicalizar. Entre as medidas pós-derrota, proibiu novos gastos com pessoal, cortou horas-extras, férias, antecipações de gratificações de servidores, além de gastos com viagens, treinamento. Também extinguiu secretarias e muitos cargos. Medidas austeras, que vieram tarde.

Comenta-se que o petista pode dar calote nos fornecedores. Agnelo nega e diz que isso é intriga política dos adversários. Promete entregar o governo com os compromissos honrados. As contas pagas. Poucos acreditam nisso. O que se discute é qual será o tamanho do rombo que o próximo governo vai herdar.

Os números da dívida são conflitantes. Vão de R$ 1,3 bilhão até 2,3 bilhões. Agnelo terá dois meses para pagar essa conta. Ou, pelo menos, deixá-la menor. Isso pode dificultar ou não a vida do PT no futuro.

Esse quadro caótico acontece depois que Agnelo e sua turma arrombaram o cofre para construir o estádio mais caro da Copa do Mundo. O legado que Agnelo vai deixar é fazer com que o PT demore décadas para voltar a governar o Distrito Federal.

A sobrevivência política do PT depende que Agnelo não deixe o governo com o carimbo de apagão de gestão. Honrar os compromissos e deixar a casa em ordem, com as dívidas pagas é o mínimo que o governador pode fazer. E reduziria os danos futuros do PT.

Uma candidatura petista ao Palácio do Buriti em 2018 enfrentará no debate político a herança de Agnelo. Por isso, o PT busca o bom senso e pressiona o governador para entregar o governo o mínimo pior possível.

A herança, maldita ou não – vai cair no colo de Rodrigo. Com uma aliança pequena e bem resolvida, o novo governador pode ter tranquilidade para arrumar a casa. O apoio na Câmara Legislativa será importante, principalmente da forma que for construída a maioria.

Roriz e Arruda pecaram por montar um balcão de negócios no Legislativo. Agnelo por se utilizar do mesmo balcão, mas deixando acordos pelo caminho. Prometeu demais para os deputados e ainda deixou muitos insatisfeitos. Os dois casos sucumbiram ao fracasso. No primeiro, culminou com a Caixa de Pandora. O segundo sai com a maior rejeição que um governado do DF já conseguiu.

A palavra de ordem do novo governo é transparência. Colocar holofotes não só nos gastos públicos, mas também em acordos políticos. Isso fará que Rodrigo consiga ser um governador sem precisar do toma-lá-dá-cá.

Parte do próprio PT deve apoiá-lo. Uma espécie de aliança branca. Outra parte, fará um oposição mais ferrenha. O que está em xeque é a sobrevivência do partido no DF. O PT não pode deixar o fracasso subir na cabeça.

Os deputados que formarão a base aliada não deixarão de indicar cargos no Executivo. Isso é natural. Faz parte do processo político. O que não pode é que essas indicações sejam usadas para métodos nada republicanos.

Rodrigo tem tudo para fazer um bom governo. E trazer de volta a confiança que a sociedade perdeu no GDF nas últimas duas gestões eleitas. E nada melhor para governar o DF do que a geração que nasceu e cresceu, e traz um sentimento afetivo pela cidade. Que venha a Geração Brasília!

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Por Antonio Carlos Lopes

Enfim, começamos 2014. Passados Carnaval, Copa do Mundo, férias e eleições, o Brasil tem pela frente um mês e meio antes de tudo parar outra vez. Afinal, Natal, 2015 e verão estão aí.

Certo é que há temas que não podem ficar para o amanhã, nem para 2015 e muito menos para mais adiante. É o caso da saúde brasileira, que deve ser encarada como prioridade máxima pela recém-eleita Presidência da República.

A posse oficial do novo governo só ocorre em 1º de janeiro próximo. Entretanto, desde já é importante uma revisão geral nos pontos mais críticos para o estabelecimento de políticas urgentes, consequentes e eficazes.

Muito foi dito durante a campanha que o povo e as instituições devem ser ouvidas para a construção das reformas que o País necessita. Portanto, nós, os médicos, esperamos a convocação de nossas representações associativas, dos conselhos, sindicatos e da academia para colaborar com ideias e propostas que sigam ao encontro de um sistema de saúde de fato resolutivo, para a melhoria da assistência aos cidadãos.

É imperioso, por exemplo, conter a abertura indiscriminada de faculdades de medicina sem qualquer compromisso com a boa formação. Graduar um médico é um ato sério e diretamente ligado ao bem estar coletivo. Ocorre que empresários da educação vêm tratando essa questão somente pela ótica mercantilista, já que uma mensalidade não fica menos do que R$ 5 mil por mês.

Veja o resultado disso: de 1500 a 1999, o Brasil criou 106 cursos de medicina – a maioria com estrutura necessária à boa formação. Já nos últimos 14 anos foram abertas mais 136, grande parte sem hospital escola, corpo docente de qualidade duvidosa, grade curricular sofrível, entre outras falhas. Forma-se de olho na quantidade, não na qualidade. Hoje, temos 242 faculdades médicas, mas muitas são um risco à saúde dos pacientes e um engodo aos estudantes que sonham em ser bons profissionais. Portanto, o Estado deve assumir seu papel, fiscalizar com rigor os abusos e coibi-los.

O mesmo rigor deve pautar a abertura de vagas na residência médica. Não se pode formar especialistas a granel, sem priorizar a qualidade. Na esteira do Programa Mais Médicos, já foram anunciadas a criação de 2.822 vagas, apenas de um ano para cá – 1.609 no Estado de São Paulo. Aliás, o objetivo do Executivo é, até o início de 2018, criar 12 mil vagas. Seria louvável se a ação fosse organizada, planejada e implantada com a devida seriedade. Só que não o é. Os equívocos já começam na base, pois não possuímos infraestrutura adequada nem preceptores competentes e habilitados. Assim, se permanecermos nessa trilha, em futuro breve teremos tantos especialistas de conhecimento insuficiente e prática perigosa como já ocorre entre os graduados.

Sobre o exercício da medicina no País por formados no exterior, é urgente a revisão de pontos do Mais Médicos. Todos os intercambistas devem passar por revalidação do diploma para demonstrar que estão de fato aptos para assistir os cidadãos.

Somos a favor de mais profissionais para fazer frente à demanda da coletividade. Mas exigimos que sejam bons profissionais; não importa se brasileiros ou estrangeiros. Permitir a prática na medicina sem comprovação de capacitação é roleta russa. É como sair distribuindo carteiras de motoristas sem a certeza de que o futuro condutor sabe mesmo dirigir. Uma hora o tiro sairá pela culatra e fará vítimas; não entre os idealizadores da lei; sim entre a população mais vulnerável, como de hábito.

Mais uma questão a resolver no Mais Médicos diz respeito à remuneração. Cubanos não podem ser tratados como mão de obra barata ou como escravos. Devem receber dignamente por seu importante trabalho. A propósito, nossos recursos humanos também merecem salários dignos. Na campanha muito se falou em criar um plano de carreira para os médicos. Isso deve acontecer imediatamente, com política de progressão e remuneração semelhante à do Judiciário. Dessa forma, será possível inclusive estimular a ida de profissionais para as áreas remotas e regiões periféricas.

Enfim, poderíamos colocar aqui outros tantos desafios como a qualificação da gestão, a ampliação de financiamento à saúde, a ampliação do programa de médicos de família. Todos igualmente urgentes. É por isso instamos o governo recém-eleito a enfrentá-los imediatamente, com consulta à sociedade e vontade política. Presidente, a saúde do Brasil não pode mais esperar.

Antonio Carlos Lopes, presidente da Sociedade Brasileira de Clínica Médica

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Por Ricardo Callado - Mais uma vez a campanha política toma o rumo da baixaria. Numa eleição não existe o ditado que quando um não quer, dois não brigam. Isso serve para contenda de casal. Numa disputa eleitoral, quando um dos candidatos parte para cima do outro e baixa o nível, o outro tem a obrigação de responder. Não existe tempo para pensar. É preciso dar o troco imediatamente para que não se perca votos. Se bem que a resposta deve ser, preferencialmente, em alto nível.

Mentiras e ataques pessoais são alguns dos meios usados numa campanha de esgoto. E o eleitor é obrigado a tapar o nariz e assistir o vexame em que está se tornando o processo democrático. Se o ato de votar em uma eleição é uma lição de cidadania, não se pode dizer o mesmo dos comportamentos dos pretensos representantes. Depois fica difícil reclamar o número alto de eleitores que anulam o voto.

