Por Marcos Machado, do Blog do Plenário
Melancólica, desequilibrada e violenta a saída do deputado distrital Alírio Neto (PPS), da Presidência da Câmara Legislativa. Uma noite (de quinta-feira -18) que prometia ser coroada de êxito acabou mais cedo para um pequeno grupo de servidores da Casa, em especial, para dois jornalistas agredidos pelo parlamentar. Um deles, este blogueiro.
O primeiro, ainda na área da festa realizada pela Associação dos Servidores, foi o jornalista Zildenor Dourado, do quadro da CLDF, lotado na Coordenadoria de Comunicação Social. Ao terminar seu pronunciamento, Alírio deixou o palanque e correu em direção ao jornalista, que estava sentado, enfiando-lhe a mão no rosto, derrubando-o ao chão. Antes, quando Alírio, no palanque, relatava conquista de sua gestão, Zildenor, um contumaz crítico de atitudes polêmicas do deputado, havia feito gestos, em tom de brincadeira e de descontentamento. Nada que justificasse o desequilíbrio do ainda presidente do Poder Legislativo local.
Não assisti ao episódio, relatado em detalhes pelas dezenas de testemunhas, pois no momento da confusão, tinha ido ao banheiro. Sequer havia tomado ciência do que ocorrera minutos antes, quando cruzei com o parlamentar no corredor. Ao fazer menção de cumprimentá-lo, fui surpreendido com um empurrão de encontro à parede do corredor e a ameaça explícita de dedo em riste: “você vai ser o próximo para parar com palhaçada!”.
Não entendi o que queria dizer, pois ainda desconhecia a agressão ao Zildenor. Confesso que fiquei meio desconsertado e ainda perguntei do que ele estava falando. Bem, provavelmente a “palhaçada” a que se referia tratava das sutis críticas a estratégia, adotada por ele, na infantil tentativa de reeleição para a Presidência do Legislativo. Aliás, mais alertas do que críticas, e nem de perto tão contundentes quanto à de outros profissionais da área.
Zildenor registrou ocorrência na 2ª Delegacia de Polícia, que fica ao lado da sede da CLDF. Eu, sinceramente, prefiro não prolongar a questão. Nem preciso comentar os desgastes decorrentes de uma ação que, neste país em que vivemos, são públicos e notórios. Prefiro esquecer o que considero um desabafo pelas frustrações que a vida pública, e política, geram. Afinal, amigos (ou ex-amigos), e ex-colaboradores, são para essas coisas. Mesmo porque, não me lembro de outras testemunhas que não sejam alguns “assessores” do deputado e seus seguranças que o acompanhavam, já que estava distante da área da festa.
Conheço Alírio, a quem assessorei por um curto período, há alguns anos e sei de sua índole, que é boa. Chega a ser ingênuo e, por conseguinte, facilmente influenciável por más assessorias, como no caso da reeleição. Quem sabe tenha sido fatalmente contagiado pela “maldição da cadeira” e não tenha conseguido, ainda, digerir a derrota, imposta por uma desastrada tentativa de fazer valer seus desejos.
Nem, também, será preciso falar do estresse emocional resultante das negociações dos últimos dias. A última, na tarde de terça-feira (16), que originou o veto a reposição salarial dos servidores da CLDF. Convenhamos, o deputado deveria estar uma pilha…
Naturalmente, Alírio paga o preço por seus próprios erros. Mas, como sempre, é a imprensa a responsável…
Por hoje, ou melhor, por agora, chega. Depois eu continuo. Vou dormir porque devo levantar às 5h para começar a trabalhar. Afinal, foi assim que aprendi a ganhar a vida, trabalhando, e muito, conforme me ensinaram meus pais.
Local, Política
Alírio Neto, Câmara Legislativa