Corre na cidade a seguinte piada: assessores informam ao vice-governador do Distrito Federal, Paulo Octávio (DEM), que o atual sumo pontífice da Igreja Católica, Joseph Ratzinger, o Papa Bento XVI, estaria doente e abdicando de seu posto. E, ainda, que PO é o favorito para assumir o mais alto cargo da hierarquia dos católicos. Diante da notícia, Paulo Octávio responde, categoricamente: “Não, eu prefiro ser vice-governador”.
A história acima, claro, não passa de uma brincadeira, mas tem seu fundo de verdade e serve para derrubar certos mitos que surgem vez ou outra na política brasiliense. O principal deles é que Paulo Octávio abriria mão da candidatura de vice na chapa de re-eleição do governador José Roberto Arruda (DEM) para 2010, para ser candidato a uma das duas vagas ao Senado. Em seu lugar, apareceria como vice o deputado federal Tadeu Filippelli (PMDB). Pura especulação que, hoje, não tem o menor sentido.
PO não tem nenhum interesse em deixar o Governo do Distrito Federal (GDF) para retornar ao Congresso Nacional, de onde ele já abriu mão do mandato de senador em 2006. Para ele, seria dar um passo para trás. Paulo Octávio está muito bem, mas bem mesmo, no Executivo. Possui a sua cota de influência, o naco de poder e participa de decisões importantes nos negócios de Estado. Ao longo dos últimos três anos, ele assumiu compromissos em projetos que não podem parar e nem PO pretende afastar-se deles.
Além de vice-governador, é o titular da Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Comércio e Turismo, pasta que participa ativamente na interlocução entre GDF e o setor produtivo, seja ele do segmento da construção civil, do setor de serviços, de eventos ou industrial.
Além disso, Paulo Octávio sonha em ser governador no futuro, que pode tornar-se realidade em abril de 2014, numa eventual re-eleição da chapa Arruda-PO em 2010. No fim do segundo mandato, Arruda poderá renunciar (desincompatibilizar) o governo para tentar uma candidatura a outro cargo político. Acontecendo isso, PO vira o novo chefe do Executivo e pode ir às urnas para disputar uma re-eleição. Seria o auge de uma carreira de sucesso tanto como empresário, quanto como político.
Isso é mais comum do que parece. Aconteceu em 2006, quando o então governador Joaquim Roriz (PSC) deixou o GDF para buscar uma cadeira no Senado (mas aí veio o cheque e…). A sua vice, Maria de Lourdes Abadia (PSDB), virou governadora por nove meses, tentou a re-eleição e perdeu. Abadia não deu sorte. Ao mesmo tempo que não conseguiu governar de fato, já que no acordo com Roriz ele ficou com uma boa fatia da administração, foi abandonada por seu aliado no meio da campanha eleitoral.
No início de 2007, Paulo Octávio até chegou a acreditar que poderia ser governador já em 2010. Por várias vezes batia o martelo no prego de um acordo assinado no ano anterior, meses antes de deflagrar a chapa pura. Ele (senador) e o então deputado federal José Roberto Arruda disputavam dentro do ex-PFL (hoje Democratas) a condição de ser o cabeça de chapa para governador. A disputa criou uma cizânia dentro da legenda chegando a ponto de apoiadores dos dois lados entrarem em conflito físico. Com apoio da cúpula nacional da sigla, sob mediação do ex-presidente pefelista Jorge Bornhausen (SC), e ainda com pesquisas em mãos onde aparecia sempre em primeiro e em boa vantagem sobre Paulo Octávio, Arruda conseguiu costurar um acordo.
Ele se comprometeria em governar somente até 2010, quando abriria mão para a candidatura de PO. O documento assinado por Arruda está sob guarda do intermediador da história, deputado federal Osório Adriano (DEM). Mas, o acordo apodreceu. E por muitos fatores. Um deles é que Arruda continua liderando os levantamentos de intenções de votos, enquanto PO fica em segundo quando seu nome é colocado na disputa. Outro, e não menos importante, é que o DF é a única unidade da federação administrada pelo DEM, e o partido não pretende arriscar perder o seu ninho.
Por todos esses fatos se deve descartar uma possível postulação de Paulo Octávio a papa ou a qualquer outro cargo político. PO quer ser vice.
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Arruda, Eleições 2010, Paulo Octávio, Tadeu Filippelli