Os debates recentes mostram embates duros entre Jofran Frejat (PR) e Rodrigo Rollemberg (PSB). O tom das críticas acaba descambando para baixarias. Sobra para todo mundo. Frejat escolheu a tática de confundir o eleitorado e carimbar na testa de Rollemberg que ele é um novo Agnelo.

O governador do PT derrotado no primeiro turno não ficou de fora da reta final da campanha. Sempre que pode, Frejat cita o petista. Para deixar o eleitor mais confuso, ele próprio se confunde propositalmente e chama Rollemberg de Agnelo.

Para contra-atacar, Rollemberg lembra dos aliados de Frejat. Entre eles, cita o ex-governador José Roberto Arruda (PR), o ex-senador Luiz Estevão (PRTB), o ex-presidente do PR, Valdemar da Costa Neto e o senador Gim Argelllo (PTB).

Quando Frejat diz que Rollemberg entrou sem concurso público no Senado, o candidato do PSB cita quatro ações de improbidade administrativa que o representante do PR responde quando foi secretário de Saúde. E chumbo trocado não dói.

E o eleitor? Bem, esse fica esperando as propostas! E quando elas aparecem, ainda são difíceis de acreditar. O Frejat tirou da cartola aquilo que sua equipe de campanha chama de a “bala de prata”. A ideia genial para vencer as eleições. Trata-se da Tarifa Frejat, fixando a passagem de ônibus a R$ 1,00. Para completar, serão colocados imediatamente no dia 1 de janeiro de 2015 mais 700 ônibus novos para circular.

O projeto é genial. Não existe um cidadão que possa ser contra. Estimula o uso do transporte coletivo, diminui a quantidade de veículos particulares nas ruas e traz mais conforto para os usuários, com mais ônibus e linhas.

Na prática, é uma proposta bem difícil de ser concretizada. Primeiro pelo alto custo, já que a diferença de tarifa será subsidiada pelo governo, algo em torno de mais R$ 3,00. Não igual aos restaurantes comunitários, que são poucos e tem um custo baixo em comparação o sistema de transporte. Outra coisa: 700 ônibus novos não existem para pronto entrega no mercado.

Além disso, Agnelo vai entregar ao sucessor um governo quebrado. Com muitas dívidas e desorganizado financeiramente. Fala-se em torno de R$ 2,2 bilhões o tamanho do buraco que Frejat ou Rollemberg vai herdar.

Entre as propostas de Rollemberg estão as eleições para administrador regional. A ideia é muito boa. A população vai ter o direito de escolher quem gostaria de comandar a sua região administrativa. Não prática, não ficou bem explicado como isso vai funcionar.

Tem ainda as complicações políticas. Pode haver casos de serem eleitos adversários do governador, o que inviabilizaria o trabalho. Por exemplo: se eleito governador, Rollemberg poderia ter Jofran Frejat como administrador do Lago Sul; Arruda administrando o Gama; Joaquim Roriz à frente da administração regional de Samambaia; E, Agnelo, no comando do Plano Piloto. São casos que podem acontecer. E tem tudo para não dar certo. E não dará!

Enquanto se troca acusações e espalham baixarias, o eleitor espera propostas concretas para a saúde, a educação e a segurança. Projetos para mobilidade urbano e desenvolvimento da cidade. Seria muito pedir para Frejat e Rollemberg mais propostas e menos baixarias. Entretanto, a disputa pelo poder tornou-se um vale tudo. Faltam poucos dias para o brasiliense ir novamente as urnas. Ainda dá tempo dos candidatos apresentarem projetos e propostas. Mas duvido. Quem está atrás nas intenções de voto vai partir para o ataque. E quem é atacado vai responder a altura.

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Por Rubens Passos*

Na reta final das eleições gerais deste ano para a Presidência da República, governos estaduais, Senado Federal, Câmara dos Deputados e assembleias legislativas, muito pouco se tem abordado um dos principais fatores capazes de impulsionar o desenvolvimento brasileiro: a qualidade da educação. Nos debates e declarações dos candidatos, todos os tipos de problemas, acusações e escândalos são levantados, mas nada se fala de concreto sobre as ações que os programas de governo preveem para melhorar a situação do ensino no País.

A União tem plenas condições de contribuir para o avanço da qualidade das escolas públicas, embora a responsabilidade constitucional pela Educação Infantil, Ensino Fundamental e o Médio seja de prefeituras e estados. No entanto, o Governo Federal e as demais unidades federativas não têm dado ao setor atenção proporcional à sua efetiva importância para a formação de uma sociedade mais justa e igualitária.

As avaliações, inclusive de organismos governamentais, demonstram esse descompasso. Um exemplo: de acordo com o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB), indicador geral do desempenho dos alunos nas redes privada e pública, divulgado pelo Ministério da Educação no início de setembro, o Brasil ficou abaixo da meta projetada no ciclo final do Ensino Fundamental (6º ao 9º ano) e no Ensino Médio. Essa performance dos estudantes é muito preocupante e mostra que não estamos avançando.

O nosso grande desafio, portanto, continua sendo melhorar a qualidade do Ensino Básico em todo o País e evitar um dos mais graves problemas que atingem o setor: a evasão escolar. De acordo com os mais atualizados dados, em 2012 a taxa de abandono atingiu 24,3%. O índice torna-se ainda mais alarmante quando comparado aos de nações vizinhas, como Chile (2,6%), Argentina (6,2%) e Uruguai (4,8%). Um a cada quatro alunos que inicia o Ensino Fundamental no Brasil abandona a escola antes de completar a última série. É o que indica o último relatório sobre o tema do Pnud (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento).

Nesse sentido, uma das providências importantes é reduzir os impostos incidentes sobre os materiais escolares. O Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT) divulgou que esses artigos são taxados em até 47%, como no caso das canetas. Itens como apontador e a borracha escolar têm alíquota de 43%; caderno universitário e lápis, 35%.

Uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) estabelece o fim dos impostos sobre os materiais escolares. Trata-se da PEC 24/2014, apresentada pelo senador Alfredo Nascimento. Sua aprovação seria uma solução imediata para a redução da elevadíssima carga tributária sobre material escolar existente no País e uma forma de demonstrar que nossos parlamentares e governantes realmente levam a sério o tema da educação.

Por todas essas razões, a  Associação Brasileira dos Fabricantes e Importadores de Artigos Escolares (ABFIAE) encaminhou aos candidatos à Presidência da República e a cargos do Legislativo, reivindicação de apoio à aprovação da PEC. É inadmissível que, em um país onde os políticos repetem-se na afirmação de que o ensino é prioridade, convivamos com a elevada carga tributária sobre o material escolar.

Já é hora de os governantes, parlamentares e os candidatos à presidência e aos governos estaduais prestarem mais atenção e focarem seus esforços em resolver esse problema tão grave. Ou alguém duvida que a precariedade da educação pública é um dos obstáculos ao nosso progresso socioeconômico?

*Rubens Passos é presidente da Associação Brasileira dos Fabricantes e Importadores de Artigos Escolares (ABFIAE).

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Por Ricardo Callado 

A eleição ao governo do Distrito Federal (GDF) está relegada a segundo plano. A virada do presidenciável Aécio Neves (PSDB) em cima da presidente Dilma Rousseff (PT) monopoliza as atenções dos eleitores. As discussões e as torcidas giram em torno de quem vai ocupar o Palácio do Planalto em 2015.

Até parece que a eleição ao Palácio do Buriti não existe ou está decidida. Muita gente respirou aliviada com a derrota do governador Agnelo Queiroz (PT) no primeiro turno. Como se o pior já tivesse ficado para atrás. Esse relaxamento não é bom para Brasília. O eleitor precisa despertar e acompanhar a eleição que vai decidir o governador de nossa cidade aos próximos quatro anos.

O segundo turno deixou algumas lições. A primeira é que o povo pede mudanças. A segunda é que ataques pesados e baixaria foram repelidos pelo eleitor. Quem usou a tática do medo e do esgoto no primeiro turno se deu mal.

O segundo turno deve ser pautado por propostas. O candidato que cair na tentação de baixar o nível será rejeitado nas urnas.

Na cabeça de alguns políticos, a forma mais fácil de ganhar é com a desconstrução dos adversários. Mesmo que para isso se abuse do expediente da mentira. É a política ultrapassada. O povo evoluiu, mas nossos políticos ainda não. E buscam se perpetuar no poder através de táticas do passado. O único dono do voto é o cidadão.

