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Razão ou emoção: o desafio de Arruda

November 3rd, 2009

 

Entender a cabeça do leitor é de fundir a própria cuca de políticos e de analistas. Entender a lógica que orienta o eleitor na sua decisão de voto é motivo de muitas pesquisas de opinião e reuniões entre as cabeças coroadas de campanhas eleitorais. Partindo dessa premissa, o governador e candidato a reeleição em 2010, José Roberto Arruda (DEM), terá um grande e dificil desafio nos próximos meses: fazer a população acreditar que o que ele fez foi ele mesmo quem fez. Parece complicado de entender mais se torna fácil quando pegamos um exemplo prático, como o dos moradores do Itapoã, uma das regiões mais carentes do Distrito Federal.

 

Ali, em 2001, o ex-governador Joaquim Roriz (PSC) fez vistas grossas e até incentivou com discursos populistas a invasão de um bom pedaço de cerrado por famílias pobres, sob o comando do então deputado distrital José Edmar (PMDB), seu aliado e atualmente suplente de deputado federal. No local, nasceu uma grande favela, que hoje se tornou cidade e vai ganhando aos poucos a infraestrutura necessária para manter a dignidade de sua população.

 

A nova cidade já ganhou posto policial 24 horas, asfalto em muitas de suas ruas e vielas, área de lazer, escola. Estão em obras um centro de saúde 24 horas, um restaurante comunitário e a drenagem pluvial para o asfaltamento. O Itapoã também terá uma Vila Olímpica, um centro de ensino fundamental e mais três postos policiais. Tudo muito bom e que deveria render altos dividendos eleitorais junto aos moradores, mas a prática não é bem assim.

 

Devido à colaboração e à omissão de Roriz, essas famílias conquistaram um pedaço de chão. Hoje, prestes a receber a escritura definitiva das mãos do governador Arruda, irão conquistar o sonho da casa própria. Aí está o desafio: Quem permitiu a essas pessoas terem o seu lar. Arruda que deve entregar o documento de propriedade ou Roriz que é chamado de pai do Itapoã?

 

Ser ou não ser. O dilema também está na cabeça dos moradores. Conversando com algum deles, irão responder mais ou menos assim: “Quem me deu a escritura foi o Arruda, mas quem me deu a casa foi o Roriz”. Ou seja, Arruda vai ter que suar muito para colocar na cabeça da população que foi ele quem levou a infraestrutura, a cidadania e a legalidade na cidade. Vai ter que trabalhar com a razão, enquanto Roriz, seu principal adversário em 2010, aposta na emoção. Mas, para Arruda, só a razão não basta, tem que tocar nas almas das pessoas com obras que mudem as suas vidas. Esse exemplo é o do Itapoã, mas pode ser estendido para todas as cidades do Distrito Federal.

 

A pecha que os adversários, principalmente o PT, colocou em Roriz ao longo dos anos de que ele favelizou Brasília, inchou o Distrito Federal, foi um tiro que saiu pela culatra. Criou-se uma cultura entre o cidadão das classes média e alta de que o ex-governador é o responsável pelo crescimento desordenado. Roriz aproveitou e capitaneou a acusação como uma virtude. Fez do limão uma limonada. A crença é tão forte que agora a dificuldade é para tirar da cabeça dos mais pobres que Roriz é o responsável por distribuir moradia no DF, o que não deixa de ser verdade. Mesmo, muitas vezes, em situações subumanas e sem nenhuma condição de cidadania. Aos futuros governantes, como Arruda, ficou a missão de levar qualidade de vida e regularizar essas comunidades. E, ainda, convencê-las de que foram eles que concretizaram de verdade o sonho da casa própria.

 

O grande problema é que os menos escolarizados são manipulados com mais facilidade, com mais emoções e com muito menos dinheiro do que se imagina. Muitas vezes não querem acreditar no que está na sua frente, mas acreditar apenas no que querem acreditar. Vai entender! Esse é um grande desafio para Arruda.

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