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Por Ricardo Callado

Natal chegando, o momento de refletir. De análise dos acontecimentos e comportamentos. 2014 foi um ano muito difícil para o brasiliense. A cidade vive o caos administrativo. O apagão de gestão trouxe prejuízos a cidade. Governo ineficiente. Empresas quebradas, trabalhadores sem salários.

Se existisse uma lista de Natal para os nossos políticos, poderia arriscar alguns palpites. O governador Agnelo Queiroz (PT), por exemplo, poderia pedir um bom cargo no segundo governo da presidente Dilma Rousseff, companheira de partido. Toparia voltar a Anvisa. Mas não deve ser presenteado. Não foi um bom menino. Seu comportamento foi reprovado.

Agnelo gostaria que a cidade esquecesse o seu governo. Ou que o perdoasse pelos erros cometidos. Natal é época de perdoar, apagar mágoas, mas ai passar uma borracha é demais. O desgoverno atingiu muitas famílias. Causou tragédias pessoais. E quebrou Brasília.

Uma passagem só de ida para Buenos Aires está de bom tamanho para Agnelo. A capital argentina é o refúgio preferido do governador. Sempre que pode, foge para lá. No seu governo foi criada até uma rota aérea direta, sem escalas ou conexões. O caminho do exílio é voo 2269, da Aerolineas Argentinas, que sai às 2h55 do Aeroporto JK e chega na capital dos hermanos às 5h45.

O governador eleito Rodrigo Rollemberg (PSB) fez o dever de casa. Ganhou de presente o Palácio do Buriti. E retribuiu libertando a cidade do governo Agnelo. Como todo bônus tem seu ônus, Rodrigo vai ter que ralar muito para consertar os erros do atual governador.

A vida de Rodrigo não será fácil no início de 2015. Vai precisar apoio da sociedade e da opinião pública. O desafio de botar as contas em dia e a casa em ordem será enorme. Com foco e seriedade, se consegue vencer a crise. Não precisa inventar. Basta fazer o feijão com arroz.

A sociedade deve dar um prazo de seis meses para o novo governo resolver os problemas mais imediatos. Esse período é como um voto de confiança da população. Rodrigo não tem muita opção: é acertar ou acertar.

A transparência é fundamental para o planejamento ser alcançado. Divulgar cada decisão é trazer a sociedade para o lado do governo. A população vai se sentir integrante das mudanças. E co-responsável. As rodas de conversas foram uma das grandes sacadas da campanha. E que precisam continuar e se aperfeiçoar.

O Distrito Federal tem características diferentes de outras unidades da Federação. O governador é também um prefeito. Precisa ir às ruas. Ver e sentir o que acontece no dia a dia da cidade. Falar com o povo e assim definir prioridades. Um governo que não sai dos gabinetes dá um passo para o erro. Se escolher a sociedade como aliada, Rodrigo estará no caminho certo.

Sanear as finanças do Buriti é o desafio inicial. Enxugar a máquina, conter e priorizar gastos e reestruturar o governo fazem parte dessa missão. Ao mesmo tempo, planejar. Quando não se planeja, o risco de desperdício e de ineficiência costuma ser bem maior.

De mãos dadas com a população, o novo governador pode iniciar um novo ciclo na política brasiliense, virando a página de administrações marcadas por escândalos e ineficiência. Agnelo foi um administrador tão ruim que Rodrigo não precisa fazer muito. O que fizer, será aplaudido. E terá o povo ao seu lado.

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