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Por Ricardo Callado

Melancólico é a palavra que melhor define o atual momento do Distrito Federal. O brasiliense vive o caos nos últimos dias. O governo perdeu o controle, apagou. O apagar das luzes do governo de Agnelo Queiroz (PT) é o mais caótico do País. A semana que passou é para ser esquecida.

Agnelo atrasou pagamentos, em pleno mês de Natal, de garis, professores, motoristas de ônibus, médicos, enfermeiros, de creches e de empresas fornecedoras do Distrito Federal. O brasiliense vive dias infernais no trânsito com o Eixo Monumental sendo fechado todos os dias por protestos contra falta de salários.

O GDF afirma que vai fechar as contas e entregar o governo sem dívidas ao governador eleito Rodrigo Rollemberg (PSB). Após a eleição, Rollemberg havia dito que o déficit era de R$ 2,1 bilhões.

Na manhã deste sábado (13), o novo governo vai apresentar o diagnóstico e o mapa de riscos do Distrito Federal levantados pela equipe de transição. Se a situação está ruim, o apurado até agora é pior ainda. O próprio governador eleito vai apresentar os números a imprensa.

O caos foi provocado por má gestão, reajustes acima da média ao funcionalismo público e um calote que o GDF levou do governo federal. Este último caso Agnelo não pode tornar público. Não pode desagradar o PT nem a presidente Dilma Rousseff.

As contas do Planalto também não vão bem. E vários estados estão sem receber contrapartidas de contratos e repasse de recursos que eram esperados. E Agnelo espera um cargo no governo federal em 2015. Tenta retornar para a Agência de Vigilância Sanitária (Anvisa), onde teve uma passagem polêmica.

Agnelo vem se rebolando para apagar incêndios. Na saúde, remanejou R$ 84 milhões para programas de combate e prevenção a doenças como dengue e Aids, para pagar dívidas com fornecedores e reabastecer a rede pública com medicamentos e materiais hospitalares. Um levantamento feito por técnicos estima que o rombo da pasta seja de R$ 150 milhões.

Nos hospitais, 850 médicos residentes cruzaram os braços contra a interrupção do fornecimento de refeições e o não pagamento das bolsas. A paralisação começou na quarta (10). Outros profissionais de residência, como estudantes de enfermagem, também estão na mesma situação.

Terceirizados que prestam serviços para o GDF fizeram dois dias seguidos de protestos no Eixo Monumental pelo atraso no pagamento dos salários. A categoria afirma que só recebeu 50% dos vales refeição e transporte e 13º salário.

Na terça-feira (09), foi a vez dos servidores da Saúde e Educação fecharam a o Eixo Monumental em frente ao Buriti por causa de atraso nos salários.

Na educação, creches conveniadas com o governo estão há duas semanas paradas por falta de dinheiro. As instituições não recebem os repasses do DF há três meses e até pouco tempo estavam arcando com os custos para manter as creches em funcionamento com recursos próprios.

O Palácio do Buriti não dá muitas explicações. Diz que o atraso ocorre por motivos pontuais e que está adequando o fluxo de caixa para arcar com os compromissos assumidos.

O transporte público é um caos. Em 2014, foram 18 greves no setor. Motoristas e cobradores de quatro das cinco empresas de ônibus cruzaram os braços entre sexta (05) e terça-feira (09) por não receberem o 13º salário e outros benefícios. O DFTrans repassou R$ 35 milhões para garantir a retomada dos serviços. Quatro cooperativas que rodam em seis cidades decidiram manter a greve.

Os serviços de manutenção de gramados, plantio e limpeza de canteiros entraram na lista de problemas. Além da poda de árvores, que foram suspensos por falta de verba por um mês. Quatro empresas – Coopercam, EBF, Tria e FCB – eram responsáveis pela atividade, com 500 trabalhadores. Elas também fornecem equipamentos e transporte dos funcionários.

Na Novacap, foi suspenso a segunda fase do Asfalto Novo, programa de recapeamento em vias urbanas do Distrito Federal. O motivo apontado também foi falta de dinheiro.

Esse cenário de descaso nos mais variados setores é novidade para os brasilienses. A cidade não está acostumada com tanto caos. É uma semana a ser esquecida. E fica a torcida para que o governador Agnelo consiga resolver ou amenizar os problemas até 31 de dezembro.

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