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Entre ativos, servidores dizem não ter recebido pagamento também. GDF diz que aposentados vão receber até o fim desta quarta (10).

Do G1 DF – O governo do Distrito Federal (GDF) e o Sindicato dos Empregados da Saúde (SindSaúde) confirmaram que o pagamento em atraso de servidores ativos da saúde foram depositados nas contas dos funcionários, na manhã desta quarta-feira (10). No entanto, segundo o GDF e o SindSaúde, os salários de cerca de 10 mil servidores aposentados e de funcionários de empresas terceirizadas da área ainda não foram transferidos.

Servidores públicos do DF fizeram uma manifestação de oito horas na área central de Brasília, na tarde desta terça (9), por causa dos salários em atraso desde a última sexta (5). Uma servidora ativa que afirma ser concursada da Secretaria de Saúde diz, no entanto, que ainda não recebeu o salário atrasado. A técnica de enfermagem Patrícia Cristina Cardoso afirmou ao G1 que o pagamento dela não caiu.

“Eu vou 11h no banco, na hora que abrir, pra ver se o problema foi o GDF ou o banco, todo mundo daqui no meu serviço recebeu, só o meu que não caiu”, afirmou.

Servidores da Secretaria de Saúde informam que vão se manifestar às 10h desta manhã na frente do prédio da pasta. São servidores da fisioterapia, enfermeiros, médicos e nutricionistas que alegam não terem recebido os salários.

APOSENTADOS

O diretor do Sindicato dos Auxiliares e Técnicos em Enfermagem do Distrito Federal (Sindate), Jorge Viana, afirmou que a maior parte dos trabalhadores confirmou o recebimento dos salários, com exceção dos aposentados.

“O que está deixando o sindicato desconfortável é porque o salário dos aposentados não foi depositado. Isso é uma covardia”, afirma. “Eles fizeram essa manobra para acalmar quem está trabalhando, que é o que mais importa para eles.”

Viana afirmou que a paralisação da categoria foi suspensa, mas que se os salários devidos não forem depositados em 24 horas,  vão convocar nova assembleia para definir se haverá nova greve.

A aposentada Conceição Valor Rey é pensionista por causa do ex-marido, que era médico da Secretaria de Saúde. Ela afirma que o banco em que recebe a pensão está cobrando juros em cima dos pagamentos de cheques pré-datados e de débito em conta que caem.

“São 45 reais de taxa por cada cobertura que cai na conta. A gente que vai arcar com isso também? Essa noite entrou um cheque, por exemplo, como não entrou o dinheiro, o BRB cobriu, mas tem 45 reais de juros mais impostos cobrados [...] Eu corri para cobrir o cheque, quem coloca conta em débito tá entrando nessa. Eu estou aqui subindo pelas paredes”, disse.

O secretário de Administração Pública, Wilmar Lacerda, afirmou que os salários dos aposentados da área da Saúde devem ser depositados até esta quarta (10) à noite. Quanto aos juros que estão sendo cobrados, o governo informou que vai procurar o Banco de Brasília (BRB) para que não haja esses descontos.

A presidente do SindSaúde, Marli Rodrigues, disse nesta terça (9) que a greve pode continuar caso o governo não cumpra o pagamento dos aposentados e despesas em atraso, como horas extras e férias. “O fato de o GDF pagar nosso salário não encerra as negociações. Talvez a gente até volte ao trabalho, mas o movimento paredista pode voltar a qualquer momento”, declarou.

Para Marli, o não pagamento aos aposentados da categoria “não pode ser uma constante do governo”. “Não vamos aceitar de forma alguma esse tipo de prática porque está discriminando quem não tem condições de reagir”, disse.

TERCEIRIZADOS

O GDF também confirmou que funcionários terceirizados da saúde ainda não receberam os salários. Alguns funcionários começaram a se aglomerar na porta do Palácio do Buriti nesta manhã, por volta das 7h30, para reivindicar o recebimento.

Segundo o secretário Lacerda, as empresas deveriam ter repassado o que devem. Ele admitiu que algumas têm dívidas há três meses.

“As empresas contratadas são obrigadas a pagar o salário dos terceirrizados . Elas tem que ter dinheiro em caixa para pagar em até 3 meses os salários desss servidores terceirizados. É verdade que algumas empresas já alcançaram três meses de atraso [...] cada caso nós vamos negociar”, afirmou.

SANOLI

O secretário de Administração Pública, Wilmar Lacerda, também disse que o dinheiro em atraso ainda não foi repassado à Sanoli – empresa responsável pelo fornecimento de alimentação a funcionários e acompanhantes de pacientes da rede pública. A Sanoli paralisou os serviços na última sexta-feira (5) alegando não ter recebido o pagamento do mês de outubro. É a segunda vez que a entidade faz isso nos últimos dois meses. Segundo o governo, o pagamento será realizado até sexta-feira.

“Nós estamos fazendo remanejamentos para que a Secretaria de Saúde tenha os recursos necessários para fazer o pagamento da Sanoli dia 12 deste mês e que não falte alimento na mesa daqueles que necessitam da saúde no Distrito Federal”, afirmou Lacerda.

DIFICULDADES FINANCEIRAS

O governo do Distrito Federal alega que teve uma arrecadação menor do que a esperada e que isso se refletiu no pagamento de servidores e manutenção de serviços. O Executivo afirma que vai fechar as contas e entregar o governo sem dívidas ao próximo gestor, Rodrigo Rollemberg. No primeiro discurso após a eleição, ele havia dito que o rombo era de R$ 2,1 bilhões.

Na saúde, o governo decidiu remanejar R$ 84 milhões de convênios com o governo federal – incluindo o fomento a programas de combate e prevenção a doenças como dengue e Aids, que apresentaram indicadores ruins neste ano – para pagar dívidas com fornecedores e reabastecer a rede pública da capital do país com medicamentos e materiais hospitalares. Um levantamento feito por técnicos estima que o rombo da pasta seja de R$ 150 milhões.

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