Na cabeça do eleitor, o candidato precisa dizer porque merece o voto. O que vai fazer para resolver problemas graves da cidade como o transporte público, o caos na saúde, a segurança pública. Não vai acrescentar ao eleitor ataques pessoais. Se isso desse voto, o PT tinha elegido o governador Agnelo e a presidente Dilma logo no primeiro turno.

O político ultrapassado pensa com a cabeça do militante. Usa a paixão ao invés da razão. E militante nunca vai aceitar que está errado. Como disse o ex-presidente Lula durante um comício no primeiro turno: “O PT é uma merda, mas é o meu partido”. É assim que pensa o militante. O eleitor já age diferente: se o partido ou determinado candidato é uma merda, vou votar em outro. Chega de bravatas e mentiras

O candidato que levar em consideração as necessidades da população e apresentar propostas concretas, vence a eleição. É esse o nível que deve se pautar essa campanha. Rollemberg e Frejat são dois homens respeitados. Não são nem um “novo Agnelo”, tampouco um “novo Arruda”. São homens públicos com uma carreira política de mais de 20 anos. E não precisam manchar uma história construída ao longo da vida pública abraçando o tudo ou nada eleitoral.

É hora de fazer a política de forma diferente. O eleitor não quer políticos brigando por cargos e sim por ideias. Querem que resolvam a vida das pessoas, do cidadão, da cidade onde moram.

Rollemberg e Frejat não são mais meninos. Parece difícil pedir a dois homens que se comportem perante o eleitor. Mas é assim que deve ser feito. O povo dar um puxão de orelha em que não se comportar. Brasília merece respeito. E se assim for tratada, vai retribuir com o voto.

Respeito ao eleitor é fazer uma campanha limpa, propositiva e pautada em ideias. Que as baixarias fiquem no passado ou num presente não tão distante. E passamos a discutir o futuro. Um futuro melhor, sem os vícios do passado, o balcão de negócios e a troca de favores, principalmente entre Legislativo e Executivo. Sem loteamento. Para o bem de nossa cidade.

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Por Marcos Morita

Tedioso, monótono, cafona, brega, caricato, insensato, ridículo, mentiroso, chulo, vulgar, rústico e grosseiro são algumas palavras que me vêm a mente quando o tema é horário eleitoral gratuito. Mesmo tentando fugir dos candidatos como o diabo foge da cruz, algumas vezes sou pego de surpresa, seja no rádio ou na televisão, já que não satisfeitos, invadiram os horários normais da programação, além das calçadas com seus cavaletes imundos.

Seus personagens, em especial os candidatos a deputado, mais parecem ter saído de um show de calouros, seja pela aparência ou oratória de dez segundos, cuja restrição certamente têm salvo alguns que mal saberiam falar algo além do próprio nome, preferindo associar-se a sinônimos como borracharia, farmácia, açougue, sindicato, motoboy, cabelereiro, papelaria e garçom. Saliento que nada tenho contra as profissões dos candidatos ao sonho de Tiririca.

De outro lado temos aqueles um pouco mais bem preparados, candidatos ao senado, governo e presidente. Com mais tempo disponível, gastam nosso precioso tempo em críticas à gestão alheia, feitos do passado e promessas, aliás, muitas promessas. Curioso, fui buscar seu significado no dicionário e pasmem, além de políticos são também infiéis, injustos, descompromissados e quiçá, tenham suas almas perdidas queimadas no purgatório.

Promessa: pro.mes.sa lat promissa) 1 Ato ou efeito de prometer. 2 Declaração pela qual alguém se obriga, pela fidelidade e pela justiça, a fazer ou deixar de fazer alguma coisa. 3 pop Aquilo que se faz ou omite em honra de Deus, dos anjos, dos santos e até das almas do purgatório. 4 Asseguração expressa em que se baseia determinada expectativa; compromisso.

Não obstante alguns progressos obtidos, tal qual a lei da ficha limpa, a qual afastou a possibilidade de um tiroteio ao vivo, sugeriria para as próximas eleições a lei da promessa cumprida, cujo objetivo seria fazer com que os candidatos pensassem um pouco mais nas obscenidades proferidas em rede nacional de televisão. Vale salientar que promessa me lembra sonho e há uma diferença muito grande entre um sonho e uma meta ou objetivo.

Como executivo, sou avaliado não apenas pela qualidade e criatividade de minhas propostas, mas principalmente por sua execução dentro do prazo e com os recursos previamente disponíveis. Em geral uma bom projeto deve ser: especifico, mensurável, atingível, realista e com tempo definido, cujos critérios são sabatinados e escrutinados antes de sua aceitação. Vale mencionar que nunca, em meus vinte anos de vida corporativa, escutei a palavra promessa.

Extinguir, aniquilar, dizimar e exterminar a corrupção, o trânsito nas grandes metrópoles, a violência urbana, o analfabetismo, o desmatamento, o desemprego, a seca no Sertão e em São Paulo, os problemas de saúde, a desigualdade social, as férias de 60 dias dos senadores, as benesses dos deputados, a burocracia e a teia dos impostos são algumas das propostas. Isto soa para vocês mais como meta, objetivo ou sonho?

Como analogia, fui buscar na mitologia grega alguns dos 12 trabalhos de Hércules a seguir: matou a Hidra de Lerna, uma serpente com corpo de dragão e nove cabeças, perseguiu correndo durante um ano a Corça de Cerinéia, limpou em um dia os currais do rei Augias, que continha três mil bois e há trinta anos não eram limpos e matou o gigante Gerião, monstro de três corpos, seis braços e seis asas. Qualquer semelhança é mera coincidência.

Enfim, como nossa história nem de longe se compara a mitologia grega, o jeito é nos conformarmos com nosso próprio arcabouço de personagens folclóricos. Uma presidente que mais se parece com a Cuca, assustando os mercados financeiros e uma rival que sempre esteve mais preocupada com a defesa das matas, missão de Curupira, mãe d`água, boitatá e Saci–Pererê. Quem sabe ai já não temos algumas indicações para um eventual ministério?

* Marcos Morita é mestre em administração de empresas e professor da FIA-USP e Universidade Mackenzie. Especialistas em estratégias empresariais, é palestrante e colunista. Há vinte anos atua como executivo em empresas multinacionais.

 opiniao

Por Ricardo CalladoChegou a hora de decidir o voto. De escolher aquele que melhor pode governar o Distrito Federal. Que apresentou as melhores propostas. Ou, pelo menos, conseguiu convencer o eleitor de que merece um voto de confiança.

A eleição no Distrito Federal se encaminha para um segundo turno. O senador Rodrigo Rollemberg (PSB) parece ter garantido a vaga para a próxima fase da disputa. E espera o adversário que vai confrontar ideias.

Jofran Frejat (PR) é o provável adversário de Rollemberg. Vem numa linha ascendente. E herdando os votos do ex-governador José Roberto Arruda (PR), que liderou as pesquisa com folga antes de ser abatido por manobras na justiça.

Até por isso vem sendo o alvo principal de ataques por parte da campanha do candidato à reeleição, Agnelo Queiroz (PT). A semana que se inicia será sangrenta. O jogo sujo vai partir de onde o desespero bater mais forte.

O eleitor mostrou que a campanha do medo ou da baixaria não pega. Os ataques abaixo da linha de cintura aos adversários saem como tiros no pé. O candidato que apela acaba sendo repelido pelo eleitor.

Agnelo Queiroz depende da militância para ir ao segundo turno. Muitos candidatos a deputado abandonaram a campanha do governador. Cada um tem o seu motivo, que vão desde ao não cumprimento de acordos à falta de perspectiva de poder. E começam a se articular para ficar bem com o próximo governo.

O comício na noite de quinta-feira (25), em Ceilândia, com a presença do ex-presidente Lula, e a onda vermelha que sempre acontece na semana que antecede o dia da eleição, são as cartadas finais do governador para continuar na disputa.

Lula ainda tem alguma força política no Distrito Federal. Dilma nem veio ao comício. Também não faria muita diferença. Em Brasília, a rejeição da atual presidente é maior que a do próprio governador Agnelo.

A campanha de Agnelo não trabalhou para diminuir a rejeição do candidato à reeleição. Gastaram muito tempo em tribunais para tirar Arruda, ao mesmo tempo que vendia uma Brasília maravilha na propaganda da TV. A população não engoliu a fantasia. Faltou sinceridade.

