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Por Ricardo Callado

Não existe governo derrotado que queira facilitar a vida de seu sucessor. Quem perde uma eleição se preocupa mais em esconder os esqueletos no armário do que liberar as informações para a nova equipe. Quanto mais se esconde, é porque mais rolos existem.

Sem transparência nas informações a transição fica prejudicada. E configura-se a continuidade do erro. Esconde-se hoje o que mais na frente será descoberto. É simples assim. E o desgaste pode ser até maior para quem cometeu malfeitos ou erros administrativos.

A equipe do governador eleito Rodrigo Rollemberg (PSB) conta com o bom senso do atual governo para que o trabalho de transição ocorra de acordo com o combinado. Não pode ser apenas de fachada para inglês vê. A cooperação deve ser mútua. De quem solicita as informações e de quem as repassa. O diálogo entre as duas partes deve se pautar pela liberdade democrática.

Nos bastidores, parece que não é isso que acontece. Existiria ordens vindas do governador Agnelo Queiroz (PT) para dificultar a transmissão de informações. A intenção seria dificultar o máximo o trabalho do novo governo.

Espera-se que isso não seja verdade. Que não passe de intrigas para prejudicar ainda mais Agnelo, que vem se mostrando um republicano na condução da transição. Agnelo se colocou a disposição de Rollemberg e decidiu ele mesmo ser o chefe da equipe.

Agnelo não deve fazer política com o fígado. Deve agir com a razão. Até porque uma ação desastrada pode prejudicar os planos do PT nas eleições de 2018. Na próxima campanha, alguém do PT será candidato ao Palácio do Buriti. A herança de Agnelo vai prejudicar o seu próprio partido. O governador tem menos de dois meses para reduzir os danos eleitorais em 2018.

Por enquanto, o cenário é muito ruim. Falta dinheiro para tudo. De alimentação para hospitais, aos terceirizados da limpeza de órgãos públicos, até o repasse a empresas de transporte coletivo. Resultado: greves de ônibus, paralisações de setores do serviço público, protestos e reclamações, muitas reclamações.

A grande pergunta que a população se faz é onde foi parar o dinheiro do governo. O GDF sempre teve as finanças saneadas, mesmos durante escândalos como a Caixa de Pandora. As pistas do rombo financeiro são o custo bilionário do Estádio Mané Garrincha, o inchaço da máquina pública e reajustes acima da média para algumas categorias do funcionalismo público.

Essa herança não preocupa apenas o governador eleito Rodrigo Rollemberg. Petistas graduados temem o futuro do partido. E se proceder a informação de que a ordem durante a transição é esconder informações, o que pode vir pela frente deve enterrar ainda mais as pretensões do PT de voltar ao Palácio do Buriti nas próximas eleições. O desespero bate a porta. O atual governo não deve deixar o fracasso subir a cabeça.

Para Rollemberg, será preciso dar transparência as contas do governo e mostrar claramente como recebeu o GDF. O novo governador pode transformar a crise em oportunidade. Ao pegar uma máquina pública com dificuldades, qualquer ato que fizer será aplaudido. Não precisa de muito, basta errar pouco e fazer o feijão com arroz. E não cair nas armadilhas que serão jogadas pelos adversários.

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