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Por Ricardo Callado - O sopro de renovação na política brasiliense deve passar pela Câmara Legislativa. A sociedade não aceita mais a Casa envolvida em irregularidades. Nas últimas legislaturas foram vários os casos de deputados cassados por envolvimento em malfeitos. Esse termo foi inventado pelos políticos para se referir a coisas piores, como corrupção.

O maior erro que o deputado pode cometer é transformar o seu mandato em um balcão de negócios. Ter cargos e indicar pessoas é republicano e legítimo. Usar essas indicações para favorecimento pessoal é crime.

A Caixa de Pandora é um exemplo de como não se deve usar o mandato. Também o uso de emendas parlamentares de forma errada, visando lucro, deixou muitos distritais em situações de risco. Alguns perderam o mandato e foram expulsos da vida pública.

O Legislativo é um poder essencial para a democracia, junto com o Executivo e Judiciário. A divisão funcional e orgânica dos poderes cria um sistema de freios e contrapesos, que evita a predominância de um poder sobre o outro, efetivando os direitos e garantias fundamentais.

Não devemos condenar a Câmara Legislativa. A instituição deve ser preservada e respeitada. São alguns deputados que abusam e se lambuzam com aquilo que é público, que é do povo. No dia primeiro de janeiro vai estrear mais uma legislatura. E será eleita a nova Mesa Diretora.

Para que a Câmara deixe de ter uma imagem negativa é preciso a correta atuação individual de cada um dos parlamentares. E também da direção da Casa. Um presidente comprometido com a missão do Legislativo é um passo grande para recuperar o sentimento positivo da opinião pública.

Alguns deputados costuram apoios nos bastidores para chegar a Presidência da Casa. Temos entre eles, um procurador de Justiça do Ministério Público (Chico Leite), uma administradora de empresas (Celina Leão), um engenheiro florestal (Joe Valle), um economista (Agaciel Maia) e um delegado de polícia (Dr. Michel).

A profissão de origem não importa. São todos representantes do povo. É preciso ter bom senso e zelo com a coisa pública. Honestidade não é requisito, é obrigação. Ninguém é eleito para vender apoio ou meter a mão do dinheiro do povo. São escolhidos para representar a sociedade.

Independente de quem ganhe, a mudança de postura deve se confirmar, principalmente na relação  ao novo governo. O governador eleito Rodrigo Rollemberg (PSB) deixou claro que não vai aceitar o balcão de negócios. É preciso virar essa página.

Como governador, Rodrigo terá papel fundamental na escolha do próximo presidente da Câmara. A base de poio está em formação e dela deve sair o nome que vai comandar as Casa pelos próximos dois anos.

Claro que alguns deputados não irão perder as práticas antigas de uma hora para outra. Será um processo lento, até que se entenda o novo momento da política. Os deputados podem se ver desnudos em práticas de malfeitos. A sociedade não aceita mais isso. Se o governador eleito colocar em prática a transparência prometida durante a campanha, terá a opinião pública a seu favor. A boa comunicação com a sociedade é imprescindível.

A Câmara Legislativa é fundamental para essa nova fase. E pode dar a maior contribuição para que prevaleça a ética na política de Brasília. Do contrário, serão mais quatro anos com o mais do mesmo.

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