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Por Ricardo Callado

Muitos podem achar precipitado falar das eleições de 2018. Elas não estão nas ruas, é claro, e nem poderiam. Nem existem candidatos. Entretanto, estão nas manchetes dos jornais. E o maior responsável por isso é o governador Agnelo Queiroz (PT) e sua equipe econômica. E o maior prejudicado nas próximas eleições será o PT.

O atual governo produz diariamente notícias negativas. E que serão usadas nas próximas eleições. Os constantes atrasos nos pagamentos de empresas terceirizadas e fornecedores, se estende ainda as mais diferentes áreas, que vão da cultura, passando pela publicidade e estourando nos transportes. O caos mostra uma ineficiência no controle das contas do governo.

Quando uma greve no transporte público é deflagrada, deixando milhares de trabalhadores sem condições de ir ao trabalho, gera notícias negativas para o governo. Além da memória da população, as manchetes dos jornais e as reportagens nas TVs e em outros veículos como rádios, sites e blogs serão usadas na campanha eleitoral de 2018

Será fácil a abordagem. Basta um candidato petista ser oficializado na disputa do Palácio do Buriti que será lembrado como foi e como o PT entregou o GDF em 2014. O partido pode ter um desempenho pior do que teve em 2006. Nesse ano a candidata Arlete Sampaio ficou na terceira colocação, atrás do ex governador Arruda (à época no DEM) e da ex governadora Maria de Lourdes Abadia (PSDB). Ou pior que nas eleições deste ano, quando sequer foi ao segundo turno.

A diferença entre 2006 e 2014 é que neste último ano teve o comando do governo. E quem possui a máquina sempre sai à frente dos adversários, a não ser que o governo seja reconhecido pelo eleitor como um desastre. E foi o que aconteceu com Agnelo.

O governador precisa de uma operação de redução de danos ou enterra o PT de vez no Distrito Federal. Agnelo já bateu nas portas da presidente Dilma Rousseff (PT) pedindo ajuda. Busca para que o governo federal pague o que deve ao GDF, a contrapartida de obras, como as do PAC da Mobilidade.

Também procurou o Tesouro Nacional para pedir um repasse de R$ 625 milhões que ajudariam a quitar as dívidas até o final do ano. O montante se refere a verbas previdenciárias cujos repasses já estavam previstos no orçamento deste ano.

Por último, Agnelo enviou na terça feira (18) à Câmara Legislativa um projeto de lei para colocar à venda títulos da dívida ativa local. O texto permite ao governo receber cerca de R$ 2 bilhões até o fim do ano para o pagamento de fornecedores e servidores.

Se o governador enviou à Câmara um pedido de autorização para captar esse valor com a venda dos títulos, é porque as primeiras tentativas com o Palácio do Planalto e o Tesouro Nacional não tiveram sucesso.

O governador eleito Rodrigo Rollemberg (PSB) classificou como “flagrantemente ilegal” o projeto de lei enviado por Agnelo. Para ele, fere a Lei de Responsabilidade Fiscal, porque é uma operação de crédito. Portanto, não poderia ser feito nos últimos meses de governo. Isso demonstra o desequilíbrio financeiro do GDF.

Se a situação hoje não é nada boa para Agnelo, daqui a quatro anos o preço será pago pelo PT. Se o governo federal virar as costas para o governador, estará levando o partido no DF ao limbo político.

Falta dinheiro para tudo. Da alimentação de enfermeiros e acompanhantes de pacientes em hospitais públicos até os salários das merendeiras das escolas. Além da sequência de greves no transporte coletivo. São fatos que não deixarão de ser lembrados daqui a quatro anos. Literalmente, o governo perdeu o controle do caixa.

Resumindo, hoje o maior adversário do PT em 2018 é o PT de 2014.

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