(Foto: Isabella Formiga/G1)

(Foto: Isabella Formiga/G1)

Instituições estão fechadas há 16 dias; dívida é de R$ 14,5 milhões, dizem. Governo afirma que situação será regularizada ainda nesta semana

Do G1 DF – Funcionários de creches conveniadas ao governo fecharam na manhã desta quinta-feira (18) as seis faixas do Eixo Monumental em frente ao Palácio do Buriti, sede do governo do Distrito Federal, para protestar contra os atrasos nos pagamentos dos últimos três meses. De acordo com o Conselho das Entidaes de Promoção e Assistência Social, 29 creches estão sem receber do GDF e a dívida chega a R$ 14,5 milhões. O secretário de Administração, Wilmar Lacerda, disse que a situação seria regularizada nesta semana. As unidades estão fechadas há 16 dias.

A Polícia Militar afirmou que há cerca de 150 pessoas no local. A Secretaria de Educação disse que que os repasses às creches públicas e conveniadas haviam sido iniciados no dia 10, mas o presidente do conselho, Ciro Silvano, afirmou ao G1 na última segunda (16) que nada foi depositado.

Durante o ato, os funcionários usaram faixas e cartazes e cantaram uma paródia do hit “Lepo Lepo”. “Não tenho teto, e se trabalho não é só porque gosto. Eu quero, quero, quero, quero, quero, quero, quero meu salário”, entoavam.

Mães com crianças no colo também estavam no local. Policiais formaram um cordão de isolamento em frente ao palácio. O chefe da segurança do Buriti pediu a manifestantes que deixassem a pista como condição para o GDF receber uma comissão de trabalhadores para negociar. Os funcionários, no entanto, se mantiveram irredutíveis.

Por volta de 9h42, funcionárias da creche Cantinho do Girassol decidiram se sentar no chão. O trânsito era desviado para o Parque da Cidade, na altura do Tribunal de Contas.

Professora da creche São Lucas, Cleuza Maria de Oliveira disse que o estabelecimento de Ceilândia Sul está em greve há mais de uma semana. “Ja passamos três meses sem salário.  Pagar as contas, não paga. Como é que você vai planejar Natal, Ano Novo? Como paga aluguel? Cartão de crédito está atrasado. Como é que vai fazer? Fica difícil. E as crianças,  que nem temos mais como receber? Não tem mantimento, não tem nada. É uma falta de consideração com as pessoas de baixa renda. Você trabalha, é salário digno de receber.”

De acordo com Silvano, a organização não foi procurada pelo governo, e as instituições só vão reabrir depois que o pagamento for feito. “Não recebemos nenhum contato da Secretaria de Educação. Ontem visitamos o gabinete dos deputados distritais atrás de apoio, para ver o que eles poderiam fazer para nos ajudar”, disse.

O secretário de Administração, Wilmar Lacerda, afirmou nesta segunda-feira que o DF tem 45 creches conveniadas e 28 próprias. Ele afirma que apenas quatro não estariam funcionando por causa da falta de repasses. “A Secretaria de Educação vai colocar os pagamentos em dia nesta semana”, declarou .

PARALISAÇÃO

Na primeira semana de paralisação, o número de creches com os serviços suspensos chegou a 23. O presidente do conselho disse que não é a primeira vez que os atrasos ocorrem, mas a situação se agravou porque o GDF conveniou 28 creches a mais nos últimos anos. “Como essas entidades são desconhecidas pela comunidade, a situação está mais grave do que ficava antes, porque não recebem doações”, afirma.

“As creches têm arcado com os custos com recursos próprios. São três, quatro meses sem receber, de maneira que o primeiro mês se paga com sacríficio, assim como o segundo, mas depois chega a um ponto em que não tem mais dinheiro”, afirma. “E agora tem o 13º salário, cuja primeira parcela já venceu. É um salário a mais, e a despesa continua.”

Na semana passada, Silvano afirmou que muitas creches acreditaram na promessa do GDF de que os repasses seriam feitos e voltaram ao serviço, mas que a Subsecretaria de Planejamento e Avaliação informou que a pasta não tem recursos.

CRISE ADMINISTRATIVA

O GDF alega que teve uma arrecadação menor do que a esperada e que isso se refletiu no pagamento de servidores e manutenção de serviços. O Executivo afirma que vai fechar as contas e entregar o governo sem dívidas ao próximo gestor. Mas, em análise de finanças divulgada no sábado (13), Rodrigo Rollemberg (PSB) prevê outro cenário, com rombo de R$ 3,8 bilhões.

As dificuldades afetam várias áreas. Na saúde, o governo decidiu remanejar R$ 84 milhões de convênios com o governo federal – incluindo o fomento a programas de combate e prevenção a doenças como dengue e Aids, que apresentaram indicadores ruins neste ano – para pagar dívidas com fornecedores e reabastecer a rede pública da capital do país com medicamentos e materiais hospitalares. Um levantamento feito por técnicos estima que o rombo da pasta seja de R$ 150 milhões.

A crise também afetou os serviços de manutenção de gramados, plantio e limpeza de canteiros ornamentais, além da poda de árvores, que foram suspensos por falta de verba. Quatro empresas – Coopercam, EBF, Tria e FCB – eram responsáveis pela atividade, com aproximadamente 500 trabalhadores. Elas também eram responsáveis por fornecer equipamentos e transporte dos funcionários.

A Novacap já havia anunciado a suspensão da segunda fase do “Asfalto Novo”, programa de recapeamento em vias urbanas do Distrito Federal. O motivo apontado também foi falta de dinheiro. A companhia afirmou na ocasião que ainda restavam 2 mil quilômetros de pistas a receberem obras.

O problema também afetou o transporte público. Motoristas e cobradores de quatro das cinco empresas de ônibus cruzaram os braços por três por não receberem o 13º salário e outros benefícios. O DFTrans repassou R$ 35 milhões para as viações, para garantir a retomada dos serviços. No período, 700 mil pessoas foram prejudicadas.

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