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Por Ricardo CalladoChegou a hora de decidir o voto. De escolher aquele que melhor pode governar o Distrito Federal. Que apresentou as melhores propostas. Ou, pelo menos, conseguiu convencer o eleitor de que merece um voto de confiança.

A eleição no Distrito Federal se encaminha para um segundo turno. O senador Rodrigo Rollemberg (PSB) parece ter garantido a vaga para a próxima fase da disputa. E espera o adversário que vai confrontar ideias.

Jofran Frejat (PR) é o provável adversário de Rollemberg. Vem numa linha ascendente. E herdando os votos do ex-governador José Roberto Arruda (PR), que liderou as pesquisa com folga antes de ser abatido por manobras na justiça.

Até por isso vem sendo o alvo principal de ataques por parte da campanha do candidato à reeleição, Agnelo Queiroz (PT). A semana que se inicia será sangrenta. O jogo sujo vai partir de onde o desespero bater mais forte.

O eleitor mostrou que a campanha do medo ou da baixaria não pega. Os ataques abaixo da linha de cintura aos adversários saem como tiros no pé. O candidato que apela acaba sendo repelido pelo eleitor.

Agnelo Queiroz depende da militância para ir ao segundo turno. Muitos candidatos a deputado abandonaram a campanha do governador. Cada um tem o seu motivo, que vão desde ao não cumprimento de acordos à falta de perspectiva de poder. E começam a se articular para ficar bem com o próximo governo.

O comício na noite de quinta-feira (25), em Ceilândia, com a presença do ex-presidente Lula, e a onda vermelha que sempre acontece na semana que antecede o dia da eleição, são as cartadas finais do governador para continuar na disputa.

Lula ainda tem alguma força política no Distrito Federal. Dilma nem veio ao comício. Também não faria muita diferença. Em Brasília, a rejeição da atual presidente é maior que a do próprio governador Agnelo.

A campanha de Agnelo não trabalhou para diminuir a rejeição do candidato à reeleição. Gastaram muito tempo em tribunais para tirar Arruda, ao mesmo tempo que vendia uma Brasília maravilha na propaganda da TV. A população não engoliu a fantasia. Faltou sinceridade.

Agnelo tem uma rejeição que se aproxima de 50%. Ou seja, quase metade do eleitor brasiliense diz que não vai vota nele de jeito nenhum. É a maior do país entre os candidatos à reeleição. A rejeição de Rollemberg, por exemplo, é de 5%. Quase não existe. Isso torna a situação do governador muito difícil.

A equipe que trabalha na campanha de Agnelo é experimentada. Atua na política brasiliense há pelo menos 20 anos. É a mesma que trabalhou com os ex-governadores Joaquim Roriz e José Roberto Arruda. Alguns métodos usados na propaganda deram certos em campanhas passadas. O que mudou é que Agnelo não tem o mesmo carisma que Roriz e Arruda. Nem o apelo eleitoral. Ai cria-se a dificuldade para os marqueteiros. É quando se separa os homens dos meninos e se sobressai quem é bom. E o bom é aquele sempre disposto a ouvir. Sem arrogância ou covardia.

Antigamente numa campanha eleitoral o candidato para vencer uma eleição tinha que ter voto. Este tipo de político populista está em extinção. Hoje é necessário, entre outras coisas, não ser rejeitado. Precisa que a publicidade de suas ações pessoais e de seu trabalho surta efeito. E esse erro já foi assumido pelo próprio Agnelo em entrevista ao Jornal da Comunidade.

Em política tudo é possível. A onda vermelha pode dar certo. Se Agnelo for ao segundo turno contra  Rollemberg, tem que agradecer em muito a militância do PT que sempre foi aguerrida e vibrante. Mas que hoje está escondida em gabinetes na administração pública.

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