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Por Ricardo Callado - Em 2009, o delegado aposentado Durval Barbosa, que comandava o esquema de corrupção no Governo do Distrito Federal junto a empresas de tecnologia, perdia espaço no governo Arruda. Na administração anterior, do ex-governador Joaquim Roriz, Barbosa nadava de braçada à frente da Codeplan e atendia a todos e a si próprio com o esquema que desviou centenas de milhões de reais dos cofres do GDF.

Barbosa se viu pressionado pela justiça e cada vez mais perto de encarar a prisão. Arruda não lhe deu o apoio necessário. Jogou o ex-aliado as feras. Sem o esquema de corrupção, com a justiça lhe apertando e um eminente mandado de prisão, Durval Barbosa montou o que seria o plano perfeito.

A jogada foi aderir a um acordo de delação premiada com o Ministério Público e a Justiça e entregar provas contra o então governador José Roberto Arruda, o seu vice, Paulo Octávio, além de deputados distritais e secretários de GDF. A escolha dos nomes a ser atingidos foi criteriosa. Alguns fitas ficaram guardadas convenientemente.

Como pano de fundo, a operação tinha o objetivo de colocar Joaquim Roriz de volta no Palácio do Buriti. Sem Arruda no páreo, pensava-se que seria fácil o ex-governador ganhar o quinto mandato. Não foi isso que aconteceu. A operação denominada Caixa de Pandora ficou fora de controle e atingiu gente demais. A economia da cidade parou. As instituições foram desmoralizadas. E, por ser próximo ao delator, o efeito negativo respingou em Roriz.

O governo acabou caindo no colo do petista Agnelo Queiroz, que quase nada tinha a ver com o caso. Agnelo não participou da montagem do esquema para derrubar Arruda, mas Durval Barbosa mostrou as gravações para ele antes do escândalo vir à tona. E acabou sendo o maior beneficiado.

Em 2014 a história se repete. E os personagens também. Arruda é novamente candidato ao GDF. Parte da turma da delação da Caixa de Pandora se uniu a campanha de reeleição de Agnelo. E a justiça é novamente o palco das decisões do destino eleitoral do Palácio do Buriti. Processos andaram mais rápidos do que deviam. Gravações clandestinas surgiram para complicar ainda mais o caso. O submundo da política do DF atuou novamente. E Durval e sua turma estão mais vivos do que nunca.

As pressões por parte da equipe jurídica de Agnelo para que Arruda tivesse o registro de sua candidatura indeferida foram intensas. E deu resultado. Arruda está por um fio de esperança. Só resta ao Supremo Tribunal Federal (STF) jogar a pá de cal para enterrar de vez as pretensões do ex-governador retornar ao GDF.

Para completar a coincidência, falta Arruda abrir mão da candidatura e colocar sua mulher, Flávia Peres, como sua substituta, assim como fez Roriz em 2010, sendo substituído por dona Weslian. O que acabou sendo um desastre, para a sorte de Agnelo. Flávia seria a Weslian 2.0.

O enredo é tão parecido que o maior beneficiado pode ser alguém que novamente nada tem a ver com a história. Em 2010, o projeto era tirar Arruda para beneficiar Roriz, mas quem levou foi Agnelo. Em 2014, o plano é de novo tirar Arruda, desta vez para beneficiar Agnelo, mas a campanha eleitoral segue um caminho para dar a vitória ao candidato Rodrigo Rollemberg (PSB). Ou seja, se alguém ainda tem dúvidas, o crime não compensa mesmo. Para nenhum dos lados.

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