Agnelo tem uma rejeição que se aproxima de 50%. Ou seja, quase metade do eleitor brasiliense diz que não vai vota nele de jeito nenhum. É a maior do país entre os candidatos à reeleição. A rejeição de Rollemberg, por exemplo, é de 5%. Quase não existe. Isso torna a situação do governador muito difícil.

A equipe que trabalha na campanha de Agnelo é experimentada. Atua na política brasiliense há pelo menos 20 anos. É a mesma que trabalhou com os ex-governadores Joaquim Roriz e José Roberto Arruda. Alguns métodos usados na propaganda deram certos em campanhas passadas. O que mudou é que Agnelo não tem o mesmo carisma que Roriz e Arruda. Nem o apelo eleitoral. Ai cria-se a dificuldade para os marqueteiros. É quando se separa os homens dos meninos e se sobressai quem é bom. E o bom é aquele sempre disposto a ouvir. Sem arrogância ou covardia.

Antigamente numa campanha eleitoral o candidato para vencer uma eleição tinha que ter voto. Este tipo de político populista está em extinção. Hoje é necessário, entre outras coisas, não ser rejeitado. Precisa que a publicidade de suas ações pessoais e de seu trabalho surta efeito. E esse erro já foi assumido pelo próprio Agnelo em entrevista ao Jornal da Comunidade.

Em política tudo é possível. A onda vermelha pode dar certo. Se Agnelo for ao segundo turno contra  Rollemberg, tem que agradecer em muito a militância do PT que sempre foi aguerrida e vibrante. Mas que hoje está escondida em gabinetes na administração pública.

A campanha de apologia à violência contra a propaganda eleitoral feita nas redes sociais e reforçada por jornalistas inconsequentes já gerou sua primeira morte

Chico VigilantePor Chico Vigilante – A civilização convive e sofre com a violência como um de seus maiores dilemas durante toda a sua história. O desenvolvimento econômico mundial; um maior acesso da população à educação; e uma melhor compreensão da psique humana por parte da ciência, nada disso impediu que a violência continuasse a existir como estatística preocupante, em várias áreas e segmentos da sociedade.

O que se espera minimamente, no entanto, entre cidadãos educados que vivem numa democracia, é que respeitem as leis de seu país e as convenções sociais – no Brasil, por exemplo, claramente contrárias à violência.

É uma volta à pré-história campanhas que vem sendo realizadas nas redes sociais nas últimas semanas e que vem ganhando adeptos, pregando a destruição das placas e cavaletes de campanhas eleitorais como a intitulada Você já chutou seu cavalete hoje ? dentre outras do gênero.

O que pretendem os bestas-feras da repetição inconseqüente? Que os atos de vandalismo se alastrem como rastilho de pólvora? Pois já estão conseguindo. Acreditando na impunidade, além de espalharem a idéia eles postam vídeos das arruaças, que serão muito úteis à polícia na hora das investigações.

Me indignou profundamente como político e cidadão, a posição irresponsável e retrógada do jornalista Ricardo Boechat de fazer apologia à violência aos telespectadores do Jornal da Band , na noite da última terça-feira.

Ao comentar sobre a poluição visual nas cidades, causada pelas placas de propaganda política no período da campanha eleitoral no Rio de janeiro, ele não se fez de rogado: terminou o jornal dizendo que as pessoas quando se deparassem com placas de propaganda eleitoral deviam “preparar as pernas e dar uma voadora”, sugerindo, obviamente, a destruição dos anúncios.

O jornalista, demitido há anos pelo Jornal O Globo (depois que uma reportagem de VEJA revelando sua participação nos bastidores da guerra entre o grupo canadense TIW e o presidente do Banco Opportunity, Daniel Dantas, pelo controle das empresas de telefonia celular Telemig Celular e Tele Norte Celular ) parece não conhecer as leis e não temer a Justiça.

Qualquer cidadão de bem deste país, pode apresentar contra ele uma queixa crime, alegando apologia à violência, crime previsto na seção dos Crimes contra a paz pública do Código Penal Brasileiro.

O que é apologia à violência? segundo a legislação, a apologia à violência compreende todo o conteúdo que, de alguma forma, promova a prática de um crime, seja por incitamento direto ou por aprovação de crimes já realizados anteriormente.

O artigo 297º do Código Penal, que trata da instigação pública a um crime, afirma que ” quem, em reunião pública, através de meio de comunicação social, por divulgação de escrito ou outro meio de reprodução técnica, provocar ou incitar à prática de um crime determinado é punido com pena de prisão até 3 anos ou com pena de multa, se pena mais grave lhe não couber por força de outra disposição legal “.

A resolução 26.404 do TSE, que dispõe sobre propaganda eleitoral e condutas ilícitas em campanha eleitoral nas eleições de 2014, qualifica, em seu artigo 61, como crime, punível com detenção de até 6 meses ou pagamento de 90 a 120 dias-multa, inutilizar, alterar ou perturbar meio de propaganda devidamente empregado (Código Eleitoral, art. 331); afirmando o artigo 62, por sua vez, que constitui crime, punível com detenção de até 6 meses e pagamento de 30 a 60 dias-multa, impedir o exercício de propaganda (Código Eleitoral, art. 332).

A justiça eleitoral – cada vez mais exigente no Brasil – determinou que cavaletes com placas de propaganda política sejam colocados e retirados diariamente e, certamente, ao final da campanha, aqueles que desobedeceram as normas serão multados e penalizados de acordo com a lei. O que cabe ao brasileiro é lutar pela mudança da lei, se não está satisfeito com ela, e não fazer justiça com as próprias mãos, ou pernas.

Esse comportamento gerar violência em cascata se os vândalos se deparam, por exemplo, com a equipe de campanha do candidato, que certamente avisará a polícia, e poderá sofrer retaliações em outras ocasiões.

O que é necessário entender é que há bem pouco tempo, em campanhas anteriores, faixas, cartazes e outros materiais de propaganda eram pintados, ou colados diretamente sobre viadutos, fachadas de prédios, muros ou pendurados em árvores, e ali ficavam durante anos, poluindo visualmente a cidade, sem que isso resultasse em prejuízos aos responsáveis.

Uma boa lupa na legislação eleitoral daria uma bela pauta aos jornalistas, não apenas para cobrar daqueles que estão desrespeitando atualmente a lei, mas também para reconhecer avanços ocorridos e detectar possibilidades de novas exigências pelo TSE.

Por que será que o senhor Boechat, a exemplo da maioria da imprensa comercial brasileira, não se preocupou em divulgar ou comentar o resultado do plebiscito da reforma política, aquela mesma reforma necessária ao país e que vai tratar do financiamento público e privado de campanhas politicas?

Certamente este tema vai influenciar na maneira como os candidatos devem se comportar para estarem visíveis para a sociedade durante os três meses de campanha política ao final de cada quatro anos de mandato.

O comportamento sugerido por Boechat é reprovável social, e penalmente, vez que no Estado de Direito em que vivemos, os cidadãos devem, obrigatoriamente, recorrer ao Sistema de Justiça para a solução de conflitos.

Creio ser inaceitável que se dissemine a discórdia, o ódio, a maldade ou que se plantem as sementes da vingança privada por mais que isso lhes possa parecer possível, oportuno ou conveniente.

Em razão da visibilidade social que possuem determinadas pessoas, é no mínimo temerário um posicionamento desse gênero. Mais do que conflitos e prisões, ocorridas em todo o país, causadas por violência contra a propaganda política, a campanha de apologia à violência já fez sua primeira vítima: em Curitiba, foi assassinado um jovem responsável pelos cavaletes de propaganda política de candidata ao governo local, a ex-ministra Gleise Hoffmann, do PT.

Hiago Augusto Jatoba de Camargo, foi assassinado com uma facada na Praça da Ucrânia, local de uma feira noturna frequentada pela classe-média e alta da cidade, no Bigorrilho (Champagnat). Ele era apenas um menino de 21 anos, compositor e cantor que pregava justiça, paz e dias melhores em suas músicas, como membro da banda Família 100 Caos, de fácil acesso na internet para aqueles que tiverem curiosidade de ouvir.

Enfim, há que se admitir que a incitação feita via Facebook, e por jornalistas como Boechat, cria um rastilho de pólvora que pode fazer detonar a agressividade, que todos sabemos, temos, sob controle, mantida dentro de cada um de nós. Vá em paz Hiago. Que sua morte detone na cabeça das bestas-feras a imediata reflexão sobre o potencial destruidor da apologia à violência.

