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Por Ricardo Callado - Mais uma vez a campanha política toma o rumo da baixaria. Numa eleição não existe o ditado que quando um não quer, dois não brigam. Isso serve para contenda de casal. Numa disputa eleitoral, quando um dos candidatos parte para cima do outro e baixa o nível, o outro tem a obrigação de responder. Não existe tempo para pensar. É preciso dar o troco imediatamente para que não se perca votos. Se bem que a resposta deve ser, preferencialmente, em alto nível.

Mentiras e ataques pessoais são alguns dos meios usados numa campanha de esgoto. E o eleitor é obrigado a tapar o nariz e assistir o vexame em que está se tornando o processo democrático. Se o ato de votar em uma eleição é uma lição de cidadania, não se pode dizer o mesmo dos comportamentos dos pretensos representantes. Depois fica difícil reclamar o número alto de eleitores que anulam o voto.

Os debates recentes mostram embates duros entre Jofran Frejat (PR) e Rodrigo Rollemberg (PSB). O tom das críticas acaba descambando para baixarias. Sobra para todo mundo. Frejat escolheu a tática de confundir o eleitorado e carimbar na testa de Rollemberg que ele é um novo Agnelo.

O governador do PT derrotado no primeiro turno não ficou de fora da reta final da campanha. Sempre que pode, Frejat cita o petista. Para deixar o eleitor mais confuso, ele próprio se confunde propositalmente e chama Rollemberg de Agnelo.

Para contra-atacar, Rollemberg lembra dos aliados de Frejat. Entre eles, cita o ex-governador José Roberto Arruda (PR), o ex-senador Luiz Estevão (PRTB), o ex-presidente do PR, Valdemar da Costa Neto e o senador Gim Argelllo (PTB).

Quando Frejat diz que Rollemberg entrou sem concurso público no Senado, o candidato do PSB cita quatro ações de improbidade administrativa que o representante do PR responde quando foi secretário de Saúde. E chumbo trocado não dói.

E o eleitor? Bem, esse fica esperando as propostas! E quando elas aparecem, ainda são difíceis de acreditar. O Frejat tirou da cartola aquilo que sua equipe de campanha chama de a “bala de prata”. A ideia genial para vencer as eleições. Trata-se da Tarifa Frejat, fixando a passagem de ônibus a R$ 1,00. Para completar, serão colocados imediatamente no dia 1 de janeiro de 2015 mais 700 ônibus novos para circular.

O projeto é genial. Não existe um cidadão que possa ser contra. Estimula o uso do transporte coletivo, diminui a quantidade de veículos particulares nas ruas e traz mais conforto para os usuários, com mais ônibus e linhas.

Na prática, é uma proposta bem difícil de ser concretizada. Primeiro pelo alto custo, já que a diferença de tarifa será subsidiada pelo governo, algo em torno de mais R$ 3,00. Não igual aos restaurantes comunitários, que são poucos e tem um custo baixo em comparação o sistema de transporte. Outra coisa: 700 ônibus novos não existem para pronto entrega no mercado.

Além disso, Agnelo vai entregar ao sucessor um governo quebrado. Com muitas dívidas e desorganizado financeiramente. Fala-se em torno de R$ 2,2 bilhões o tamanho do buraco que Frejat ou Rollemberg vai herdar.

Entre as propostas de Rollemberg estão as eleições para administrador regional. A ideia é muito boa. A população vai ter o direito de escolher quem gostaria de comandar a sua região administrativa. Não prática, não ficou bem explicado como isso vai funcionar.

Tem ainda as complicações políticas. Pode haver casos de serem eleitos adversários do governador, o que inviabilizaria o trabalho. Por exemplo: se eleito governador, Rollemberg poderia ter Jofran Frejat como administrador do Lago Sul; Arruda administrando o Gama; Joaquim Roriz à frente da administração regional de Samambaia; E, Agnelo, no comando do Plano Piloto. São casos que podem acontecer. E tem tudo para não dar certo. E não dará!

Enquanto se troca acusações e espalham baixarias, o eleitor espera propostas concretas para a saúde, a educação e a segurança. Projetos para mobilidade urbano e desenvolvimento da cidade. Seria muito pedir para Frejat e Rollemberg mais propostas e menos baixarias. Entretanto, a disputa pelo poder tornou-se um vale tudo. Faltam poucos dias para o brasiliense ir novamente as urnas. Ainda dá tempo dos candidatos apresentarem projetos e propostas. Mas duvido. Quem está atrás nas intenções de voto vai partir para o ataque. E quem é atacado vai responder a altura.

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