Página principal > Política > Aberta a temporada de traição na política

Aberta a temporada de traição na política

 

O tema não é novo, mas nunca deixou de ser atual. Em 2010, será o mote da eleição no DF. Faz parte do jogo e, infelizmente, é jogado pela maioria. Em política, a traição é um recurso tão aceitável quanto a aliança, que nesse complexo de interesses, onde se exclui a honestidade e o interesse público, a traição é uma questão de tempo.

 

Em Brasília, delineia-se um quadro de traição explícita com a divisão do grupo político que esteve no poder nos últimos três governos. O governador Arruda (DEM) é oriundo do grupo político do ex-governador Roriz (PMDB) e ambos convivem com a deslealdade de seus aliados.

 

A política, como em nenhuma outra atividade, no sentido da luta pelo poder, implica tanta disposição a trair. Maquiavel situou a traição dentro da “virtú” política, que pouco tem a ver com a moral e com o ódio. As traições ocorrem dentro de um mesmo grupo político. Não se trata de se passar ao inimigo, mas de trair o amigo, o companheiro, dentro do próprio grupo.

 

Em regra, os traidores são pessoas medíocres, oportunistas e arranjistas, em busca de vantagens ilícitas. Na política, entretanto, a traição exige inteligência. Roriz é um dos políticos mais inteligentes do cenário brasiliense. Arruda não fica atrás e é conhecido por suas habilidades em costuras partidárias e negociações até com opositores. Mas, tanta esperteza não impediu a traição de aliados que tiveram ascensão na mão de um ou de outro.

 

O caso de Roriz, por estar fora do poder, é o mais notório. Alguns parlamentares e suplentes bem votados em 2006 optaram por seguir Arruda, abandonando anos de militância com o velho cacique. A aposta é que, com a idade mais avançada de Roriz, teriam vida mais longa junto ao atual governador, anos mais moço.

 

Tem caso de ex-neo-rorizista que frequentava a casa do peemedebista e era considerado até membro da família. Nunca teve mandato, mas ocupou importantes cargos graças a Roriz. Na primeira oportunidade, deu as costas para o “chefe” em troca de continuar no primeiro escalão do GDF. E os exemplos são vários.

 

Arruda também tem as suas dificuldades. Muitas lideranças políticas que estão enganchados no GDF esperam o melhor momento para desembarcar do arrudismo. Estão com filiação em partidos ligados a Roriz, assinadas e guardadas nas gavetas da direção das legendas para não chamar a atenção e, consequentemente, perderem os empregos públicos.

 

Na quinta-feira (10), por exemplo, alguns foram desmascarados através de uma carta do deputado José Edmar (PR) a Arruda. Ele cita 30 pessoas empregadas na Administração da Estrutural que seriam ligadas ao ex-governador e estariam jogando contra. Diz, ainda, que foram indicações dos rorizistas Laerte Bessa (PMDB) e Jaqueline Roriz (ex-PSDB, sem partido) e do petebista Cristiano Araújo, ligado ao senador Gim Argello. Gim era suplente de Roriz e ganhou o mandato após não aceitar o pedido feito por seu ex-líder político para renúncia em bloco ao mandato no Senado. Mas, aí, já é outra história.

 

Não só os partidos pequenos estão recheados de rorizistas. Os grandes começam a perder parlamentares que pretendem subir no palanque do peemedebista. Para não perder o mandato, usam as artimanhas que a traição permite, desde a expulsão amigável, passando pela criação de novo partido, até o apoio a CPIs para causar transtornos ao Governo. Talvez as investigações das CPIs não deem em nada, mas causará um noticiário negativo às vésperas das eleições. Isso é tudo que nenhum governante quer enfrentar.

 

Para completar o quadro, Arruda estava nos EUA no momento da criação da CPI Digital. O presidente da Câmara, Leonardo Prudente (DEM), também estava fora do país. A ausência foi um prato cheio para a traição. A oposição, que não tem nada a ver com isso, comemorou. O vice-presidente, Cabo Patrício, que é do PT, assumiu a cadeira de chefe do Legislativo e retirou da gaveta os pedidos de CPIs que incomodam o governador. Mas, como não tem votos suficientes para a façanha, contou com uma mãozinha dos governistas insatisfeitos.

 

Essa base aliada que Arruda cultivou nos últimos dois anos e meio nunca foi aliada. Pelo menos a metade se coça quando tem oportunidade. O próprio Roriz já passou maus bocados nas mãos de um grupo de distritais que comanda a Casa há cerca de seis anos. As traições são constantes e surgem a cada conveniência. Em 2006, Arruda não teve opção e precisou do grupo para chegar ao poder. Em 2010, estuda apoiar o maior número de candidatos com um grau de traição menor e apear os desleais da Câmara Legislativa. Esse mesmo grupo mostra tendência de seguir com Roriz, para temor dos rorizistas.

Política , ,

  1. 23 de janeiro, 2011 em 18:10 | #1

    mondo almanac you teem with

  2. 16 de fevereiro, 2011 em 04:20 | #2

    I’d have to consent with you here. Which is not something I usually do! I really like reading a post that will make people think. Also, thanks for allowing me to speak my mind!

  1. Sem trackbacks.

Spam Protection by WP-SpamFree