Depois do furacão provocado pela operação Caixa de Pandora, o quadro sucessório do governador José Roberto Arruda (sem partido) começa a se desenhar. Novos e velhos candidatos surgem como alternativas para as eleições de outubro deste ano. Sem poder ser candidato à reeleição, Arruda deve concentrar sua atenção na administração. Ele traçou como meta terminar seu governo como o melhor já feito no Distrito Federal. Quer colocar positivamente seu nome na história da cidade, contrabalançando com o suposto envolvimento na investigação feita pela Polícia Federal.
Quem mais lucrou até agora, segundo pesquisas de opinião pública, foi o ex-governador Joaquim Roriz (PSC). Ele aparece bem colocado em todos os levantamentos e, hoje, é favorito. O quadro pode mudar por dois fatores: o índice de rejeição do ex-governador e caso a Caixa de Pandora respingue em sua gestão, já que muitas gravações foram feitas quando Durval Barbosa era presidente da Codeplan na administração de Roriz.
Cristovam Buarque (PDT) até que ciscou, tentando voltar ao GDF, mas seu nome não ganhou a repercussão esperada. Não deve embarcar nessa aventura com medo de correr o risco de ser derrotado novamente por Roriz e, ainda, ficar sem mandato. Seu destino será mesmo o Senado, onde aparece como favorito nas pesquisas para uma das duas vagas.
O PT parece que decidiu ir com o ex-ministro dos Esportes, Agnelo Queiroz. Dos citados até aqui, todos já disputaram eleições majoritárias. Agnelo, por exemplo, travou em 2006 um grande embate com Roriz por uma vaga ao Senado. Saiu derrotado, mas deu um calor no ex-governador. O petista terá a missão de reconstruir o PT na capital federal, já que a sigla vem amargando seguidas derrotas nos últimos pleitos. Na ultima eleição ficou na vexatória terceira posição, a pior já alcançada pela legenda do presidente Lula.
A eleição deste ano propicia o surgimento de uma terceira via. E o nome mais bem colocado é o do deputado distrital José Antonio Reguffe (PDT), que faz oposição do GDF. Mesmo sem colocar o bloco na rua, com pouco espaço na mídia e o anúncio oficial de seu partido, Reguffe consegue abocanhar cerca de 8% do eleitorado e possui o menor índice de rejeição. Conseguindo chegar a um segundo turno, suas chances aumentariam muito com um leque maior de apoio e um tempo de TV dividido igualmente.
É um político polêmico pelas posições éticas que defende, desagradando dez entre dez políticos brasilienses. Esse é um problema que vai enfrentar. Sem apoio político não existe candidatura. Mas possui o respaldo da população. De tempos em tempos, estados brasileiros conseguem romper o continuísmo e promovem uma grande revolução política. No DF isso até hoje não aconteceu efetivamente.
O grande desafio de Reguffe no momento está dentro de casa. Ele tem de convencer seu partido a fazê-lo candidato. No pedetismo, muitos preferem flertar com o PT, tanto a nível local como regional.
O presidente da legenda, Carlos Lupi, faz a opção, hoje, de manter o seu cargo de ministro do Trabalho. Teme uma derrota fragorosa na tentativa de se reeleger deputado federal pelo Rio de Janeiro. Para manter o poder, pode arrastar a sigla a desistir de candidaturas próprias regionais para apoiar a ministra Dilma Rousseff à Presidência da República.
Enquanto o partido não lhe dá sinal verde, Reguffe vem sendo uma voz quase solitária na defesa das investigações da Caixa de Pandora. As exceções são alguns distritais do PT (o partido possui quatro) que, vez ou outra, colocam a cara de fora para fazer críticas, mas depois a recolhem estrategicamente. Para não ficar ainda mais feio, o braço do petismo formado por sindicalistas e estudantes faz o papel da oposição, com manifestações e ocupações. Outros nomes também podem surgir em partidos como o PSB.
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