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Por Ricardo Callado

A vitória do governador eleito Rodrigo Rollemberg (PSB) representa um novo ciclo na política brasiliense. É a chegada ao poder de uma geração de políticos que viu Brasília ser dominada durante décadas por dois grupos políticos, que se alternavam no poder. É a chamada Geração Brasília, que tem em Rodrigo o seu maior expoente.

Alguns políticos e partidos tradicionais do DF, como os ex-governadores Joaquim Roriz (PRTB) e José Roberto Arruda (PR), o vice-governador Tadeu Filippelli (PMDB, o ex-senador Luiz Estevão (PRTB), o senador Gim Argello, o PMDB e o PT, dão lugar a novas lideranças.

Rodrigo terá a missão de conduzir esse processo e fazer a transição para uma nova forma de fazer política. Dos antigos, só sobrou o ex-governador e atual senador Cristóvam Buarque, aliado do governado eleito, e que aplaude o novo momento da política do DF.

O governador derrotado no 1º turno das eleições no Distrito Federal, Agnelo Queiroz (PT), resolveu radicalizar. Entre as medidas pós-derrota, proibiu novos gastos com pessoal, cortou horas-extras, férias, antecipações de gratificações de servidores, além de gastos com viagens, treinamento. Também extinguiu secretarias e muitos cargos. Medidas austeras, que vieram tarde.

Comenta-se que o petista pode dar calote nos fornecedores. Agnelo nega e diz que isso é intriga política dos adversários. Promete entregar o governo com os compromissos honrados. As contas pagas. Poucos acreditam nisso. O que se discute é qual será o tamanho do rombo que o próximo governo vai herdar.

Os números da dívida são conflitantes. Vão de R$ 1,3 bilhão até 2,3 bilhões. Agnelo terá dois meses para pagar essa conta. Ou, pelo menos, deixá-la menor. Isso pode dificultar ou não a vida do PT no futuro.

Esse quadro caótico acontece depois que Agnelo e sua turma arrombaram o cofre para construir o estádio mais caro da Copa do Mundo. O legado que Agnelo vai deixar é fazer com que o PT demore décadas para voltar a governar o Distrito Federal.

A sobrevivência política do PT depende que Agnelo não deixe o governo com o carimbo de apagão de gestão. Honrar os compromissos e deixar a casa em ordem, com as dívidas pagas é o mínimo que o governador pode fazer. E reduziria os danos futuros do PT.

Uma candidatura petista ao Palácio do Buriti em 2018 enfrentará no debate político a herança de Agnelo. Por isso, o PT busca o bom senso e pressiona o governador para entregar o governo o mínimo pior possível.

A herança, maldita ou não – vai cair no colo de Rodrigo. Com uma aliança pequena e bem resolvida, o novo governador pode ter tranquilidade para arrumar a casa. O apoio na Câmara Legislativa será importante, principalmente da forma que for construída a maioria.

Roriz e Arruda pecaram por montar um balcão de negócios no Legislativo. Agnelo por se utilizar do mesmo balcão, mas deixando acordos pelo caminho. Prometeu demais para os deputados e ainda deixou muitos insatisfeitos. Os dois casos sucumbiram ao fracasso. No primeiro, culminou com a Caixa de Pandora. O segundo sai com a maior rejeição que um governado do DF já conseguiu.

A palavra de ordem do novo governo é transparência. Colocar holofotes não só nos gastos públicos, mas também em acordos políticos. Isso fará que Rodrigo consiga ser um governador sem precisar do toma-lá-dá-cá.

Parte do próprio PT deve apoiá-lo. Uma espécie de aliança branca. Outra parte, fará um oposição mais ferrenha. O que está em xeque é a sobrevivência do partido no DF. O PT não pode deixar o fracasso subir na cabeça.

Os deputados que formarão a base aliada não deixarão de indicar cargos no Executivo. Isso é natural. Faz parte do processo político. O que não pode é que essas indicações sejam usadas para métodos nada republicanos.

Rodrigo tem tudo para fazer um bom governo. E trazer de volta a confiança que a sociedade perdeu no GDF nas últimas duas gestões eleitas. E nada melhor para governar o DF do que a geração que nasceu e cresceu, e traz um sentimento afetivo pela cidade. Que venha a Geração Brasília!

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