Chico VigilantePor Chico Vigilante

É necessário que a Polícia Federal investigue a mando de quem dados de indicadores sociais foram alterados com o objetivo claro de fundamentar críticas ao governo Dilma

O cerco ao PT à presidenta Dilma tem alcançado neste ano eleitoral as raias do absurdo. A oposição tem um discurso único: tudo de ruim no país é culpa do PT – do fracasso de uma partida de futebol, à inflação “fora do controle”, apesar de mantida dentro o teto da meta e estar longe dos índices ocorridos no governo FHC.

Os métodos estão sendo sofisticados e as táticas extrapolam a simples repetição de mentiras. Busca-se também agora até mesmo a farsa da alteração de índices oficiais a fim de fundamentar críticas ao governo Dilma.

Uma mostra disso foi a manipulação de dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), pelo IBGE, gerando distorções no índice Gini – indicador de distribuição de renda no país.

Na sexta-feira, 19, o IBGE informou que ocorreram erros extremamente graves nos resultados da pesquisa, divulgada no dia anterior. O “equívoco” aconteceu na projeção incorreta de população em sete Estados que têm mais de uma região metropolitana. Por causa disso, dados sobre a renda dos brasileiros e sobre a concentração de renda no país foram calculados errados.

O coordenador de Trabalho e Rendimento do IBGE, Cimar Azeredo, informou, segundo o Jornal Zero Hora, que os erros na Pnad foram constatados após órgãos de governo e consultorias privadas terem entrado em contato com o instituto, na tarde da quinta-feira.

Na sexta-feira os dados começaram a ser revisados e segundo o instituto, o índice passou de 0,496, em 2012, para 0,495 em 2013. Nos primeiros dados divulgados, o índice subira para 0,498, em 2013. Quanto mais próximo de zero, melhor é a distribuição de renda. Ou seja, se a distribuição de renda foi maior, a desigualdade diminuiu e não aumentou como parecia antes.

Curioso é que na mesmo dia da divulgação da pesquisa pelo IBGE, o candidato a presidente pelo PSDB, Aécio Neves, divulgou nota à imprensa, afirmando que alguns dados divulgados pelo IBGE da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) “evidenciam que o governo da presidente Dilma Rousseff fracassou em praticamente todas as áreas, inclusive emprego, redução da desigualdade e educação”, coincidentemente em áreas onde se constatou depois a existência de “erros”.

Em discurso em São Paulo, no sábado, a presidenta Dilma disse que “mesmo com tudo isso que aconteceu, de mudarem as ponderações da Pnad, a taxa de escolarização das crianças de 4 a 5 anos atingiu 81,4 por cento em 2013. E frisou que “é bom lembrar que ela saiu de 74,4.”

Após revisados os dados pelo IBGE constatou-se que a distribuição de renda aumentou e que o brasil vive uma situação de pleno emprego. Tudo indica que mais uma vez, o discurso de Aécio Neves caiu no ridículo.

O IBGE é o responsável pela elaboração dos principais indicadores da economia nacional: índices de inflação, de emprego, de atividade industrial, desempenho do comércio, serviços, Produto Interno Bruto (PIB), taxa de investimento, etc. se não for muito bem explicada, Uma falha desta gravidade numa pesquisa estrutural, elaborada ao longo de vários meses, pode levar desconfiança a todo o resto.

Erros do gênero não são comuns de acontecer num instituto com a expertise do IBGE, a não ser que ocorra um direcionamento para se alcançar resultados encomendados. Portanto, não podemos permitir que a credibilidade de um órgão da importância do IBGE seja abalada pela ação de irresponsáveis.

Considero de extrema importância a iniciativa da Casa Civil de criar uma comissão para apurar os fatos em torno das distorções, mas vou além: sugiro que a Polícia federal investigue o caso. Fatos desta gravidade não podem ficar impunes, sob pena dos culpados acreditarem que podem repetir a dose quando julgarem necessário.

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Por Rubens Passos*

Na reta final das eleições para a Presidência da República e governos estaduais, muito pouco se tem abordado um dos principais fatores capazes de impulsionar o desenvolvimento: a educação. Nos debates, todos os tipos de problemas, acusações  e escândalos foram levantados, mas nada se falou de concreto a respeito do que os programas de governo dos candidatos preveem para melhorar a situação do ensino no País.

A União tem condições de contribuir para o avanço da qualidade das escolas públicas, embora a responsabilidade constitucional pela Educação Infantil, Ensino Fundamental e o Médio seja de prefeituras e estados. Porém, o Governo Federal e as demais unidades federativas não têm dado ao setor atenção proporcional à sua importância para a formação de uma sociedade mais justa e igualitária. De acordo com o Ideb — um indicador geral do desempenho dos alunos nas redes privada e pública divulgado pelo Ministério da Educação no início de setembro —, o Brasil ficou abaixo da meta projetada no ciclo final do Ensino Fundamental (6º ao 9º ano) e no Ensino Médio.

O nosso grande desafio continua sendo melhorar o Ensino Básico e evitar a evasão escolar. De acordo com os mais atualizados dados, em 2012 a taxa de abandono atingiu 24,3%. O índice é ainda mais preocupante se comparado aos de nações vizinhas, como Chile (2,6%), Argentina (6,2%) e Uruguai (4,8%). Um a cada quatro alunos que inicia o Ensino Fundamental no Brasil abandona a escola antes de completar a última série. É o que indica o último relatório sobre o tema do Pnud (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento).

Nesse sentido, uma das providências importantes é reduzir os impostos incidentes sobre os materiais escolares. O Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT) divulgou que esses artigos são taxados em até 47%, como no caso das canetas. Itens como apontador e a borracha escolar têm alíquota de 43%; caderno universitário e lápis, 35%.

Uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) estabelece o fim dos impostos sobre os materiais escolares. Trata-se da PEC 24/2014, apresentada pelo senador Alfredo Nascimento. Sua aprovação seria uma solução imediata para a redução da elevadíssima carga tributária sobre material escolar existente no País e uma forma de demonstrar que nossos parlamentares e governantes realmente levam a sério o tema da educação.

Por todas essas razões, a Associação Brasileira dos Fabricantes e Importadores de Artigos Escolares (ABFIAE) encaminhou aos candidatos à Presidência da República e a cargos do Legislativo, reivindicação de apoio à aprovação da PEC. É inadmissível que, em um país onde os políticos repetem-se na afirmação de que o ensino é prioridade, convivamos com a elevada carga tributária sobre o material escolar.

Já é hora de os governantes, parlamentares e os candidatos à presidência e aos governos estaduais prestarem mais atenção e focarem seus esforços em resolver esse problema tão grave. Ou alguém duvida que a precariedade da educação pública é um dos obstáculos ao nosso progresso socioeconômico?

*Rubens Passos é presidente da Associação Brasileira dos Fabricantes e Importadores de Artigos Escolares (ABFIAE).

 opiniao

Por Ricardo Callado – A campanha entra na reta final. Serão apenas duas semanas. E um cenário novo, sem participação de tribunais, desembargadores e advogados. Agora é no voto. Quem conseguir convencer o eleitor de quem é o melhor candidato, leva a eleição.

A desistência do ex-governador José Roberto Arruda (PR) da disputa ao Palácio do Buriti teve impacto no desenho da campanha. O maior perdedor foi o governador Agnelo Queiroz (PT). Ao contrário do que pensam os coordenadores de campanha, as maiores chances de sucesso de Agnelo continuar no poder estavam justamente na permanência de seu principal adversário na disputa.

A novidade na eleição é a presença do ex-deputado federal Jofran Frejat (PR). Antes candidato a vice de Arruda, foi alçado ao posto de cabeça de chapa. A mulher do ex-governador, Flávia Arruda, é a nova vice e mantém o nome Arruda na chapa.

Em apenas três dias de campanha, Frejat conseguiu transferir quase 60% das intenções de voto que antes eram de Arruda. É um fenômeno. A tendência é ele crescer ainda mais e se aproximar do candidato Rodrigo Rollemberg (PSB). Deixando Agnelo isolado no terceiro lugar e fora do segundo turno. Frejat é o Arruda sem rejeição e sem Caixa de Pandora.

Quem se deu bem com a saída de Arruda foi Rollemberg. Ele conseguiu cerca de 20% dos votos do ex-governador e disparou na frente. A dianteira deve ser ameaçada nos próximos dias, mas já garante presença num segundo turno.

