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Por Ricardo Callado – Que a política interfere na vida das pessoas, é fato. No preço da carne, da gasolina, da cesta básica. Por mais que os nossos políticos nos deem exemplos não dignificantes, não podemos nos afastar da política. Isso não significa se filiar a um partido político. O eleitor não deve ser apolítico, nem político, e sim um cidadão que vota. Consciente que a sua decisão pode interferir na vida da sua cidade, do seu país.

Estamos a pouco mais de trinta dias para as eleições de 5 de outubro. Quanto mais se aproxima do dia de votação, mais se vê pessoas conversando sobre política. E isso é bom. Se respira democracia e cidadania.

Se conversa política no local de trabalho, nos bares, salões, nos ônibus, em casa com a família. E é importante que seja assim. Desta maneira, se constrói um país melhor. Com a conscientização política.

Sobre a disputa pelo governo do Distrito Federal, muitos assuntos podem ser discutidos. O caso do ex-governador José Roberto Arruda (PR), por exemplo. A conversa poderia começar sobre ele ser teimoso ou se tem razão em continuar recorrendo a justiça para ser candidato.

Arruda diz que não abre mão da disputa. Não concorda com a decisão que indeferiu a sua candidatura. E que a eleição serviria para limpar a sua honra. Sem entrar no mérito, Arruda é um misto de teimoso com franco atirador. Não tem nada a perder.

E o eleitor ainda o acha o melhor dos candidatos ao GDF. Pelo menos é o que dizem as pesquisas de intenção de voto. Cada paulada que Arruda leva na justiça, mas ele cresce e se distancia dos adversários.

A campanha do ex-governador está por um fio. O Supremo Tribunal Federal é o último suspiro. E Arruda inicia o julgamento perdendo de dois a um, se levar em conta uma possível repetição dos votos de Gilmar Mendes, Luiz Fux e Dias Tofolli. Os três participaram do julgamento no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A jurisprudência está a favor de Arruda. A opinião pública é contrária. Arruda não está conseguindo se descolar do “rouba mais faz”.

Na roda de conversa, se fala também do desempenho do governador Agnelo Queiroz (PT) em debates e entrevistas. A desenvoltura do petista melhorou muito. Fala melhor e consegue articular frases com sentido. Ainda é ruim. Mas era muito pior em 2010. O gestual desengonçado também melhorou. Está mais comedido. Não é mais aquele boneco de posto da eleição passada. Está hoje mais para um boneco de Olinda.

Rodrigo Rollemberg (PSB) precisa despertar. Em alguns debates ou até mesmo em conversa de roda no programa eleitoral, o candidato parece que está com preguiça. De falar, olhar e se expressar. Rollemberg precisa olhar mais fixamente, falar com firmeza e apontar (teoricamente) o dedo da cara do assunto que está sendo discutido. Cara de bom moço com preguiça não fazer dele governador. Um pouco de atitude faz toda a diferença.

Nas conversas sobre as eleições deste ano, uma pergunta sempre é repetida: Quem é Pitiman? Para a maioria da população, um mero desconhecido. É deputado de primeira viagem. Foi eleito em 2010 com muito dinheiro e os votos de Tadeu Filippelli. Trabalhou com Arruda e Agnelo, mas disputa a eleição contra os dois. Um pouco mais contra o governador, do que contar o ex.

Pitiman que ser a novidade. Mas para ser o novo, precisa ser conhecido. O programa dele no horário político é um dos melhores apresentados. Não vai virar governador nessas eleições porque tem gente na fila. E na política isso conta muito.

De Toninho do Psol se fala pouco. É aquele candidato que foi do PT e se desfiliou quando o partido teve o apagão ético no escândalo do mensalão. Juntou-se a outros petistas arrependidos e fundou o PSol.

Foi a grande surpresa de 2010, quando a Caixa de Pandora passou como um furacão pela política de Brasília. Toninho conseguiu o voto de protesto e teve 15% do eleitorado. Em 2014, vai tomar um choque de realidade. Não passa dos 5%.

Nos próximos trinta dias as conversas sobre política serão essenciais para definição do voto. E construir uma tendência que deve ser cristalizada em meados de setembro. Os candidatos irão atras da bala de prata para alvejar os adversários. E dá inicio a carnificina eleitoral.

Já o eleitor buscará uma administração que faça de nossa cidade um lugar melhor para se viver. Sem jogo baixo e sujo. Os políticos não entenderam que a população não aceita mais jogo sujo, mesmo que para isso tenha que transformar o culpado em vítima. E, se isso acontecer, a culpa não será do eleitor, e sim da qualidade dos discursos dos políticos.

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