OPINIÃO: Na política, 2012 começa agora
Com o fim das férias, a primeira semana de fevereiro deve ser de articulações no Legislativo e no Executivo. Os dois poderes vão se debruçar em uma pauta política intensa e anunciar decisões que afetarão o dia a dia do brasiliense.
Do lado da Câmara Legislativa, além das novidades de três novos deputados – Arlete Sampaio (PT), Robério Negreiros (PMDB) e Paulo Roriz (DEM) -, importantes projetos como o Plano Diretor de Ordenamento Territorial (PDOT) e a Lei de Uso e Ordenamento do Solo (Luos) irão encabeçar as discussões, somando-se a outros projetos de interesse relevante da sociedade, como o da proibição da exigência do cheque caução em hospitais particulares e o combate à máfia dos combustíveis, defendidos pelo deputado Chico Vigilante (PT).
São assuntos importantes e o desafio do deputado Patrício (PT), presidente da Câmara Legislativa, é evitar que essas discussões não sejam contaminadas pelo debate político, que promete se acirrar nos próximos meses. Um dos assuntos mais polêmicos é a sucessão de Patrício, que vem sendo discutida, de maneira equivocada, um ano antes da eleição da nova Mesa Diretora da Casa.
É certo que político adora uma eleição, mas o exagero não é recomendável. O que se vê hoje na Câmara Legislativa são deputados candidatos a qualquer coisa que pintar. Tem candidatos a vaga no Tribunal de Contas do Distrito Federal (TCDF), que não se sabe ao certo quando surgirá; a cargos na Mesa Diretora da CLDF em 2013; e até ao Senado e ao Governo em 2014.
Para o cargo de presidente da Câmara, o que não faltam são postulantes. Chega ao absurdo de até suplente no exercício do cargo querer a cadeira, o que juridicamente não é possível. Até o próprio Patrício faz contatos e conta os votos para tentar modificar a Lei Orgânica do Distrito Federal que veda a reeleição de membros da Mesa Diretora numa mesma legislatura.
Pela legislação atual, ele estaria fora do páreo. Mas, se conseguir apoio para mudar as regras do jogo, terá que contar com 16 votos para a aprovação de uma emenda que lhe assegure a possibilidade de concorrer. Leonardo Prudente (sem partido, ex-DEM) e Alírio Neto (PPS) tentaram a mesma estratégia e se deram mal.
No Palácio do Buriti, o burburinho é a tão esperada reforma no primeiro escalão do governo, que promete dar eficiência à administração. Agnelo divide a sua decisão com poucos auxiliares, o que não evitou alguns vazamentos. O principal deles é a recriação da Casa Civil, dando um novo fôlego ao secretário de Governo, Paulo Tadeu.
Agnelo pretende que Tadeu tenha seu foco mais na articulação política, deixando a administração pública com um gestor experiente que vai chefiar a Casa Civil. A Secretaria de Governo está inchada em atribuição. O problema não é o Paulo Tadeu. É o poder excessivo acumulado na pasta de Governo. Ninguém daria conta do recado sem perder o foco e sem causar insatisfações entre aliados. O melhor é dividir as atribuições antes que Paulo Tadeu chegue torrado em 2014. Ser chamuscado ele não conseguiu evitar.
As outras mudanças ainda estão estudadas em segredo. Fala-se muito em mudar a comunicação do governo. Não em troca de nomes, mais em métodos. Agnelo precisa voltar a ser simpático e se livrar da pauta negativa. Precisa ser um governante leve, de bem com a vida e que consegue se comunicar com a sociedade. Para isso, alguns ajustes devem ser feitos.
O governo tem um saldo de realizações positivo, mas por algum mistério, ainda não conseguiu dizer a população o que faz. Assim, vem acumulando índices baixos de aprovação. Uma sacudida, como uma reforma no secretariado, é sempre bem vista pela sociedade. Passa a impressão que o Buriti vem agindo para corrigir o que está errado. Melhor do que um novo caminho, é o caminho certo.

















Cearense de Fortaleza, é diretor de Redação do Grupo Comunidade de
Comunicação - editor do Jornal da Comunidade, Jornal Coletivo e do portal Comuniweb.