Frejat aposta que pode vencer as eleições com seu histórico sem mácula, sua experiência administrativa (foi quatro vezes secretário de Saúde) e com os apoios dos ex-governador Arruda e Joaquim Roriz.

Rollemberg aposta que pode vencer as eleições por representar o novo, herdar os votos de Agnelo e Toninho do PSol em um eventual segundo turno, e com os apoios da candidata a presidente da República, Marina Silva (PSB), do líder na disputa ao Senado, José Antônio Reguffe, e do senador Cristovam Buarque.

Agnelo aposta que ainda pode ir para o segundo turno e tem como trunfo a militância. O PT sempre teve um percentual histórico de votação entre 25% e 30%. E é aguerrida, principalmente, quando envolve milhares de empregos de petistas no Governo do Distrito Federal.

O PT só ficou fora da primeira ou segunda colocações uma vez em eleições do Distrito Federal. Foi em 2006, quando Arlete Sampaio ficou atrás de Arruda e da ex-governadora Maria de Lourdes Abadia (PSDB).

Mas apenas a militância não resolve o problema. É preciso apoio. Agregar aliados. Hoje, o que se vê na campanha de Agnelo são assessores de primeiro escalão do governo ou da coordenação de campanha – eles estão juntos e misturados – perseguindo pessoas, inclusive aquelas que sempre ajudaram Agnelo.

Talvez o governador não saiba, mas isso acontece sim. E prejudica a campanha. A perseguição e a covardia são as marcas dos incompetentes.

O programa eleitoral de TV é bonito, bem elaborado, com bastante tempo, mas apresenta uma Brasília que não existe. E não caiu o gosto no eleitor brasiliense. Teve efeito contrário. Não adianta o ex-presidente Lula, por exemplo, vir na TV pedir votos para Agnelo dizendo que ele é o melhor governador que Brasília já teve. O povo sabe que isso não é verdade.

A campanha de Agnelo precisa de humildade e trabalhar para diminuir a sua rejeição. E esse foi o erro. Era necessário vir a público com franqueza, conversar com o povo e dizer que nem tudo está bem. Aceitar que existem muitos problemas. E que podem ser resolvidos. Ao mesmo tempo conversar com os aliados e cumprir acordos.

Mas, ao contrário, mostram uma Brasília maravilha. Uma cidade dos sonhos de qualquer cidadão. Quando desligam a TV e saem a rua se deparam com a realidade. É essa realidade que precisa ser mostrada na TV.  Esse tipo de marketing político está ultrapassado. E é tão burro quanto perseguir jornalistas.

Então, para Agnelo, a fórmula mágica é militância, franqueza, verdade e simplicidade. E mandar os assessores baixarem a bola e deixar a covardia de lado. Tempo de campanha é tempo de aliança.

Cesar maia

1. Os aparelhos de TV ligados não alcançam 50% a cada momento. Durante os programas eleitorais na TV, nessa campanha, a audiência tem caído 40%. Os comerciais têm audiência igual às dos programas na mesma faixa de horário. Mas menor atenção. Os mais açodados acham que, por isso, a TV nas campanhas tem muito menor audiência que anos atrás.

2. E mais ainda se pode dizer. Antes, a audiência das TVs não baixava na primeira semana. Depois caía e só crescia na última semana. Com isso, a atenção aos impactos das mensagens pelos marqueteiros ocorria no início e no final das campanhas. Agora a queda de audiência aconteceu logo após o início das campanhas eleitorais pelas TVs.

3. Tudo isso é verdade. Mas não são as mesmas pessoas que assistem aos programas num dia e em outro dia, numa hora e em outra hora. Com isso, em vez de audiência a cada momento, se deve pensar em audiência cumulativa. Ou seja, hoje são umas pessoas que assistem, amanhã não são as mesmas necessariamente e assim por diante. Dessa forma, a audiência cumulativa é bem maior que a audiência medida num certo momento.

4. Essa nova dinâmica exige das produções variações de tema sobre uma mesma mensagem ou linha de comunicação. É como se o perfil e a imagem do candidato fossem sempre os mesmos. As narrativas sempre as mesmas. O que muda é o tema ou a história, contadas reforçando o personagem. Assim, do ponto de vista do expectador de um dia e de outro dia, a imagem do candidato é sempre a mesma, realçada por história ou temas distintos.

5. Um erro fatal com as audiências e as atenções atuais é variar a imagem do candidato com a variação do tema. O publicitário e a produção são pressionados ao sabor das pesquisas e as equipes e os próprios candidatos exigem que “o programa mude”. Às vezes essa radicalização culmina com a mudança da própria equipe de comunicação, contratando um publicitário/produtor “mais ousado, mais agressivo”.

6. Esse erro fatal afeta a cumulatividade e surge na telinha outro personagem. Sendo assim, a audiência –no momento da mudança- inicia um novo ciclo de cumulatividade. Quando isso ocorre no início da campanha pela TV a perda é menor. Mas quando ocorre do meio para o final, será fatal. A audiência acumulada não consegue mais transmitir uma imagem do candidato, não dá tempo, não há audiência acumulável.

7. Onde ocorre essa mudança de equipes, anotem: a probabilidade da derrota informada pelas pesquisas se acentua e passa a ser muito maior. O socorro produz uma queda de intenção de voto ainda maior que a anterior. Produz –quase sempre- a derrota.

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Por Marcos Morita – As pesquisas eleitorais da semana passada corroboraram algo que já esperávamos há algumas semanas. Marina Silva, mera coadjuvante até a morte de Eduardo Campos, venceria num eventual segundo turno a candidata a reeleição. Não obstante a sinuca de bico que se encontrará grande parte dos eleitores em 26 de outubro, o que comentaremos adiante, vale mencionar a incrível virada na outrora monótona e aborrecida corrida presidencial, deixando vermelho os tucanos e bicudos os petistas.

A história recente é pródiga em situações análogas, tais como a morte de Tancredo e o impeachment de Color, cuja efetividade dos substitutos é no mínimo questionável. Sarney criou os planos Cruzado I, II e Bresser do ministro homônimo, cortou zeros, congelou salários e ainda assim terminou com uma inflação acima dos 300% ao ano. Já o mineiro de Juiz de fora, trouxe de volta o Fusca, foi visto no Sambódromo com uma modelo sem calcinha e apesar das trapalhadas acabou com uma bola dentro, elegendo o criador da URV e o então ministro da fazenda FHC.

Uma análise das situações apresentadas nos parágrafos anteriores traz a tona os conceitos de sorte, azar e consequência lógica: todos os sapos são verdes e Caco é um sapo, logo Caco é verde. Não obstante muitos analistas já se debruçarem criando cenários macroeconômicos, preferi utilizar a fábula abaixo, a qual traduz de maneira perfeita a incerteza do atual momento.

Era uma vez um menino pobre que morava na China e estava sentado na calçada do lado de fora da sua casa. O que ele mais desejava era ter um cavalo, mas não tinha dinheiro. Justamente neste dia passou em sua rua uma cavalaria, que levava um potrinho incapaz de acompanhar o grupo. O dono da cavalaria, sabendo do desejo do menino, perguntou se ele queria o cavalinho. Exultante o menino aceitou. Um vizinho, tomando conhecimento do ocorrido, disse ao pai do garoto: “Seu filho é de sorte!” “Por quê?”, perguntou o pai. “Ora”, disse ele, “seu filho queria um cavalo, passa uma cavalaria e ele ganha um potrinho. Não é uma sorte?”. “Pode ser sorte ou pode ser azar!”, comentou o pai.

O menino cuidou do cavalo com todo zelo, mas um dia, já crescido, o animal fugiu. Desta vez, o vizinho diz: “Seu filho é azarento, hein? Ele ganha um potrinho, cuida dele até a fase adulta, e o potro foge!”. “Pode ser sorte ou pode ser azar!”, repetiu o pai.

O tempo passa e um dia o cavalo volta com uma manada selvagem. O menino, agora um rapaz, consegue cercá-los e fica com todos eles. Observa o vizinho: “Seu filho é de sorte! Ganha um potrinho, cria, ele foge e volta com um bando de cavalos selvagens.” “Pode ser sorte ou pode ser azar!”, responde novamente o pai. Mais tarde, o rapaz estava treinando um dos cavalos, quando cai e quebra a perna. Vem o vizinho: “Seu filho é de azar! o cavalo foge, volta com uma manada selvagem, o garoto vai treinar um deles e quebra a perna”. “Pode ser sorte ou pode ser azar!”, insiste o pai.

Dias depois, o reino onde moravam declara guerra ao reino vizinho. Todos os jovens são convocados, menos o rapaz que estava com a perna quebrada. O vizinho: “Seu filho é de sorte…”

Voltemos aos prováveis resultados do segundo turno. Assim como na sinuca, estamos literalmente sem saída. Continuar com um governo que flerta com a inflação, gasta descontroladamente e insiste em colocar sua mão pesada e errática em diversos setores da economia ou trocar por uma promessa incerta, apoiada em bons nomes no cenário econômico, porém cuja história se assemelha a Sarney e Itamar, nas quais inabilidade política e falta de experiência trouxeram resultados no mínimo pífios?

Discordando da fábula, infelizmente não temos tempo para aguardar que o tempo diga se as ações tomadas pela próxima presidenta produzirão ou não bons resultados. Tampouco podemos utilizar a questão da consequência lógica: cuidar do meio ambiente é louvável e Marina é ambientalista, logo Marina é louvável. Em suma, estamos literalmente em uma sinuca de bico. O jeito é esperar que o cavalo azarão, colocado por sorte no segundo turno, traga bons resultados. Como já dizia o ditado: sorte ou azar, só o tempo dirá.

* Marcos Morita é mestre em administração de empresas e professor da FIA-USP e Universidade Mackenzie. Especialistas em estratégias empresariais, é palestrante e colunista. Há vinte anos atua como executivo em empresas multinacionais.

A carnificina começou. Para quem quer opinião isenta e que contribui para o debate político, veja alguns artigos e tire suas próprias conclusões:

Dilma zangada é garantia de bom desempenho em debates

Por Eduardo Guimarães

Se os marqueteiros encontrarem uma fórmula para que Dilma já chegue zangada aos debates e comícios, não vai ter para ninguém

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Pau que bate em Chico bate também em Francisco, Marina e Aécio

Por Davis Sena Filho

Marina Silva, a “Sonhática”, cujas palavras e pensamento ninguém compreende, tem de ser desmascarada, e, mais do que isto, desconstruída em suas peripécias e dubiedades

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Porque Dilma Rousseff vai ganhar a eleição para presidente

Por Lula Miranda

Dilma Rousseff merece ser reeleita. Porque é competente, dedicada, honesta, experiente, trabalhadora. Dilma é ficha limpa

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Marina é o ‘Collor de saias’

Por Roberto Lobato

Marina não tem um projeto onde ela é a líder, não tem sequer partido político, uma que o Brasil inteiro sabe que ela não é do PSB, apenas ESTÁ no PSB

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A política maquiada de Marina

Por Antonio Lassance

Parte dos eleitores de Marina precisa ser informada de que a pessoa em quem pretendem votar não existe mais. A Marina de hoje não é mais a mesma de tempos atrás

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O pensamento utópico insiste em um salvador: agora Marina

Por Jean Menezes de Aguiar

Utópicos agora inventaram Marina Silva, apelidada de ‘terceira via’, como se a vida tivesse apenas duas direções, ida e volta

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Desmistificando a candidatura da “terceira via”

Por Maria das Graças Costa

Não podemos permitir que candidatos que representam o retrocesso e o aumento da precarização do trabalho, como são Marina e Aécio, ganhem as eleições. Temos de deixar clara a hipocrisia do discurso de Marina

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O morto carregando o vivo

Por Michel Zaidan

O Recife transformou-se numa necrópolis, onde os vivos rendem homenagem aos mortos e invocam a sua presença permanentemente para garantir suas conquistas e vitórias

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Pobre menina rica

Por Caetano Lagrasta

A candidata Marina representa o anacrônico, o retrógrado, o repto ao socialismo mais moderado, enfim, ela representa os interesses contrários ao povo brasileiro

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Marina e o maior ponto de interrogação da história do Brasil

Por Marconi Moura de Lima

Outra interrogação que se alinhava à “nova” Marina é que tipo de governo ela conseguirá fazer com tantos antagônicos em sua equipe? Marina deseja governar com Neca Setúbal, dona do Banco Itaú, e com alguns ex-aliados seus do PT (Marina era do PT).

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Ariovaldo Caodaglio*

A votação direta e soberana para presidente da República e os demais cargos eletivos, uma conquista política e pacífica da população brasileira, é o momento maior da democracia. É a oportunidade de discutir os problemas e outorgar as soluções àqueles políticos que mais se comprometam com os anseios da sociedade. Por tudo isso, os debates, a propaganda eleitoral no rádio e TV, os comícios, cartazes, “santinhos” e todo material promocional permitido por lei são legítimos para a interação entre eleitores e candidatos.

Em meio à grande festa democrática das eleições brasileiras, contudo, partidos, candidatos, cabos eleitorais, militantes e todo o eleitorado precisam adotar uma atitude cívica quanto à limpeza das cidades. O ótimo ambiente que se tem verificado nas eleições, de ordem, paz e exercício consciente do direito e do dever do voto, ainda não avançou no tocante ao meio ambiente urbano. No pleito de 2012, por exemplo, quando elegemos prefeitos e vereadores, as cidades foram sujas por milhões de “santinhos”, bottons, cartazes e outros materiais de campanha largados nas ruas e praças, além de saquinhos de papel e plástico, restos de comida e resíduos de diversos tipos. Tudo muito incoerente com o espírito cívico que deve caracterizar uma eleição.

Se avançamos no plano político desde a redemocratização, agora é preciso esse cuidado especial com o meio urbano. Sujar as ruas contraria os discursos de todos os políticos. Alguns deles defendem de modo fervoroso o meio ambiente e o fazem constar de suas plataformas programáticas. E o eleitor acredita! Tanto assim que os partidos com propostas voltadas à melhoria do ambiente urbano, que promovem a qualidade da vida, saíram vitoriosos nas urnas em 2012. Segundo levantamento divulgado após as eleições municipais, algumas legendas que seguem essa linha dobraram o número de vereadores eleitos. Nomes conhecidos pela defesa da responsabilidade socioambiental obtiveram votações expressivas e figuraram na liderança dos votos.

Com certeza, a questão ambiental e o desenvolvimento urbano também serão temas muito presentes nas eleições gerais deste ano. É mais uma oportunidade de demonstrar coerência, estimulando os cabos eleitorais, a militância e os eleitores a não jogarem papel e resíduos nas ruas, utilizarem lixeiras e deixarem as cidades limpas. Espalhar nas calçadas e ruas milhões de “santinhos” e folhetos, em comícios e nos dias da votação, não interfere no resultado das eleições. Trata-se de imenso desperdício de papel e de um péssimo exemplo para as novas gerações.

Nos dias de votação na cidade de São Paulo, em 2012, as empresas responsáveis pela limpeza urbana tiveram de montar operação extraordinária, e o volume de resíduos sólidos retirado das ruas foi três vezes maior do que a média diária. Ou seja, o comportamento inadequado dos protagonistas das eleições — eleitores, candidatos, militantes e partidos — exigiu a mobilização de imenso contingente de trabalhadores agentes ambientais, turnos extras de trabalho ao planejado inicialmente e custos adicionais para o poder público.

Este ano, quando os brasileiros irão às urnas pela sétima vez, desde a redemocratização, para eleger o presidente da República pelo voto direto, já é hora de todos demonstrarem responsabilidade e civismo também quanto à limpeza de suas cidades. As eleições representam oportunidade de interferir na história, melhorar o país e solucionar problemas. Serão ainda melhores se todos contribuírem para que transcorram em cidades limpas.

*Ariovaldo Caodaglio, cientista social, biólogo, estatístico e pós-graduado em meio ambiente, é presidente do SELUR (Sindicato das Empresas de Limpeza Urbana no Estado de São Paulo).

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Por Ricardo Callado – Que a política interfere na vida das pessoas, é fato. No preço da carne, da gasolina, da cesta básica. Por mais que os nossos políticos nos deem exemplos não dignificantes, não podemos nos afastar da política. Isso não significa se filiar a um partido político. O eleitor não deve ser apolítico, nem político, e sim um cidadão que vota. Consciente que a sua decisão pode interferir na vida da sua cidade, do seu país.

Estamos a pouco mais de trinta dias para as eleições de 5 de outubro. Quanto mais se aproxima do dia de votação, mais se vê pessoas conversando sobre política. E isso é bom. Se respira democracia e cidadania.

Se conversa política no local de trabalho, nos bares, salões, nos ônibus, em casa com a família. E é importante que seja assim. Desta maneira, se constrói um país melhor. Com a conscientização política.

Sobre a disputa pelo governo do Distrito Federal, muitos assuntos podem ser discutidos. O caso do ex-governador José Roberto Arruda (PR), por exemplo. A conversa poderia começar sobre ele ser teimoso ou se tem razão em continuar recorrendo a justiça para ser candidato.

Arruda diz que não abre mão da disputa. Não concorda com a decisão que indeferiu a sua candidatura. E que a eleição serviria para limpar a sua honra. Sem entrar no mérito, Arruda é um misto de teimoso com franco atirador. Não tem nada a perder.

E o eleitor ainda o acha o melhor dos candidatos ao GDF. Pelo menos é o que dizem as pesquisas de intenção de voto. Cada paulada que Arruda leva na justiça, mas ele cresce e se distancia dos adversários.

A campanha do ex-governador está por um fio. O Supremo Tribunal Federal é o último suspiro. E Arruda inicia o julgamento perdendo de dois a um, se levar em conta uma possível repetição dos votos de Gilmar Mendes, Luiz Fux e Dias Tofolli. Os três participaram do julgamento no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A jurisprudência está a favor de Arruda. A opinião pública é contrária. Arruda não está conseguindo se descolar do “rouba mais faz”.

Na roda de conversa, se fala também do desempenho do governador Agnelo Queiroz (PT) em debates e entrevistas. A desenvoltura do petista melhorou muito. Fala melhor e consegue articular frases com sentido. Ainda é ruim. Mas era muito pior em 2010. O gestual desengonçado também melhorou. Está mais comedido. Não é mais aquele boneco de posto da eleição passada. Está hoje mais para um boneco de Olinda.

Rodrigo Rollemberg (PSB) precisa despertar. Em alguns debates ou até mesmo em conversa de roda no programa eleitoral, o candidato parece que está com preguiça. De falar, olhar e se expressar. Rollemberg precisa olhar mais fixamente, falar com firmeza e apontar (teoricamente) o dedo da cara do assunto que está sendo discutido. Cara de bom moço com preguiça não fazer dele governador. Um pouco de atitude faz toda a diferença.

Nas conversas sobre as eleições deste ano, uma pergunta sempre é repetida: Quem é Pitiman? Para a maioria da população, um mero desconhecido. É deputado de primeira viagem. Foi eleito em 2010 com muito dinheiro e os votos de Tadeu Filippelli. Trabalhou com Arruda e Agnelo, mas disputa a eleição contra os dois. Um pouco mais contra o governador, do que contar o ex.

Pitiman que ser a novidade. Mas para ser o novo, precisa ser conhecido. O programa dele no horário político é um dos melhores apresentados. Não vai virar governador nessas eleições porque tem gente na fila. E na política isso conta muito.

De Toninho do Psol se fala pouco. É aquele candidato que foi do PT e se desfiliou quando o partido teve o apagão ético no escândalo do mensalão. Juntou-se a outros petistas arrependidos e fundou o PSol.

Foi a grande surpresa de 2010, quando a Caixa de Pandora passou como um furacão pela política de Brasília. Toninho conseguiu o voto de protesto e teve 15% do eleitorado. Em 2014, vai tomar um choque de realidade. Não passa dos 5%.

Nos próximos trinta dias as conversas sobre política serão essenciais para definição do voto. E construir uma tendência que deve ser cristalizada em meados de setembro. Os candidatos irão atras da bala de prata para alvejar os adversários. E dá inicio a carnificina eleitoral.

Já o eleitor buscará uma administração que faça de nossa cidade um lugar melhor para se viver. Sem jogo baixo e sujo. Os políticos não entenderam que a população não aceita mais jogo sujo, mesmo que para isso tenha que transformar o culpado em vítima. E, se isso acontecer, a culpa não será do eleitor, e sim da qualidade dos discursos dos políticos.

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Por Julio Cesar Peres, presidente do Sinduscon-DF

Pesquisa realizada pela Booz & Company, por iniciativa da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (Cbic), da Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc) e do Movimento Brasil Competitivo (MBC), chegou a uma conclusão impressionante: a de que a burocracia pode aumentar em até 12% o custo do imóvel no Brasil.

Esse percentual representa, segundo a pesquisa, cerca de R$ 18 bilhões por ano, se considerarmos os financiamentos com recursos do FGTS e da caderneta de poupança, com base na média de unidades novas entregues anualmente. O custo absurdo onera toda a cadeia produtiva do setor e é pago pela sociedade brasileira.

A burocracia aumenta, também, o prazo de entrega da casa própria. No caso dos imóveis financiados pelo FGTS, que levam até cinco anos para serem entregues, estima-se que pelo menos dois anos são tomados por dificuldades nos trâmites. São atrasos na aprovação dos projetos pelos governos, falta de padronização dos cartórios e falta de clareza na avaliação de licenças ambientais.

Como resultado do estudo, o setor da construção propõe a redução dos custos burocráticos por meio de melhores práticas de análise e aprovação de projetos imobiliários — entre elas, a informatização dos processos, a antecipação dos financiamentos e a padronização das legislações federais, estaduais e municipais. Tais medidas reduziriam pela metade, de 60 para 32 meses, o prazo médio de entrega dos imóveis ao consumidor.

A demora na aprovação de projetos e na retirada de habite-se é fator de preocupação, também, para os empresários da Construção Civil do DF. Levantamento da Associação de Empresas do Mercado Imobiliário (Ademi-DF) mostra que existem hoje, sob análise do GDF e das administrações regionais, cerca de 190 projetos de obras, num total de 4 milhões de metros quadrados de áreas a serem construídas. Quando saírem do papel, esses projetos podem gerar cerca de R$ 2,3 bilhões em impostos, além de 50 mil empregos diretos e 200 mil indiretos.

São situações que nos levam a um estado de dúvida e letargia. Vale a pena investir em projetos imobiliários de porte, sem a certeza de poder entregá-los, dentro de um prazo predeterminado, ao consumidor final? Parece justo arcar com multas contratuais por atrasos que não foram causados pelo construtor ou incorporador?

Por tudo isso, o tema burocracia tem sido colocado, de forma recorrente, em nossos encontros com o governador Agnelo Queiroz e seus principais assessores. Sensível às reivindicações do setor, o governador criou a Diretoria de Análise e Aprovação de Projetos (Diaap), órgão ligado à Casa Civil do GDF, que já contribui para minimizar o problema.

Em seminário que realizamos no auditório do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Distrito Federal (Sinduscon-DF), com o apoio da Associação de Empresas do Mercado Imobiliário do Distrito Federal (Ademi-DF), da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (Cbic) e do Correio Braziliense, tivemos a oportunidade de discutir mais a fundo “o custo da burocracia no imóvel”. Na oportunidade, surgiram propostas para que o modelo da Diaap, hoje reforçada pelo trabalho da Força-Tarefa para Análise de Projetos de Edificação (Ftape), seja aperfeiçoado.

Mas o ideal seria fortalecer os quadros técnicos das administrações regionais com profissionais qualificados e bem remunerados, em condições de decidir, com rapidez e eficiência, sobre os projetos de construção e habite-se em cada cidade do DF. Esse reforço é necessário para que possamos empreender com mais segurança. Precisamos voltar à Brasília de anos atrás, em que os empresários da Construção Civil conseguiam comprar o terreno, construir o imóvel e comercializá-lo em 24 meses.

Sabemos que ainda há muito que fazer para que possamos chegar a esse modelo, mas devemos fixar uma meta e procurar atingi-la. Outras capitais já realizam experiências pontuais de desburocratização na análise de projetos imobiliários. Caso do Rio de Janeiro, por exemplo, para acelerar as obras de preparação para a Copa do Mundo e as Olimpíadas; e de Curitiba, que já aprova projetos em apenas dois meses, segundo os parâmetros de construção.

Aqui no DF, devemos levar em conta que a Diretoria de Análise e Aprovação de Projeto (Diaap) tem caráter provisório, ou seja, veio para atender a uma situação de emergência, e suas atividades se encerram em 31 de dezembro. A partir de janeiro de 2015, e até que o governo eleito tenha tempo para reestruturar os quadros técnicos das administrações regionais, sugerimos que a aprovação dos projetos de construção se concentre na Coordenadoria das Cidades, órgão ligado à Secretaria de Estado da Casa Civil. (Artigo publicado no Correio Braziliense desta segunda-feira, 18 de agosto)